Cantigas

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cantiga vem do céu: Impressões de Vivaldo de Jesus

Estive, ontem, reouvindo um CD que me chegou de maneira inusitada, aliás, como boa parte das experiências humanas significativas: de um furtivo encontro dentro de um ônibus... O repertório é, no mínimo, curioso e se alia à voz que faz ecoar alguma coisa que liga o barro ao chip, Gláuber a Almodóvar ou, ainda, João do Vale a Zeca Baleiro, concretizando (que palavra poderia ser mais adequada, hein, Haroldo de Campos?) os anseios modernistas mais básicos e, no entanto, essenciais. Era segunda, mas foi como um "Domingo no Parque" (adoro brincar com as palavras)! Pensei: esse canto é um link (ou uma ponte???). Na próxima vez, tentarei "clicar" sobre cada faixa e tenho a impressão que me levarão a outros universos, lugares, experiências...




Vivaldo GJ.



PS.: A poesia que habita em mim aguarda convites para se fazer manifesta. Vamos ao trabalho?!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amor, meu grande amor!


Amar ao próximo como a si mesmo é um mandamento bíblico. Ter a capacidade de se doar, se dar, se colocar no lugar do outro e estar apto a sentir são atitudes inscritas na mais perfeita ordem cristã, desde as falas mais famosas do Homem de Nazaré.

Amar é o verbo que caracteriza o filme Do começo ao fim
Doar-se é tudo o que os personagens centrais fazem.
Amar, amar e amar...

Não há momento da narrativa em que não se perceba o sentimento amor em evidência, seja na direção acertada de Aloísio Abranches, nas expressões de grandeza artística de Júlia Lemmertz ou nas inúmeras (e muito bem realizadas) cenas de amor carnal entre os personagens Francisco e Tomás. 

Os atores João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso interpretam de maneira tão íntegra os rapazes que se amam desde a infância que nossa sensação do outro lado da tela situa-se entre o louvar de um profissionalismo raro ou o desejo de que seja real mesmo.

Do começo ao fim nos remete aquelas histórias de amor que já vivemos, queremos viver ou fugimos a vida inteira: amor incondicional, sem travas, sem neuroses e com inteireza. 
Os rapazes - irmãos, cuja aproximação íntima chama atenção da mãe e de um dos pais logo cedo - poderiam ter sua história interrompida, tratada num divã psicanalítico ou mesmo agressivamante debelada pelas mãos da família, da escola ou de qualquer outra instituição social dessas que servem para tolhir e castrar...

Mas não; a conversa aqui é outra: o amor vence (do começo ao fim) e mesmo sem o mundo virar de ponta cabeça, como sugere o personagem Tomás, eles vivem uma intensa possibilidade de entrega pouco comum no mercado da vida contemporânea.

O diretor poucas vezes polemiza com o incesto e é aí que reside o maior mérito da obra: por vezes esquecemos que eles são irmãos e mesmo quando o pai e padrato deles entra em cena (vivido por Fábio Assunção), não há sinal de recalque, repreensão ou medo; simplesmente, em se tratando do amor deles, sempre foi assim. 

Tomás e Francisco se amavam desde cedo!
Enquanto outros filmes como Shelter (De repente Califórnia) ou emsmo Brockeback Mountain podem funcionam como estandartes do movimento gay (e o fazem com maestria), Do começo ao fim é uma historia de amor entre dois homens que não serve muito para bandeiras. Se coloca num patamar tão sutil entre a decência, a moral e a verdade, que não funciona como mote de passeata, não pode ser usado como elemento de clamor civil. Está muito além.

A beleza inconteste dos dois rapazes, as cenas tórridas e às vezes até chocantes (para a sociedade brasileira que não tolera beijo e amassos entre rapazes...) são elementos fílmicos tradicionais que ajudam a conduzir a película e nos envolvem, nos fazendo torcer para que o amor acabe mesmo vencendo.

O que mais surpreende em Do começo ao fim é a capacidade de convencer em uma situação cuja verossimilhança pode ser questionada em alguns momentos: como a mãe (Júlia Lemmertz), na sua tradicional posição social de classe média alta carioca poderia reagir de maneira tão tranquila à percepção de que algo a mais acontecia no envolvimento dos filhos?
Como não propor uma viagem de estudos a um e uma namorada-noiva-esposa para o outro?

Sabe por que não nos importamos muito com isso ao ver o filme?
Por que o amor vence na narrativa.
Todos acabamos querendo que Tomás e Francisco fiquem juntos.
Todos queremos viver, de alguma forma, este amor que supera tudo em volta com a certeza de ser e pronto.
Todos queremos ter um Francisco ou um Tomás na nossa vida.
Todos!

Em certa altura do filme, o ainda criança Francisco diz ao irmão amado Tomás que cuidará dele para sempre.

Ficamos felizes em noventa minutos ao perceber que ele e seu amor não estavam mentindo.

domingo, 29 de novembro de 2009

Ave, Carlos





AVE, CARLOS!

Por Mayana R. Soares

            Hoje, vinte e sete de outubro de dois mil e nove, tive o imenso prazer, privilégio e felicidade em contemplar o nascimento de mais uma obra-prima da Música Popular Brasileira: o lançamento do disco Cantiga vem do céu, do cantor e compositor Carlos Barros, acompanhado da Banda do céu e convidados. O evento aconteceu no espaço cultural Tom do Sabor, no Rio Vermelho-Salvador-Bahia-Brasil. Na presença de sua família, amigos e admiradores, Carlos Barros ofereceu a todos nós presentes uma agradável noite de autógrafos, seguida do deleite de seu belo canto.
            O grupo Engenheiros do Hawaii uma vez cantou “nesta terra de gigantes...”. Mais um “gigante” chega ao cenário artístico brasileiro, através de um “canto encantador”, suave e agressivo, leve e passional, emotivo e cerebral. Emoção e Razão se encontram na voz deste cantor que faz do seu belo canto um meio para alcançar os céus!! Neste disco, letra e música corporificam a canção, e eleva a alma humana ao mais sublime, ao belo, ao eterno. Tocado pela sutileza de Lenine e Maria Rita, pela competência de Caetano Veloso, pelo vigor de Maria Bethânia, pela suavidade de Gilberto Gil e pela beleza vocálica de Gal Costa, Carlos Barros lança seu “primogênito” e se faz eternizar: seu canto, seu encanto e seu talento.
Com licença Adriana Calcanhotto:
Carlos,

“Sua música não quer ser útil
Não quer moda
Não quer estar certa
Sua música não quer ser bela
Não quer ser má
Sua música não quer nascer pronta
Sua música não quer redimir mágoas
Nem dividir águas
Não quer traduzir
Não quer protestar
Sua música não quer te pertencer
Não quer ser sucesso
Não quer ser reflexo
Não quer revelar nada
Sua música não quer ser sujeito
Não quer ser história
Não quer ser resposta
Não quer perguntar
Sua música não quer estar além do gosto
Não quer ter gosto
Não quer ter rosto, não quer ser cultura
Sua música não quer ser de categoria nenhuma
Sua música quer só ser música:
Sua música não quer pouco”.

            Sabiamente, em seu show, você traz o “poeta fingidor” Fernando Pessoa em seu canto, pois, assim como o poeta que “luta com palavras” e as resignificam através dos seus versos, a música também, antes somente poesia, transforma a palavra e dá a esta novas “vestimentas”.
Nesse sentido, terminarei este breve, mas significativo, louvor ao seu trabalho por meio de um poema de Pessoa, in persona Ricardo Reis:

“Para ser grande,
Sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe o quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago
A lua toda bilha,
Porque alta vive”.

Ave, Carlos Barros!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Brilho de Orfeu (por Lúcia Marsal)




Brilho de Orfeu


Quando você vai em busca de um tom que lhe ofereça sabor e saber, perde o caminho  é se vê “obrigada” a passar pelo mar para chegar a seu destino, guiada por uma filha de Yemanjá, percebe-se logo que as emoções da noite irão servir para lhe mobilizar por milênios. Parece exagero? Então, vejamos.

Olhares; vozes; sorrisos; abraços; muitos abraços; abraços muito apertados tentando congelar o momento; conhecimentos; reconhecimentos;  memórias; ancestralidade. Estamos diante de alguém que sabem quem é, sim.

A ética, a estética, o canto e o encanto de Barros, a firmeza dos Barros, num recanto do Rio Vermelho,  nos faz desejar colocar os pés no chão, pisar na terra, revolver a fina camada de pó da superfície avermelhada e chutando, delicadamente, - seixo a seixo - construir pontes que nos elevem, lentamente, até o céu-firmamento que se constrói nota a nota, acorde a acorde. Essa elevação toma todo o Rio Vermelho e se constitui como infinita e eterna.

As dores das árvores velhas, árvores velhas, são aplacadas por uma voz que lhe leva ao céu. Céu-firmamento. Nada dark tem condição de entrar neste momento mágico, neste espaço sagrado, no qual até as garrafas demonstram mais humanidade do que quem deseja macular suas paredes divinais.

Vivemos neste mundo hostil e por isso,  nem muito
emocionadas, podemos prescindir da lucidez que a razão nos cobra. Diz um do clã dos Barros quando cuida de seu
coração;"orai e vigiai”.  Então nosso olhar esquadrinha  todos os cantos e lugares e nossa ligação com o sagrado blinda todas e todos de pensamentos nefastos.  E a poeira cósmica vai.


Isso ocorreu em uma noite quase sem luar, apenas a fina nesga do inicio da lua crescente sorria para os mortais. Também, nem  este céu-firmamento poderia abrigar tanto brilho. Minto, poderia sim, este próprio céu sempre se permitiu  trocar figurinhas com   bandas e bandos; o da Lua,  o Anunciador e mais recentemente a Banda do Céu.

A Banda do Céu faz meu coração de bola, amor. Alex, Marcus, João e Pedro acompanham a voz de Carlos. É um casamento perfeito, desses que não deixam dúvida. Nele, liberdade não prende o querer, há um porto seguro onde se pode ancorar e a luz se expande, irrompe,  numa vasta visão.  
Mas as garotas que fazem parte da fina flor das vozes femininas da nova Bahia, Déia Ribeiro, Juliana Ribeiro e Márcia Short espalham sua força ainda mais suavemente com os acordes lançados pelos meninos. Ororo Oyá, Iansã – raios, trovões, relâmpagos - tempestades rasgam o  céu e  fazem todo mundo se arrepiar.

E se as garrafas se humanizam, é possível que viremos árvores e nos curvemos para pegar no vento os  sons de Carlos Barros e da Banda do Céu. Bem ao gosto de Orfeu.
Que este brilho lhes abra todos os caminhos e permita que o mundo enxergue estes meninos e que nada resista a tanto talento. Quando isso acontecer, vai durar milênios e vai ser tão bom, tão bom, tão bom... assim como abrir no peito um sol feroz.


Lúcia Marsal, out/2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lançamento do CD Cantiga vem do céu


Carlos Barros e Banda do Céu

Lançamento do CD Cantiga vem do céu


O cantor, acompanhado da Banda do Céu (Alex Medrado, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo) traz ao público o disco Cantiga vem do céu, em noite de autógrafos e pocket show com participação especial de Márcia Short, em 27 de outubro, 20h, no Tom do Sabor (Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho).


No evento,Carlos Barros fala do processo de construção do CD, das faixas e da sensação de estar lançando o primeiro disco, ao lado dos músicos da Banda do Céu.

O CD estará à venda no Tom do Saber por preço promocional de R$12,00.


Cantiga vem do céu também estará disponível pelo preço de R$15,00 na Pérola Negra, na Loja Katuka ou em venda direta pelo telefone 71 8830 4504.


O que: Lançamento de Cantiga vem do Céu, CD de Carlos Barros e Banda do Céu, e pocket show com a participação especial da cantora Márcia Short.
Onde: Tom do Sabor, Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho.
Quanto: Entrada Franca
Quando: 27 de outubro de 2009, 20h.
O CD estará sendo vendido a R$15,00, e preço promocional no dia do lançamento de R$12,00


Cantiga vem do céu e o céu é do avião!

sábado, 24 de outubro de 2009

João, Gil, Maria



João Gilberto se encontrou com Maria Rita.
Não, não houve este show, ainda, mas entre ela e João, esteve Gil, em apresentação imperdível nas telas do DVD, que chega em breve às lojas.



O mestre baiano convocou e o que poderia ter sido uma lembrança pálida e desbotada de Elis, virou uma nova roupa, capa, moldura (de ouro puro) para a canção Amor até o fim (Gilberto Gil), eternizada pela gaúcha maior do Brasil. Ao lado de Bem, seu filho, Gilberto aliou-se à Maria no ritmo da beleza.


O convite foi do baiano e a paulistinha de personalidade altiva aceitou e levou tanta doçura e encanto que não deixou perceber que era filha de uma mãe tão poderosa e referencial. 


Maria Rita desenhou sua marca, reverenciou, foi reverenciada e - banquinho e violão - como nos ensinamentos do juazeirense- fez do jazzístico samba de Gil, uma autêntica aula de bossa nova revisitada. Tudo ao som de graves de timbre "sacrificado" em nome da afinação, como nos disciplina o próprio João.

Eescrevi em texto mais antigo que Maria Rita trazia uma influência marcante das aulas de João (mesmo que não conscientemente) e não estava errado. Esta gravação traz o tom, sabor, cheiro da suavidade, coloquialidade e ar de brisa do canto de João.

Gil nos presenteou com a canção.
Elis fez dela uma de seus hinos (o dueto da pimentinha com Gal Costa também não é de deixar de lado).
Maria Rita reinventou ao lado do mestre (que não à tôa chamo de Pai).

Amor até o fim. Deste modo não tem fim possível para a preciosidade.
Vai, Maria!

Daqui, te vejo e cobiço! 

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Short no Theatro XVIII


Vinte e Um




                               Mandala de Márcia Barros em Arte Visual de Lucas de Souza

21 é Ogum e guerra.Hoje é 21 e hoje cheguei pra dizer o que sou.


21 é dia de chegança, chegamos eu e tantos que amo e provoco.



Aniversário é momento de prazer; ser feliz é tarefa pra todos os 21 de uma vida inteira.
Ser feliz é que nem a ilha da felicidade; perdida numa tela de filme em que meninos e meninas azuis banham-se em lagoas icônicas e lacônicas...
Eu sei que aniversário é retorno de planeta em céu de antes.
33 é número cabalístico?
ELE somente ficou até os 33 e eu? Vou além dele? Até quanto, mesmo?
Vou e brilho em ondas de azuis e vermelhas e prata e amarelo (não esquecer)!
Viva 33, Viva ELE, Viva Eu!
Se Pessoa estivesse em si mesmo aqui, Aniversário seria assim momento de festejar os anos e não ter esperanças.
Eu, em Pessoa, sou festejo e águas no rosto.
Águas a rolarem e a me banhar.
J. e Ulisses me presentearam com as águas de Oxalá.
Oxalá me cobre de branco.
É, 33 é cabalístico por que assim é.
E eu em 33, sou mais e cada vez mais 21.
E quem quiser que venha, pois em mim,
Ogum é o Rei do 3.
"Abre fendas, cobre vales"
E, como diz uma das Rainhas:
que Deus nos guarde!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Festa de Libra!


Carlos Barros e Banda do Céu na Festa de Libra, em 16 de outubro, no Bond Canto, Rio Vermelho, Salvador, Bahia, Brasil!
Compareça ao chamado da Balança!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009


As Donas do Canto são as vozes da canção brasileira!
Marilda Santanna lançou seu livro sobre as divas baianas: Daniela, Margareth e Ivete.

Em 03 de outubro de 2009, no palacete das Artes Rodin - uma casa linda e brilhante da cidade da Baía de Todos os Santos - várias vozes se revezaram para louvar o canto brasileiro:
Neto Costa, Juliana Ribeiro, Carlos Barros, Manuela Rodrigues, Simone Motta, Carla Visi e Rita Bráz.
Vozes da Voz do Brasil, em conformidade com a homenagem maior ao Canto.


Salve a Música Brasileira!

domingo, 27 de setembro de 2009

Banda do Céu


Como é que se tem uma banda do céu?
Como é que se vê uma banda do céu?

A pergunta, acima de tudo é: como é que se ouve uma banda do céu?
O céu tem estrelas que caem e, meninos eu vi, uma banda do céu caiu com estrelas para mim.
Carlos Barros existe hoje como artista num diálogo constante, terno e profissional com quatro músicos de quilate;

Alex Medrado
, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo.

Este rapazes - moços da banda - como costumo chamar, são trechos, pedaços, bandas, acessos ao/do céu em individualidades incontestes.
São integrantes e integrais; componentes e em si mesmos compósitos.
São estrelas.


Alex Medrado é a precisão, o apuro e o rigor em estados absolutos. A seriedade em apresentação geminiana de movimento. O contrabaixo em altíssimas freqüências astrais. Sua música é minimalista e grandiosa; forte e sutil; grave e alegre. Alex é a liderança de si mesmo que se coloca com os outros. Raríssima capacidade entre os meus. O solo de Chumbo fala por mim...

João Carlos Campos é a tecla de piano da criatividade sem limites. O rapaz da tecnologia sonora com um sentimento único de entender acorde e melodia na voz e no que a palavra diz; gravamos juntos, somente ele e eu uma das canções que mais me emociona: sua sensibilidade me levou ao registro que eu queria da canção
Sobre todas as coisas (o meu
fiel agnosticismo, visto através de Chico e Edu). João é fiel à força deste nome. Hebraico e de Juazeiro!

Marcus Lima é o sensitivo. Ouvido refinado, completamente Djavaneado e mãos de baterista (desses jóia rara) antigo; jazz e rock em mesma pessoa. Para completar a Santíssima Trindade musical, chamo em Marcus o suingue do funk, que me faz cantar melhor o Lenine que amo e o Para inglês ver do nosso disco. Marcus compôs uma das mais belas peças que já cantei. Quer saber? Ouça a faixa 3 do CD Cantiga vem do céu. Marcus é caminho de pedras brilhantes.


Pedro Ivo Araújo é a disponibilidade imediata à beleza. Sua chegada prenunciou meus amigos/irmãos da banda e trouxe a sua competência das cordas do violão em notas comprimidas e estendidas da guitarra. Pedro é a profissão vocacional para o sucesso. Pedro, de pedra, da Bíblia. Rocha de Xangô em energia ariana de Omolu. Belos encontros que se resolvem no talento de sua ação no mundo.


A Banda do Céu é o que seu nome diz; uma banda, um pedaço, um fragmento do céu que Oxalá e Iansã mandaram para me fazer inteiro. Eu - Carlos Barros, artista brasileiro; baiano que é ( no Rio) Brasil - me faço hoje um, a partir de trechos de mim na recomposição desta banda.
É...
Meu palco é assim.

Chamando meu pai: trago a minha banda e só quem sabe onde é Luanda saberá lhe dar valor!


Que Deus nos guarde!!!!!!!!!!!!!!!!!



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O som e o sol


O sol briha embaixo da costa que há nas palhas.

O que tenho de melhor está por dentro, parafraseando a poesia de J. Velloso.
Omolu é o brilho que emana por debaixo das vestes afro-baianas a rodarem no ar; ventos de agosto que chegam a setembro.

A voz mais bonita e encantadora vem de Omolu. Sua luz expressa e reflete-se em doçuras de Oxum e nas garras corporais de Oyá-Iansã.
Tudo isso está em 64 anos de vida e caminhos: Gal Costa existe.
Que eu posso escrever mais sobre esta moça depois de tanto tempo de minha absoluta devoção a seu canto?


Brilho de Orfeu que está inscrito na minha história, Gal está em mim como eu próprio estou na minha voz.

Gal Costa é a tradução do sol de Omolu trazido à terra em tempos que tivemos a sorte de habitar.

Se nosso tempo é quando, estamos aqui enquanto há o canto de Gal, sendo tempo e absorvendo dele a luz do Senhor da Terra.

Sim, Gal é filha de Omolu.

Nós todos retornaremos um dia ao solo do qual ele é Rei.

Quando neste tempo, isto ocorrer, quem sabe estaremos mais perto da compreensão, do afeto e da plenitude de sua - artística e espiritual - obra.

Gal, estamos aí!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Desejo Bigorna


Vou no meu compasso num desejo martelo, vontade Ogum bigorna do Brasil!


Lenine chegou, falou e disse; como dizem os baianos!


A música de Lenine é a apropriação mais que débita e creditada de muito do que nos caracteriza enquanto alma da América.

Somos a negritude do balanço harmônico-percussivo; a poética dos morros e favelas cariocas-baianas-paulistas; o sertão encontrado com o mar do Recife, numa chegança de melodias à la Benjor-Gil-Bosco.


Lenine é um Brasil que me interessa, pois é vitorioso.

A vitória de Lenine reside no sotaque, na cor da pele azeitada pelos pêlos dourados ao sol e pretos na vida.

A vitória de Lenine é a flor labiata que cheira e exala odores de uma nacionalidade repartida e reencontrada nas faixas de seus discos e na sofisticação quase soberba e belamente concisa de seus shows.


Lenine não é o meu pai, posto que irmão!

Lenine é também filiado ao que mais me imanta de brasilidade: Gil engendra em Lenine/Carlos o suingue maior de um brasileiro universal:

Lenine e eu?


Me coloco afim, afinado e pertinente: minha poesia sai, flui como que da pele, pelos poros da canção do pernambucolismo deste rapaz!

Salve Oswaldo! Oswald novo e liberto dos verde-amarelos de outrora. Modernismo contemporâneo de 2222.

Meu tempo é onde!

Adoro Lenine in cité; Ramiros em percussões mágicas de Brasil e Argentina na França que balança o "berço" da civilização.

Lenine inventa uma outra civilização inventada:
Brown do norte,
Spike do Sul!

Os discos de Lenine são projeções do dia em que fizemos contato. As etnias caduquíssimas a buscarem sua natureza pura perdida e nunca mais passível de re-encontro...

A dondoca vai mandar cassar o samba do caboclo!
Madame não gosta de samba!

João Gilberto nas dissonâncias funkeadas em acordes de nos acordarem para o sol: atirador certeiro de flechas em mira!


Meu poema é menor que sua letra, mas minha letra traz poema de sua vertente.

E ja que sou brasileiro em meu universo onírico e sem opção,


reclamo que revolução se faz com liderança:


Ave Lenine!



terça-feira, 25 de agosto de 2009

Canibalismo solar à meia-noite do Brasil


Há um descompasso geográfico entre a representação e o real... Em três noites cariocas, a Bahia iluminou o Rio de Janeiro com lâmpadas acesas dos quatro cantos do país...

O Sol baiano brilhou à meia-noite nos mares da baía da Guanabara, aos toques do candomblé antropofágico de Daniela Mercury. Durante lançamento da turné mundial de Canibália, seu novo show, a baiana (junto a muitos baianos no palco e na plateia) iluminou.

Daniela é uma luz fulgurante - uma grande multidão já sabe.
Daniela é uma intérprete ardente - basta ouvi-la para perceber.
Daniela é uma personalidade de impacto - em muitos sentidos e direções.


Das informações já sabidas, o que seu novo trabalho nos lembra é que Daniela é uma propositora. O show Canibália é o resultado do amadurecimento estético de uma artista que vem trazendo à tona na Bahia e para o Brasil elementos culturais que - nos limites do popular - demonstram toda a erudição do povo brasileiro, a partir, basicamente, das experiências afro/baianas/globais.


Daniela Mercury é por excelência uma sambista - como já salientou uma das maiores, Beth Carvalho. Seu trabalho tem a marca dos rufares de tambores do samba-reggae e disso ela não abre mão. O construto de seu fazer artístico vem imbuído da necessidade de trabalhar as matrizes negras (brasileiras e aficanas) na música produzida na Bahia.

Com a dança estilizada para os Orixás logo no início, o show começa com o mais tradicional de nossa baianíssima cultura e vai desenhando - intertextualmente - trajetos por sonoridades que vão além do moderno e que terminam por pulsar no peito com a presença da artista, dos bailarinos, dos músicos e da plateia, num uníssono polifônico em torno da cultura brasileira.

A tradição evocada pelos trajes brancos, pelo cenário que estampa Carybé, folhas verdes e estrelas do mar complementa-se com os fios de plástico e luz brilhante que caem do alto e quase ajudam a re-vestir Daniela que se mostra roqueira, pop, trieletrizada saindo das rendas e entrando na fantasia de baiana pop nada, nada zen...
No repertório constam Brown, Ari Barroso, Caymmi, Buarque, Renato Russo e uma plêiade generosa de variados estilos consumidos e "antropofagizados" de forma sistemática e ao mesmo tempo escorreita. - Não queria que ficasse pesado. Pensei em fazer de forma fluida, diz a própria cantora num depoimento que confirmou as minhas impressões, da plateia.


O discurso sobre a negritude e sua importância para o Brasil, as homenagens a Carmem Miranda (incluindo dueto virtual com a portuguesa-baiana-carioca), a excelência de uma banda afiada e multicultural, além do apuro com cenário, figurino e luz que realçam a beleza dos dançarinos fazem de Canibália uma oportunidade significativa para a contemplação (também com o corpo em movimento) das possibilidades criativas de artistas do quilate de Daniela.

Do ponto de vista das provocações, ouvir O que é que a baiana tem e Tico-tico no fubá em formato mais próximo do pop (antes realizado em gravação antológica de Rita Lee) e ver homens dançando vestidos e performatizando Carmem Miranda se aliam ao Kuduro que aporta no show como exemplo da força africana na estética de Daniela e na música brasileira.

Por fim, Canibália é um projeto cuja ressonância maior reside no evidente amadurecimento artístico de La Mercury. Sua postura cênica, envergadura discurssiva, escolha de repertório e certeza no apontar de direções são motivos mais que suficientes para que queiramos vê-la.
Eu disse a Daniela que, para mim, o título do show é apresentado integralmente na sua execução.
Assistir ao show é uma boa oportunidade de me contrariar...
ou de simplesmente ter que concordar.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cavaleiro de Jorge



Um disco é um produto.
É o resultado de horas de gravação e de tempos de lapidação pessoal. Digo no momento em que estou finalizando as gravações do meu. Nele, uma das canções é Abiã, de Jota Velloso e Ulisses Castro, e enquanto ele não chega à praça, vamos falar de uma obra já disposta nas bancas da cultura e cujo diálogo é intenso com o cantor Carlos Barros!
O compositor Jota Velloso é um artista cuja fonte criativa se encontra aberta desde gravações memoráveis de muitas cantoras; as mulheres a entoarem o canto deste santamarense.

Agora, Jota traz em seu próprio canto as jóias de seu cancioneiro.
"Camaleão vaidoso no meio das foia parada
não podia ser visto nem quando o vento soprava,
pois carregava a sina da vida camuflada.
beleza que não é vista não serve, não tem valor pra nada!"

Os versos de Camaleão, que está no disco de Jota são representativos do que se ouve neste trabalho.
A beleza das peças e dos arranjos aparece a partir das gravações do compositor, que desfia, em Jota Velloso e os Cavaleiros de Jorge, um conjunto que remonta o tradicional e o contemporâneo em termos de sonoridades no Brasil.
Desde Kirimurê (antes registrada por Bethânia), com evocações vocais indígenas até Eu sou preto (gravada por Daniela Mercury), temos uma musicalidade que aproxima os beats da influência de Aldo Brizzi às temáticas baianas e brasileiras do interior.
A canção Foguete - de rara beleza poética - fica densa e leve ao mesmo tempo, com uma sonoridade de festa do interior regada a doces e bebidas, como que nos quintais juninos. Jota reúne um naipe de músicos de primeira linha pra fazer soar em nossos ouvidos o espoucar de alegria da letra da música sem exageros e na medida certa. O São João é hoje e vem de antes, sem perder sua essência introspectiva.

As participações dos Jorges: Mautner e Vercilo enriquecem o trabalho, com a inventividade do violino (quase rabeca) do primeiro e a voz maviosa e precisa do segundo. Jota e Vercilo falando de uma musa enaltecem a musa maior - música, como se Rio e Bahia se encontrassem desde os "esses" que insurgem até as malemolências vocais que diferem/aproximam.

Verde saudade que me afogou!
E até o fado português dialoga com o forró de um nordeste de cima, borda do recôncavo!

Com Mautner, o caráter sagrado da oração a São Jorge se evidencia num clima quase medieval que toma o cântico, na música e no texto recitado pelo poeta.
Nordeste redivivo com a história do Brasil.

Lá vem Jorge salvar sua gente!

Em Ipod e Medo, o pop toma conta do disco, mostrando uma verve mais urbana do trabalho de Jota; a tecnologia acessível/intrigante da maquininha de ouvir música e os medos de hoje, que nos limitam e impulsionam...

Jota Velloso e Os Cavaleiros de Jorge é pra se ouvir pensando numa Bahia nova e velha; um Bahia de Caymmi e de João Gilberto que dialoga com a Bahia das noites no Rio Vermelho, na Casa da Mãe, no Tom do Sabor, aos sabores de novos nomes que são tão melhores quanto gratos às raízes que nos são chão.

Assim,
Salve Jorge!

domingo, 9 de agosto de 2009

Abrigos


No Rio de Janeiro, em meados de junho deste ano, o poeta, jornalista e amigo Marlon Marcos foi ao cinema assistir um novo lançamento cinematográfico e voltou tecendo muitos elogios
Em Salvador, no início de agosto, Carlos Barros assiste ao memso lançamento e percebe nele a vida como ela se apresenta a partir do viés do amor.
Shelter (curiosamente traduzido no Brasil como "De repente, Califórnia) tem ingredientes de sobra para ser um blockbuster: praia, rapazes bonitos, surf e paixão. O detalhe que o torna mais interessante é a temática gay, abordada como em poucas vezes com ternura, cuidado e... final feliz.
As incursões cinematográficas do ocidente sobre o universo homossexual têm sido muito proveitosas no sentido de abrir cada vez mais a discussão sobre o "ser gay" no século XXI. Apesar de localizarem o mundo não-hetero num patamar de cotidianidade necessário para a convivência multicultural, os desfechos ainda são mais problemáticos do que muitas vezes necessitariam (mesmo respeitando as diegeses dos próprios filmes). Brockeback Mountains e Philadelphia são dois exemplos de excelentes películas que insistem em trágicos finais para histórias que até começam bem.

Será o cinema expurgando as representações coletivas correntes sobre a homossexualidade?
Será falta de pulsão criativa?

"O que será que me dá que me bole por dentro?"

É desta sensação que trata Shelter. Dirigido por Jonah Markowitz e estrelado pelos atores Trevor Wright e Brad Rowe, o longa consegue ser lírico, profundo, belo, rápido e eficaz.
Emociona!
O encaminhamento dramático nos leva a torcer pelo romance entre estes dois surfistas e ao mesmo tempo insere temáticas paralelas como a reação familiar, uma ex-namorada compreensiva e uma criança que convive (olha que bom - sem ser "contaminada" pelo particular "problema" dos protagonistas!) com o casal melhor do que com a própria mãe.
Na construção dos heróis da narrativa, os gays ocupam o espaço e ainda podem sorrir antes dos créditos, o que se mostra como grande trunfo!

Que mais dizer, não é?
Shelter (abrigo, em inglês) é a guarida que precisamos numa tarde de final de semana, ou numa noite de segunda-feira, para nos preparar para o encontro - andando , furtivamente, pelas ruas - com Julietas e Romeus de carne e osso, reescrevendo o final e esquecendo venenos e suicídios afins de histórias mais tradicionais...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Minha Mulher


Minha Mulher

Música e Letra: Carlos Barros


O céu clareia

e ilumina o meu viver

Ela chega

anunciando um bem querer


Iansã, me diga o que fazer

p'resta vida ser melhor

Oyá, mulher; eu e você

assim se faz brilhar meu sol

Oyá, mulher; eu e você

assim eu nunca fico só


Iansã chegou na minha lida

trazendo todo esplendor

Oyá, mulher, querida

Sua luz, caminho me entregou

Oyá, mulher, querida

em mim, é força e fervor


Iansã, cadê Odé?

Iansã, cadê Odé?


Oyá, menina

Oyá, minha mulher!



Canção do disco Cantiga vem do céu.

Lançamento em outubro de 2009!



Epa Hey!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 28 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Das canções, ruas e encontros da cidade!


Das canções da cidade, posso falar que cheguei via Lapa, pelas mãos de amigos conterrâneos cariocas, bacanas, sacanas, bonitos...

O Rio sempre foi, é e eternamente será uma cidade de sonhos. E eu, sempre tão carioca na Bahia, me sinto baiano no Rio para chegar ao final e voltar a ser Carlos Barros; o cantor brasileiro que respira Rio num corpo da Bahia.

Eu amei no Rio por instantes de uma noite de sexta-feira de Lapa. Uma noite de beijo e abraço, de ternura e alegria.

Muita gente, muitos negros, brancos, meninas, louras, mouras, judeus (quantos oris cobertos pelo manto hebraico!).

O Rio me chegou desta vez com toda força!

Quer ver?

Poema para amor

Poema para algum

Poema para alguém.
E o Rio me fez escrever poema para a Minas Gerais que aqui habita. E estou embriagado de forças...

Vamos lá:
"Menino do Rio
Calor que provoca arrepio."

O arrepio veio do olhar de um menino que era no Rio.
Do Rio; eu e minha carioquice baiana que não larga de mim!
O menino no Rio olhou e flechou com o mel das asas do pássaro da floresta a cantar o meu juízo.
Eu vi, fui acertado e parece que em tão pouco há tanto.
Não, definitivamente o menino no Rio não me fez amar.
Mas, quem há de negar que a paixão pode marcar em momentos tão fugazes?
E a paixão pode durar um, dois, mil dias!
O menino no Rio traz uma mina (de outra Minas) d'água que a sede matou... mas não saciou.

Quero mais água, mais mel e encanto de pássaro da alegria, sem correr, bem devagar, para que a felicidade venha e se instale no tempo da delicadeza; afeto nas rimas e prosas da canção brasileira.
O menino no Rio das minas de água do interior me seduziu e deixou o próprio Rio mais Rio.

Seja no Vidigal, na minha Copacabana ou nas mãos da Santa Tereza que abriga e guarda este menino do mel das árvores de Odé; menino, eu gostei.

Tardes de sol, barquinhos no meu mar pessoal.
Mar sou: baixo marulho ao alto rujo; Bethânia, Gal, Gil e Caetano; nem eles podem dizer que é mesmo isso.
É...
Oxóssi comeu mais uma vez o bolo de mel de Oxum.
Se fez o encontro, sabendo que pára na quinta-feira; um dia depois da felicidade do pobre na quarta-feira de cinzas.
O menino no Rio e o menino do Rio-Bahia.
Dois meninos
Dois irmãos
Duas felicidades!

Quer mais?


Poema de amor no Rio, para Copacabanas em Santa Tereza. E meu eterno amor? Vive sempre em novos, sempre em cores.

O Rio é assim:

me faz chorar ao rir, rir ao amar!
E no mais, como diz Brown: Rio, Rio, Rio; Rio pra não chorar!



sexta-feira, 15 de maio de 2009

Carlos Barros e Banda do Céu no Tom do Sabor

Carlos Barros solta sua voz marcante no
Tom do Sabor
A música baiana, como a brasileira, é marcada por belas vozes femininas, e só de vez em quando é que surgem cantos masculinos com a qualidade e a originalidade de Carlos Barros, jovem cantor nascido em Salvador, herdeiro da tradição musical dos Doces Bárbaros, que se abre para o nosso mercado musical, em fase de pré-lançamento do CD Cantiga vem do céu, usando como veículo o palco nobre do Tom do Sabor.

Numa curta temporada, entre os dias 03 e 17 de junho de 2009, no Tom do Sabor, às 22h., inicia-se o pré-lançamento do CD Cantiga vem do céu, que no show homônimo de Carlos Barros, apresentará as canções deste seu trabalho inaugural, com previsão de saída para outubro deste ano, selando a chegada de um artista que tem muito a dizer à nossa produção musical de qualidade.

Carlos Barros, 32 anos, historiador e sociólogo pela UFBA, pesquisador musical que defendeu uma dissertação de mestrado, em 2005, sobre os Doces Bárbaros, possui uma força interpretativa marcante e reatualiza a musicalidade de nomes como Gal Costa (sua musa maior), Caetano Veloso, Chico César, Zeca Baleiro, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Maria Rita; além se espelhar e conhecer como poucos, a obra sem par de Gilberto Gil, compositor - inspiração de Barros que, cenicamente, alude também em suas influências a cantora Maria Bethânia.
Cantiga vem do céu é um show inspirado; além de desfiar as 13 canções que compõem o CD, traz outras cantigas que se coadunam à temática central deste trabalho. O título vem da canção Coraçãozinho, de Caetano Veloso, lançada na trilha sonora do filme Tieta, de Cacá Diegues.
Carlos Barros acompanha-se da Banda do Céu, composta por Pedro Ivo Araújo, violão e guitarra; por Marcus Lima, na bateria; por Alex Medrado, no baixo; e João Carlos, nos teclados; o cenário foi composto por Márcia Barros; a direção artística é do próprio Carlos Barros, que recebeu o auxílio criativo de toda banda.
A atmosfera criada para este show é assim definida pelo artista: “O repertório parte de uma apreciação da música brasileira sob a ótica das nuances do céu, e passeia por canções inéditas de compositores na nova safra da Bahia e clássicos da MPB e do POP, costurando uma trajetória da música do Brasil, notadamente passando pela Bahia e pelo Rio de Janeiro. O roteiro do espetáculo conduz-se a partir dos conceitos de beleza, do cantar, do palco e dos Brasis; no mundo, nas regionalidades e nas urbanidades.”

Este dois shows resultam de uma preparação artística que há dois anos vem sendo engendrada pelo cantor e pesquisador, que nos seus 12 anos de estrada, sente-se agora amadurecido para lançar um CD e vai mostrar isto em suas apresentações no Tom do Sabor.

SERVIÇO:
Show: Cantiga vem do Céu
Artista: Carlos Barros e Banda do Céu
Onde: Tom do Sabor
Endereço: Rua João Gomes, 284, Rio Vermelho ( tel.: 71 3334 3039)
Dias: 03 e 17 de junho de 2009, às 22 horas.
Couvert: R$15,00.

Maiores informações:
Assessoria de Comunicação: Marlon Marcos – (71) 8107 4693//8749 5595
Artista: Carlos Barros: 71 8830 4504
Tom do Sabor: 71 3334 5677


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Rasgo da Virgem no corpo de Madalena


Elis era um rasgo.
Ou será que com ela pode mesmo haver passado?
Era?
A conjugação precisa ser no presente. Precisa como a navegação daquele que não sente precisão nas incertezas da vida, mas cujo navegar é imprescindível. Imprescindível tal como o rasgo de luz de Elis.

Elis não foi, nunca poderia ter sido como fato histórico que se esgota na inevitabilidade de ser devorado por Cronos.
Elis não foi, nunca será. Elis é.

E em sendo, ela está, como mito, no inconsciente (quer se acredite em psicologia, ou não) a tilintar e fazer exercitar nossa capacidade da busca de algum entendimento para saer como pôde ter surgido.
De fato, ela não foi.
Elis nunca surgiu. Elis Regina Carvalho Costa habita uma região da existência que não tem tempo nem espaço.

Não falo da mulher de carne e osso (como na canção de Moska e Zélia), nem da cantora, que fisiologicamente transpunha limites entre belo e exagerado, entre pouco e estranho, entre o sim e a negação de qualquer polidez.


Falo do que seu canto representa (querendo inclusive negar o que é para nós a representação - uma imagem que ocupa o lugar da coisa?) como matriz e resultado de Danielas / Ângelas; Leilas / Dalvas; Anas / Dolores; Shorts / Caubys.


O canto de Elis (segundo Rita Lee, o canto do corpo inteiro) nos delata sobre uma certa ânima brasileira que ao mesmo tempo ama e não gosta (pois não goza) deste país.
Vá lá...
Querellas do Brazil na voz de uma gaúcha cujo chimarrão tem gosto de café forte e sem açúcar das esquinas matinais de São Paulo.


Sua afinação e capacidade de atingir regiões físicas e espirituais do cantar nunca foram superadas por nenhum artista brasileiro. Sua angústia interpretativa (mesmo nas canções mais alegres) é sinal de Orfeu em estado de vigília, pela perda de Eurípides.

A Gal é Orfeu sorrindo!

Elis é Orfeu despedaçando-se (gloriosamente)!


Bethânia é Eurípides em Orfeu.
E assim, é de certo modo, um outro lado de tudo que Elis fez. Uma drama.
Outra chama.
Uma raio.
Outra rasgo.


É. Elis também era contraponto. Elis também era possiilidade. Corcovado? Atrás da porta? Basta de clamares inocência?
Quantos Tons, Chicos e Cartolas para esgotá-la?

E o primeiro disco?

Brotolândia? Que broto, que nada! Elis já nasceu madura. Nasceu árvore frondosa da Flora de Gilberto Gil, que o poeta projetou para um futuro distante.
Elis já era a jaqueira. E na copa, a ensiná-la em tempos mitológicos, as aves (que desafiaram Oxóssi) de vozes agudíssimas deram a força e o fio de corte da voz de Elis.

Pois é, esta filha dos tufões também tinha um pacto com o feitiço. As Bodas de prata de Bosco e o Canto de Ossanha do outrora Baden estavam na garganta certa.


Elis cantou na Bahia, embora não fosse baiana em hipótese / aspecto algum.

Elis apaixonou Gilberto Gil.

Elis apaixonou Bôscoli e César.

Elis encantou - sem doce nem flores - um Brasil tão carente de carinho.

Como dar amor sem demonstrar paz?

"O amor é fogo que arde..."
Elis é uma passagem bíblica. E a minha obssessão pelo religioso na música me faz mais uma vez evocar um Livro Sagrado.
Elis estava entre Madalena (por isso fica tão bem com Ivan Lins, não é?) e a Senhora de Aparecida da Romaria,que, em Pirapora, apareceu para Renato Teixeira.

Renato soube que Elis era a Virgem. Ele soube que Elis podia ser o que quisesse.


Caetano certa vez disse que tudo o que Gil não fez em música foi por que não quis.


Eu digo que tudo o que Elis não fez em canto foi por que não pôde. Teríamos condições de apreender o que viria?

Seríamos capazes de poder arcar com as emoções desprogramadas que aflorariam daquele canto milimetricamente pensado para emocionar?

Poderíamos ouvir/sentir/sorrir/chorar/conter/segurar tanto som em forma de mulher?


Tudo o que Elis não fez em canto foi por que Cronos segurou.
Entre mitos, tudo pode. E Cronos aparou a velocidade de Elis...
Saturnamente, como o Opachorô de Oxalufã, como o Xaxará de Omolu e o Ibiri de Nanã, o Tempo adiantou uma passagem. Adiantou uma nova morada para Elis, que, de todo modo, sempre habitou aqui mesmo.


Não ouvimos hoje nada novo por Elis por que não alcançamos seu canto em outra esfera.
Ela continua (como sempre esteve) a cantar para todos nós.
Ela, pisciana, canta com o canto de Aquário.
Milênios à frente do nosso tempo, está ela para nos poupar da incompreensão dos sons que somente Elis ouvia.

Melodias, escalas e notas de passagem que somente Elis podia reproduzir.


Tudo o que Elis não fez para nós está sendo feito agora, por ela mesma, num tempo que - antes de nos devorar - nos faz
não ouvintes de sua voz, nos faz inertes ao emitir de seu corpo etéreo e de sua presença eterna.


Assim, aqui, agora e no tempo do quando, Elis é o canto do Brasil, desde os caiapós até o bêbado/equilibrista das boites nas madrugadas urbanas deste país.


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