Cantigas

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Das palavras de Chan...


Chan é um amigo fluminense e que, na minha vida, REPRESENTA uma conquista!
Um homem sensível, delicado, inteligente, atencioso!
Suas palavras tem me emocionado profundamente desde que nos conhecemos: estabeleceu uma relação linda com a música que produzo.
Recebi dele, esta semana, um presente que compartilho aqui, como forma de agradecimento público!
CHAN: VOCÊ É A GRANDE LUZ, NESTA HISTÓRIA!


A Voz que define o caminho que propicia a emoção está afinada ao
compasso do sutil e melhor do ser!
E ser em ti é como fonte inesgotável de sabor e beleza: a têmpera que
confirma a sensibilidade exposta,
fratura que mostra as dores do humano, na condição de clandestinidade
das paixões, da forma mais significativa e terna.
Essa é a senda do real artista. Contar histórias, participar emoções e
sentidos, transfigurar-se na dor e na glória das grandes melodias,
doando seu talento, Voz e Arte! Por isso amo sua estrutura vocal e sina.
Sua condição de\se entregar às canções
com a sinceridade que a cada uma cabe, VC se entrega e isso é
formidável...
Zizi Possi quando canta interpreta como que contando a história na mais
profunda sensibilidade e êxtase.
Maria Bethânia é a materialização desse êxtase, perfeita em sua
interpretação seja de que gênero for.
Gal tem o poder de transformar o êxtase citado em puro cristal de Luz...
E Carlos Barros soma todas essas intenções na Verdade com que se dá à
sua Arte!
Isso é pura demonstração de que a música é o alimento que tira do ar,
onde de tamanha satisfação sua transcende a palavra
que de cantada se faz ouro, da sua garganta fios de rádium a acender os
espaços e a todos que ouvem...
Essa história/canção enviada a mim me deu a reflexão que delata o grande
cantor que te sinto e sei!
É esplêndido o entendimento da mensagem, a dicção perfeita e a entrega
melódica que nos faz viajar e ver o que da canção É.
Gracias, Pássaro!!! Por essa oportunidade de tê-lo perto, por saboreá-lo
ao vivo, mesmo ainda não o vendo.
Pois que não preciso vê-lo para entender a sua imensa relação de amor
para com a sua Essência: a Arte!!!
Sinta-se abraçado e acarinhado. Como foi a audição dessa canção que me
fez entre ramagens e pétalas...
Namaste, meu adorado cantor!!!
Namaste, Carlos Barros!!!
Namaste, Pássaro!!

Chan

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Agenda de Carlos Barros e Banda do Céu no verão da Bahia!


Agenda de Carlos Barros e Banda do Céu no verão da Bahia:


10 de dezembro: Carlos Barros no Show Você em minha vida (canções de Roberto Carlos), no
 Espaço Cultural Casa da Mãe (Rio Vermelho),
22 horas. Artistas convidados:
Alex Medrado (Baixo) e João Carlos Campos (Teclados)
Ingressos: R$10,00

11 de dezembro: Carlos Barros no Show Você em minha vida (canções de Roberto Carlos), no
Bêco de Rosália (Barris), 20h Artistas convidados:
Alex Medrado (Baixo) e João Carlos Campos (Teclados)
Ingressos populares: R$5,00


13 de dezembro: Carlos Barros e Banda do Céu no Show Segundas Intenções, no
B23 Lounge Music Bar(Itaigara), 20 horas.
Ingressos: R$15,00

15 de janeiro: Carlos Barros no Sarau do Restaurante Grão de Arroz, Pituba, 20 horas.
Entrada Franca

21 e 28 de janeiro: Show e Gravação do 
DVD Cantiga vem do Céu, de 
Carlos Barros e Banda do Céu no
Teatro SESI Rio Vermelho, Salvador, Bahia, Brasil
20 horas, com participações mais que especiais.
Ingressos: R$20,00 

05 de fevereiro: Show Cantiga vem do Céu no 
Teatro da Livraria Cultura (Shopping Salvador), Salvador.
20:00h

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

No Novembro Negro, os brancos da vez...


Neste Novembro Negro, vêm de Sampa os brancos da vez...
O CQC é um programa da Band que tem assumido o papel de porta-voz do jornalismo humorístico moderninho na TV brasileira.

Seus apresentadores mostram, a cada segunda-feira, os acontecimentos do Brasil e do mundo pela lente de suas possíveis - e bem parciais - aulas de semiótica aplicada numa nuance bem particularizada...

Esta semana, uma premiação sobre personalidades negras em São Paulo foi motivo de uma matéria pra lá de interessante: Rafael Cortez (cujo sarcasmo constante nos desvia de observar características suas mais relevantes) adentrou o Teatro Municipal para flagrar e conversar com os envolvidos (quase todos negros) na festa.

Izabel Filardis, Tony Garrido, Milton Nascimento (o homenageado) foram clicados pela lente do CQC, cuja coloração é clara, clara, nada comparável à aura da Palco de Gil.

No estúdio, Marco Luque (curiosamente o menos branco de todos: seus cachinhos à la Carlos Barros não negam, mulata) responde à indagação de Marcelo Tas sobre o fato de Lenine, Fafá de Bélem e Jorge Vercilo (não negros) estarem naquele espaço teoricamente empretecido.
"Ora, os brancos precisam servir o café e lavar os banheiros, Marcelo..." é a incrível resposta do rapazola...

É Luque: não seria nada mal ver uma loura de olhos azuis lavar o banheiro com a mesma dignidade que o fazem tantos negros e mestiços pelo Brasil afora.

Receber uma xícara de café bem forte das mãos de uma Carelli, Cortez ou Scwarczman não seria de mal tom: as mãos brancas entregando aos negros (tantos SilvaSouza e da Conceição) serviços que há tanto tempo são realizados por mãos negras.

De fato, não seria ruim, mas não se trata disso, querido Luque: o evento não representou uma inversão de valores sociais em que os negros passariam à condição de senhores de engenho reinventando Gilberto Freyre.

O evento celebra a cada ano personalidades que contribuem com a causa da negritude (acho que o Luque nem sabe o que é isso) no Brasil, com  a necessidade de que não achemos natural que apenas negros lavem nossas privadas...

O evento contou com Lenine - o reinventor do violão percussivo e contemporâneo, no Brasil -, Jorge Vercilo - cujos belos agudos são produzidos por uma laringe mestiça e de cabelos originalmente encaracolados e com Fafá de Bélem, cuja obra está inevitavelmente associada a causas importantes deste país, como demonstra sua inserção nos debates sobre as Diretas Já.

Estes artistas não foram chamados para lavar a louça dos negros da elite.
Estes artistas não se prestam à piada infame do CQC sobre os papéis sociais no Brasil.
Ele, Marco Luque, mestiço recorrentemente tratado como motivo de piada pelos anéis de seus cabelos (outrora enaltecidos por Roberto Carlos ao homenagear Caetano) e peça chave na configuração do programa televisivo, precisa concordar que os negros e os brancos e os mestiços e os cafuzos e os índios e os viados e as sapatas, etc vivem numa realidade caracterizada pela emergência do diverso, leia-se plural.

É tão importante ter Milton Nascimento no palco, quanto Milton Santos na Geografia; Lázaro Ramos nas telas quanto Luislinda Valois no Direito.

Seria importante, também, ter menos melanina lavando nossas sujeiras?

Essa pegou você, não é Marco Luque?
E como bem me lembrou Marlon Marcos em mais uma de nossas conversas sobre o mundo: vamos citar Gilberto Gil num momento de lucidez ácida em 1985:

A mão da limpeza

Gilberto Gil

O branco inventou que o negro

Quando não suja na entrada

Vai sujar na saída, ê

Imagina só

Vai sujar na saída, ê

Imagina só

Que mentira danada, ê



Na verdade a mão escrava

Passava a vida limpando

O que o branco sujava, ê

Imagina só

O que o branco sujava, ê

Imagina só

O que o negro penava, ê



Mesmo depois de abolida a escravidão

Negra é a mão

De quem faz a limpeza

Lavando a roupa encardida, esfregando o chão

Negra é a mão

É a mão da pureza



Negra é a vida consumida ao pé do fogão

Negra é a mão

Nos preparando a mesa

Limpando as manchas do mundo com água e sabão

Negra é a mão

De imaculada nobreza



Na verdade a mão escrava

Passava a vida limpando

O que o branco sujava, ê

Imagina só

O que o branco sujava, ê

Imagina só

Eta branco sujão!

A canção está no disco Raça Humana
Podemos ouvi-la em www.gilbertogil.com.br

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Carlos Barros e Banda do Céu no show SEGUNDAS INTENÇÕES

Carlos Barros e Banda do Céu realizam o show de Verão SEGUNDAS INTENÇÕES, num projeto de mobilização cultural nas segundas-feiras da Bahia, em parceria com o B23 Lounge Music Bar.
13 de dezembro de 2010, 20:00h.



O show passeia pelo repertório autoral do intérprete e referências à música brasileira, do samba ao pop contemporâneo, com convidados mais que especiais.

Ingressos: R$15,00.


Confira!




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É carnaval!


Calendário é uma invenção humana que sempre serviu para organizar o tempo em função das atividades necessárias à sobrevivência na vida social.

Eventos de calendário são acontecimentos que ocorrem regularmente e noremalmente são considerados imperdíveis.
Na cultura brasileira, tal e qual o novo disco de Gilberto Gil, a nova peça de Fernanda Montenegro ou a récita mais recente de Bethânia, é de calendário saber qual a nova canção lançada por Daniela Mercury para o carnaval baiano de cada verão.

Daniela Mercury tem tido uma história de canções estampa para o carnavakl de fazer inveja a qualquer set list da folia contemporânea das terras de Caramuru.

De Rapunzel (Carlinhos Brown), passando por Quero a felicidade (Daniela Mercury / Manno Góes) e Olha o Gandhy (Tonho Matéria), além da eletrônica e inesquecível Maimbê Dandá (mais uma de Brown, alicerçado na tradição de Matheus Aleluia), a mais elétrica das baianas de hoje nos traz, SEMPRE, um misto de criatividade, inteligência frescor e competência difíceis de se perceber no reino da música produzida na Bahia, após os anos oitenta.

Digo, sempre em entrevistas e conversas sobre o meu trabalho musical que Daniela e Brown são ventos da melhor qualidade para a vela de meu barco da canção.
Digo, repito e reafirmo!

Todo final de ano, é esperado pela mídia inteligente da cidade da Baía, qual golpe de mestre será dado pela artista mercuriana no quesito canção-do-verão. 

Este ano, uma muito bem sucedida versão do tema da Copa da África emerge com versos que demonstram, mais uma vez que o carnaval de Daniela nunca deixa de ser, entes de tudo, uma celebração à cultura brasileira, a partir do olhar da Bahia. 
Acontece que a Bahia dela não é folclórica, preguiçosa ou somente brejeira: sua Bahia tem pulsação, beat, bit, batida, cérebro e eletrônica (que não faz tudo, mas quase tudo...).

É carnaval (Will Adams/Herry Clestin/Jerry Duplessis/Wyclef Jean/Roberto Martino/Daniela Mercury/Marcelo Quintanilha) vem com uma afirmação da Bahia como porto de chegada e reprocessamento das matrizes culturais do mundo inteiro, de Bilbao à Paris, como já sugere a própria letra.

A versão, que conta com participação de Wyclef Jean e Marcelo Quintanilha (que ano passado marcou ponto com Daniela na divisão da tarefa de compor da bela e forte Andarilho Encantado) tem tudo para conquistar as ruas e rádios de fevereiro e março, neste nosso carnaval tardio de 2011.

As barreiras que deve romper são as mesmas enfrentadas nos outros anos, em que refrões fáceis (e só) se justificam como sendo típicos de "música de carnaval".

Ai que saudades de Onde está o dinheiro e Balancê, que, sendo de carnaval, ironizavam e satirizavam a brasilidade com humor e descontração populares e ao mesmo tempo cheias de graça musical (o que tem faltado a algumas peças mais recentes).

Gosto da picardia e da sexualidade na música, mas penso ser importante cantar que o carnaval é também:

PRETA FESTA SANTA

SANTA FÉ PAGÃ
ALEGRIA DANÇA
ATÉ DE MANHÃ
LUMINOSA ARTE
CRIA DE OLORUM
SE O AMOR
SE REPARTE
SOMOS TODOS UM


Em poucos momentos de letra, versos simples e reveladores do carro naval antigo, que remonta, na festa, Dioniso e Zeus; Olorum e o retraimento de Orixás e de Cristo, na quaresma de depois da quarta-feira (que, segundo Vinícius, celebra o fim da alegria do povo...)


É carnaval vem, mais uma vez, reforçar que o carnaval de Salvador não pode deixar de ter muita coisa: participação popular, alegria, democratização da brincadeira, menos apartheid social, etc.


E o que me salta os olhos, positivamente é que a canção É carnaval vem nos lembrar (como o fazem eventos de calendário) que carnaval da Bahia não pode deixar de ter, sem dúvida a energia e a certeza (como salientei nos agradecimentos de meu disco de estreia) de Daniela Mercury.


Assim, se É Carnaval, pelo menos na minha Bahia, isso significa que
É Daniela Mercury!


Vamos pra rua!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Obrigado, Bahia, obrigado Brasil!


Venho realizando em um ano desde o lançamento do CD Cantiga vem do Céu uma trajetória mais que vitoriosa: tenho conquistado cada vez mais amigos, fãs, colaboradores, admiradores e links com o mundo a partir da Bahia, terra em que nasci.


Cantiga vem do Céu me possibilita hoje estar na cena musical deste país, como intérprete, interlocutor e criador.


Estou entre, sendo desde já mais uma possibilidade de ser, no sentido mais completo, nos tempos de quando e até que o destino permita!

Alex Medrado, João Carlos Campos,
Marcus Santos e Pedro Ivo Araújo são mais que colegas: são companheiros em sentido absoluto.

Há poucos dias, realizei, em Salvador, dois shows; um paralelo - homenageando o Rei Roberto Carlos (Rei, sim) - e outra edição comemorativa de
Cantiga vem do Céu. Os dois tiveram uma presença de público que mais uma vez nos agraciou quantitativa e qualitativamente.

Mais uma vez, então: muito obrigado pelo carinho e por propagar meu trabalho e o da Banda do Céu pelos quatro cantos, por considerar minha voz e minha performance, por me gostar!


Assim, Carlos Barros vai seguindo, pede licença e está apenas começando...


"Morena, quando tu for, me leva"!



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tenho cá pensado com meus botões... E se Deus vencesse Lúcifer?




Tenho cá pensado com meus botões, e se Deus de fato, vencesse Lúcifer?

Sim, por que do jeito que percebo, aqui na terra o marketing de Lúcifer está vencendo o de Deus há séculos (ou será milênios)?

Me refiro, aqui, a um fenômeno inquietante, de natureza profunda e para mim (que nem ando muito atento aos possíveis desígnios do diabo) muito difícil de ser barrado: uma certa "evangelização" torta do comportamento e de cunho neo-pentecostalista que vem tomando a dianteira nas relações sociais no Brasil e mais particularmente na cidade em que vivo, a Salvador da Baía de Todos os Santos (que querem até dizer que pertence a um apenas...).

Fui cristianizado quando criança, batizado (que cena bonita nas fotos de meus nove meses), passei pela Comunhão primeira com a celebração eucarística, a confissão dos pecados e a Hóstia que me dá a real sensação de receber a mensagem de Cristo em meu corpo.

Me tornei Filho de Santo, Ogã de Candomblé e consagrei no meu corpo o azul claro de meu pai Oxóssi, Luz de Vida e que também não tem muita intimidade com o diabo, aliás mantendo com ele uma sincera relação de desprezo.
Veja só, se o caçador vai se preocupar com um anjo decaído que remói sua inveja eterna do poder do maioral...

A cidade da Baía vem pasando por um processo crescente de evangelização entortecida forçada do comportamento: tudo gira em torno das bençãos, dos irmãos, do Senhor, como se com a pentecostalização da Bahia (fenômeno que crsece paulatinamente desde os anos setenta), todos estivessem à mercê dos males do cão e de seus ardis e a salvação somente pudesse ser a aceitação desta forma de conceber o mundo.

Recentemente, a expressão "rá ti bum", dos parabéns de aniversários e do programa educativo e bem formador da TV Cultura de São Paulo, foi veiculada em diversos e-mails como sendo uma saudação demoníaca, numa explicação racionalmente construída sobre uma irracionalidade que ultrapassa o sentimento religioso e se torna, aí sim, numa ode constante ao poder do Satanás, Belzebu, Diabo e qualquer outro nome que assuma o personagem por quem não nutro simpatias e muito menos tenho qualquer intimidade.

Chega de tanta paranoia existencial que enxerga nas mais frugais coisas da vida um "plano diabólico" que teima em querer destruir os "planos celestiais".

Estou com saudades da cidade do Salvador em que os ebós podiam conviver pacificamente nas ruas com os exus e entidades afins que as recebiam.
Na TV, tive que assistir a um carioca que certamente não tinha muito a cultivar no seu ócio e dedica seus dias a coibir os sacrifícios de animais do candomblé em nome dos direitos dos animais.

Não sabe quem são Ossaim, Oxóssi e afins e sua relação com a proteção de todos os seres animados da terra...

Estou com saudade de uma Bahia em que um fio de contas não gerava uma ladainha sonora nos ouvidos cantada nos ônibus, bancos e lugares públicos para combater a fé alheia. 
Digo a todos que encontro e que começam a cantar (na maioria das vezes, ainda mal) no meu ouvido: sou cantor, não microfone (parece que toda vez que um adepto de candomlblé é visto, se confunde com um microfone para o senhor, na realidade esquizofrênica de certos religiosos cultuadores de um deus (ou será mímese mesmo do diabo?) que parece não estar muito atento a estas manifestações.

Estou acostumado a um deus pentecostal que fulminava a terra com raios, terremotos e dilúvios ao menor sinal de desacerto...

Se ele estivesse vendo a tudo e todos, omnipresentemente e omniscientemente, faria algo contra essas sandices.

Que saudades deste Deus... por vezes, de fato sinto...

Sou religioso.
Sou baiano.
Sou filho de Deus.

Chega de tratar a realidade como se fosse uma representação imperfeita das páginas de escrituras cuja interpretação do mundo é uma entre tantas.
Eu quero poder falar nagô e não ter que aguentar o oferecimento do acarajé de Jesus (que para mim sempre foi homologamente o pão da ceia).
Iansã, certamente não fica aborrecida: não tem querelas com Cristo, de quem é parceira na condução desta cidade da Baía de TODOS os Santos, mas cá pra nós: Jesus não tem muita intimidade com o dend~e e com a quentura do akará, não é?

Eu quero uma Bahia em que hipócritas não falem na televisão em nome da pobreza e ao mesmo tempo sejam algozes pentecostais da periferia e dos pobres (a quem Cristo delega o verdadeiro reino dos céus).
Chega de ignorância e desespero existencial mal direcionado.
Cuidemos de nossas cabeças (Iemanjá faz isso, sempre, em cada Bori, assentamento e feitura de Orixá) afim de não entrarmos num barco de Caronte furado e cujas águas são sujas por uma mentalidade empobrecida pela brutalidade que logra êxito por conta de interesses claramente obscuros: diluir a vida em misérias insuperáveis.
Transformam-se vítimas em algozes de si mesmos.
Sejamos budistas, católicos, afros, euros, pentecostais, batistas, etc.
Sejamos mais que tudo isso e tenhamos uma crença mais inteira: SER é o melhor de tudo!
Sejamos Carne, Alma e Deus!
Nada de menos.

Chega de contenção!

A força é bruta e a fonte da força é neutra, como diria meu Pai Gil!

Realce, quanto mais purpurina...

Para ler ouvindo Sobre todas as coisas (Edu Lobo / Chico Buarque).

Ah! Até gravei esta canção: http://www.youtube.com/watch?v=GFUbsZWfJdE 

Para não dizer que não falei...



Para não dizer que não falei de política...


O Brasil é um curioso país:  meu país, minha nação, onde nasci.


Esta semana, o Brasil colocará no poder alguém entre dois projetos dissonantes e que, juntos, não resultam num belo acorde de bossa nova.


Nada mais similar que a briga de poder e nada mais díspar que a relação entre as propostas aqui apresentadas.


Minha empatia não flui naturalmente para nenhum dos lados.
Minha confiança oscila numa balança sutilmente desregulada, por não entender o diapasão que rege  esta orquestra foucaultiana...


Sim, sei bem que não serei alguém, como diria Pessoa, mas sei bem que entre Dilma e Serra há dois Brasis bem distintos: e eu não prefiro o segundo.


José Serra apresenta como opção uma brasilidade de sotaque bem definido, de etnia bem demarcada, de bolsos bem assumidos:
e que não me representam...


Dilma Roussef traz um ideário já em andamento.
Ela, gaúcha que disse que os nordestinos migram para o Brasil (sic) também governará para um país cuja minha pertença não é muito segura...
A Bahia que o diga (seus precedentes já me foram muito sentidos, na minha pele escura/clara  e caymmiana de preto/mulato/doutor).


Acontece que o projeto Dilma (diga-se de passagem, o projeto pernambucano/paulista operário de Lula) certamente aponta para continuidades que, se não resolvem os problemas mais profundos desta nação, direcionam ajustes no mínimo necessários, seja para cariocas, piauienses, curitibanos ou emsmo baianos, já escaldados com caldos de estrela branca enfiada em pau forte.... 


Não dá para aguentar a retórica serrista contra cotas, bolsas assistenciais, aumento do fluxo de pobres nos aviões, como sai da boca de uma média (ocre) classe brasileira que aprendeu a defender projetos conservadores desde a época dos liquidificadores, enceradeiras e batedeiras elétricas do "milagre" de 1973.


Minha pertença a um tipo de média classe, por ser acadêmico de formação (sic) não me permite pensar o país a partir das xerox de textos utilizados nas salas de aula das universidades como se com eles somente, fosse possível resolver questões práticas, sentidas por pessoas, que como eu, nasceram pobres e vivem ainda hoje em condições que, não fosse a fé que costuma acompanhar, seriam apenas estatísticas ainda piores que as atuais.


Fiquei pensando em escrever sobre os boatos a respeito de Dilma, os comentários de sua inexperiência, as maledicências (ou boas notícias) que sugerem até homossexualidade...
Desisti...
Ai meu Deus, como eu queria, que Zumbi tivesse mesmo sido gay...


Confesso!
Este texto, na verdade, surgiu da minha lembrança de uma canção que há muito me impressiona, menos pelos personagens em questão e mais pelo conteúdo que, apesar de referir-se a um fato do final dos anos oitenta, ainda é bastante atual:


Pode, Waldir?

           Gilberto Gil



Pra prefeito, não

Pra prefeito, não

E pra vereador:

Pode, Waldir? Pode, Waldir? Pode, Waldir?

Prefeito ainda não pode porque é cargo de chefia

E na cidade da Bahia

Chefe!, chefe tem que ser dos tais

Senhores professores, magistrados

Abastados, ilustrados, delegados

Ou apenas senhores feudais

Para um poeta ainda é cedo, ele tem medo

Que o poeta venha pôr mais lenha

Na fogueira de São João

Se é poeta, veta!

Se é poeta, corta!

Se é poeta, fora!

Se é poeta, nunca!

Se é poeta, não!

O argumento é que o momento é delicado

E prum pecado desse tipo

Pode não haver perdão

Mudança é arriscado, muda-se o palavreado

Mas o indicado

Isso ele não muda, não

O indicado deve ser do tipo moderado

Com um mofo do passado

Peça do status quo

Se é poeta, veta!

Se é poeta, corta!

Se é poeta, fora!

Se é poeta, nunca!

Se é poeta... oh!

O certo poderia ser o voto no Zelberto

Mas examinando mais de perto

Ele tem que duvidar

A dúvida de que a Bahia tenha um dia tido a primazia

De nos dar folia

De nos afrocivilizar

Pra ele civilização é a França que balança

No seu peito de homem direito

Homem de jeito sutil

Se é poeta, veta!

Se é poeta, corta!

Se é poeta, fora!

Se é poeta, nunca!

Se o poeta é Gil!

Pra prefeito, não

Pra prefeito, não

E pra vereador:

Pode, Waldir? Pode, Waldir? Pode, Waldir?






E aí ?
Em se tratando de um voto um pouquinho melhor,


PODE, BRASIL?




P.S. 1 Para ouvir a canção basta acessar http://www.gilbertogil.com.br/
P.S. 2 Meu primeiro turno teria sido de Marina Silva

































































segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Brilho de Orfeu

Filha de Orfeu

                                                   Foto: Daniel Neto

A roda é uma imagem que remete a muitos elementos importantes do nosso universo simbólico:



Roda de samba


Samba-de-roda



Roda gigante



Roda viva

 Roda-de-santo!



Responder à roda significa estar com ela ligado e tão intimamente, que confunde-se a roda e quem responde a ela.


Responde à roda é o nome do disco de estreia de uma artista cuja mão tem girado para cima as rodas da fortuna :
Cláudia Cunha!


A cantora, nascida no Pará e com uma carreira solidamente construída na Bahia, vem mostrando uma qualidade que se constitui como marca indelével de sua presença.
Fujo tanto aqui de um texto técnico quanto de um texto apaixonado, pois para escrever sobre Cláudia, preciso colocar de lado o fã (difícil) e pôr na cena pelo menos um observador.
Cláudia Cunha me chamou atenção em primeiro lugar pela qualidade de CANTORA.
Sua preocupação com o CANTO, faz Cláudia mostrar a que veio.
Sua emissão, respiração, força, vigor e suavidade aparecem juntas (de maneira sintética) e ao mesmo tempo passíveis de análise (em suas partes mais precisas e perfeitas).
Quando a ouvi cantar, percebi que estava lá uma artista que muito me interessaria.


Este seu disco é um passeio prolífico pelas aulas de tradição da música brasileira: tem cirandas, sambas, bossa cheios de personalismo desta artista que soube se cercar de referências coesas para construir sua notoriedade.

Tive a oportunidade de cantar com ela Seu moço (Hermínio Bello de Carvalho / Roberto Mendes) e o samba remonta uma Bahia tão caymiana e ao mesmo tempo tão a cara de Cláudia que o amálgama é perfeito.
A Bahia de Cláudia também aparece na faixa Aioká (Alcyvando Luz / Carlos Coqueijo), cuja sonoridade e sua voz a percorrê-la faz a gente entender por que Iemanjá é tão forte em sua persona.
O Ori de Cláudia certamente fica feliz ao ouvi-la cantar o cântico de uma mãe tão poderosa!

Gravando ou em parceria com Manuela Rodrigues, como em Cabe um tanto e Responde à roda, Cláudia se conecta com a linguagem contemporânea da colega e também cantora e nos cria uma ponte entre a tradição da música baiana (Coqueijo, Tom Zé, Roberto Mendes) e o novo, através da própria Manuela e da participação como compositores de Ivan Bastos e Gil Vivente Tavares.

O que se percebe daí, para além desta relação tão procurada entre tradição e modernidade (que nem todos conseguem fazer, diga-se) é a capacidade da cantora de construir uma obra una e com consistência percebendo o que é tradicional no moderno e como fazer atual o que é tradição.

Entre nossos artistas mais notórios, Ney Matogrosso e Maria Bethânia são personalidades que fazem isso com magnitude.
Cláudia Cunha faz com esmero!


A participação de Zé Renato confere ao disco uma aura de "clássico estreante" que faz-nos pensar como esta cantora sabe o que quer: facilidades de mercado não cabem aqui, mesmo, embora isso não diminuísse em nada o seu valor.

Estes elementos todos somam-se a uma característica relevante para qualquer artista: uma vontade grande de fazer bem feito o seu trabalho.
Cláudia Cunha enobrece a noção de que a arte é trabalho, trabalho, trabalho e inspiração.
Insight sem instrumentos de nada servem...


Os instrumentos de Cláudia Cunha se revelam na voz, na técnica e na compreensão do que quer fazer para emocionar.
Recentemente, no show Solar homenageando Gal Costa, a cantora fez quatro semanas no Teatro Gamboa Nova o que muitas cantoras contemporâneas precisam fazer: reportar à baiana tropicalista sua devida contribuição para sopranos, contraltos e afins.

Eu, tenor metido a contralto (posto que tributário das mulheres) nesta seara de cantoras, me irmano ainda mais com Cláudia, que nas nossas conversas profissionais, converge comigo na referência maior à Maria da Graça, com sessenta e cinco anos de idade e mais de quarenta de palco.


Não bastasse tudo isso que já faz de Cláudia Cunha uma referência de aprendizado também para mim, dividir o palco com ela foi uma experiência mais que especial.
Vê-la cantando, junto à minha Banda do Céu a canção Linha de passe (João Bosco / Aldir Blanc) numa segurança e performance como a que eu e o público presente vimos ajudou-me a definitivamente entender que ela é como muito poucos artistas: corretíssima no canto e personalíssima na interpretação.


Aliás, Claúdia: que atonalidade é aquela que você impõe no meio de uma frase tão complexa?

Quem quiser ouvir, que engrosse o coro dos que pedem para ela gravar esta canção fantástica.


Responde à roda é uma expressão que não se deve esquecer:


É significativa para a Bahia, com suas rodas a mostrar que a circularidade é a tônica da cultura;


É o nome de um disco primoroso e importante para a história recente da música brasileira.;


É uma resposta ao cenário artístico – luz, força e presença;


É um diálogo fraterno e bonito com Cantiga vem do Céu, minha proposta de estreia e que também é filho do canto de uma das baianas maiores, meu ponto de encontro com Cláudia.


Responde à roda, de Cláudia Cunha tem nos proporcionado chegar mais perto do brilho desta cantora, a quem eu dedico a canção que foi composta para mim, mas que bem poderia ter sido para ela:


Cláudia Cunha, nesta história de música e sucesso, você é, certamente um Brilho de Orfeu!

domingo, 26 de setembro de 2010

E eu e eu e eu e Gal...



Em se tratando de música a minha casa tem quatro moradas: Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gal Costa.

Em se tratando da última listada, os caminhos que levam a esta casa minha são os mais nítidos e óbvios para mim.

Comecei a entender o que era canção a partir de Bethânia.
Gil me ditou as regras da linguagem musical.
Caetano mostrou por que veredas podemos ir para alcançar o máximo entre letra e melodia.
Gal Costa me possibilita cantar.

Hoje, com 65 anos de idade e mais de quarenta de carreira, esta artista (cuja cota de beleza e competência já ultrapassa qualquer comparação) está mais viva do que nunca, tanto física quanto artisticamente.

Sua proposta estética de limpidez gradativamente em crescimento, sua atenção mais que privilegiada com a VOZ enquanto instrumento perfeito/imperfeito a ressoar almas e êxtases como quem sopra o vento displicentemente (tal como a sabedoria de Gil em O Compositor me disse) e acima de tudo, sua despreocupação aparente com o texto enquanto intrumento de expressão fazem de Gal não a nossa maior cantora - canso desta história, inclusive... -  mas o que temos de mais original na história recente do canto no Brasil.

Eu exagero?
Não, constato!

Gal Costa trouxe leveza ao lado de modernidade: refez a falsa baiana faceira e rebolativa e a colocou no patamar da musa minimalista de João Gilberto; atualizou Carmem tropicalientemente; fez o Brasil cantar em acordes de exaltação desde Ari e David Nasser; mostrou os peitos cinquentões em uma fase de perfeição vocal e cênica; passou por crises políticas, fez política com o canto; foi Caetano enquanto este não era aqui; saudou a Bahia, fundando uma estética cotidiana desta terra e cidade;  recentemente lançou luzes sobre compositores desconhecidos, enfim, foi, esteve, realizou e está, sobretudo, está.

Não mais há como questionar que Marisa, Vanessa, Roberta são filhas diretas não somente nos timbres, mas numa maneira especialíssima de traduzir em sons palavras na canção brasileira.

Certa revista hoje não mais muito conceituada apresentou matéria em que o nome Gal não aparecia como referência.
Como estas páginas já "amarelaram" mesmo de tão velhas...

Gal não somente é referência como é presença.
Sua expressão como artista tem diminuído por que - como o fazem as divas mais especiais - sua aparição diminuiu, mas seu canto ecoa a cada cantar contemporâneo que revele sutileza, leveza, intensidade na água cristalina e por vezes turva, quando necessário é.
Mais uma vez a pecha de "diva fria" não pode lhe caber: Baby (Caetano Veloso) não seria a mesma sem ela. Barato Total (Gilberto Gil), também. Mais recentemente o brilho de Abandono (Caetano Veloso) não estaria à altura sem sua intervenção.

Quanto a mim, que posso dizer desta artista em minha vida?
Não pretendo rompimentos estéticos além daqueles estritamente necessários.
Gilberto Gil revelou que quando chegou à cena, tudo que queria era ser Jorge Ben.
Gil tornou-se Gil...
E eu?

Péricles Cavalcanti compôs uma obra fantástica sobre outro gênio da música: Eu queria ser Cássia Eller.
Hoje, em setembro de 2010, quase um ano depois de ter lançado meu disco de estreia, quando o ouço e quando ouço tudo (de bom e sobretudo de ruim) sobre mim e meu canto, aí me dá mais vontade de dizer:
licença Péricles, mas eu não somente queria ser, como me esforço o tempo inteiro para me ser, em sendo Gal Costa!

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