Cantigas

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Lançamento do Livro "Doces e Bárbaros: um estudo de construções de identidades baianas"

Lanço o livro "Doces e Bárbaros: um estudo sobre construções de identidades baianas", adaptação de minha Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais (defendida em 2005) na Universidade Federal da Bahia,no dia 25 de maio, às 19h, no Palacete das Artes (Museu Rodin Bahia), na Graça.

O livro aborda a minha perspectiva sobre construções de identidades culturais brasileiras e baianas observáveis na obra artística de Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso, tendo como foco principal o evento (Show / disco / filme) Doces Bárbaros, em 1976.

O prefácio foi escrito pelo professor Milton Araújo Moura (que foi Orientador da pesquisa) e a atriz, produtora, escritora e filósofa Maria Prado de Oliveiraescreveu um texto que abrilhanta a obra na "orelha" do livro. 
O lançamento faz parte da Coleção Sons da Bahia, da Editora Pinaúna, que nesta noite reúne cinco autores, eu entre estes. Ao final da noite de autógrafos, faço um Pocket Show intitulado "Após Calipso", em referência ao tema do livro. 

Tenho o grande prazer de estar ao lado de Pedro Ivo Araujo na guitarra eMarcus Santos na sua percuteria, curtindo e fazendo música nessa noite. A irmã, cantora e pesquisadora Vércia faz uma participação especial, cantando duas canções comigo . A entrada é franca e a boa energia muito bem vinda! Aláfya!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Seu Zé Samba!


Registro do Show Seu Zé Samba!

Março de 2016.



domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cantar é (bem) mais.


Não tenho por costume escrever críticas só por escrever.
Também não me coloco como fiel da balança de nada neste mundo.
Entretanto, em alguns momentos sou assaltado por desejos de dizer coisas que já tilintam há tempos e acabam por sair como pensamentos relativamente elaborados.
Definitivamente, a "americanização" das emissões de cantores contemporâneos candidatos ao sucesso no Brasil me soa cansativa e quase um pastiche constante...
É tão bonito quando a nota soa simplesmente dizendo a melodia e quando essa melodia pode contar uma história nas palavras que planam nas notas...
O cantor popular traz como vetor mais que central essa capacidade de emocionar a partir do que diz com o canto.
Alguns podem ser exímios arquitetos de melodias intrincadas e belamente dispostas no sentido da perfeição entre o sair da nota e a chegada precisa nas finalizações.
Outros dominam a arte de dramatizar cada palavra a partir dos desenhos feitos pelo traçado construído entre som e letra.
Tanto uns quanto outros dominam o formato Canção.
Atualmente - e me parece em função dos diversos "concursos de talentos" - cantar vem sendo associado a uma olimpíada malabarística cujo "sentido" começa e termina apenas na ação de emitir.
O que se diz, como se diz e para que se diz não parecem fazer parte do complexo que define o cantor e o cantar.
Artistas que se utilizam de tantos melismas e arabescos vocais feitos - muitas vezes sem a devida destreza para tal - pode equivaler a um jogador de futebol que, ao invés de tocar para o gol, fica rodopiando a bola em torno de si mesmo somente para mostrar que pode equilibrá-la irregularmente em volta do corpo...
A música produzida neste país tem exemplos espetaculares do ato de cantar.
No mundo, também.
Conhecer a história da música brasileira- e do mundo - talvez seja bom para começar alguma trajetória...
Que cantemos...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Integridades e Vilezas


"Não é por nada não", como se diz aqui na Bahia!
Evidentemente,ninguém é obrigado a gostar de um artista 
ou outro qualquer. 
Acontece que nesta cidade do São Salvador travestem- se 
intolerâncias várias em discursos contra "arrogância" e 
"antipatia".
Estas expressões são quase sempre associadas quando se 
quer desmerecer o trabalho de algumas pessoas nesta terra.
Contrariando, conscientemente, faço o vaticínio positivo: 
que Oxaguiã e Oyá sejam sempre Luz para Daniela Mercury.
E antes que a vileza de discursos se insurja, não possuo 
qualquer relação pessoal com a cantora.
Os possíveis desafetos pessoais devem ser resolvidos com 
elegância e boa fé.
Uma palavra boa numa boca ruim, turva- se.
Uma palavra pode ser arma e também pode ser escudo.
Escrevo sobre o tema em respeito à integridade da minha 
história com minhas convicções, mesmo sabendo da 
fugacidade e superficialidade desta rede social.
Sou um artista e pesquisador atento ao que me rodeia.
Sou um homem, filho de Odé com Oyá.
Sou um ser humano com desejo de melhoras neste plano.
Sejamos mais honestos e digamos que razões reais podem 
levar a tanta indisposição apresentada sob diversas formas.
Mais uma vez, peço a Deus que nos proteja...
Assim deve ser.

De guilhotinas e plebeus



Gueto é, por si só, uma distorção social. 

Significa que uma sociedade é tão desigual que isola 

pessoas em espaços confinados a valores que 

demandam lutas homéricas para se afirmarem. 

A violência e a agressividade são valores que podem 

estar presentes em qualquer lugar. 

Não são interessantes para quem pensa um mundo 

menos desigual e injusto. 

Seja qual for o olhar, as periferias não devem ser 

confundidas com lugares em que "príncipes de guetos" 

possam estimular ações simbólicas ou materiais que 

vão se voltar exatamente contra as próprias pessoas 

destes espaços sociais. 

Neste debate, o embate corpo a corpo não fica para os 

"príncipes". 

Como sempre, atinge os mais simples e desprotegidos 

plebeus...

A guilhotina procura os pescoços precisamente.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Novo Disco!

Antes da próxima estação...
Meu novo disco 
Já conhece?

sábado, 11 de outubro de 2014

Coisas da cidadania




É interessante o quanto podemos crescer na adversidade (como muito bem fala uma amiga com quem aprendo tanto).
O primeiro turno das eleições aconteceu.
O país e os estados da Federação fizeram suas escolhas e alguns mandatos já estão definidos.
Ideias são enunciadas em frases, orações e brados.
Não sou sociólogo francês, mas por vezes é interessante a busca da clareza.
Vamos a ela.
Falo por metáforas e figuras linguísticas desde que me entendo.
O costume da escrita me é familiar.
Desde que dominei o código da língua brasileira que é hábito me comunicar através dela.
Observei os movimentos eleitorais inspirado pelo arquétipo da coruja... Olhos e ouvidos atentos e silencioso.
Ontem me pronunciei muito. Coisas da cidadania...
Nessas idas e vindas, tive uma observação interessante, feita à guisa das discordâncias e/ou diferenças de olhares políticos de que meu discurso parecia influenciado pela fala de Marina...
De fato, percebi durante a campanha que a candidata Marina Silva falou algumas vezes por viés semelhante ao que apresento em algumas de minhas abordagens.
"Isto é bom que dói", parabolizando com o samba ancestral de Xisto Bahia!
De fato e também, observando a conjuntura atual da política neste país e no estado em que moro, sabia que Dilma Roussef e a referida candidata acreana seriam minhas possíveis opções para voto. 
Dilma me interessa por que reconheço a continuidade de um projeto social que tem agido historicamente de maneira positiva na minha percepção. Meu olhar passa também pela consciência plena dos problemas que envolveram as gestões recentes, e a criticidade comparece em meus posicionamentos como Artista e como Educador. 
Marina Silva me chama atenção há algum tempo como possibilidade de outra via, em que matizes diversos do projeto petista aparecem com nuances mais afins também ao meu modo de ver o mundo. 
A fé e o ponto de vista mais holístico que o discurso dela parece apontar me chamaram a sensibilidade e a razão (indissociáveis entre si, em mim) para olhar com mais atenção sua trajetória. Embora ela seja de uma denominação religiosa diferente das que eu professo e creio nesta existência minha, sua presença e o depoimento de pessoas próximas que respeito muito acabaram por me ajudar a construir esta personagem como possível para o teatro político no Brasil hoje. 
Traduzo pensamentos em construções com ares de poética discursiva. Gosto de fazer assim.
A fala através de metáforas é uma aquisição da Língua. Qualquer figura de linguagem utilizada sugere uma realidade concreta. 
A que coloco objetivamente é aquela relativa ao Bem Comum. 
É exatamente a favor do Bem (enquanto instância superior às querelas e veleidades intelectuais/partidárias) que me expresso agora. 
A Bahia possui um novo governante levado ao cargo por voto direto e em primeiro turno. Acredito que é importante para uma coletividade que o desejo seja direcionado no sentido do êxito para o Governador eleito. Nasci na Bahia, vivo na Bahia e compartilho disso com milhões de pessoas que votaram e não votaram em Rui Costa. Espero que sua gestão possa equacionar interesses numa medida em que o sujeito comum possa ter direitos garantidos e melhorias cotidianas. 
Votei em Marina Silva para presidente. 
Dei ao Caminho a possibilidade de me ver representado por uma figura que me sintonizou a uma ideia minha de singularidade. 
Posso ter escolhido certo ou errado... Ninguém pode definir. 
Digo com clareza e firmeza: NINGUÉM. 
Votarei em Dilma Roussef para Presidente neste Segundo Turno. 
Acredito que seja a opção que mais representa o que sinto como possível em se tratando de contexto político. 
Tenho aprendido com o tempo que as melhores decisões são aquelas que passam pela tonalidade azulada da temperança. 
Meus tempos e ações rubras de tantas situações me mostraram isso. 
É a transição do Ar de Iansã para o Ar de Oxalá em minha caminhada. 
O arco de Odé sustenta minhas convicções sob a Força das águas de Oxum. 
E no coração, sempre a guiar, Nossa Senhora segura e orienta meu viver.
É isso. 
Talvez por agir no mundo a partir de tantas referências complexas eu só consiga enxergar as coisas a partir deste signo - o complexo. 
Ao final, é bom que se diga, a clareza aparece como resultado da profundidade. 
A propósito, somente para não deixar de dizer, lá no fundo mesmo, penso que há muito mais que desacordos políticos em rejeições tão inflamadas ao PT, Marinas e Dilmas... 
Acho que é o caminho perdido em direção à sensatez... 
Que Deus nos guarde!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ágora

                                                                       Imagem: A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio.

Tenho uma sensação incômoda quando começam os debates eleitorais, mesmo aqueles domésticos e entre os mais próximos...


Fico pensando que muitas argumentações são provenientes de uma tentativa quase agonística de convencimento à forceps...

Distorções de discursos, esvaziamento e preenchimento de/com conteúdos maldosos...

Parece que mimetizamos (aqui de baixo) atitudes das mais grotescas assumidas por candidatos em geral...
Isso me causa também uma sensação de que a política brasileira tende mais ao bate-boca e à maledicência que ao esclarecimento e busca do serviço ao coletivo...

Confesso que me cansa e distancia do bojo do debate e aí é que provoca angústia...
É preciso tomar posições, armar argumentos e tecer considerações...
Espero que consiga por-me à ação efetiva, diante de desenho tão desestimulante do cenário.
Que a crise político-existencial possa gerar bons frutos...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Força do Inteiro

   
Foto: Divulgação
A força de um Artista está em dimensões variadas.
Uns trazem a técnica precisa, outros a emoção à flor-da-pele, uns tantos o desejo manifesto de êxito.
A força do sentir e das marcas dos caminhos são singulares. Apresentam-se na alma que sai pelos poros dos que cantam, representam, dançam, pintam, esculpem.

Fui assistir ao show de Aila Menezes, cantando o repertório de Alcione (Alcione) no final da semana passada.
Sentada num banco elegante e traduzindo esta elegância no corpo, a Cantora iniciou seu rosário musical para a Marrom em tonalidades sutis e delicadas. O samba veio com a dignidade que lhe é peculiar e a menina soube fazer valer cordas vocais, mãos, pés e alma, desde a primeira nota.
Sei o valor de um canto íntegro quando sou apresentado a um.

Aila possui um canto íntegro.
Já gostei do que ouvi desde a primeira vez - há alguns anos, participando de um evento em que ela também cantou.
Hoje, gosto do canto, da trajetória, das parcerias muitas, dos caminhos caminhados.

Alcione está tendo sua música cantada e orada (muitas vezes Aila se refere a Deus, espiritualidade e fé, rezando em cena) por uma moça jovem e que tem promessas várias de brilho. Timbre seguro, afinação precisa e fluidez cênica dentro de seu estilo. Aprendizados a adquirir, searas a percorrer e muita Voz para soltar pros que querem sorver inteirezas.

Fiquei emocionado vendo-a e ouvindo-a.
Não sou suspeito por gostar da família Menezes inteira. Seu Pinduca, Dôra, Paulo, Verônica, Luciano, todos a me ofertar carinho e afeto.
Por isso mesmo, preciso ser direito.
E ser direito é dizer que Aila faz jus à história de Arte de sua família.
É uma cantora com trajetos a fazer.
Já faz passos de bailarina na vida de quem dança com o canto.
É bom vê-la bailar.
E é exatamente isso que faz ela Ser.

Sou um apaixonado pelas artistas da Voz. São minha referência maior.
Homem do Canto que sou, em mim moram as Vozes de sereias, rainhas relampejantes, senhoras de terra e sopranos aéreas.

Meninas emocionantes também me fascinam.
E como sou um amante da beleza, quero que o belo desta moça também possa me compor.

Aila; posso compartilhar - só um pouco - desta alma feminina em meus desenhos na vida?

domingo, 25 de maio de 2014

Gabriela é Gal!



Gabriela é Gal!

Gabriela é a minha mulher!


Assistir a história de Gabriela novamente é um prazer que toma a alma. É uma personagem que fascina a mim desde que comecei a dar conta da Literatura e do áudio-visual.

E Sônia Braga é a própria Gabriela. 
Todo respeito a outras atrizes, mas ela é a mulher de Nacib. No filme, Marcello Mastroianni interpreta o turco.

E a Voz de Gal? Deus do Céu!
Trilha de Tom Jobim e a maciez sensual de um canto que é a própria fala de Gabriela. 

Gal foi convidada para fazer a novela, em 1975. Walter Avancini era o Diretor. Gal foi sábia em não aceitar o papel. Sua Voz já é a própria Voz de Gabriela. Atriz é que atua! Cantora faz o que ela fez!
 E Sônia Braga mostrou a que veio. 
É uma das mulheres mais sensuais e belas que conheço!
Seu diálogo com o vídeo é inequívoco! 
Eu adoro vê-la! 
E os personagens de Jorge couberam muito bem nela!  
Tieta do Agreste é outro filme que assisto repetidas vezes! Ninguém dia a palavra PORRA como Tieta, por Sônia!
 
Como este país tem belezas!
Viva a Bahia idílica de seus inventores!
Salve Jorge, Caymmi, Gal, Sônia, Tom!!! Seja o Brasil inventor de bonitezas mil!!!
Por tudo isso, Gabriela é a minha mulher! 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Teaser Novo CD de Carlos Barros.

video
Teaser do CD Antes da próxima estação...
Novo trabalho do cantor Carlos Barros.
Em breve...

terça-feira, 29 de abril de 2014

Carlos Barros canta Criolo!





Recentemente, fiquei feliz em ouvir a versão que Ney Matogrosso fez da canção Freguês da meia-noite, de Criolo.

Em 2012, quando realizei a temporada do show Antes da próxima estação..., incluí esta canção no repertório, pois cabia no roteiro sobre o mundo urbano e suas nuances.
Criolo me chamou atenção assim que o conheci.
Seu trabalho é especialmente interessante!
Segue um registro ao vivo do show Antes da próxima estação..., na sua estreia (abril de 2012), em Salvador.
Freguês da meia-noite, por Carlos Barros & A TRILHA!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Enquete Carlos Barros

                                                                       Foto: Edson Ferreira

E aí?
Curte o trabalho musical de Carlos Barros?
Entre no blog Cantiga vem do Céu e responda à enquete sobre canções que ele interpreta.

Para ouvir as selecionadas, 
escute as canções e vote!

Salve a Música!

Sobre Mulher e Ser...






Tenho lido muitas manifestações a respeito da Valesca Popozuda e a polêmica sobre o título atribuído - ironicamente - de "pensadora contemporânea".

Vi, também sua resposta no twitter e achei interessante como ela se posicionou sobre o assunto.


Sei que há uma grupo de pesquisadora(e)s que estudam gênero que vêm percebendo o funk e demais movimentos pop no Brasil como possibilidades de se rever o lugar da mulher na sociedade brasileira.

Há, em minha particular forma de ver, uma questão a ser considerada...

A defesa do uso do corpo como elemento central de ascensão e manutenção no tecido social só pode ser colocada em interface com análises mais profundas sobre situação e posição de classes e grupos sociais.

Somente me convencerei de que "ser vadia é liberdade" quando este perfil social for assumido como escolha e não como contingência...

Será que muitas meninas que saem de comunidades (favelas, invasões, morros, baixadas) pelo país afora podem optar entre serem "vadias" ou inseridas nos campos variados como "respeitáveis"?

Será que as "funkeiras" tal como são percebidas no plano mais amplo o são por opções declaradas ou são alocadas nestas prateleiras em função exatamente dos preconceitos machistas que determinam possibilidades para mulheres cujo corpo é destaque como atributo?

Será que tudo isso também não expressa em outra variante a fala do "merecimento" de estupro que nos chocou a muitos como dado objetivo em pesquisas realizadas recentemente (mesmo que"negadas"pelo IBGE em grau e não em conteúdo) nas terras em que habitamos?

São perguntas importantes, sejam as mulheres "vadias", "pudicas", "estereotipadas" ou "livres".
A liberdade é o limite ou a expansão?

sábado, 21 de dezembro de 2013

Carlos Barros em Show no Verão de Salvador




Carlos Barros Ao Vivo
23 de janeiro de 2014
21:00h
Restaurante Casa de Tereza 
Couvert: R$20,00

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sobre Marina e o direito de acreditar em Deus...




Pensando sobre política e cultura e religião e afins, me vi deparado nesta terça-feira 22 de outubro e um dia após ter completado 37 anos de vida, com alguns fatos e versões que me fazem ter que pôr a mente (e a alma) a trabalhar.


Não sei ainda se votarei em Marina Silva (embora seja uma opção válida entre as poucas cartas na manga) nem pleiteio cargos políticos e/ou similares. Escrevo por que penso ser  necessária uma reflexão breve a respeito de posturas e atitudes tipificadas como "críticas" que volta e meia são veiculadas por artistas, intelectuais, e alguns menos informados.


No mundo da internet tudo se veicula e tudo se diz sem cuidados necessários à convivência humana pautada na delicadeza. Neste universo em si e em nós (clamando a herança kantiana) vi uma postagem que ironizava a frase dita pela professora Marina Silva sobre o fato dela crer que Deus teria permitido que a lei da Evolução fosse criada.




Entre a irônica intenção da postagem sobre Marina e os comentários de teor risível, fiquei pensando qual o problema da sua afirmação de cunho teológico/filosófico, me colocando sob ângulos diversos e úteis para uma análise prudente e equilibrada.

Marina Silva é uma mulher sabidamente religiosa. De uma denominação evangélica, nunca escondeu de ninguém suas convicções.

Assisti a sua entrevista no programa de Jô Soares e gostei de sua fala, de sua ponderação e da maneira tranquila e segura como falou sobre Deus e Evolucionismo.

Gosto de ouvir e sentir como as pessoas públicas se portam diante de questionamentos vários e - sinceramente - Marina Silva não me suscitou comichões políticos ou desconfianças profundas.

O benefício da dúvida que caracteriza qualquer apreciação a respeito da realidade empírica vale para Marina e para qualquer ser da matéria, mas sem neuras e ranços de diversas ordens.

O que sinto e percebo como elemento que se entrepõe no debate a respeito desta senhora nada mais é que algo contra o qual a maioria das vozes que se auto intitulam "críticas" levantam-se em inflamados discursos regados a expressões aprendidas em sociologia espontânea ou mesmo acadêmica: o preconceito.

Bem sei o quanto uma certa hegemonia em termos de mentalidade ligada a alguns setores  chamados evangélicos tem sido nefasta para o diálogo democrático no Brasil. Sou uma pessoa que já vivi literalmente na pele o que pode representar a ditadura dita cristã em termos morais. Minha trajetória pessoal o diz.

Esta consciência plena do caráter impositivo enunciado por alguns grupos partilhantes desta religiosidade, entretanto, não pode permitir que se ridicularize a crença de ninguém - Marina aqui como um exemplo mais notório.

Pausa para um parêntese auto-biográfico preciso: sou graduado em História, cuja etimologia leva (segundo alguns pesquisadores) ao conceito grego de olhar, fitar. Sou Mestre em Ciências Sociais, pesquisador. Sou um artista. Canto e sinto a vida a partir do viés da sensibilidade em seu sentido filosófico e prático coincidentes. Sou um homem que sincroniza com a espiritualidade. Feito no Santo, filho de Oxóssi, também convivi alguns anos em contato constante com a Igreja Católica, que me legou a relação com o cristianismo, componente de mim também em existência. Tenho me aproximado do Oriente místico. Sou um artista/cientista em estado de imanência divina.

Sou professor. Trabalho com uma diversidade de pessoas ao longo do meu dia que me faz enxergar a realidade através de um prisma em que o bom senso, a afetividade, a clareza nos julgamentos se faz necessária. Estou longe de ter a balança de Maat e o machado de Xangô, mas muito perto de exercitar princípios de justiça cotidiana. 

Marina Silva não pode ser objeto de risos e escárnio por conjugar na sua elaboração de mundo o criacionismo e a evolução. Este esforço epistemológico que ela parece fazer pode ser considerado positivo, na atual situação em que se encontra; em diálogo com eleitores e população como um todo.

Não alcanço verdades últimas e absolutas de nada nem de ninguém. Vivo sob a condição humana de observância parcial de tudo que é ente. Os enganos são passíveis a todos. E as sensibilidades também são fontes de saber - que o digam Buda ou Aristóteles.

Se Marina Silva fosse praticante de Candomblé ou Umbanda, será que as mesmas “críticas” vozes se levantariam contra, se ouvissem dela que o evolucionismo teria sido uma dádiva de Oxalufan?

Fica a questão.


A propósito e numa derivação pertinente, preciso dizer que este momento conjuntural traz também ventos possíveis de diálogos mais aberto com oficialidades no município de Salvador. 
Os artistas da música iniciando um franco parlatório com a Secretaria Municipal de Cultura. Eu fui, vi, ouvi e gostei.
Evoluções, criações e conjunções são possíveis em movimentos muito complexos.

Ah! Reitero que não estou candidato a nada, antes que os olhares eivados da "deusa" Crítica se lancem sobre meu corpo-mente que sabe de Deus e crê nos fatos de Darwin.

Tudo em estado de Ohm.

Assim.

VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Total de visualizações de página