Cantigas

domingo, 25 de dezembro de 2011

Resiste(o) triste?




Numa noite de Natal, tudo por causa de
Don´t let the sun go down on me...

Fiquei sabendo da morte de Michael Jackson ao desembarcar em Salvador depois de uma viagem ao Rio de Janeiro. No dia anterior, estávamos - eu e Marlon Marcos - no Largo da Carioca vendo um video de um show dele (em Tóquio) -  numa banca da cidade da Guanabara...

Michael Jackson povoou minha mente como uma fada dessas da imaginção: lépida, rápida e encantada. O então menino que eu era via naquele moço americano de negritude incontestável uma força artística tão grande que - sim - me fazia querer ser em alguma instância alguma coisa parecida.

Michael Jackson foi minha primeira aula do desejo à celebridade!
Me apeguei à ideia...

Não à tôa (seguindo a aliteração/coincidência dos nomes)  na outra ponta do estrelato, George Michael foi uma figura que me chamou atenção desde já por causa da sua música, do seu rosto, da beleza do adorno na sua barba e, mais que tudo, pela existência artística mais ampla.

George Michael representou um amadurecimento no meu desejo de estrela!
E ali eu desejei...

Fiquei sabendo das aventuras sexuais que o levaram à exposição pública e mais fiquei mais atento: diferentemente de Michael Jackson - para quem o sexo sempre foi algo sombrio e recheado de controversos fatos - em
George Michael eu me deparei com a sexualidade (e sensualidade) pulsantes e em evidente vitalidade. Ele me seduziu com a voz e a voz me levou ao corpo. 
Tempo de descobertas da alma/corpo...

Se um Michael me elevava ao desejo da celebridade, o outro  me trazia ao plano mais material da música enquanto gozo da carne.  E eu estava em plena juventude pós-adolescência...

Jackson Michael foram a pré-história da minha arte...

Hoje, me sendo um pré-jovem-senhor de 35 anos, estou diante das imagens em movimento dos clipes e filmes de Michael Jackson e das aparições fantásticas de
George Michael em áudio-visuais plenos de possibilidades  corpóreas e etéreas...

Seja cantando ( e clamando a cura pra dor) com
Paul Mc Cartney ou dividindo beleza com Elton John, George Michael me faz pensar sobre a difícil posição da homossexualidade na música pop mundial (incluindo aí a música brasileira).
George Michael me leva a pensar em Cássia Eller, Ângela Rô Rô e nas inúmeras outras razões que me fizeram compor recentemente a canção Bahia  que gravo no meu próximo disco...

"Bahia, pretinha: heterocentria?"

E por pensar, volto no tempo...
Heal the pain me lembra os meus catorze anos, a escola secundária e as mesas de tênis com meninos e meninas excitados com o vai e vem da bola...



George Michael!
Um homem em plena beleza (como sempre foi).
Um cantor dos mais intressantes do planeta.
Um gay que desnudou-se ao mundo em função de uma necessária coerência com a sua verdade.

De fato, George Michael tem muito a iluminar...

Na luz, vejo que Michael e George ainda são contemporâneos de Madonna e Freddie Mercury
Estou falando de uma importante geração dos anos 80.

Estou falando do tempo em que o plástico e o couro sintético tomaram conta dos figurinos, como bem salienta a aguda e inteligente observação da cantora Déia Ribeiro.

Estou falando da época em que a ítalo-americana com nome de Nossa Senhora pôs o Santo em xeque com uma oração profana entoada nas suas camas no palco.

Por sua vez, Freddie Mercury arrasou meio mundo com uma transfiguração de masculino-feminino comparável à expressão máxima do nosso brasileiro e espetacular
Ney Matogrosso.

Estou falando dos "eighties"; dos 80's norte-americanos.
Estou falando de modelos do maisnstream...

E quem disse que o pop não pode ser cult?

Michael Jackson.
George Michael.
Madonna
Freddie Mercury.

Quatro cavaleiros de algum apocalipse não-calypso?

Daqui, da noite no arredores da Baía de Todos os Santos, fico eu - artista em estado latente e constante de aprendizado - me deparando com estas maravilhas da existência que Deus me coloca em frente.
Como disse Caetano sobre coisas sagradas: nem o Demo as pode abalar...

Fico na pós-noite de Natal dialogando com os meus demos pessoais pra terminar o texto...

Entre músicas, desejos, tesão e amor...

Viva George Michael!



domingo, 18 de dezembro de 2011

Carlos Barros e Marlon Marcos realizam Aula Cantada, em 19 de dezembro.


Aula Cantada sobre Literatura, História e Antropologia.
UNEB Campus XIII
Itaberaba
19 de dezembro de 2011
19 horas.

Coordenação:
Prof. Me. Marlon Marcos
Prof. Me. Carlos Barros


Na aula, remissões às obras de Clarice Lispector, Jorge Amado, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato e João Cabral de Melo Neto.

O evento conta com a participação dos músicos
Carlos Barros (Voz) e Kinho Gonçalves (Violão).
Os artistas executam canções de Dorival Caymmi, Cartola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico BuarqueMilton Nascimento e Pedro Ivo Araújo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


Carlos Barros
Show Você em minha Vida
14 de dezembro
21 horas
Balthazar

Av. Antônio Carlos Magalhães, nº1298, Itaigara 
 Shopping Cidade, lj. 101
Ingressos: R$15,00 e R$10,00

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Imagem e semelhança



Para mim, 35 anos!
Para mim, mais que 7 vidas
E eu "sarto" de Banda, na Bahia, no Rio, em Sampa; no Mundo!
Eu vi a Europa e Paris é tudo e menos que tudo!
Como para O Poeta, o meu Tempo é Quando!
Bethânia é minha terra!


Aqui, passo por entre tudo aquilo que amo e por quem não me ama.
Vou em frente!
À imagem e semelhança de Mim: Deus no Céu!
Odé/Oyá/YêYê/Babá!
Gil é meu pai!
Caetano: sim!

À imagem e semelhança de mim: Gal!
Aqui estou!
Aqui, ela está!
E a chuva e o vento estão lá fora!
Estão bem aqui dentro.
O Sol há de brilhar mais uma vez:
Ele já brilha.
Minha Voz é!

Brilho de Orfeu!

É Meu dia!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ex- Amor...


Êta que a vida tem que continuar...
Vamos lá!
Como diria Vinícius:
Saravá! 


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vontade de chorar...



De repente, vontade de chorar.
A canção não responde e por mais que se queira, o amor é um corte fundo na alma, mesmo!
O desamor não vem: não deve vir, mas será que virá?
O rancor não pode.
E como diz Pessoa, é coisa de gente reles que volta a cara quando passa por si...

Eu fico na melodia do Jeca, que triste - eu, mesmo um jeca Total absurdo -, canta o sofrer e a dor.
Quando ouvir esta moda, saiba que ali estou na maior parte de meu desenho.
Muitos já findaram o seu, mas o meu...
Ah! Este não sei...

Vontade de chorar
Vontade de chorar
e o choro vai pro mar?
Foi lá que o amor aconteceu e lá findou.
Foi lá, aos pés da Santa Cruz de uma Mãe Maior que parecia que tudo se encaixava.

E eu desencaixei.

Vontade de chorar...
Nesta viola eu canto e gemo de verdade...
Verdades e Mentiras: quais foram mesmo?

Agora finda
Findar é o que não sei.

Fico com a Tristeza do Jeca!

Gil: me resgata?



Tristeza do Jeca

                                    Angelino de Oliveira

Nestes versos tão singelos

Minha bela, meu amor

Pra você quero contar

O meu sofrer e a minha dor

Sou que nem sabiá

Que quando canta é só tristeza

Desde o galho onde ele está



Nesta viola canto e gemo de verdade

Cada toada representa uma saudade



Eu nasci naquela serra

Num ranchinho beira-chão

Todo cheio de buracos

Onde a lua faz clarão

Quando chega a madrugada

Lá no mato a passarada

Principia um barulhão



Nesta viola, canto e gemo de verdade

Cada toada representa uma saudade



Lá no mato tudo é triste

Desde o jeito de falar

Pois o Jeca quando canta

Dá vontade de chorar



E o choro que vai caindo

Devagar vai-se sumindo

Como as águas vão pro mar.




Pra postagem, esta letra somente bastava...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Carlos Barros no SINBAIANIDADE


SINBAIANIDADE

Carlos Barros

Mini-Curso:
A BAIANIDADE E A MÚSICA POPULAR BAIANA CONTEMPORÂNEA: PERFIS E EXPRESSÕES PARA ALÉM DO CENÁRIO DA FESTA.

 
Mesa Redonda:
AS BAIANIDADES EM DANIELA MERCURY E IVETE SANGALO: CONSTRUÇÕES A PARTIR DAS REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
DOS PÚBLICOS DAS ARTISTAS.

O evento acontece na cidade de
Seabra, Bahia, entre 13 e 16 de outubro.
Informações:

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Como dizia Aretha... sobre Lia e um novo afro-baiano!

                                            Foto: Divulgação

Cosi Ewê
Cosi Orixá!
Sem folha não tem transe!

O show Afrosoulblues, de Lia Chaves atesta isso.
A cantora, do alto de sua experiência com a empostação forte de uma voz grave e belamente rouca, entoa a cantiga de Santo re-elaborada por Ildásio Tavares e Gerônimo!

Lia Chaves é destas pérolas baianas que, de tão pérolas, ficam encobertas por conchas marítimas daquelas que não encontramos em qualquer beira de praia cotidiana. 
A voz de Lia traz uma verdade tão pessoal sobre os temas que canta que acreditamos - de fato - serem ineditismos mais contemporâneos. 
A sensação permanece mesmo em clássicos do quilate de 
É d'Oxum, novamente de Gerônimo, na companhia de Vevé Calazans.

Lia abre o espetáculo cantando para a Cigana, personagem do imaginário afro-brasileiro controversa e, por natureza, avessa a classificações demasiadas. 
A Cigana revela segredos, mas não todos os de Lia, que vai, ao longo do show cantando para Logunedé (Gilberto Gil),  para a Lua de São Jorge (Caetano Veloso), o Ilê, chegando nos Tincoãs, em releitura absurdamente forte para  
Cordeiro de Nanã.

Kaô Kabiesilê!
Quando Xangô chega na garganta de Lia, o ribombar aparece na forma de força fálica da feminilidade de mulher altiva no palco e adornada pelos ouros de seu figurino! 
Oju Obá: milagres que vi!

Afrosoulblues é um sopro de inovação na terra de todos os Santos, em que os atabaques profanos acabam desgastando - muitas vezes - o que, no palco, sagrado é - de fato!

Lia Chaves traz informação excelentemente nova para o que chamamos de afro na Bahia! 
A informação norte-americana do Missíssipi se achega às margens de Amaralina e possibilita um encontro que saúda o que pode haver de mais interessante no contemporâneo hibridismo.
Isto é coisa de quem sabe fazer, certamente, coisa de quem sabe CANTAR!

Djavan diz que cantar é mover o dom.
Lia Chaves sabe disso e move, remexe, transmuta, por vezes deixando os ouvintes atônitos com a sua destreza por sobre as melodias!

Mover o dom no fundo de uma paixão!
A cantora aqui, mostra paixão pelo canto, pela tradição dos Orixás, por uma Bahia em que o dendê se deixa levar pela leveza e concomitante força do algodão, cultivado sob o som dos lamentos afro de negros de outras latitudes...

Cosi Ewê!
Cosi Orixá!
Como dizia Aretha: a change is gonna come...

Mojubá, Lia!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lia Chaves convida Carlos Barros, no Jequitibar, nesta quarta, 28 de setembro!

Lia Chaves convida Carlos Barros, no Jequitibar, nesta quarta-feira,
28 de setembro de 2011!
Confira!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ela sabe fazer cocada.


Vamos falar de música?
Roque Ferreira é um grande compositor, daqueles que a Bahia cedeu ao mundo nos tempos de Caymmi.
O samba-de-roda e os maneirismos deste gênero são trilhas mais que perfeitas para evocar o Recôncavo.
A cantora Roberta Sá - potiguar (radicada no Rio de Janeiro) - resolveu fazer um passeio por uma Bahia particularmente sofisticada ao escolher Roque Ferreira e suas melodias e letras cheias de um espírito poético hoje raro.
A voz de Roberta, de um agudo suave e marcante, possibilita que as canções de Roque possam ser percebidas para além do caráter antropológico (e necessário) do cantar ao modo baiano.
Sambas-de-roda, chulas, modas e emboladas são presença comum  nas circulares noitadas (urbanas ou não) do entorno da Baía. E  são apropriadas de forma magistral por quem viveu e vive rodeado pela ambiência desta forma de fazer música.

Roberta Sá é uma cantora.
Sua profissão é entoar melodias e interpretá-las
E isso, ela faz com a competência da escola de muitos grandes que vêm antes dela.
O cancioneiro de Roque passa a ser matéria da estilização da cantora e do excelente (chegando a tocar o erudito)
Trio Madeira Brasil.
Os arranjos feitos para cordas e percussões dão à obra executada uma outra possibilidade (menos festeira, no sentido da Bahia em que nasci) e apontam para suingues,  divisões e prosódias baseadas em pequenas transgressões às  óbvias expectativas que, de pronto, se assentam na recepção artística.

Roberta Sá não samba.
Roberta Sá não é baiana.
Roberta Sá não tem dendê.

Ela canta. E muito!

Sua interpretação para Cocada e Água da minha sede trazem algo de profundamente baiano (posto que mantém uma doçura e suavidade associadas à Bahia) e um gosto de brasilidade mais genérica, como aquela típica dos grupos instrumentais de chorinho dos anos trinta e quarenta, em que a Bahia e o Brasil dialogavam de uma outra forma. 
Seu canto é companheiro do som do Trio Madeira Brasil, que segue a linhagem de  
Os Oito Batutas ou mesmo do
Regional de Benedito Lacerda... 
Desta forma, ouvir o disco destes artistas é perceber Roque Ferreira irmanado aos ecos mais inteiros e integrais de uma identidade nacional mais ampla, fortalecida pelas relações entre o Recôncavo e a Guanabara, de
Assis, Dorival, Pixinguinha e Noel.
Nada mal para Roque, que destes, é  par!  

Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil trazem para a música de Roque Ferreira uma janela com outra paisagem. Os trilhos de Santo Amaro entrelaçando-se às visões das casas imperiais da Rua do Lavradio.
 No álbum Quando o canto é reza, temos uma intérprete da voz se debruçando reverentemente à obra de um compositor que - entre ícones como Maria Bethânia e Zeca Pagodinho - tem suas belas peças registradas por algumas cantoras nestes anos dois mil, como Mariene de Castro e Clécia Queiroz, ambas baianas da gema e do prato do samba.

Roberta não tem samba no prato nem pano da costa no ventre: seu Recôncavo passa pela obra de Roque e deságua muito mais na Guanabara dos chorinhos instrumentais tão próprios do Trio Madeira Brasil.
E é aí que parece residir o mais interessante dessa investida: o disco Quando o canto é reza desloca geograficamente um autor, a partir do poder dos intérpretes. Nele se encontram o mais profundo e ao mesmo tempo o menos óbvio de
Roque Ferreira.

O Orixá de frente dele deve ter ficado satisfeito por sua obra tão relevante estar nos ares. 

Bethânia samba com Roque e arrasa!
Mariene nasceu no samba de Roque.
Clécia passeia pela obra de Roque.

Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil estão ali, bem colocados e prontos, nas frestas mais valorosas da janela de Roque: aquelas frestas, por onde entra a luz do sol matinal que ilumina nosso sono, nos acordando para novos dias e novos sóis!

Roberta, cante!
Eu preciso do seu amor!

   

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Nome da Voz


O nome é o que menos importa na identidade manifesta da voz. A audição re-nomeia e nomina melhor que o próprio substantivo. Além do que, ouvi-la é mais intenso que pronunciá-la.

O nome Vércia Gonçalvez traz a sonoridade da musa romana adornada pelo lamento negro de seus cabelos e corpo e alma.
Conheci a cantora Vércia há pouco mais de dez anos ainda verdinha, verdinha, tal como os ramos-pés da esperança pousada na folha. Ela cantava, entre versos de Salmos, a canção Força Estranha, de Caetano.
Lá, neste acontecimento, sua bela e inconfundível diferença despontava em seus graves mais que definidos.
A música de Vércia Gonçalvez transita entre a vontade de Bahia onipresente aqui na Terra e a vocação certeira do que é maior e mais lá no Céu: sua voz tem a capacidade de fazer ultrapassar o aqui-agora e alçar voos altos...

Sim, seu canto precisa de mais que o popular cancioneiro pode oferecer, pois necessita daquilo que nossa canção tem de mais profundo e denso.
A música de Vércia pode (e deve) ser pop, sem contudo, nunca poder (e não dever) ficar na superfície.
Vércia vem da via rascante ( a expressão me vem de Gilberto Gil) de Bethânia. E a musa de seu canto é Gal.
A menina que hoje retorna à Bahia cresceu e se fez crescer na atenção aos agudos cristalinos da  doce baiana. Em si, o corpo fala na palavra cantada a partir das sensações dramáticas e pueris a um tempo só.

Bethânia/Mart'nália?
Oyá/Ibeji?

Nem sei...

O que ouço, vejo e sinto é sua música aparecer como produto de um Brasil roseano, em que a aparente crueza e irredutível força desaguam numa mulher-homem doce e feminina, parafraseando espontaneamente o íntimo de Diadorim.
A luta de Vércia pelo seu espaço no campo da música popular parece mimetizar a batalha literária da fêmea transmutada em macho de Guimarães .

Vércia Gonçalvez é a menina-mulher com timbre forte e alma suave. Ela brinca, erra, acerta, percorre a melodia com a certeza do que diz e do que quer dizer.

Ela toma a canção na voz e aí se espraia, sem dormir: acordada e - olhos abertos/fechados - nos faz sentir fogo em labaredas que se abrandam no vento ancestral de sua musa, que com ela canta junto, na delicadeza de sua ação.
Ah! Somente para lembrar: seu nome é composto, sim!


A menina dança e nós olhamos para o alto, bem lá, onde ela certamente sempre estará vestialmente derramando sua constante força da alegria.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O mundo é um moinho: de Cazuza e Cartola... Tempo!


Tive uma conversa mais que inspirada com meu irmão Marlon Marcos há alguns dias. 
Embebido e em meio às comemorações do 10 de agosto - em que se comemora o Inquice TEMPO - reassisti ao filme Cazuza, de Sandra Werneck e inspirado no amor que Cazuza tinha por Cartola, na conversa com Marlon e em TEMPO, montei este video, uma declaração de amor incondicional à transformação de tudo, com as tristezas e esperanças necessárias...


Em setembro, Carlos Barros volta a cantar Roberto Carlos...

Show ESPELHOS, imperdível, na Bahia, em Setembro!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Grandeza


Fui apresentado à Márcia Short em meados de 2007, pelo produtor cultural Lucas de Souza, numa conversa suave e corriqueira.


Sua voz já me fascinava desde os tempos em que buscava na música brasileira referências para minha construção artística.
Cantei para ela (no dia do nosso primeiro encontro) algumas canções que eu pensava ( e penso) possíveis de serem apropriadas pelo seu canto forte, denso e lindo.


Daí em diante, a conhecida agradável passou a ser presença na minha vida, como incentivadora da minha música, amiga e confidente de momentos importantes da vida...
Márcia Short - a DIVA torna-se Márcia Short, a DIVA amiga, irmã e, mais que isso: Madrinha!


Short é uma borboleta, como o são as filhas de Oyá. E me leva junto às suas asas pelos quatro cantos deste cenário artístico brasileiro. 
Short, cuja beleza está na face, no corpo e em tudo que canta, faz com que o meu canto possa ser mais apreciado, vivido e apresentado ao mundo por onde voz esta borboleta.


Fiquei mais que alegre ao ver como um de meus baluartes a tem na medida certa: Lenine saudou, louvou e abraçou a DIVA!
Salve (por mais isso) Lenine!


Quem me dera o tempo em que borboletas eram souvenirs de colecionador!
Esta - livre, leve, lépida e faceira - eu queria poder ter em casa para admirar as cores e a vivacidade sempre.
Mas, qual nada...
Short é que me tem: ela que me leva com ela onde for.
E eu fico aqui, como um pássaro pousado nas folhas por sobre a água, aguardando mais um rasante da borboleta para me ensinar como se voa alto e belo!


Iansã é nossa mãe!
A música, nosso divã!
Márcia Short é minha guia!


Se deixem ser envoltos por ela!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Outra Voz da minha Voz...


Para mim, Maria Rita é a cantora mais eficaz nesta nova geração pós-anos 2000: emissão, timbre, técnica e emoção juntas num trabalho que me fascina muito. O disco e o show SEGUNDO formam uma obra-prima na recente música brasileira! 
Outra Voz da minha Voz

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carlos Barros e Banda do Céu no Jequitibar, 08 de julho!


Carlos Barros e Banda do Céu Ao Vivo
Jequitibar
(Varanda do Teatro SESI Rio Vermelho),
08 de julho de 2011, 22 horas.
Salvador, Bahia, Brasil
Ingressos: R$15,00

terça-feira, 14 de junho de 2011

Da caatinga, do roçado...


Em tempos de Antônio, João e Pedro sendo celebrados nos sertões do Brasil, vale trazer à tona um hino da sertanidade do Nordeste.
A canção chama-se Lamento Sertanejo (Forró do Dominguinhos), uma composição de Dominguinhos e Gilberto Gil, que originalmente está no disco Refazenda, que Gil lançou em 1975.
Aqui,
um registro dela ao vivo, com
Carlos Barros e Banda do Céu, na temporada de encerramento da turné Cantiga vem do Céu, em maio de 2011, no Teatro Gamboa Nova, em Salvador.

O video é de Zé Livera.

Por ser de lá, do sertão...
Mesmo eu sendo do mar...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cantigas seguindo no compasso da dança do Sol...


Cantiga vem do Céu e novos momentos virão!
O Sol dança, se movimentando para outras longitudes.
E eu sigo o Sol, como seu filho e discípulo...

O Teatro Gamboa Nova foi o palco de encerramento da turné deste primeiro disco. 
Agosto de 2008 foi o marco inicial deste caminho percorrido pelas cantigas astrais. Dois anos e meio de alegrias, energias mil, força, suor, trabalho e felicidade.

Levei este espetáculo, junto à Banda do Céu, para cantos de várias partes deste mundo nosso!

Salvador e sua estrela de estreia: morada e origem de tudo!

Minas Gerais e seu Pouso Alegre do público mais caloroso que até hoje tive...

São Paulo, nos estúdios da TV Orkut, nos arredores do Morumbi; outro palco de espétáculos cheios de vigor...

Rio de Janeiro: a outra ponta desta origem mítica da minha figura artística... Minha casa astral, cidade e musa de sempre!

Bruxelas e Liège, ao atravessar o Oceano Atlântico para cantar o Brasil na Europa: a Bélgica se fez solar por alguns dias...

O Teatro Gamboa Nova, com sua localização íngrime por sobre/em frente à Baía de Todos os Santos sediou a despedida deste instante longo da trajetória: este ponto cardeal de minha desorientação maior que é a música.

Minha voz e meu corpo: canto de tudo que Deus me deu, com primazia e abatimento: pra eu rebentar, no compasso do Pai...

Obrigado a todas as pessoas que estiveram envolvidas neste Projeto Cantiga vem do Céu

Rapazes da Banda do Céu: pensando no firmamento, a gente só tem a subir!

Deus é mais e com Jorge, a gente segue em frente!

O video acima é um presente de Zé Livera, músico amigo, que registrou um momento bem baiano do show Cantiga vem do Céu: a canção Modinha pra Gabriela, do mestre maior, Dorival Caymmi.

Que mais?

AXÉ!





  

domingo, 22 de maio de 2011

Amigo é a minha casa...

Márcia Short e Carlos Barros, ao vivo no Teatro Gamboa Nova,
em 19 de maio de 2011. (Foto: Carlos Rocha).

Na Tempestade
 dos arquétipos, Iansã surgiu translúcida...

(ORORO, canção de Harlei Eduardo, que está no disco
Cantiga vem do Céu)

sábado, 23 de abril de 2011

Padroeiro do Brasil


Padroeiro do Brasil
Ary Monteiro - Irany De Oliveira


Em toda casa tem um quadro de São Jorge

Em toda casa onde o santo é protetor

Num barracão, num bangalô de gente nobre

Há sempre um quadro desse santo Salvador

Quem é devoto é só fazer uma oração

Que o guerreiro sempre atende

Dando a sua proteção

Por isso mesmo não devemos esquecer

A grande data dia 23 de Abril

Vamos cantar com alegria e prazer

Porque São Jorge é o padroeiro do Brasil

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Rita Ribeiro: um tempo de excelência e limpidez!


Ouvir Rita Ribeiro é perceber o quanto a música brasileira somente tem crescido. Uma voz absolutamente límpida, cristalina e ao mesmo tempo carregada de possibilidades dramáticas se insurge sobre nós ao deixarmos suas notas penetrarem.

Ouvi Rita Ribeiro pela primeira vez cantando uma canção de Vander Lee chamada Contra o tempo. Sua inflexão, doçura e força me impressionaram e fiquei me perguntando: que mulher é essa?
Descobri em Rita Ribeiro uma espécie de recuperação de um tradicional canto brasileiro que ecoa desde a afinação de Dona Dalva de Oliveira, assim como a beleza do cristal de
Gal Costa e a expressividade da excelência de
Baby Consuelo (hoje, do Brasil). 

Rita Ribeiro traz do Maranhão o sotaque de um português falado com a clareza do que só poderia ter sido gestado em terras além-mar do assentamento desta língua.
Sua forma de dizer através de notas faz sentir uma coisa de transparência que torna o dito mais efetivamente compreendido.
Não, Rita não é uma atriz: interpreta na voz o que é pensado na composição apenas como possibilidade. 

Hoje, mais cedo, re-assiti mais uma vez o DVD Tecnomacumba e me perguntei: como esta obra não é conhecida pelo povo brasileiro massivamente? Por que ainda há pessoas que insinuam interrogações ao tocarmos no nome da cantora?
Sei que a arte é uma infindável teia de poréns (eu mesmo que o diga...) e é também o território da beleza.
Pois, Rita Ribeiro e sua Macumba eletrificada trazem beleza e caminhos.
Exu ri na voz da moça!
Iansã rasga o céu (ali, na companhia sempre bem vinda de Bethânia). 
Iemanjá dança nas ondas ao lado da graciosidade de Oxum, assistida do alto pelo ribombar dos trovões de Xangô.
A Preta Velha ao lado das crianças abençoa docemente, enquanto Ogum e Oxóssi devem estar à frente abrindo caminho para a mulher, que, lindamente, solta a garganta e corpo em uníssono no palco.

Ah! Tivesse eu nascido vinte anos mais tarde que 2011 e, certamente, meu primeiro disco teria uma bela homenagem à Rita Ribeiro e sua capacidade de me fazer entender que na música deste país, o Tempo só nos presenteia com mais coisas belas e fortes, mesmo quando tudo em volta parece responder ao chamado aparentemente maioral da insolidez...

Ouçamos Rita!  

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Carlos Barros: A Bahia na Bélgica (Por Marlon Marcos, para o Jornal A Tarde)

                                                Marlon Marcos- Jornalista e Antropólogo
                        Publicado originalmente no Jornal A Tarde, em 12 de abril de 2011, Caderno 2+

Uma voz orquestrada, a favor do exercício musical, pode fazer desenhos que revelam inteira uma cultura, apresentando, explicando, reformulando, interagindo ou, simplesmente, fazendo com que o outro frua e se divirta com a evolução cênica e sonora de um show em movimento. Foi assim. Carlos Barros e a sua impecável Banda do Céu ocuparam elegantes salas em Bruxelas e Liège, na Bélgica, para contar a belgas, e a outras nacionalidades em trânsito naquele país, o que a Bahia tem em poesia e inventividade.
Num total de seis apresentações, sendo cinco em Bruxelas, e uma em Liège, a Música Popular Brasileira entre os dias 17 e 27 de março, singrou a cultura belga dialogando com esta, em inglês, francês, português e iorubá, através do canto afinado doce representacional do baiano Carlos Barros. Remetendo-se aos nossos monstros sagrados, Gilberto Gil ( este foi louvado em todas as apresentações), Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Daniela Mercury e Gal Costa ( sempre homenageada com a canção Trilhos urbanos, de Caetano), somando-se aos ricos e inventivos arranjos da Banda do Céu, os nossos meninos perfilaram a beleza e os acertos que nós baianos temos ( e oferecemos) quando a questão é arte e entretenimento.
Carlos Barros é um jovem cantor, produtor e intelectual que pesquisa a nossa música; lançou há dois anos o belo CD Cantiga Vem do Céu, com um repertório arejado, inédito e reverente ao melhor da música popular. É bem acompanhado pela Banda do Céu, formada pelo baixo de Alex Medrado, da guitarra e violões de Pedro Ivo Araújo, dos teclados de João Carlos Campos e da iluminada bateria de Marcus Lima.
Cantor e banda viajaram a convite da cantora e produtora portuguesa Cristina Rosal ( radicada há 20 anos na Bélgica) através de sua empresa de produções artísticas D’arte, para as apresentações que aqueceram o frio de início de Primavera na Europa, e puseram platéias inteiras para dançar de Aquela do Brasil a Sonho meu, festejando a vida naquele jeito que sempre incrementamos quando chega fevereiro.
De fato, às vezes, só de longe para se ter uma real dimensão da grandeza do que a Bahia e o Brasil produziram, e graças aos orixás, ainda produzem em termos de música. De lá, entre belgas franceses portugueses alemães brasileiros, sentindo frio e saudade do sol, a voz expressiva de Carlos Barros nos colocava no centro profundo do nosso orgulho de ser baiano e de pertencer a esta musicalidade.
As duas apresentações no The Music Village expressaram e confirmaram o talento e a habilidade dos músicos em evidência. A sala é um sítio, como dizem os portugueses, dedicado a receber artistas do jazz mundial e de apresentar aos belgas amantes da boa música, o que de melhor circula pelo mundo. A platéia ficou embevecida com a execução de Trilhos urbanos, O mundo é um moinho, Modinha para Gabriela, London London, Touche pas à mon pote, Jack soul, Língua, entre as consagradas; vibrando também com as inéditas Chumbo, um sambinha delicioso do baiano Harlei Eduardo e Brisa Morena, de Marcus Lima, entre outras.
As outras salas: o Bouche- à- Oreille, o Restaurant Cravo e Canela, em Bruxelas; em Liège, a belíssima La Mi Lune. Em todas, a receptividade foi tradutora do talento dos artistas e do desenho cultural da Bahia e do Brasil feito de música, poesia e dramaticidade. O Cravo e Canela é um restaurante de brasileiras que vivem em Bruxelas; foi lá a última apresentação do show internacional Cantiga Vem do Céu, e a festa foi arrebatadora como só são as festas promovidas pelos brasileiros. A Bahia em especial.
Intimamente, minha cabeça ficou a imaginar meu sonho feliz de cidade: a voz de Caetano Veloso no meu ouvido; o show Solar, de Cláudia Cunha; a imensidão da voz de Stella Maris; a maestria de Tiganá Santana; a lindeza de Juliana Ribeiro... Ah! A poesia da Bahia.
E a possibilidade de ver Maria Bethânia recitando os nomes que dão sentido a minha vida e que podem educar este país. A poesia sendo discutida, agora, por conta do dinheiro quando não há preço; que belo e honesto projeto “O mundo precisa de poesia”.

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