Cantigas

domingo, 25 de dezembro de 2011

Resiste(o) triste?




Numa noite de Natal, tudo por causa de
Don´t let the sun go down on me...

Fiquei sabendo da morte de Michael Jackson ao desembarcar em Salvador depois de uma viagem ao Rio de Janeiro. No dia anterior, estávamos - eu e Marlon Marcos - no Largo da Carioca vendo um video de um show dele (em Tóquio) -  numa banca da cidade da Guanabara...

Michael Jackson povoou minha mente como uma fada dessas da imaginção: lépida, rápida e encantada. O então menino que eu era via naquele moço americano de negritude incontestável uma força artística tão grande que - sim - me fazia querer ser em alguma instância alguma coisa parecida.

Michael Jackson foi minha primeira aula do desejo à celebridade!
Me apeguei à ideia...

Não à tôa (seguindo a aliteração/coincidência dos nomes)  na outra ponta do estrelato, George Michael foi uma figura que me chamou atenção desde já por causa da sua música, do seu rosto, da beleza do adorno na sua barba e, mais que tudo, pela existência artística mais ampla.

George Michael representou um amadurecimento no meu desejo de estrela!
E ali eu desejei...

Fiquei sabendo das aventuras sexuais que o levaram à exposição pública e mais fiquei mais atento: diferentemente de Michael Jackson - para quem o sexo sempre foi algo sombrio e recheado de controversos fatos - em
George Michael eu me deparei com a sexualidade (e sensualidade) pulsantes e em evidente vitalidade. Ele me seduziu com a voz e a voz me levou ao corpo. 
Tempo de descobertas da alma/corpo...

Se um Michael me elevava ao desejo da celebridade, o outro  me trazia ao plano mais material da música enquanto gozo da carne.  E eu estava em plena juventude pós-adolescência...

Jackson Michael foram a pré-história da minha arte...

Hoje, me sendo um pré-jovem-senhor de 35 anos, estou diante das imagens em movimento dos clipes e filmes de Michael Jackson e das aparições fantásticas de
George Michael em áudio-visuais plenos de possibilidades  corpóreas e etéreas...

Seja cantando ( e clamando a cura pra dor) com
Paul Mc Cartney ou dividindo beleza com Elton John, George Michael me faz pensar sobre a difícil posição da homossexualidade na música pop mundial (incluindo aí a música brasileira).
George Michael me leva a pensar em Cássia Eller, Ângela Rô Rô e nas inúmeras outras razões que me fizeram compor recentemente a canção Bahia  que gravo no meu próximo disco...

"Bahia, pretinha: heterocentria?"

E por pensar, volto no tempo...
Heal the pain me lembra os meus catorze anos, a escola secundária e as mesas de tênis com meninos e meninas excitados com o vai e vem da bola...



George Michael!
Um homem em plena beleza (como sempre foi).
Um cantor dos mais intressantes do planeta.
Um gay que desnudou-se ao mundo em função de uma necessária coerência com a sua verdade.

De fato, George Michael tem muito a iluminar...

Na luz, vejo que Michael e George ainda são contemporâneos de Madonna e Freddie Mercury
Estou falando de uma importante geração dos anos 80.

Estou falando do tempo em que o plástico e o couro sintético tomaram conta dos figurinos, como bem salienta a aguda e inteligente observação da cantora Déia Ribeiro.

Estou falando da época em que a ítalo-americana com nome de Nossa Senhora pôs o Santo em xeque com uma oração profana entoada nas suas camas no palco.

Por sua vez, Freddie Mercury arrasou meio mundo com uma transfiguração de masculino-feminino comparável à expressão máxima do nosso brasileiro e espetacular
Ney Matogrosso.

Estou falando dos "eighties"; dos 80's norte-americanos.
Estou falando de modelos do maisnstream...

E quem disse que o pop não pode ser cult?

Michael Jackson.
George Michael.
Madonna
Freddie Mercury.

Quatro cavaleiros de algum apocalipse não-calypso?

Daqui, da noite no arredores da Baía de Todos os Santos, fico eu - artista em estado latente e constante de aprendizado - me deparando com estas maravilhas da existência que Deus me coloca em frente.
Como disse Caetano sobre coisas sagradas: nem o Demo as pode abalar...

Fico na pós-noite de Natal dialogando com os meus demos pessoais pra terminar o texto...

Entre músicas, desejos, tesão e amor...

Viva George Michael!



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