Cantigas

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ela sabe fazer cocada.


Vamos falar de música?
Roque Ferreira é um grande compositor, daqueles que a Bahia cedeu ao mundo nos tempos de Caymmi.
O samba-de-roda e os maneirismos deste gênero são trilhas mais que perfeitas para evocar o Recôncavo.
A cantora Roberta Sá - potiguar (radicada no Rio de Janeiro) - resolveu fazer um passeio por uma Bahia particularmente sofisticada ao escolher Roque Ferreira e suas melodias e letras cheias de um espírito poético hoje raro.
A voz de Roberta, de um agudo suave e marcante, possibilita que as canções de Roque possam ser percebidas para além do caráter antropológico (e necessário) do cantar ao modo baiano.
Sambas-de-roda, chulas, modas e emboladas são presença comum  nas circulares noitadas (urbanas ou não) do entorno da Baía. E  são apropriadas de forma magistral por quem viveu e vive rodeado pela ambiência desta forma de fazer música.

Roberta Sá é uma cantora.
Sua profissão é entoar melodias e interpretá-las
E isso, ela faz com a competência da escola de muitos grandes que vêm antes dela.
O cancioneiro de Roque passa a ser matéria da estilização da cantora e do excelente (chegando a tocar o erudito)
Trio Madeira Brasil.
Os arranjos feitos para cordas e percussões dão à obra executada uma outra possibilidade (menos festeira, no sentido da Bahia em que nasci) e apontam para suingues,  divisões e prosódias baseadas em pequenas transgressões às  óbvias expectativas que, de pronto, se assentam na recepção artística.

Roberta Sá não samba.
Roberta Sá não é baiana.
Roberta Sá não tem dendê.

Ela canta. E muito!

Sua interpretação para Cocada e Água da minha sede trazem algo de profundamente baiano (posto que mantém uma doçura e suavidade associadas à Bahia) e um gosto de brasilidade mais genérica, como aquela típica dos grupos instrumentais de chorinho dos anos trinta e quarenta, em que a Bahia e o Brasil dialogavam de uma outra forma. 
Seu canto é companheiro do som do Trio Madeira Brasil, que segue a linhagem de  
Os Oito Batutas ou mesmo do
Regional de Benedito Lacerda... 
Desta forma, ouvir o disco destes artistas é perceber Roque Ferreira irmanado aos ecos mais inteiros e integrais de uma identidade nacional mais ampla, fortalecida pelas relações entre o Recôncavo e a Guanabara, de
Assis, Dorival, Pixinguinha e Noel.
Nada mal para Roque, que destes, é  par!  

Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil trazem para a música de Roque Ferreira uma janela com outra paisagem. Os trilhos de Santo Amaro entrelaçando-se às visões das casas imperiais da Rua do Lavradio.
 No álbum Quando o canto é reza, temos uma intérprete da voz se debruçando reverentemente à obra de um compositor que - entre ícones como Maria Bethânia e Zeca Pagodinho - tem suas belas peças registradas por algumas cantoras nestes anos dois mil, como Mariene de Castro e Clécia Queiroz, ambas baianas da gema e do prato do samba.

Roberta não tem samba no prato nem pano da costa no ventre: seu Recôncavo passa pela obra de Roque e deságua muito mais na Guanabara dos chorinhos instrumentais tão próprios do Trio Madeira Brasil.
E é aí que parece residir o mais interessante dessa investida: o disco Quando o canto é reza desloca geograficamente um autor, a partir do poder dos intérpretes. Nele se encontram o mais profundo e ao mesmo tempo o menos óbvio de
Roque Ferreira.

O Orixá de frente dele deve ter ficado satisfeito por sua obra tão relevante estar nos ares. 

Bethânia samba com Roque e arrasa!
Mariene nasceu no samba de Roque.
Clécia passeia pela obra de Roque.

Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil estão ali, bem colocados e prontos, nas frestas mais valorosas da janela de Roque: aquelas frestas, por onde entra a luz do sol matinal que ilumina nosso sono, nos acordando para novos dias e novos sóis!

Roberta, cante!
Eu preciso do seu amor!

   

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Nome da Voz


O nome é o que menos importa na identidade manifesta da voz. A audição re-nomeia e nomina melhor que o próprio substantivo. Além do que, ouvi-la é mais intenso que pronunciá-la.

O nome Vércia Gonçalvez traz a sonoridade da musa romana adornada pelo lamento negro de seus cabelos e corpo e alma.
Conheci a cantora Vércia há pouco mais de dez anos ainda verdinha, verdinha, tal como os ramos-pés da esperança pousada na folha. Ela cantava, entre versos de Salmos, a canção Força Estranha, de Caetano.
Lá, neste acontecimento, sua bela e inconfundível diferença despontava em seus graves mais que definidos.
A música de Vércia Gonçalvez transita entre a vontade de Bahia onipresente aqui na Terra e a vocação certeira do que é maior e mais lá no Céu: sua voz tem a capacidade de fazer ultrapassar o aqui-agora e alçar voos altos...

Sim, seu canto precisa de mais que o popular cancioneiro pode oferecer, pois necessita daquilo que nossa canção tem de mais profundo e denso.
A música de Vércia pode (e deve) ser pop, sem contudo, nunca poder (e não dever) ficar na superfície.
Vércia vem da via rascante ( a expressão me vem de Gilberto Gil) de Bethânia. E a musa de seu canto é Gal.
A menina que hoje retorna à Bahia cresceu e se fez crescer na atenção aos agudos cristalinos da  doce baiana. Em si, o corpo fala na palavra cantada a partir das sensações dramáticas e pueris a um tempo só.

Bethânia/Mart'nália?
Oyá/Ibeji?

Nem sei...

O que ouço, vejo e sinto é sua música aparecer como produto de um Brasil roseano, em que a aparente crueza e irredutível força desaguam numa mulher-homem doce e feminina, parafraseando espontaneamente o íntimo de Diadorim.
A luta de Vércia pelo seu espaço no campo da música popular parece mimetizar a batalha literária da fêmea transmutada em macho de Guimarães .

Vércia Gonçalvez é a menina-mulher com timbre forte e alma suave. Ela brinca, erra, acerta, percorre a melodia com a certeza do que diz e do que quer dizer.

Ela toma a canção na voz e aí se espraia, sem dormir: acordada e - olhos abertos/fechados - nos faz sentir fogo em labaredas que se abrandam no vento ancestral de sua musa, que com ela canta junto, na delicadeza de sua ação.
Ah! Somente para lembrar: seu nome é composto, sim!


A menina dança e nós olhamos para o alto, bem lá, onde ela certamente sempre estará vestialmente derramando sua constante força da alegria.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O mundo é um moinho: de Cazuza e Cartola... Tempo!


Tive uma conversa mais que inspirada com meu irmão Marlon Marcos há alguns dias. 
Embebido e em meio às comemorações do 10 de agosto - em que se comemora o Inquice TEMPO - reassisti ao filme Cazuza, de Sandra Werneck e inspirado no amor que Cazuza tinha por Cartola, na conversa com Marlon e em TEMPO, montei este video, uma declaração de amor incondicional à transformação de tudo, com as tristezas e esperanças necessárias...


Em setembro, Carlos Barros volta a cantar Roberto Carlos...

Show ESPELHOS, imperdível, na Bahia, em Setembro!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Grandeza


Fui apresentado à Márcia Short em meados de 2007, pelo produtor cultural Lucas de Souza, numa conversa suave e corriqueira.


Sua voz já me fascinava desde os tempos em que buscava na música brasileira referências para minha construção artística.
Cantei para ela (no dia do nosso primeiro encontro) algumas canções que eu pensava ( e penso) possíveis de serem apropriadas pelo seu canto forte, denso e lindo.


Daí em diante, a conhecida agradável passou a ser presença na minha vida, como incentivadora da minha música, amiga e confidente de momentos importantes da vida...
Márcia Short - a DIVA torna-se Márcia Short, a DIVA amiga, irmã e, mais que isso: Madrinha!


Short é uma borboleta, como o são as filhas de Oyá. E me leva junto às suas asas pelos quatro cantos deste cenário artístico brasileiro. 
Short, cuja beleza está na face, no corpo e em tudo que canta, faz com que o meu canto possa ser mais apreciado, vivido e apresentado ao mundo por onde voz esta borboleta.


Fiquei mais que alegre ao ver como um de meus baluartes a tem na medida certa: Lenine saudou, louvou e abraçou a DIVA!
Salve (por mais isso) Lenine!


Quem me dera o tempo em que borboletas eram souvenirs de colecionador!
Esta - livre, leve, lépida e faceira - eu queria poder ter em casa para admirar as cores e a vivacidade sempre.
Mas, qual nada...
Short é que me tem: ela que me leva com ela onde for.
E eu fico aqui, como um pássaro pousado nas folhas por sobre a água, aguardando mais um rasante da borboleta para me ensinar como se voa alto e belo!


Iansã é nossa mãe!
A música, nosso divã!
Márcia Short é minha guia!


Se deixem ser envoltos por ela!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Outra Voz da minha Voz...


Para mim, Maria Rita é a cantora mais eficaz nesta nova geração pós-anos 2000: emissão, timbre, técnica e emoção juntas num trabalho que me fascina muito. O disco e o show SEGUNDO formam uma obra-prima na recente música brasileira! 
Outra Voz da minha Voz

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carlos Barros e Banda do Céu no Jequitibar, 08 de julho!


Carlos Barros e Banda do Céu Ao Vivo
Jequitibar
(Varanda do Teatro SESI Rio Vermelho),
08 de julho de 2011, 22 horas.
Salvador, Bahia, Brasil
Ingressos: R$15,00

terça-feira, 14 de junho de 2011

Da caatinga, do roçado...


Em tempos de Antônio, João e Pedro sendo celebrados nos sertões do Brasil, vale trazer à tona um hino da sertanidade do Nordeste.
A canção chama-se Lamento Sertanejo (Forró do Dominguinhos), uma composição de Dominguinhos e Gilberto Gil, que originalmente está no disco Refazenda, que Gil lançou em 1975.
Aqui,
um registro dela ao vivo, com
Carlos Barros e Banda do Céu, na temporada de encerramento da turné Cantiga vem do Céu, em maio de 2011, no Teatro Gamboa Nova, em Salvador.

O video é de Zé Livera.

Por ser de lá, do sertão...
Mesmo eu sendo do mar...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cantigas seguindo no compasso da dança do Sol...


Cantiga vem do Céu e novos momentos virão!
O Sol dança, se movimentando para outras longitudes.
E eu sigo o Sol, como seu filho e discípulo...

O Teatro Gamboa Nova foi o palco de encerramento da turné deste primeiro disco. 
Agosto de 2008 foi o marco inicial deste caminho percorrido pelas cantigas astrais. Dois anos e meio de alegrias, energias mil, força, suor, trabalho e felicidade.

Levei este espetáculo, junto à Banda do Céu, para cantos de várias partes deste mundo nosso!

Salvador e sua estrela de estreia: morada e origem de tudo!

Minas Gerais e seu Pouso Alegre do público mais caloroso que até hoje tive...

São Paulo, nos estúdios da TV Orkut, nos arredores do Morumbi; outro palco de espétáculos cheios de vigor...

Rio de Janeiro: a outra ponta desta origem mítica da minha figura artística... Minha casa astral, cidade e musa de sempre!

Bruxelas e Liège, ao atravessar o Oceano Atlântico para cantar o Brasil na Europa: a Bélgica se fez solar por alguns dias...

O Teatro Gamboa Nova, com sua localização íngrime por sobre/em frente à Baía de Todos os Santos sediou a despedida deste instante longo da trajetória: este ponto cardeal de minha desorientação maior que é a música.

Minha voz e meu corpo: canto de tudo que Deus me deu, com primazia e abatimento: pra eu rebentar, no compasso do Pai...

Obrigado a todas as pessoas que estiveram envolvidas neste Projeto Cantiga vem do Céu

Rapazes da Banda do Céu: pensando no firmamento, a gente só tem a subir!

Deus é mais e com Jorge, a gente segue em frente!

O video acima é um presente de Zé Livera, músico amigo, que registrou um momento bem baiano do show Cantiga vem do Céu: a canção Modinha pra Gabriela, do mestre maior, Dorival Caymmi.

Que mais?

AXÉ!





  

domingo, 22 de maio de 2011

Amigo é a minha casa...

Márcia Short e Carlos Barros, ao vivo no Teatro Gamboa Nova,
em 19 de maio de 2011. (Foto: Carlos Rocha).

Na Tempestade
 dos arquétipos, Iansã surgiu translúcida...

(ORORO, canção de Harlei Eduardo, que está no disco
Cantiga vem do Céu)

sábado, 23 de abril de 2011

Padroeiro do Brasil


Padroeiro do Brasil
Ary Monteiro - Irany De Oliveira


Em toda casa tem um quadro de São Jorge

Em toda casa onde o santo é protetor

Num barracão, num bangalô de gente nobre

Há sempre um quadro desse santo Salvador

Quem é devoto é só fazer uma oração

Que o guerreiro sempre atende

Dando a sua proteção

Por isso mesmo não devemos esquecer

A grande data dia 23 de Abril

Vamos cantar com alegria e prazer

Porque São Jorge é o padroeiro do Brasil

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Rita Ribeiro: um tempo de excelência e limpidez!


Ouvir Rita Ribeiro é perceber o quanto a música brasileira somente tem crescido. Uma voz absolutamente límpida, cristalina e ao mesmo tempo carregada de possibilidades dramáticas se insurge sobre nós ao deixarmos suas notas penetrarem.

Ouvi Rita Ribeiro pela primeira vez cantando uma canção de Vander Lee chamada Contra o tempo. Sua inflexão, doçura e força me impressionaram e fiquei me perguntando: que mulher é essa?
Descobri em Rita Ribeiro uma espécie de recuperação de um tradicional canto brasileiro que ecoa desde a afinação de Dona Dalva de Oliveira, assim como a beleza do cristal de
Gal Costa e a expressividade da excelência de
Baby Consuelo (hoje, do Brasil). 

Rita Ribeiro traz do Maranhão o sotaque de um português falado com a clareza do que só poderia ter sido gestado em terras além-mar do assentamento desta língua.
Sua forma de dizer através de notas faz sentir uma coisa de transparência que torna o dito mais efetivamente compreendido.
Não, Rita não é uma atriz: interpreta na voz o que é pensado na composição apenas como possibilidade. 

Hoje, mais cedo, re-assiti mais uma vez o DVD Tecnomacumba e me perguntei: como esta obra não é conhecida pelo povo brasileiro massivamente? Por que ainda há pessoas que insinuam interrogações ao tocarmos no nome da cantora?
Sei que a arte é uma infindável teia de poréns (eu mesmo que o diga...) e é também o território da beleza.
Pois, Rita Ribeiro e sua Macumba eletrificada trazem beleza e caminhos.
Exu ri na voz da moça!
Iansã rasga o céu (ali, na companhia sempre bem vinda de Bethânia). 
Iemanjá dança nas ondas ao lado da graciosidade de Oxum, assistida do alto pelo ribombar dos trovões de Xangô.
A Preta Velha ao lado das crianças abençoa docemente, enquanto Ogum e Oxóssi devem estar à frente abrindo caminho para a mulher, que, lindamente, solta a garganta e corpo em uníssono no palco.

Ah! Tivesse eu nascido vinte anos mais tarde que 2011 e, certamente, meu primeiro disco teria uma bela homenagem à Rita Ribeiro e sua capacidade de me fazer entender que na música deste país, o Tempo só nos presenteia com mais coisas belas e fortes, mesmo quando tudo em volta parece responder ao chamado aparentemente maioral da insolidez...

Ouçamos Rita!  

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Carlos Barros: A Bahia na Bélgica (Por Marlon Marcos, para o Jornal A Tarde)

                                                Marlon Marcos- Jornalista e Antropólogo
                        Publicado originalmente no Jornal A Tarde, em 12 de abril de 2011, Caderno 2+

Uma voz orquestrada, a favor do exercício musical, pode fazer desenhos que revelam inteira uma cultura, apresentando, explicando, reformulando, interagindo ou, simplesmente, fazendo com que o outro frua e se divirta com a evolução cênica e sonora de um show em movimento. Foi assim. Carlos Barros e a sua impecável Banda do Céu ocuparam elegantes salas em Bruxelas e Liège, na Bélgica, para contar a belgas, e a outras nacionalidades em trânsito naquele país, o que a Bahia tem em poesia e inventividade.
Num total de seis apresentações, sendo cinco em Bruxelas, e uma em Liège, a Música Popular Brasileira entre os dias 17 e 27 de março, singrou a cultura belga dialogando com esta, em inglês, francês, português e iorubá, através do canto afinado doce representacional do baiano Carlos Barros. Remetendo-se aos nossos monstros sagrados, Gilberto Gil ( este foi louvado em todas as apresentações), Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Daniela Mercury e Gal Costa ( sempre homenageada com a canção Trilhos urbanos, de Caetano), somando-se aos ricos e inventivos arranjos da Banda do Céu, os nossos meninos perfilaram a beleza e os acertos que nós baianos temos ( e oferecemos) quando a questão é arte e entretenimento.
Carlos Barros é um jovem cantor, produtor e intelectual que pesquisa a nossa música; lançou há dois anos o belo CD Cantiga Vem do Céu, com um repertório arejado, inédito e reverente ao melhor da música popular. É bem acompanhado pela Banda do Céu, formada pelo baixo de Alex Medrado, da guitarra e violões de Pedro Ivo Araújo, dos teclados de João Carlos Campos e da iluminada bateria de Marcus Lima.
Cantor e banda viajaram a convite da cantora e produtora portuguesa Cristina Rosal ( radicada há 20 anos na Bélgica) através de sua empresa de produções artísticas D’arte, para as apresentações que aqueceram o frio de início de Primavera na Europa, e puseram platéias inteiras para dançar de Aquela do Brasil a Sonho meu, festejando a vida naquele jeito que sempre incrementamos quando chega fevereiro.
De fato, às vezes, só de longe para se ter uma real dimensão da grandeza do que a Bahia e o Brasil produziram, e graças aos orixás, ainda produzem em termos de música. De lá, entre belgas franceses portugueses alemães brasileiros, sentindo frio e saudade do sol, a voz expressiva de Carlos Barros nos colocava no centro profundo do nosso orgulho de ser baiano e de pertencer a esta musicalidade.
As duas apresentações no The Music Village expressaram e confirmaram o talento e a habilidade dos músicos em evidência. A sala é um sítio, como dizem os portugueses, dedicado a receber artistas do jazz mundial e de apresentar aos belgas amantes da boa música, o que de melhor circula pelo mundo. A platéia ficou embevecida com a execução de Trilhos urbanos, O mundo é um moinho, Modinha para Gabriela, London London, Touche pas à mon pote, Jack soul, Língua, entre as consagradas; vibrando também com as inéditas Chumbo, um sambinha delicioso do baiano Harlei Eduardo e Brisa Morena, de Marcus Lima, entre outras.
As outras salas: o Bouche- à- Oreille, o Restaurant Cravo e Canela, em Bruxelas; em Liège, a belíssima La Mi Lune. Em todas, a receptividade foi tradutora do talento dos artistas e do desenho cultural da Bahia e do Brasil feito de música, poesia e dramaticidade. O Cravo e Canela é um restaurante de brasileiras que vivem em Bruxelas; foi lá a última apresentação do show internacional Cantiga Vem do Céu, e a festa foi arrebatadora como só são as festas promovidas pelos brasileiros. A Bahia em especial.
Intimamente, minha cabeça ficou a imaginar meu sonho feliz de cidade: a voz de Caetano Veloso no meu ouvido; o show Solar, de Cláudia Cunha; a imensidão da voz de Stella Maris; a maestria de Tiganá Santana; a lindeza de Juliana Ribeiro... Ah! A poesia da Bahia.
E a possibilidade de ver Maria Bethânia recitando os nomes que dão sentido a minha vida e que podem educar este país. A poesia sendo discutida, agora, por conta do dinheiro quando não há preço; que belo e honesto projeto “O mundo precisa de poesia”.

Recital

terça-feira, 12 de abril de 2011

A Ela...


Eu vou a qualquer lugar quando ELA quiser!
Ela leva TUDO!
Para ver a imagem e ouvir:

domingo, 10 de abril de 2011

Por isso o Brasil precisa patrocinar poesia...

Hermano Vianna sabe das coisas.
Eu aprendi a ser palco com Dona Maria Bethânia.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Peixinho de Touro: Ursinho de Mim!


Peixinho: deixa eu te ver?
Um Peixe de Touro caiu do Céu.
De lá, de onde vêm cantigas que costumo entoar, um peixe desceu...
Iemanjá só se vê Mar!
E eu estou em um barulho silencioso de minha Mãe...
Ela disse-me assim
Eu morava na areia, Sereia
aprendi a namorar...

Peixinho, deixa eu te tocar?
Meu amor, quando me beija,
o mundo revira, volta e quantas noites: assim eu durmo.
Ursinho de pele macia: claridade num aconchego
que me guia.
E o peixe ainda transmuta!
E eu? Aqui e com o Peixe.

Peixinho, deixa eu te ter?
Saudade, palavra triste que nem sabia mais direito
o que era...
Vontade: palavra de mim que ecoa nas bolhinhas do mar de céu de onde veio o peixinho.
Desejo e necessidade: eu beijo!

Peixinho: deixa eu ir com você?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Arte de agradecer e abraçar: obrigado, Bélgica!

                                                                 Foto: Julian Deckers

A Arte vive de símbolos.
Eu vivo de cantar, de fazer com a canção o que queremos, como humanos, fazer na vida.
Eu sou um cantante.
A Bélgica recebeu a mim - Carlos Barros - e aos meus companheiros da Banda do Céu de braços abertos: Cristina Rosal e sua equipe de amigos e produtores queridos fizeram com que o público belga pudesse estar presente nesta festa brasileira com sotaque do lugar...
Marlon Marcos: irmão de fé e de causas: sua presença equilibrou meu coração instável por natureza...
A Bahia da magia, dos feitiços e da fé pôde ser cantada com o toque carioca de minha alma encantada com a luminosidade de tardes horas da noite europeia.
Seis shows, seis momentos bastante distintos, quatro noites lotadas, duas noites iniciais com casa cheia e muito amor no coração.
Nossa invasão foi de alto astral...
De cá, de mim, somente agradeço...
Oyá que vem de longe e que nos levou por sobre os ares de terras e mares - navegar é preciso, viver...
Oxalá, Odé, Oxum, Xangô!
Odalice do Carmo: sua Benção!
Ogum!
Nossa Senhora!
Jesus Cristo, que disseste aos seus seguidores - levai a paz!
Meus queridos da Banda do Céu:
como seria sem Alex Medrado, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo?
Meu canto seria mais solitário.
Obrigado, rapazes!
E eu, aqui, sob a chuva da Bahia (em sonho, nas noites de pouco sono em Bruxelas).
Sem muito mais, e com muito ainda a dizer:
eu canto!
Obrigado, Bruxelas!
Obrigado, Brasil!
Obrigado, Rio de Janeiro!
Obrigado, Bahia!


The Music Village Parte II

quarta-feira, 30 de março de 2011

Carlos Barros e Pedro Ivo Araújo em Recital de Voz e Violão

                                                              Foto: Julian Deckers

Carlos Barros e Pedro Ivo Araújo em 
Recital de Voz e Violão
Bêco de Rosália
Rua General Labatut, em frente à
Biblioteca Pública da Bahia
Salvador, Bahia, Brasil
15 de abril de 2011, 20 horas.
Ingressos populares: R$5,00
Confira!

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais um...

 Hoje a cidade de Salvador completa mais um aniversário.
E eu, recém chegado de tão longe, somente posso dizer-me aniversariando, também: minha cidade que me afaga e castiga,me alimenta e me exaure: como família.

Parabéns, Salvador!

quinta-feira, 24 de março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Agenda de Carlos Barros e Banda do Céu (primeiro semestre de 2011)

                                                                          Foto: João Tatu

Agenda de Carlos Barros e Banda do Céu 
(primeiro semestre de 2011)
Confira!

Largo Quincas Berro D'água
Pelourinho
Show Outras...
10 de março de 2011
21 horas.
Salvador, Bahia, Brasil
Entrada Franca


The Music Village
Rue des Pierres 50
1000 Bruxelas
Bélgica
Show Cantiga vem do Céu
17 de março de 2011
20:30h
Reservas: reservations@darte.be
+32 (0) 470 583 172



Bouche-à-Oreille
Rue Félix Hap, 11
1040 Bruxelas
Bélgica
Show Cantiga vem do Céu
18 e 19 de março de 2011
20:30h
Reservas: reservations@darte.be
+32 (0) 470 583 172


The Music Village
Rue des Pierres 50
1000 Bruxelas
Bélgica
Show Cantiga vem do Céu
24 de março de 2011
20:30h
Reservas: reservations@darte.be
+32 (0) 470 583 172


La Mi Lune
Rue des Maraichers 31
4020 Liège,
Bélgica
Show Cantiga vem do Céu
26 de março de 2011
20:00h
Reservas: reservations@darte.be
+32 (0) 470 583 172

Restaurant Cravo e Canela
Chaussée de Charleroi, 227
1060 St Gillis
Bruxelas
Bélgica
Show Cantiga vem do Céu
27 de março de 2011
13 horas
Reservas: 02 534 6178
info@cravocanela.be 


Bêco de Rosália
Salvador, Bahia, Brasil
Abertura do Projeto Comida de Buteco
Recital Voz e Violão
Carlos Barros e Pedro Ivo Araújo
15 de abril de 2011
20:00h
Ingressos populares: R$5,00


Bêco de Rosália
Salvador, Bahia, Brasil
Homenagem ao Mês de São Jorge
Recital Voz e Violão
Carlos Barros e Pedro Ivo Araújo
30 de abril de 2011
20:00h
Ingressos populares: R$5,00



Teatro Gamboa Nova
Salvador, Bahia, Brasil
Show Outras...
05 de maio de 2011
20 horas
Ingressos: R$10,00


Teatro Gamboa Nova
Salvador, Bahia, Brasil
Show Outras...
12 de maio de 2011
20 horas
Ingressos: R$10,00


Teatro Gamboa Nova
Salvador, Bahia, Brasil
Show Outras...
19 de maio de 2011
20 horas
Ingressos: R$10,00


Teatro Gamboa Nova
Salvador, Bahia, Brasil
Show Outras...
26 de maio de 2011
20 horas
Ingressos: R$10,00


































domingo, 13 de fevereiro de 2011

Carlos Barros fala sobre a Tropicália na TV Pelourinho

                                                                          Foto: João Tatu


Assista aqui programa da TV Pelourinho sobre a Tropicália.
O cantor e pesquisador Carlos Barros é convidado e fala sobre este movimento, tão relevante para a cultura brasileira.

Confira!





Total de visualizações de página