domingo, 13 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Cantiga vem do céu: Impressões de Vivaldo de Jesus
Estive, ontem, reouvindo um CD que me chegou de maneira inusitada, aliás, como boa parte das experiências humanas significativas: de um furtivo encontro dentro de um ônibus... O repertório é, no mínimo, curioso e se alia à voz que faz ecoar alguma coisa que liga o barro ao chip, Gláuber a Almodóvar ou, ainda, João do Vale a Zeca Baleiro, concretizando (que palavra poderia ser mais adequada, hein, Haroldo de Campos?) os anseios modernistas mais básicos e, no entanto, essenciais. Era segunda, mas foi como um "Domingo no Parque" (adoro brincar com as palavras)! Pensei: esse canto é um link (ou uma ponte???). Na próxima vez, tentarei "clicar" sobre cada faixa e tenho a impressão que me levarão a outros universos, lugares, experiências...
Vivaldo GJ.
PS.: A poesia que habita em mim aguarda convites para se fazer manifesta. Vamos ao trabalho?!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Amor, meu grande amor!
Amar ao próximo como a si mesmo é um mandamento bíblico. Ter a capacidade de se doar, se dar, se colocar no lugar do outro e estar apto a sentir são atitudes inscritas na mais perfeita ordem cristã, desde as falas mais famosas do Homem de Nazaré.
Amar é o verbo que caracteriza o filme Do começo ao fim.
Doar-se é tudo o que os personagens centrais fazem.
Amar, amar e amar...
Não há momento da narrativa em que não se perceba o sentimento amor em evidência, seja na direção acertada de Aloísio Abranches, nas expressões de grandeza artística de Júlia Lemmertz ou nas inúmeras (e muito bem realizadas) cenas de amor carnal entre os personagens Francisco e Tomás.
Os atores João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso interpretam de maneira tão íntegra os rapazes que se amam desde a infância que nossa sensação do outro lado da tela situa-se entre o louvar de um profissionalismo raro ou o desejo de que seja real mesmo.
Do começo ao fim nos remete aquelas histórias de amor que já vivemos, queremos viver ou fugimos a vida inteira: amor incondicional, sem travas, sem neuroses e com inteireza.
Os rapazes - irmãos, cuja aproximação íntima chama atenção da mãe e de um dos pais logo cedo - poderiam ter sua história interrompida, tratada num divã psicanalítico ou mesmo agressivamante debelada pelas mãos da família, da escola ou de qualquer outra instituição social dessas que servem para tolhir e castrar...
Mas não; a conversa aqui é outra: o amor vence (do começo ao fim) e mesmo sem o mundo virar de ponta cabeça, como sugere o personagem Tomás, eles vivem uma intensa possibilidade de entrega pouco comum no mercado da vida contemporânea.
O diretor poucas vezes polemiza com o incesto e é aí que reside o maior mérito da obra: por vezes esquecemos que eles são irmãos e mesmo quando o pai e padrato deles entra em cena (vivido por Fábio Assunção), não há sinal de recalque, repreensão ou medo; simplesmente, em se tratando do amor deles, sempre foi assim.
Tomás e Francisco se amavam desde cedo!
Enquanto outros filmes como Shelter (De repente Califórnia) ou emsmo Brockeback Mountain podem funcionam como estandartes do movimento gay (e o fazem com maestria), Do começo ao fim é uma historia de amor entre dois homens que não serve muito para bandeiras. Se coloca num patamar tão sutil entre a decência, a moral e a verdade, que não funciona como mote de passeata, não pode ser usado como elemento de clamor civil. Está muito além.
A beleza inconteste dos dois rapazes, as cenas tórridas e às vezes até chocantes (para a sociedade brasileira que não tolera beijo e amassos entre rapazes...) são elementos fílmicos tradicionais que ajudam a conduzir a película e nos envolvem, nos fazendo torcer para que o amor acabe mesmo vencendo.
O que mais surpreende em Do começo ao fim é a capacidade de convencer em uma situação cuja verossimilhança pode ser questionada em alguns momentos: como a mãe (Júlia Lemmertz), na sua tradicional posição social de classe média alta carioca poderia reagir de maneira tão tranquila à percepção de que algo a mais acontecia no envolvimento dos filhos?
Como não propor uma viagem de estudos a um e uma namorada-noiva-esposa para o outro?
Sabe por que não nos importamos muito com isso ao ver o filme?
Por que o amor vence na narrativa.
Todos acabamos querendo que Tomás e Francisco fiquem juntos.
Todos queremos viver, de alguma forma, este amor que supera tudo em volta com a certeza de ser e pronto.
Todos queremos ter um Francisco ou um Tomás na nossa vida.
Todos!
Em certa altura do filme, o ainda criança Francisco diz ao irmão amado Tomás que cuidará dele para sempre.
Ficamos felizes em noventa minutos ao perceber que ele e seu amor não estavam mentindo.
domingo, 29 de novembro de 2009
Ave, Carlos
AVE, CARLOS!
Hoje, vinte e sete de outubro de dois mil e nove, tive o imenso prazer, privilégio e felicidade em contemplar o nascimento de mais uma obra-prima da Música Popular Brasileira: o lançamento do disco Cantiga vem do céu, do cantor e compositor Carlos Barros, acompanhado da Banda do céu e convidados. O evento aconteceu no espaço cultural Tom do Sabor, no Rio Vermelho-Salvador-Bahia-Brasil. Na presença de sua família, amigos e admiradores, Carlos Barros ofereceu a todos nós presentes uma agradável noite de autógrafos, seguida do deleite de seu belo canto.
O grupo Engenheiros do Hawaii uma vez cantou “nesta terra de gigantes...”. Mais um “gigante” chega ao cenário artístico brasileiro, através de um “canto encantador”, suave e agressivo, leve e passional, emotivo e cerebral. Emoção e Razão se encontram na voz deste cantor que faz do seu belo canto um meio para alcançar os céus!! Neste disco, letra e música corporificam a canção, e eleva a alma humana ao mais sublime, ao belo, ao eterno. Tocado pela sutileza de Lenine e Maria Rita, pela competência de Caetano Veloso, pelo vigor de Maria Bethânia, pela suavidade de Gilberto Gil e pela beleza vocálica de Gal Costa, Carlos Barros lança seu “primogênito” e se faz eternizar: seu canto, seu encanto e seu talento.
Com licença Adriana Calcanhotto:
Carlos,
“Sua música não quer ser útil
Não quer moda
Não quer estar certa
Sua música não quer ser bela
Não quer ser má
Sua música não quer nascer pronta
Sua música não quer redimir mágoas
Nem dividir águas
Não quer traduzir
Não quer protestar
Sua música não quer te pertencer
Não quer ser sucesso
Não quer ser reflexo
Não quer revelar nada
Sua música não quer ser sujeito
Não quer ser história
Não quer ser resposta
Não quer perguntar
Sua música não quer estar além do gosto
Não quer ter gosto
Não quer ter rosto, não quer ser cultura
Sua música não quer ser de categoria nenhuma
Sua música quer só ser música:
Sua música não quer pouco”.
Sabiamente, em seu show, você traz o “poeta fingidor” Fernando Pessoa em seu canto, pois, assim como o poeta que “luta com palavras” e as resignificam através dos seus versos, a música também, antes somente poesia, transforma a palavra e dá a esta novas “vestimentas”.
Nesse sentido, terminarei este breve, mas significativo, louvor ao seu trabalho por meio de um poema de Pessoa, in persona Ricardo Reis:
“Para ser grande,
Sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe o quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago
A lua toda bilha,
Porque alta vive”.
Ave, Carlos Barros!!!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Brilho de Orfeu (por Lúcia Marsal)
Brilho de Orfeu
Quando você vai em busca de um tom que lhe ofereça sabor e saber, perde o caminho é se vê “obrigada” a passar pelo mar para chegar a seu destino, guiada por uma filha de Yemanjá, percebe-se logo que as emoções da noite irão servir para lhe mobilizar por milênios. Parece exagero? Então, vejamos.
Olhares; vozes; sorrisos; abraços; muitos abraços; abraços muito apertados tentando congelar o momento; conhecimentos; reconhecimentos; memórias; ancestralidade. Estamos diante de alguém que sabem quem é, sim.
A ética, a estética, o canto e o encanto de Barros, a firmeza dos Barros, num recanto do Rio Vermelho, nos faz desejar colocar os pés no chão, pisar na terra, revolver a fina camada de pó da superfície avermelhada e chutando, delicadamente, - seixo a seixo - construir pontes que nos elevem, lentamente, até o céu-firmamento que se constrói nota a nota, acorde a acorde. Essa elevação toma todo o Rio Vermelho e se constitui como infinita e eterna.
As dores das árvores velhas, árvores velhas, são aplacadas por uma voz que lhe leva ao céu. Céu-firmamento. Nada dark tem condição de entrar neste momento mágico, neste espaço sagrado, no qual até as garrafas demonstram mais humanidade do que quem deseja macular suas paredes divinais.
Vivemos neste mundo hostil e por isso, nem muito
emocionadas, podemos prescindir da lucidez que a razão nos cobra. Diz um do clã dos Barros quando cuida de seu
coração;"orai e vigiai”. Então nosso olhar esquadrinha todos os cantos e lugares e nossa ligação com o sagrado blinda todas e todos de pensamentos nefastos. E a poeira cósmica vai.
emocionadas, podemos prescindir da lucidez que a razão nos cobra. Diz um do clã dos Barros quando cuida de seu
coração;"orai e vigiai”. Então nosso olhar esquadrinha todos os cantos e lugares e nossa ligação com o sagrado blinda todas e todos de pensamentos nefastos. E a poeira cósmica vai.
Isso ocorreu em uma noite quase sem luar, apenas a fina nesga do inicio da lua crescente sorria para os mortais. Também, nem este céu-firmamento poderia abrigar tanto brilho. Minto, poderia sim, este próprio céu sempre se permitiu trocar figurinhas com bandas e bandos; o da Lua, o Anunciador e mais recentemente a Banda do Céu.
A Banda do Céu faz meu coração de bola, amor. Alex, Marcus, João e Pedro acompanham a voz de Carlos. É um casamento perfeito, desses que não deixam dúvida. Nele, liberdade não prende o querer, há um porto seguro onde se pode ancorar e a luz se expande, irrompe, numa vasta visão.
Mas as garotas que fazem parte da fina flor das vozes femininas da nova Bahia, Déia Ribeiro, Juliana Ribeiro e Márcia Short espalham sua força ainda mais suavemente com os acordes lançados pelos meninos. Ororo Oyá, Iansã – raios, trovões, relâmpagos - tempestades rasgam o céu e fazem todo mundo se arrepiar.
E se as garrafas se humanizam, é possível que viremos árvores e nos curvemos para pegar no vento os sons de Carlos Barros e da Banda do Céu. Bem ao gosto de Orfeu.
Que este brilho lhes abra todos os caminhos e permita que o mundo enxergue estes meninos e que nada resista a tanto talento. Quando isso acontecer, vai durar milênios e vai ser tão bom, tão bom, tão bom... assim como abrir no peito um sol feroz.
Que este brilho lhes abra todos os caminhos e permita que o mundo enxergue estes meninos e que nada resista a tanto talento. Quando isso acontecer, vai durar milênios e vai ser tão bom, tão bom, tão bom... assim como abrir no peito um sol feroz.
Lúcia Marsal, out/2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Lançamento do CD Cantiga vem do céu
Carlos Barros e Banda do Céu
Lançamento do CD Cantiga vem do céu
O cantor, acompanhado da Banda do Céu (Alex Medrado, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo) traz ao público o disco Cantiga vem do céu, em noite de autógrafos e pocket show com participação especial de Márcia Short, em 27 de outubro, 20h, no Tom do Sabor (Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho).
No evento,Carlos Barros fala do processo de construção do CD, das faixas e da sensação de estar lançando o primeiro disco, ao lado dos músicos da Banda do Céu.
O CD estará à venda no Tom do Saber por preço promocional de R$12,00.
Cantiga vem do céu também estará disponível pelo preço de R$15,00 na Pérola Negra, na Loja Katuka ou em venda direta pelo telefone 71 8830 4504.
O que: Lançamento de Cantiga vem do Céu, CD de Carlos Barros e Banda do Céu, e pocket show com a participação especial da cantora Márcia Short.
Onde: Tom do Sabor, Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho.
Quanto: Entrada Franca
Quando: 27 de outubro de 2009, 20h.
O CD estará sendo vendido a R$15,00, e preço promocional no dia do lançamento de R$12,00
Cantiga vem do céu e o céu é do avião!
Lançamento do CD Cantiga vem do céu
O cantor, acompanhado da Banda do Céu (Alex Medrado, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo) traz ao público o disco Cantiga vem do céu, em noite de autógrafos e pocket show com participação especial de Márcia Short, em 27 de outubro, 20h, no Tom do Sabor (Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho).
No evento,Carlos Barros fala do processo de construção do CD, das faixas e da sensação de estar lançando o primeiro disco, ao lado dos músicos da Banda do Céu.
O CD estará à venda no Tom do Saber por preço promocional de R$12,00.
Cantiga vem do céu também estará disponível pelo preço de R$15,00 na Pérola Negra, na Loja Katuka ou em venda direta pelo telefone 71 8830 4504.
O que: Lançamento de Cantiga vem do Céu, CD de Carlos Barros e Banda do Céu, e pocket show com a participação especial da cantora Márcia Short.
Onde: Tom do Sabor, Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho.
Quanto: Entrada Franca
Quando: 27 de outubro de 2009, 20h.
O CD estará sendo vendido a R$15,00, e preço promocional no dia do lançamento de R$12,00
Cantiga vem do céu e o céu é do avião!
sábado, 24 de outubro de 2009
João, Gil, Maria
João Gilberto se encontrou com Maria Rita.
Não, não houve este show, ainda, mas entre ela e João, esteve Gil, em apresentação imperdível nas telas do DVD, que chega em breve às lojas.
O mestre baiano convocou e o que poderia ter sido uma lembrança pálida e desbotada de Elis, virou uma nova roupa, capa, moldura (de ouro puro) para a canção Amor até o fim (Gilberto Gil), eternizada pela gaúcha maior do Brasil. Ao lado de Bem, seu filho, Gilberto aliou-se à Maria no ritmo da beleza.
O convite foi do baiano e a paulistinha de personalidade altiva aceitou e levou tanta doçura e encanto que não deixou perceber que era filha de uma mãe tão poderosa e referencial.
Maria Rita desenhou sua marca, reverenciou, foi reverenciada e - banquinho e violão - como nos ensinamentos do juazeirense- fez do jazzístico samba de Gil, uma autêntica aula de bossa nova revisitada. Tudo ao som de graves de timbre "sacrificado" em nome da afinação, como nos disciplina o próprio João.
Eescrevi em texto mais antigo que Maria Rita trazia uma influência marcante das aulas de João (mesmo que não conscientemente) e não estava errado. Esta gravação traz o tom, sabor, cheiro da suavidade, coloquialidade e ar de brisa do canto de João.
Gil nos presenteou com a canção.
Elis fez dela uma de seus hinos (o dueto da pimentinha com Gal Costa também não é de deixar de lado).
Maria Rita reinventou ao lado do mestre (que não à tôa chamo de Pai).
Amor até o fim. Deste modo não tem fim possível para a preciosidade.
Vai, Maria!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Vinte e Um
Mandala de Márcia Barros em Arte Visual de Lucas de Souza
21 é Ogum e guerra.Hoje é 21 e hoje cheguei pra dizer o que sou.
21 é dia de chegança, chegamos eu e tantos que amo e provoco.
Ser feliz é que nem a ilha da felicidade; perdida numa tela de filme em que meninos e meninas azuis banham-se em lagoas icônicas e lacônicas...
Eu sei que aniversário é retorno de planeta em céu de antes.
33 é número cabalístico?
ELE somente ficou até os 33 e eu? Vou além dele? Até quanto, mesmo?
Vou e brilho em ondas de azuis e vermelhas e prata e amarelo (não esquecer)!
Viva 33, Viva ELE, Viva Eu!
Se Pessoa estivesse em si mesmo aqui, Aniversário seria assim momento de festejar os anos e não ter esperanças.
Eu, em Pessoa, sou festejo e águas no rosto.
Águas a rolarem e a me banhar.
J. e Ulisses me presentearam com as águas de Oxalá.
Oxalá me cobre de branco.
É, 33 é cabalístico por que assim é.
E eu em 33, sou mais e cada vez mais 21.
E quem quiser que venha, pois em mim,
Ogum é o Rei do 3.
"Abre fendas, cobre vales"
E, como diz uma das Rainhas:
que Deus nos guarde!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Festa de Libra!

Carlos Barros e Banda do Céu na Festa de Libra, em 16 de outubro, no Bond Canto, Rio Vermelho, Salvador, Bahia, Brasil!
Compareça ao chamado da Balança!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009

As Donas do Canto são as vozes da canção brasileira!
Marilda Santanna lançou seu livro sobre as divas baianas: Daniela, Margareth e Ivete.
Em 03 de outubro de 2009, no palacete das Artes Rodin - uma casa linda e brilhante da cidade da Baía de Todos os Santos - várias vozes se revezaram para louvar o canto brasileiro:
Neto Costa, Juliana Ribeiro, Carlos Barros, Manuela Rodrigues, Simone Motta, Carla Visi e Rita Bráz.
Vozes da Voz do Brasil, em conformidade com a homenagem maior ao Canto.

Salve a Música Brasileira!
domingo, 27 de setembro de 2009
Banda do Céu

Como é que se tem uma banda do céu?
Como é que se vê uma banda do céu?
A pergunta, acima de tudo é: como é que se ouve uma banda do céu?
O céu tem estrelas que caem e, meninos eu vi, uma banda do céu caiu com estrelas para mim.
Carlos Barros existe hoje como artista num diálogo constante, terno e profissional com quatro músicos de quilate;
Alex Medrado, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo.
Este rapazes - moços da banda - como costumo chamar, são trechos, pedaços, bandas, acessos ao/do céu em individualidades incontestes.
São integrantes e integrais; componentes e em si mesmos compósitos.
São estrelas.
Alex Medrado é a precisão, o apuro e o rigor em estados absolutos. A seriedade em apresentação geminiana de movimento. O contrabaixo em altíssimas freqüências astrais. Sua música é minimalista e grandiosa; forte e sutil; grave e alegre. Alex é a liderança de si mesmo que se coloca com os outros. Raríssima capacidade entre os meus. O solo de Chumbo fala por mim...
João Carlos Campos é a tecla de piano da criatividade sem limites. O rapaz da tecnologia sonora com um sentimento único de entender acorde e melodia na voz e no que a palavra diz; gravamos juntos, somente ele e eu uma das canções que mais me emociona: sua sensibilidade me levou ao registro que eu queria da canção Sobre todas as coisas (o meu fiel agnosticismo, visto através de Chico e Edu). João é fiel à força deste nome. Hebraico e de Juazeiro!
Marcus Lima é o sensitivo. Ouvido refinado, completamente Djavaneado e mãos de baterista (desses jóia rara) antigo; jazz e rock em mesma pessoa. Para completar a Santíssima Trindade musical, chamo em Marcus o suingue do funk, que me faz cantar melhor o Lenine que amo e o Para inglês ver do nosso disco. Marcus compôs uma das mais belas peças que já cantei. Quer saber? Ouça a faixa 3 do CD Cantiga vem do céu. Marcus é caminho de pedras brilhantes.
Pedro Ivo Araújo é a disponibilidade imediata à beleza. Sua chegada prenunciou meus amigos/irmãos da banda e trouxe a sua competência das cordas do violão em notas comprimidas e estendidas da guitarra. Pedro é a profissão vocacional para o sucesso. Pedro, de pedra, da Bíblia. Rocha de Xangô em energia ariana de Omolu. Belos encontros que se resolvem no talento de sua ação no mundo.
A Banda do Céu é o que seu nome diz; uma banda, um pedaço, um fragmento do céu que Oxalá e Iansã mandaram para me fazer inteiro. Eu - Carlos Barros, artista brasileiro; baiano que é ( no Rio) Brasil - me faço hoje um, a partir de trechos de mim na recomposição desta banda.
É...
Meu palco é assim.
Chamando meu pai: trago a minha banda e só quem sabe onde é Luanda saberá lhe dar valor!
Que Deus nos guarde!!!!!!!!!!!!!!!!!
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
O som e o sol

O sol briha embaixo da costa que há nas palhas.
O que tenho de melhor está por dentro, parafraseando a poesia de J. Velloso.
Omolu é o brilho que emana por debaixo das vestes afro-baianas a rodarem no ar; ventos de agosto que chegam a setembro.
A voz mais bonita e encantadora vem de Omolu. Sua luz expressa e reflete-se em doçuras de Oxum e nas garras corporais de Oyá-Iansã.
Tudo isso está em 64 anos de vida e caminhos: Gal Costa existe.
Que eu posso escrever mais sobre esta moça depois de tanto tempo de minha absoluta devoção a seu canto?
Brilho de Orfeu que está inscrito na minha história, Gal está em mim como eu próprio estou na minha voz.
Gal Costa é a tradução do sol de Omolu trazido à terra em tempos que tivemos a sorte de habitar.
Se nosso tempo é quando, estamos aqui enquanto há o canto de Gal, sendo tempo e absorvendo dele a luz do Senhor da Terra.
Sim, Gal é filha de Omolu.
Nós todos retornaremos um dia ao solo do qual ele é Rei.
Quando neste tempo, isto ocorrer, quem sabe estaremos mais perto da compreensão, do afeto e da plenitude de sua - artística e espiritual - obra.
Gal, estamos aí!
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Desejo Bigorna

Vou no meu compasso num desejo martelo, vontade Ogum bigorna do Brasil!
Lenine chegou, falou e disse; como dizem os baianos!
A música de Lenine é a apropriação mais que débita e creditada de muito do que nos caracteriza enquanto alma da América.
Somos a negritude do balanço harmônico-percussivo; a poética dos morros e favelas cariocas-baianas-paulistas; o sertão encontrado com o mar do Recife, numa chegança de melodias à la Benjor-Gil-Bosco.
Lenine é um Brasil que me interessa, pois é vitorioso.
A vitória de Lenine reside no sotaque, na cor da pele azeitada pelos pêlos dourados ao sol e pretos na vida.
A vitória de Lenine é a flor labiata que cheira e exala odores de uma nacionalidade repartida e reencontrada nas faixas de seus discos e na sofisticação quase soberba e belamente concisa de seus shows.
Lenine não é o meu pai, posto que irmão!
Lenine é também filiado ao que mais me imanta de brasilidade: Gil engendra em Lenine/Carlos o suingue maior de um brasileiro universal:
Lenine e eu?
Me coloco afim, afinado e pertinente: minha poesia sai, flui como que da pele, pelos poros da canção do pernambucolismo deste rapaz!
Salve Oswaldo! Oswald novo e liberto dos verde-amarelos de outrora. Modernismo contemporâneo de 2222.
Meu tempo é onde!
Adoro Lenine in cité; Ramiros em percussões mágicas de Brasil e Argentina na França que balança o "berço" da civilização.
Lenine inventa uma outra civilização inventada:
Brown do norte,
Spike do Sul!
Brown do norte,
Spike do Sul!
Os discos de Lenine são projeções do dia em que fizemos contato. As etnias caduquíssimas a buscarem sua natureza pura perdida e nunca mais passível de re-encontro...
A dondoca vai mandar cassar o samba do caboclo!
Madame não gosta de samba!
Madame não gosta de samba!
João Gilberto nas dissonâncias funkeadas em acordes de nos acordarem para o sol: atirador certeiro de flechas em mira!
Meu poema é menor que sua letra, mas minha letra traz poema de sua vertente.
E ja que sou brasileiro em meu universo onírico e sem opção,
reclamo que revolução se faz com liderança:
Ave Lenine!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Canibalismo solar à meia-noite do Brasil
Há um descompasso geográfico entre a representação e o real... Em três noites cariocas, a Bahia iluminou o Rio de Janeiro com lâmpadas acesas dos quatro cantos do país...
O Sol baiano brilhou à meia-noite nos mares da baía da Guanabara, aos toques do candomblé antropofágico de Daniela Mercury. Durante lançamento da turné mundial de Canibália, seu novo show, a baiana (junto a muitos baianos no palco e na plateia) iluminou.
Daniela é uma luz fulgurante - uma grande multidão já sabe.
Daniela é uma intérprete ardente - basta ouvi-la para perceber.
Daniela é uma personalidade de impacto - em muitos sentidos e direções.
Das informações já sabidas, o que seu novo trabalho nos lembra é que Daniela é uma propositora. O show Canibália é o resultado do amadurecimento estético de uma artista que vem trazendo à tona na Bahia e para o Brasil elementos culturais que - nos limites do popular - demonstram toda a erudição do povo brasileiro, a partir, basicamente, das experiências afro/baianas/globais.
Daniela Mercury é por excelência uma sambista - como já salientou uma das maiores, Beth Carvalho. Seu trabalho tem a marca dos rufares de tambores do samba-reggae e disso ela não abre mão. O construto de seu fazer artístico vem imbuído da necessidade de trabalhar as matrizes negras (brasileiras e aficanas) na música produzida na Bahia.
Com a dança estilizada para os Orixás logo no início, o show começa com o mais tradicional de nossa baianíssima cultura e vai desenhando - intertextualmente - trajetos por sonoridades que vão além do moderno e que terminam por pulsar no peito com a presença da artista, dos bailarinos, dos músicos e da plateia, num uníssono polifônico em torno da cultura brasileira.
A tradição evocada pelos trajes brancos, pelo cenário que estampa Carybé, folhas verdes e estrelas do mar complementa-se com os fios de plástico e luz brilhante que caem do alto e quase ajudam a re-vestir Daniela que se mostra roqueira, pop, trieletrizada saindo das rendas e entrando na fantasia de baiana pop nada, nada zen...
No repertório constam Brown, Ari Barroso, Caymmi, Buarque, Renato Russo e uma plêiade generosa de variados estilos consumidos e "antropofagizados" de forma sistemática e ao mesmo tempo escorreita. - Não queria que ficasse pesado. Pensei em fazer de forma fluida, diz a própria cantora num depoimento que confirmou as minhas impressões, da plateia.
O discurso sobre a negritude e sua importância para o Brasil, as homenagens a Carmem Miranda (incluindo dueto virtual com a portuguesa-baiana-carioca), a excelência de uma banda afiada e multicultural, além do apuro com cenário, figurino e luz que realçam a beleza dos dançarinos fazem de Canibália uma oportunidade significativa para a contemplação (também com o corpo em movimento) das possibilidades criativas de artistas do quilate de Daniela.
Do ponto de vista das provocações, ouvir O que é que a baiana tem e Tico-tico no fubá em formato mais próximo do pop (antes realizado em gravação antológica de Rita Lee) e ver homens dançando vestidos e performatizando Carmem Miranda se aliam ao Kuduro que aporta no show como exemplo da força africana na estética de Daniela e na música brasileira.
Por fim, Canibália é um projeto cuja ressonância maior reside no evidente amadurecimento artístico de La Mercury. Sua postura cênica, envergadura discurssiva, escolha de repertório e certeza no apontar de direções são motivos mais que suficientes para que queiramos vê-la.
Eu disse a Daniela que, para mim, o título do show é apresentado integralmente na sua execução.
Assistir ao show é uma boa oportunidade de me contrariar...
ou de simplesmente ter que concordar.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Cavaleiro de Jorge

Um disco é um produto.
É o resultado de horas de gravação e de tempos de lapidação pessoal. Digo no momento em que estou finalizando as gravações do meu. Nele, uma das canções é Abiã, de Jota Velloso e Ulisses Castro, e enquanto ele não chega à praça, vamos falar de uma obra já disposta nas bancas da cultura e cujo diálogo é intenso com o cantor Carlos Barros!
O compositor Jota Velloso é um artista cuja fonte criativa se encontra aberta desde gravações memoráveis de muitas cantoras; as mulheres a entoarem o canto deste santamarense.
Agora, Jota traz em seu próprio canto as jóias de seu cancioneiro.
"Camaleão vaidoso no meio das foia parada
não podia ser visto nem quando o vento soprava,
pois carregava a sina da vida camuflada.
beleza que não é vista não serve, não tem valor pra nada!"
Os versos de Camaleão, que está no disco de Jota são representativos do que se ouve neste trabalho.
A beleza das peças e dos arranjos aparece a partir das gravações do compositor, que desfia, em Jota Velloso e os Cavaleiros de Jorge, um conjunto que remonta o tradicional e o contemporâneo em termos de sonoridades no Brasil.
Desde Kirimurê (antes registrada por Bethânia), com evocações vocais indígenas até Eu sou preto (gravada por Daniela Mercury), temos uma musicalidade que aproxima os beats da influência de Aldo Brizzi às temáticas baianas e brasileiras do interior.
A canção Foguete - de rara beleza poética - fica densa e leve ao mesmo tempo, com uma sonoridade de festa do interior regada a doces e bebidas, como que nos quintais juninos. Jota reúne um naipe de músicos de primeira linha pra fazer soar em nossos ouvidos o espoucar de alegria da letra da música sem exageros e na medida certa. O São João é hoje e vem de antes, sem perder sua essência introspectiva.
As participações dos Jorges: Mautner e Vercilo enriquecem o trabalho, com a inventividade do violino (quase rabeca) do primeiro e a voz maviosa e precisa do segundo. Jota e Vercilo falando de uma musa enaltecem a musa maior - música, como se Rio e Bahia se encontrassem desde os "esses" que insurgem até as malemolências vocais que diferem/aproximam.
Verde saudade que me afogou!
E até o fado português dialoga com o forró de um nordeste de cima, borda do recôncavo!
Com Mautner, o caráter sagrado da oração a São Jorge se evidencia num clima quase medieval que toma o cântico, na música e no texto recitado pelo poeta.
Nordeste redivivo com a história do Brasil.
Lá vem Jorge salvar sua gente!
Em Ipod e Medo, o pop toma conta do disco, mostrando uma verve mais urbana do trabalho de Jota; a tecnologia acessível/intrigante da maquininha de ouvir música e os medos de hoje, que nos limitam e impulsionam...
Jota Velloso e Os Cavaleiros de Jorge é pra se ouvir pensando numa Bahia nova e velha; um Bahia de Caymmi e de João Gilberto que dialoga com a Bahia das noites no Rio Vermelho, na Casa da Mãe, no Tom do Sabor, aos sabores de novos nomes que são tão melhores quanto gratos às raízes que nos são chão.
Assim,
Salve Jorge!
É o resultado de horas de gravação e de tempos de lapidação pessoal. Digo no momento em que estou finalizando as gravações do meu. Nele, uma das canções é Abiã, de Jota Velloso e Ulisses Castro, e enquanto ele não chega à praça, vamos falar de uma obra já disposta nas bancas da cultura e cujo diálogo é intenso com o cantor Carlos Barros!
O compositor Jota Velloso é um artista cuja fonte criativa se encontra aberta desde gravações memoráveis de muitas cantoras; as mulheres a entoarem o canto deste santamarense.
Agora, Jota traz em seu próprio canto as jóias de seu cancioneiro.
"Camaleão vaidoso no meio das foia parada
não podia ser visto nem quando o vento soprava,
pois carregava a sina da vida camuflada.
beleza que não é vista não serve, não tem valor pra nada!"
Os versos de Camaleão, que está no disco de Jota são representativos do que se ouve neste trabalho.
A beleza das peças e dos arranjos aparece a partir das gravações do compositor, que desfia, em Jota Velloso e os Cavaleiros de Jorge, um conjunto que remonta o tradicional e o contemporâneo em termos de sonoridades no Brasil.
Desde Kirimurê (antes registrada por Bethânia), com evocações vocais indígenas até Eu sou preto (gravada por Daniela Mercury), temos uma musicalidade que aproxima os beats da influência de Aldo Brizzi às temáticas baianas e brasileiras do interior.
A canção Foguete - de rara beleza poética - fica densa e leve ao mesmo tempo, com uma sonoridade de festa do interior regada a doces e bebidas, como que nos quintais juninos. Jota reúne um naipe de músicos de primeira linha pra fazer soar em nossos ouvidos o espoucar de alegria da letra da música sem exageros e na medida certa. O São João é hoje e vem de antes, sem perder sua essência introspectiva.
As participações dos Jorges: Mautner e Vercilo enriquecem o trabalho, com a inventividade do violino (quase rabeca) do primeiro e a voz maviosa e precisa do segundo. Jota e Vercilo falando de uma musa enaltecem a musa maior - música, como se Rio e Bahia se encontrassem desde os "esses" que insurgem até as malemolências vocais que diferem/aproximam.
Verde saudade que me afogou!
E até o fado português dialoga com o forró de um nordeste de cima, borda do recôncavo!
Com Mautner, o caráter sagrado da oração a São Jorge se evidencia num clima quase medieval que toma o cântico, na música e no texto recitado pelo poeta.
Nordeste redivivo com a história do Brasil.
Lá vem Jorge salvar sua gente!
Em Ipod e Medo, o pop toma conta do disco, mostrando uma verve mais urbana do trabalho de Jota; a tecnologia acessível/intrigante da maquininha de ouvir música e os medos de hoje, que nos limitam e impulsionam...
Jota Velloso e Os Cavaleiros de Jorge é pra se ouvir pensando numa Bahia nova e velha; um Bahia de Caymmi e de João Gilberto que dialoga com a Bahia das noites no Rio Vermelho, na Casa da Mãe, no Tom do Sabor, aos sabores de novos nomes que são tão melhores quanto gratos às raízes que nos são chão.
Assim,
Salve Jorge!
domingo, 9 de agosto de 2009
Abrigos

No Rio de Janeiro, em meados de junho deste ano, o poeta, jornalista e amigo Marlon Marcos foi ao cinema assistir um novo lançamento cinematográfico e voltou tecendo muitos elogios
Em Salvador, no início de agosto, Carlos Barros assiste ao memso lançamento e percebe nele a vida como ela se apresenta a partir do viés do amor.
Shelter (curiosamente traduzido no Brasil como "De repente, Califórnia) tem ingredientes de sobra para ser um blockbuster: praia, rapazes bonitos, surf e paixão. O detalhe que o torna mais interessante é a temática gay, abordada como em poucas vezes com ternura, cuidado e... final feliz.
As incursões cinematográficas do ocidente sobre o universo homossexual têm sido muito proveitosas no sentido de abrir cada vez mais a discussão sobre o "ser gay" no século XXI. Apesar de localizarem o mundo não-hetero num patamar de cotidianidade necessário para a convivência multicultural, os desfechos ainda são mais problemáticos do que muitas vezes necessitariam (mesmo respeitando as diegeses dos próprios filmes). Brockeback Mountains e Philadelphia são dois exemplos de excelentes películas que insistem em trágicos finais para histórias que até começam bem.
Será o cinema expurgando as representações coletivas correntes sobre a homossexualidade?
Será falta de pulsão criativa?
"O que será que me dá que me bole por dentro?"
É desta sensação que trata Shelter. Dirigido por Jonah Markowitz e estrelado pelos atores Trevor Wright e Brad Rowe, o longa consegue ser lírico, profundo, belo, rápido e eficaz.
Emociona!
O encaminhamento dramático nos leva a torcer pelo romance entre estes dois surfistas e ao mesmo tempo insere temáticas paralelas como a reação familiar, uma ex-namorada compreensiva e uma criança que convive (olha que bom - sem ser "contaminada" pelo particular "problema" dos protagonistas!) com o casal melhor do que com a própria mãe.
Na construção dos heróis da narrativa, os gays ocupam o espaço e ainda podem sorrir antes dos créditos, o que se mostra como grande trunfo!
Que mais dizer, não é?
Shelter (abrigo, em inglês) é a guarida que precisamos numa tarde de final de semana, ou numa noite de segunda-feira, para nos preparar para o encontro - andando , furtivamente, pelas ruas - com Julietas e Romeus de carne e osso, reescrevendo o final e esquecendo venenos e suicídios afins de histórias mais tradicionais...
Em Salvador, no início de agosto, Carlos Barros assiste ao memso lançamento e percebe nele a vida como ela se apresenta a partir do viés do amor.
Shelter (curiosamente traduzido no Brasil como "De repente, Califórnia) tem ingredientes de sobra para ser um blockbuster: praia, rapazes bonitos, surf e paixão. O detalhe que o torna mais interessante é a temática gay, abordada como em poucas vezes com ternura, cuidado e... final feliz.
As incursões cinematográficas do ocidente sobre o universo homossexual têm sido muito proveitosas no sentido de abrir cada vez mais a discussão sobre o "ser gay" no século XXI. Apesar de localizarem o mundo não-hetero num patamar de cotidianidade necessário para a convivência multicultural, os desfechos ainda são mais problemáticos do que muitas vezes necessitariam (mesmo respeitando as diegeses dos próprios filmes). Brockeback Mountains e Philadelphia são dois exemplos de excelentes películas que insistem em trágicos finais para histórias que até começam bem.
Será o cinema expurgando as representações coletivas correntes sobre a homossexualidade?
Será falta de pulsão criativa?
"O que será que me dá que me bole por dentro?"
É desta sensação que trata Shelter. Dirigido por Jonah Markowitz e estrelado pelos atores Trevor Wright e Brad Rowe, o longa consegue ser lírico, profundo, belo, rápido e eficaz.
Emociona!
O encaminhamento dramático nos leva a torcer pelo romance entre estes dois surfistas e ao mesmo tempo insere temáticas paralelas como a reação familiar, uma ex-namorada compreensiva e uma criança que convive (olha que bom - sem ser "contaminada" pelo particular "problema" dos protagonistas!) com o casal melhor do que com a própria mãe.
Na construção dos heróis da narrativa, os gays ocupam o espaço e ainda podem sorrir antes dos créditos, o que se mostra como grande trunfo!
Que mais dizer, não é?
Shelter (abrigo, em inglês) é a guarida que precisamos numa tarde de final de semana, ou numa noite de segunda-feira, para nos preparar para o encontro - andando , furtivamente, pelas ruas - com Julietas e Romeus de carne e osso, reescrevendo o final e esquecendo venenos e suicídios afins de histórias mais tradicionais...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Minha Mulher
Minha Mulher
Música e Letra: Carlos Barros
O céu clareia
e ilumina o meu viver
Ela chega
anunciando um bem querer
Iansã, me diga o que fazer
p'resta vida ser melhor
Oyá, mulher; eu e você
assim se faz brilhar meu sol
Oyá, mulher; eu e você
assim eu nunca fico só
Iansã chegou na minha lida
trazendo todo esplendor
Oyá, mulher, querida
Sua luz, caminho me entregou
Oyá, mulher, querida
em mim, é força e fervor
Iansã, cadê Odé?
Iansã, cadê Odé?
Oyá, menina
Oyá, minha mulher!
Canção do disco Cantiga vem do céu.
Lançamento em outubro de 2009!
Epa Hey!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
domingo, 28 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Das canções, ruas e encontros da cidade!

Das canções da cidade, posso falar que cheguei via Lapa, pelas mãos de amigos conterrâneos cariocas, bacanas, sacanas, bonitos...
O Rio sempre foi, é e eternamente será uma cidade de sonhos. E eu, sempre tão carioca na Bahia, me sinto baiano no Rio para chegar ao final e voltar a ser Carlos Barros; o cantor brasileiro que respira Rio num corpo da Bahia.
Eu amei no Rio por instantes de uma noite de sexta-feira de Lapa. Uma noite de beijo e abraço, de ternura e alegria.
Muita gente, muitos negros, brancos, meninas, louras, mouras, judeus (quantos oris cobertos pelo manto hebraico!).
O Rio me chegou desta vez com toda força!
Quer ver?
Poema para amor
Poema para algum
Poema para alguém.
E o Rio me fez escrever poema para a Minas Gerais que aqui habita. E estou embriagado de forças...
Vamos lá:
"Menino do Rio
Calor que provoca arrepio."
O arrepio veio do olhar de um menino que era no Rio.
Do Rio; eu e minha carioquice baiana que não larga de mim!
O menino no Rio olhou e flechou com o mel das asas do pássaro da floresta a cantar o meu juízo.
Eu vi, fui acertado e parece que em tão pouco há tanto.
Não, definitivamente o menino no Rio não me fez amar.
Mas, quem há de negar que a paixão pode marcar em momentos tão fugazes?
E a paixão pode durar um, dois, mil dias!
O menino no Rio traz uma mina (de outra Minas) d'água que a sede matou... mas não saciou.
Quero mais água, mais mel e encanto de pássaro da alegria, sem correr, bem devagar, para que a felicidade venha e se instale no tempo da delicadeza; afeto nas rimas e prosas da canção brasileira.
O menino no Rio das minas de água do interior me seduziu e deixou o próprio Rio mais Rio.
Seja no Vidigal, na minha Copacabana ou nas mãos da Santa Tereza que abriga e guarda este menino do mel das árvores de Odé; menino, eu gostei.
Tardes de sol, barquinhos no meu mar pessoal.
Mar sou: baixo marulho ao alto rujo; Bethânia, Gal, Gil e Caetano; nem eles podem dizer que é mesmo isso.
É...
Oxóssi comeu mais uma vez o bolo de mel de Oxum.
Se fez o encontro, sabendo que pára na quinta-feira; um dia depois da felicidade do pobre na quarta-feira de cinzas.
O menino no Rio e o menino do Rio-Bahia.
Dois meninos
Dois irmãos
Duas felicidades!
Quer mais?
"Menino do Rio
Calor que provoca arrepio."
O arrepio veio do olhar de um menino que era no Rio.
Do Rio; eu e minha carioquice baiana que não larga de mim!
O menino no Rio olhou e flechou com o mel das asas do pássaro da floresta a cantar o meu juízo.
Eu vi, fui acertado e parece que em tão pouco há tanto.
Não, definitivamente o menino no Rio não me fez amar.
Mas, quem há de negar que a paixão pode marcar em momentos tão fugazes?
E a paixão pode durar um, dois, mil dias!
O menino no Rio traz uma mina (de outra Minas) d'água que a sede matou... mas não saciou.
Quero mais água, mais mel e encanto de pássaro da alegria, sem correr, bem devagar, para que a felicidade venha e se instale no tempo da delicadeza; afeto nas rimas e prosas da canção brasileira.
O menino no Rio das minas de água do interior me seduziu e deixou o próprio Rio mais Rio.
Seja no Vidigal, na minha Copacabana ou nas mãos da Santa Tereza que abriga e guarda este menino do mel das árvores de Odé; menino, eu gostei.
Tardes de sol, barquinhos no meu mar pessoal.
Mar sou: baixo marulho ao alto rujo; Bethânia, Gal, Gil e Caetano; nem eles podem dizer que é mesmo isso.
É...
Oxóssi comeu mais uma vez o bolo de mel de Oxum.
Se fez o encontro, sabendo que pára na quinta-feira; um dia depois da felicidade do pobre na quarta-feira de cinzas.
O menino no Rio e o menino do Rio-Bahia.
Dois meninos
Dois irmãos
Duas felicidades!
Quer mais?
Poema de amor no Rio, para Copacabanas em Santa Tereza. E meu eterno amor? Vive sempre em novos, sempre em cores.
O Rio é assim:
me faz chorar ao rir, rir ao amar!
E no mais, como diz Brown: Rio, Rio, Rio; Rio pra não chorar!
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Carlos Barros e Banda do Céu no Tom do Sabor
Tom do Sabor
A música baiana, como a brasileira, é marcada por belas vozes femininas, e só de vez em quando é que surgem cantos masculinos com a qualidade e a originalidade de Carlos Barros, jovem cantor nascido em Salvador, herdeiro da tradição musical dos Doces Bárbaros, que se abre para o nosso mercado musical, em fase de pré-lançamento do CD Cantiga vem do céu, usando como veículo o palco nobre do Tom do Sabor.
Numa curta temporada, entre os dias 03 e 17 de junho de 2009, no Tom do Sabor, às 22h., inicia-se o pré-lançamento do CD Cantiga vem do céu, que no show homônimo de Carlos Barros, apresentará as canções deste seu trabalho inaugural, com previsão de saída para outubro deste ano, selando a chegada de um artista que tem muito a dizer à nossa produção musical de qualidade.
Carlos Barros, 32 anos, historiador e sociólogo pela UFBA, pesquisador musical que defendeu uma dissertação de mestrado, em 2005, sobre os Doces Bárbaros, possui uma força interpretativa marcante e reatualiza a musicalidade de nomes como Gal Costa (sua musa maior), Caetano Veloso, Chico César, Zeca Baleiro, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Maria Rita; além se espelhar e conhecer como poucos, a obra sem par de Gilberto Gil, compositor - inspiração de Barros que, cenicamente, alude também em suas influências a cantora Maria Bethânia.
Cantiga vem do céu é um show inspirado; além de desfiar as 13 canções que compõem o CD, traz outras cantigas que se coadunam à temática central deste trabalho. O título vem da canção Coraçãozinho, de Caetano Veloso, lançada na trilha sonora do filme Tieta, de Cacá Diegues.
Carlos Barros acompanha-se da Banda do Céu, composta por Pedro Ivo Araújo, violão e guitarra; por Marcus Lima, na bateria; por Alex Medrado, no baixo; e João Carlos, nos teclados; o cenário foi composto por Márcia Barros; a direção artística é do próprio Carlos Barros, que recebeu o auxílio criativo de toda banda.
A atmosfera criada para este show é assim definida pelo artista: “O repertório parte de uma apreciação da música brasileira sob a ótica das nuances do céu, e passeia por canções inéditas de compositores na nova safra da Bahia e clássicos da MPB e do POP, costurando uma trajetória da música do Brasil, notadamente passando pela Bahia e pelo Rio de Janeiro. O roteiro do espetáculo conduz-se a partir dos conceitos de beleza, do cantar, do palco e dos Brasis; no mundo, nas regionalidades e nas urbanidades.”
Este dois shows resultam de uma preparação artística que há dois anos vem sendo engendrada pelo cantor e pesquisador, que nos seus 12 anos de estrada, sente-se agora amadurecido para lançar um CD e vai mostrar isto em suas apresentações no Tom do Sabor.
SERVIÇO:
Show: Cantiga vem do Céu
Artista: Carlos Barros e Banda do Céu
Onde: Tom do Sabor
Endereço: Rua João Gomes, 284, Rio Vermelho ( tel.: 71 3334 3039)
Dias: 03 e 17 de junho de 2009, às 22 horas.
Couvert: R$15,00.
Maiores informações:
Assessoria de Comunicação: Marlon Marcos – (71) 8107 4693//8749 5595
Artista: Carlos Barros: 71 8830 4504
Tom do Sabor: 71 3334 5677
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Rasgo da Virgem no corpo de Madalena

Elis era um rasgo.
Ou será que com ela pode mesmo haver passado?
Era?
A conjugação precisa ser no presente. Precisa como a navegação daquele que não sente precisão nas incertezas da vida, mas cujo navegar é imprescindível. Imprescindível tal como o rasgo de luz de Elis.
Elis não foi, nunca poderia ter sido como fato histórico que se esgota na inevitabilidade de ser devorado por Cronos.
Elis não foi, nunca será. Elis é.
E em sendo, ela está, como mito, no inconsciente (quer se acredite em psicologia, ou não) a tilintar e fazer exercitar nossa capacidade da busca de algum entendimento para saer como pôde ter surgido.
De fato, ela não foi.
Elis nunca surgiu. Elis Regina Carvalho Costa habita uma região da existência que não tem tempo nem espaço.
Não falo da mulher de carne e osso (como na canção de Moska e Zélia), nem da cantora, que fisiologicamente transpunha limites entre belo e exagerado, entre pouco e estranho, entre o sim e a negação de qualquer polidez.
Falo do que seu canto representa (querendo inclusive negar o que é para nós a representação - uma imagem que ocupa o lugar da coisa?) como matriz e resultado de Danielas / Ângelas; Leilas / Dalvas; Anas / Dolores; Shorts / Caubys.
O canto de Elis (segundo Rita Lee, o canto do corpo inteiro) nos delata sobre uma certa ânima brasileira que ao mesmo tempo ama e não gosta (pois não goza) deste país.
Vá lá...
Querellas do Brazil na voz de uma gaúcha cujo chimarrão tem gosto de café forte e sem açúcar das esquinas matinais de São Paulo.
Sua afinação e capacidade de atingir regiões físicas e espirituais do cantar nunca foram superadas por nenhum artista brasileiro. Sua angústia interpretativa (mesmo nas canções mais alegres) é sinal de Orfeu em estado de vigília, pela perda de Eurípides.
A Gal é Orfeu sorrindo!
Elis é Orfeu despedaçando-se (gloriosamente)!
Bethânia é Eurípides em Orfeu.
E assim, é de certo modo, um outro lado de tudo que Elis fez. Uma drama.
Outra chama.
Uma raio.
Outra rasgo.
É. Elis também era contraponto. Elis também era possiilidade. Corcovado? Atrás da porta? Basta de clamares inocência?
Quantos Tons, Chicos e Cartolas para esgotá-la?
E o primeiro disco?
Brotolândia? Que broto, que nada! Elis já nasceu madura. Nasceu árvore frondosa da Flora de Gilberto Gil, que o poeta projetou para um futuro distante.
Elis já era a jaqueira. E na copa, a ensiná-la em tempos mitológicos, as aves (que desafiaram Oxóssi) de vozes agudíssimas deram a força e o fio de corte da voz de Elis.
Pois é, esta filha dos tufões também tinha um pacto com o feitiço. As Bodas de prata de Bosco e o Canto de Ossanha do outrora Baden estavam na garganta certa.
Elis cantou na Bahia, embora não fosse baiana em hipótese / aspecto algum.
Elis apaixonou Gilberto Gil.
Elis apaixonou Bôscoli e César.
Elis encantou - sem doce nem flores - um Brasil tão carente de carinho.
Como dar amor sem demonstrar paz?
"O amor é fogo que arde..."
Elis é uma passagem bíblica. E a minha obssessão pelo religioso na música me faz mais uma vez evocar um Livro Sagrado.
Elis estava entre Madalena (por isso fica tão bem com Ivan Lins, não é?) e a Senhora de Aparecida da Romaria,que, em Pirapora, apareceu para Renato Teixeira.
Renato soube que Elis era a Virgem. Ele soube que Elis podia ser o que quisesse.
Caetano certa vez disse que tudo o que Gil não fez em música foi por que não quis.
Eu digo que tudo o que Elis não fez em canto foi por que não pôde. Teríamos condições de apreender o que viria?
Seríamos capazes de poder arcar com as emoções desprogramadas que aflorariam daquele canto milimetricamente pensado para emocionar?
Poderíamos ouvir/sentir/sorrir/chorar/conter/segurar tanto som em forma de mulher?
Tudo o que Elis não fez em canto foi por que Cronos segurou.
Entre mitos, tudo pode. E Cronos aparou a velocidade de Elis...
Saturnamente, como o Opachorô de Oxalufã, como o Xaxará de Omolu e o Ibiri de Nanã, o Tempo adiantou uma passagem. Adiantou uma nova morada para Elis, que, de todo modo, sempre habitou aqui mesmo.
Não ouvimos hoje nada novo por Elis por que não alcançamos seu canto em outra esfera.
Ela continua (como sempre esteve) a cantar para todos nós.
Ela, pisciana, canta com o canto de Aquário.
Milênios à frente do nosso tempo, está ela para nos poupar da incompreensão dos sons que somente Elis ouvia.
Melodias, escalas e notas de passagem que somente Elis podia reproduzir.
Tudo o que Elis não fez para nós está sendo feito agora, por ela mesma, num tempo que - antes de nos devorar - nos faz
não ouvintes de sua voz, nos faz inertes ao emitir de seu corpo etéreo e de sua presença eterna.
Assim, aqui, agora e no tempo do quando, Elis é o canto do Brasil, desde os caiapós até o bêbado/equilibrista das boites nas madrugadas urbanas deste país.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Walter Firmo traz o humano negro para o Palacete das Artes
Para comemorar os cinqüenta anos de vida fotográfica de um dos maiores fotógrafos da história do Brasil, o carioca Walter Firmo, o Palacete das Artes Rodin Bahia abre a sua Sala de Arte Contemporânea e exibe 70 fotogramas, na mostra “Walter Firmo em Preto e Branco”, desenhando a maestria do artista, que nesta exposição compõe traços mágicos da presença humana negra no cotidiano brasileiro. A curadoria é de Emanoel Araújo. A abertura será dia 30 de abril, às 19h., ficando até o dia 31 de maio de 2009. Na noite da abertura será lançado, na Bahia, o livro Walter Firmo – Brasil, Imagens da Terra e do Povo, uma co-produção entre o museu Afro – Brasil e a Imprensa Oficial de São Paulo.
Depois de abrigar por quatro meses a recordista exposição “Abraços na Arte; Brasil/Japão”, o Palacete das Artes Rodin Bahia prestará homenagem ao fotógrafo carioca Walter Firmo, um dos nomes mais expressivos da nossa fotografia, trazendo para a Sala de Arte Contemporânea (SAC), a mostra “Walter Firmo em Preto e Branco”, comemorando as cinco décadas de ação profissional deste famoso “retratista” do grande Pixinguinha nos idos anos 60. A abertura, que será acompanhada de coquetel aberto ao público, terá também o lançamento do livro “Walter Firmo – Brasil, Imagens da Terra e do Povo”, numa parceria do museu paulistano Afro Brasil e a editora Imprensa Oficial de São Paulo. A abertura da mostra e o lançamento do livro ocorrem em 30 de abril de 2009, às 19h.. A exposição fica na SAC- Palacete das Artes até o dia 31 de maio deste ano.
Este evento traz para Salvador, 70 fotogramas em preto e branco (a maioria), escolhidos especialmente por Emanoel Araújo, grande entusiasta e conhecedor da obra de Firmo. Vale ressaltar que foi o conjunto total desta exposição que comemorou os 04 anos de fundação do museu Afro – Brasil, idealizado por Araújo, em São Paulo. Aqui no Palacete, artista e curador, revivem a emoção da mostra que conta com a sensibilidade artística e administrativa de Murilo Ribeiro (diretor do Palacete das Artes) e do apoio cultural da Secretaria de Cultura da Bahia e do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia, o conhecido IPAC. Também apóiam este evento a Imprensa Oficial de São Paulo e o museu Afro – Brasil.
As fotografias que narram o cotidiano de humanos negros e que captam a grandeza de grandes artistas para a cultura brasileira, estão dentro da linguagem do “preto e branco”, mas outras fotos, em colorido, também compõem este cenário de etnografar o imaginário dos nossos afrodescendentes. São imagens históricas de Ataulfo Alves, Madame Satã, Pelé, Grande Othello, Pixinguinha, Clementina de Jesus (beleza memorável) e tem também, a saudosa Olga de Alaketo, ialorixá famosa da Bahia. E outras dezenas de anônimos vistos pelos olhos artísticos de Walter Firmo.
Quanto ao livro, trata-se de uma reunião de imagens, postas com significados sócio-antropológicos, numa leitura artística da paisagem humana, marítima, vegetal e terrestre do Brasil, que será vendido por 190 reais.
Depois de abrigar por quatro meses a recordista exposição “Abraços na Arte; Brasil/Japão”, o Palacete das Artes Rodin Bahia prestará homenagem ao fotógrafo carioca Walter Firmo, um dos nomes mais expressivos da nossa fotografia, trazendo para a Sala de Arte Contemporânea (SAC), a mostra “Walter Firmo em Preto e Branco”, comemorando as cinco décadas de ação profissional deste famoso “retratista” do grande Pixinguinha nos idos anos 60. A abertura, que será acompanhada de coquetel aberto ao público, terá também o lançamento do livro “Walter Firmo – Brasil, Imagens da Terra e do Povo”, numa parceria do museu paulistano Afro Brasil e a editora Imprensa Oficial de São Paulo. A abertura da mostra e o lançamento do livro ocorrem em 30 de abril de 2009, às 19h.. A exposição fica na SAC- Palacete das Artes até o dia 31 de maio deste ano.
Este evento traz para Salvador, 70 fotogramas em preto e branco (a maioria), escolhidos especialmente por Emanoel Araújo, grande entusiasta e conhecedor da obra de Firmo. Vale ressaltar que foi o conjunto total desta exposição que comemorou os 04 anos de fundação do museu Afro – Brasil, idealizado por Araújo, em São Paulo. Aqui no Palacete, artista e curador, revivem a emoção da mostra que conta com a sensibilidade artística e administrativa de Murilo Ribeiro (diretor do Palacete das Artes) e do apoio cultural da Secretaria de Cultura da Bahia e do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia, o conhecido IPAC. Também apóiam este evento a Imprensa Oficial de São Paulo e o museu Afro – Brasil.
As fotografias que narram o cotidiano de humanos negros e que captam a grandeza de grandes artistas para a cultura brasileira, estão dentro da linguagem do “preto e branco”, mas outras fotos, em colorido, também compõem este cenário de etnografar o imaginário dos nossos afrodescendentes. São imagens históricas de Ataulfo Alves, Madame Satã, Pelé, Grande Othello, Pixinguinha, Clementina de Jesus (beleza memorável) e tem também, a saudosa Olga de Alaketo, ialorixá famosa da Bahia. E outras dezenas de anônimos vistos pelos olhos artísticos de Walter Firmo.
Quanto ao livro, trata-se de uma reunião de imagens, postas com significados sócio-antropológicos, numa leitura artística da paisagem humana, marítima, vegetal e terrestre do Brasil, que será vendido por 190 reais.
SERVIÇO
Mostra: “Walter Firmo em Preto e Branco”
Artista: Walter Firmo
Curadoria: Emanoel Araújo
Local: SAC do Palacete das Artes Rodin Bahia
Abertura: 30 de abril de 2009
Horário: 19 horas (aberta ao público)
Visitações: de 1º a 31 de maio de 2009, das terças-feiras aos domingos
Horário: das 10h. às 18 horas.
Endereço: Rua da Graça, 284, Graça
Entrada Franca
Lançamento: Walter Firmo- Brasil: Imagens da Terra e do Povo (livro)
Editora: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Local: Palacete das Artes Rodin Bahia
Horário: 19 horas.
Valor do livro: 190 reais.
Aberto ao público
Maiores informações:
Murilo Ribeiro ( diretor do Palacete das Artes):
Mostra: “Walter Firmo em Preto e Branco”
Artista: Walter Firmo
Curadoria: Emanoel Araújo
Local: SAC do Palacete das Artes Rodin Bahia
Abertura: 30 de abril de 2009
Horário: 19 horas (aberta ao público)
Visitações: de 1º a 31 de maio de 2009, das terças-feiras aos domingos
Horário: das 10h. às 18 horas.
Endereço: Rua da Graça, 284, Graça
Entrada Franca
Lançamento: Walter Firmo- Brasil: Imagens da Terra e do Povo (livro)
Editora: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Local: Palacete das Artes Rodin Bahia
Horário: 19 horas.
Valor do livro: 190 reais.
Aberto ao público
Maiores informações:
Murilo Ribeiro ( diretor do Palacete das Artes):
(71) 8888-8202//3117-6987
Ascom/Palacete das Artes: Marlon Marcos (jornalista DRT-BA 2235): (71) 8107-4693//3117-6986
Setor de Produção/ Palacete das Artes: Janaína Mendes – (71) 3117-6983
Ascom/Palacete das Artes: Marlon Marcos (jornalista DRT-BA 2235): (71) 8107-4693//3117-6986
Setor de Produção/ Palacete das Artes: Janaína Mendes – (71) 3117-6983
domingo, 19 de abril de 2009
Carlos Barros e a Banda do Céu no Tom do Sabor
Etapa de pré-lançamento do disco Cantiga vem do céu.
A Banda do Céu é:
Alex Medrado - Contrabaixo
João Carlos - Teclados e Programações
Marcus Lima - Bateria e Percussões
Pedro Ivo Araújo - Violão e Guitarra
Assista o video "Brilho de Orfeu":
http://www.youtube.com/watch?v=kcs4mYlFumA
Nos vemos no Tom!
sábado, 28 de março de 2009
Cidade que canta!

Cidade que canta!
Cidade de Áries!
Salvador foi desembarcada nas mentes dos portugueses em 29 de março de 1549 como uma nau indígena feita de madeira e muito sangue!
Esta cidade que canta, como diz a letra da canção (e de tantas outras modinhas, lundus, sambas, reggaes, ijexás, valsas...), é a mesma cidade de Sol em Áries e Lua em qualquer outra constelação de água que acolhe, recolhe e descobre (de tirar o cobertor) seus filhos mais ou menos ilustres, conhecidos ou anônimos.
Amo Salvador o tanto quanto a odeio.
Odeio seu trânsito infernal e sub-desenvolvido!
Odeio sua vocação manifesta para a seriedade que é deixada para depois e postergada como valor menor - isso é coisa para gente de São Paulo, não é?
Odeio o Feudalismo tardio de suas posses tanto em bens materiais, imateriais, humanos e sobremaneira desumanizadores.
Odeio a Salvador dos canais de TV ao meio-dia, com sua permissividade absurdamente construída sob o argumento de que "o povo gosta de ver a realidade"!
Odeio!
Odeio!
Odeio!
E sobretudo, nestes 460 anos de vida, acho que nem vocação para ser a ariana torta tal e qual a da letra de Márcio Mello, esta cidade de fato tem.
Salvador nasceu para quê, mesmo?
Minha cidade veio para assumir o posto de "Rainha do Atlântico Austral" parafraseando o santamarense Caetano Veloso, mas poucas vezes conseguiu passar da Roma Negra em estado de falência com seus habitantes mais nobres - seu povo negro/mestiço que constrói riquezas que se tornam as ruínas de amanhã para os banqueiros da miséria eternizada na falta e na míngua à mostra nas portas das igrejas de ontem, de ouro e de sotaque lusitano, católicos de sempre.
Odeio a Salvador que se coloca como guardiã de uma ancestralidade que ela mesma vilipendia diariamente ao negar educação verdadeiramente de qualidade para seus habitantes mirins, que de futuro só têm mesmo a recorrer aos espíritos que aqui se fincaram, sendo protetores e guardas de todos que habitamos esta urbe grandiosamente mal tratada; da orla marítima que entrega ao mar uma paisagem nada agradável para os requintes das pratas e ouros a que está acostumada a verdadeira Rainha Iemanjá.
Mas do que tanto odeio de fato nesta minha cidade, sai também - como a luz da escuridão da poesia de Gil - a flor de lótus que me mantém baiano, soteropolitano e orgulhoso das duas condições: Oxum nos pariu, Iemanjá nos criou, Oxóssi nos deu de comer, Iansã nos levou à escola e Oxalá (ao lado de Xangô) nos deu o código moral, que em muitos momentos é cobrado pela sabedoria anciã e valiosíssima de Nanã e Omolu. Assistindo e rendendo loas, Nossa Senhora e Cristo Jesus ficam a nos cobrir com mantos azuis de calma e benevolência.
Logunedé, com sua jovialidade e Oxumaré com sua astúcia estão sepre a colorir os céus para que possamos enxergar a beleza do ar desta localidade estacionada na boca de uma baía que é das mais lindas no planeta.
Odeio muitas Salvador e a minha iminente ida para longínquas praças somente fará sentido por saber que daqui sou. O índio caboclo guerreiro vai encontrar com Araribóia, Raio de Sol no mar da Guanabara!
Afinal, como diz Aldir Blanc: regressar é reunir dois lados da dor do dia de partir!
Temos saudade até das feridas que cicatrizaram na pele, nem que seja para dizer que fomos vitoriosos sobre a dor, não é mesmo?
Odeio a aniversariante e a amo por ser o chão de onde brotou a comida que alimentou o corpo da minha avó, a me dar a mãe que os ventos me deram: amo Salvador por ser a mãe da mãe deste baiano.
Odeio e amo ao mesmo tempo ter que louvar todos os anos esta cidade; minha racista, homófoba, e agora cada vez mais separatista cidade do Salvador da Baía de Todos os Santos.
Áries é o signo solar de Salvador e está na Casa IX do meu mapa natal.
A Casa IX é a casa da religiosidade e das filosofias superiores. Estou, então, sempre em pé de guerra com tudo que é deveras superior...
Áries é o oposto cmplementar de Libra - o meu Sol.
Estou em oposição complementar a esta cidade onde nasci. Amo o fato de poder odiar tudo que me causa escárnio em estar aqui, pois amo poder amar a cidade sabendo de suas agruras, de suas vulcânicas crateras, a lançar chamas que acabam por renovar todo amor e ódio que eu sinto por ela.
Salvador faz mais um ano solar de existência. Eu celebro isto (mesmo que pareça um bombardeio sem fim), pois sou como Álvaro de Campos: quando vim a ter esperança, já não sabia ter esperanças... no tempo em que festejavam os meus anos eu era feliz e ninguém estava morto...
E a minha esperança para este dia é de que eu cotinue podendo amá-la e odiá-la como filho que sou, que por vezes ama questiona a família por ter te colocado em lugar tão hostil quanto o mundo dos sentidos de Platão.
Platão/ Plutão. Aliteração muito significativa!
Por fim, amo Salvador e quero que sua existênca possa nos ensinar o quanto a beleza está plutonicamente associada à sua miséria, pois, certamente, se Salvador é ariana de Sol e aquática de Lua, no seu mapa natal, o ascendente, com toda certeza só pode ser Escorpião!
Feliz 29 de março!!!!!!!!!
quarta-feira, 11 de março de 2009
Sob medida para uma filha da Bahia

Em finais dos anos setenta, a Bahia ganhou uma filha ilustre: chegada no Brasil do longínquo e belo Pará, aportou nas ondas sonoras a falar da Bahia uma mulher linda, grande e de voz forte, rodando no palco e nos ventos da vida.
O nome Fafá vinha acompanhado de uma certa adverbiação de lugar, para sabermos que era de Belém.
Este nome de cidade, que é também da região onde viveu Cristo da Galiléia,além de render para nós a filosofia mais popular no mundo, nos deu a voz e a presença (muito física) de Fafá de Belém.
Esta cantora traz no seu sangue (português-indígena) e na sua verve artística uma vontade manifesta de ser e estar. Dois verbos importantes por que vitais, como seu canto.
Fafá não canta somente. Faz-nos entrar em seu mundo onde a quentura das letras se irmana à doçura/agrura/mistura das melodias. Seja no Tamba Tajá que remonta à origem de infância ou na interpretação de um Buarque Sob Medida (ninguém interpreta a personagem da canção melhor que Fafá na performance musical deste hino brasileiro), a cantora brasileiríssima mostra que a nossa história de música popular tem muitas páginas de surpresas.
Quem há de negar que o canto de Fafá é maior do que suporta a sua garganta? Por que fisicamente parece que seu corpo guarda uma essência maior do cantar/interpretar que na hora da canção parece querer saltar do ambiente meramente musical para tomar a cantora e ouvintes pelo exagero que é, de fato, uma compreensão/constatação de que a vida nos é por demais exagerada em suas manifestações de prazer, amor, dor e fissuras?
Fafá traz tudo isso em doses não muito controladas.
Seus agudos entre afinadíssimos e quase gritados - para chegar bem aos nossos ouvidos - são expressões de um canto brasileiro que saiu da floresta e talvez tenha passeado nas caravelas a levar pau-brasil e especiarias para além-mar, de onde veio, também a tradição de fados tão bem personificados pela cantora de corpo farto e belo, de tez morena do Brasil com boca e face européia.
Fafá subverte a lusitanidade de sua pessoa com a indigenidade africanizada de ter sido alavancada com a canção Filho da Bahia do baiano Walter Queiroz.
É! Fafá redescobre o Brasil – e tinha mesmo que começar pela Bahia!
O repertório por vezes mutante (que foi também ao cancioneiro de compositores chamados de popularescos) precisava chegar a recônditos universos que outras artistas não tiveram coragem nem competência para entrar.
Ninguém pode fazer nuvens de lágrimas sertanejas cair sobre as cabeças boêmias de fins de noite e de amores perdidos na bruma da existência com elegância/extremismo/vigor!
Ninguém? Fafá pode. Fafá fez. Isso é Fafá.
Estou abreviando o que nem pode ser abreviado.
É Fafá de Belém!
Ela mesma disse que quando assinou Fafá, os fãs reclamaram.
Pois é, moça faceira: você não pode assinar tão somente Fafá. Pois, em sendo isso tudo que é como Fafá, o epíteto não pode deixar de estar!
Seja Estrela!
Seja Belém!
Fafá é o brilho de um Brasil de povo, de caminhão, de porto, de mares fora e dentro de nós. Navega-se com sentimentos fortes, rubros, duplos, calorosos, arrancados de dentro de nossa alma, nos levando a ver o que não gostamos em nosso ser - nosso e tão belamente cafona, das Cafonices da canção de Eduardo Alves, que estou gravando no meu disco.
Fafá é chique, elegante e refinada em sendo uma de nossas cantoras mais populares – no sentido mais visceral desta palavra.
Fafá é o nosso país de uma forma muito intensa, e eu amo o nosso país de forma intensa por que - não estando exatamente neles - eu me sinto conectado com universos particulares trazidos pelo canto e pela existência desta cantora tão importante para este lócus verde, amarelo e vermelho.
Vermelho da canção de Fafá, da bandeira de Portugal e da cor mais visível ao olharmos para esta mulher.
Fafá, então seja o vermelho da bandeira do Brasil.
Você sabe melhor que ninguém!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O Sol do Sul

Ato I
Pensou que eu não vinha mais?
Cheguei depois do carnaval e estou ouvindo Jau e Caetano cantando Ó paí ó.
E é pra dizer o que vi que estou neste lugar da minha escrita.
Vi a rua cheia/vazia de gente andando e pulando ao som do pagode do Psirico, da Dalila de Ivete, dos beijos da incompreensível Leitte, da fantasia de Durval, dos acordes elétricos de Armandinho e da volta linda e bem vinda dos Novos Baianos.
Vi e ouvi gente admirada e irada com os beijos de meninos e meninas no Crocodilo (que rendeu texto lindo do jornalista Ronaldo Jacobina).
Vi e senti Gil e Caetano na Varanda Elétrica idealizada por um Carlinhos Brown cada vez mais Exu/Ogum a nos abençoar com a criatividade deste nego véio da Bahia, como nosso preto velho menino que saúda e dá inteligência e força; misticismo e objetividade.
Salve o nosso Exu maior da rua de Salvador.
Não vi, mas fiquei feliz com Márcia Short (embora não deva ser somente lembrada como elemento histórico dos anos oitenta) e sua voz de trovão adocicado, minha artista/irmã: uma das Oyá que estiveram por nós neste carnaval.
Saí no Gandhi e pude mais uma vez constatar a força de Oxalá e Iemanjá nas ruas da Bahia.
Beijei e abracei na força da irmandade e tudo ficou mais azul, entre as cores deste que é o maior Afoxé do Brasil.
Dancei ao som dos ritmos negros que são cada vez mais tolhidos pela intolerância tal qual a que nesta semana final de fevereiro fez um rapaz de quatorze anos ser agredido em São paulo por que ele é um EMO(?!?!?!?!)
Os skin heads religiosos de Salvador adam também por aí... Será que ainda apanho por usar um fio de contas de Oxum?
Pulei, dancei e arrasei, como na letra de Brasileirinho, que foi enaltecida por Baby do Brasil e por Daniela Mercury.
Ato II
(deste texto que está a caminho somente para chegar a ela.)Daniela Mercury é um nome a se escrever em letras pequenas, para equilibrar (como bom libriano que sou) a enorme grandeza já apresentada por sua existência enquanto artista.
Pouco me interessa tudo o que se fala da personalidade quente e altiva de La Mercury (pra falar a verdade, eu gosto muito!), mas o que importa de fato é termos e vermos uma artista com o respeito por si (e que acaba expressando-se para os outros) que está todos os anos mostrando e ensinando o que é música num contexto de arte industrial como o que vivemos no mercado brasileiro.
Daniela Mercury é sempre um acontecimento (como já disse seu filho Gabriel, ao falar de seu temperamento mais calmo em relação ao da mãe) e a cada carnaval o acontecimento é luminoso.
Lunar, como coloca Marilda Santanna em sua tese de doutorado, Mercury traz sempre ventos de ares bem vivazes, ares nunca burocráticos e tonalizados de vermelho pela sua ansiedade constante em fazer o melhor.
Poderiam dizer os críticos que não consegue sempre ser o mais perfeito. De fato, mas como é mesmo que se fazem bons gols? Esperando a bola no impedimento da pequena área?
Ou eles acontecem jogando-se o melhor possível e se fazendo um atacante agressivo e estratégico, arriscando e atuando?
Daniela é Zico e Pelé; é Alexandre Magno e Colombo.
Daniela é Elis e Gal; Bethânia e Ney; Dalva e, claro, Carmem Miranda.
Sua performance é o sol de Leão (com todos os feixes que por vezes ofuscam) e os raios de Oyá.
Daniela é a espada de Oxaguiã e as águas de Oxum quando ela está banhando-se e atraindo olhares de desejo.
Daniela é oriki baiano de modernidade e respeito. Daniela é espetáculo.
Com ela, a Broadway é aqui. Nova York com o dendê da baiana (ela própria, é claro) sendo desenhada por Andy Warhol num muro da Pituba.
Daniela é Caetano. Não sabiam? Ela é ele, com um ar de elegância e agressividade femininas e um perfume de Salvador no que esta cidade tem de melhor.
Neste sentido, Daniela é filtro, a purificar meu olhar sobre este sítio em que estamos, muitas vezes sujo de tanta pobreza existencial que se coloca sob o pretexto de não "perdermos a essência".
Como a minha essência é Oxóssi e Sagitário, Daniela me traz esta noção de que o melhor lugar é aqui e agora: no MUNDO!
Daniela é minha vizinha; moramos na mesma cidade. E isso me dá tanto gás para aqui estar...
O carnaval dela é o Triatro com suas dançarinas e dançarinos mostrando um labor a serviço da arte, a serviço das energias venusianas que nos chegam através da africanidade de Ilê Pérola Negra, Dara e O mais belo dos belos.
E salvemos o Ilê!!!!!!!!!!!!!!!!
"Eu trago o sol, o céu o azul".
Do Sul da América, esta moça traz o brilho.
E eu, que me vicio fácil com o que é belo, fiquei por ela amasiado (como se diz na Bahia), amante de sua força e de seu estar no mundo.
Enfim, o carnaval de 2009 - como muitos outros - foi para mim de Daniela Mercury.
Ela que me trouxe minha mãe Oyá-Iansã para todos nós, que lembrou à cidade que Margareth Menezes é uma força que precisa ser respeitada, que dançou para pipocas, crocodilos e outros tantos bichos, grilos e grilados com a sua intensidade.
Que os próximos carnavais sejam de Daniela.
Que os próximos carnavais sejam da criatividade e competência; do ajuste e do respeito; da inteligência e da não folclorização do povo.
Que o próximo carnaval seja tão solar quanto este.
E que o Sol possa brilhar para todos.
Pensou que eu não vinha mais?
Oyá me trouxe!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
2009 e o Céu
Carlos Barros em ritmo de música total!
2009 chegou com Júpiter, Odé, Oyá, Leão e todas as conjunções positivas.
Assista Carlos Barros
Veja em:
www.myspace.com/barroscarlos
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Romã, fruta de hoje e sempre.

A canção Romã (Ivan Farias/Pio Otávio/Carlos Barros) têm me rendido muitas felicidades.
A confecção dela já foi um aocntecimento, pois nasceu de umpoema escrito a quatro mãos, com o poeta Pio Otávio, e tornou-se música e letra nos dedos de Ivan Farias, que a burilou e construiu esta obra que é a peça.
Amigos, conhecidos, desconhecidos e - até creio - inimigos falam bem de Romã.
A moça do nome da música é filha de uma professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia.
Sua presença física e espiritual nos ambientes acadêmicos nos idos de 1997 fez com que o poeta Pio Otávio instigasse Carlos Barros a escrever sobre ela.
Mas eu não queria falar somente da mulher, mas precisava brincar com as palavras e encontrar ROMA em ROMÃ. Sua mãe nos dava aulas de História Antiga, donde vinha a isnpiração a mais para que o universo mítico da Antigüidade Clássica tomasse o espaço na minha cabeça.
Deste modo, Romã tem duas musas: a menina-moça-mulher e a cidade-templo-império.
Romã é dual, como os "Ares da Terra" que são os ares do ar e é Ares o deus da guerra.
Romã é o ã de amor: contrário Roma de Amor de Roma de Amor...
Romã é o passado daquela mulher que nos ensinava tanto do passado do ocidente, que nos dava um futuro personificado na sua filha, a Romã da clara mais poesia de alguém de quem não ouço a voz...
Romã é isso.
Falar sobre ela é devanear sobre um universo mágico e imperial, e eu tenho um orgulho imenso de ser o intérprete da canção e co-autor da letra dela.
No mais, o vídeo que produzi pode mostrar algumas facetas visuais que me vêm à cabeça quando ouço Romã.
Vejamos, então:
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Mais um contra-axé para a Bahia: só mesmo milho branco, acaçá e muita vela!

Recebi esta semana uma mensagem com um link para o you tube de um vídeo que se intitula “Jacaré Iemanjá”
O material, a pretexto de ser engraçado e botar lenha na fogueira das críticas à Axé Music, acabou sendo mais uma reiteração das ofensas produzidas sobre baianos e nordestinos no Brasil.
O material é racista, preconceituoso com a Bahia e sobretudo de mau gosto.
Por que evocar os ícones baianos de forma tão pobre?
Se o Axé trabalha com clichês, o faz por ser uma música de massa, como o é o rock, o pop internacional, o blues, o reggae e todos os gêneros que vêm ao longo do tempo se perpetuando nas suas praias e nos seus mercados, como os de peixe, ou de sabonetes.
É preciso, talvez, buscar a origem deste material para dizer ao idiota que o construiu que o axé, ou o pagode, a música sertaneja, o funk devem ter seu espaço na medida em que existam consumidores para esta música. E não falo apenas do consumo que provém dos bolsos, ligado à capacidade de compra.
Falo do consumo espiritual que está ligado ao prazer de ouvir, dançar e se exaurir física e mentalmente com o fenômeno cultural que é a música. Afinal, entre Mozart e Xanddy há diferenças que se irmanam na capacidade de produzir sensações, sejam elas quais forem, desde que não atentem contra a integridade humana, único valor inquestionável, e que abarca tantos outros.
Ao contrário do que afirma o "tema" deste áudio-visual, um "bom axé" se faz com bons baianos e sobretudo bons espíritos na face da Terra.
Quem são estas pessoas? Alguns brasileiros que não toleram que a efervescência baiana seja tamanha a ponto de poder produzir discursos simples que se ratificam como legítimos (e o são mesmo?)
É preciso ter muito cuidado com a falácia do "bom gostismo" musical (e olhe que eu sou um artista baiano relativamente distante da seara do axé) , pois ele mascara (muito mal, diga-se de passagem) preconceitos e estereótipos que vêm desde Machado de Assis, que no século XIX execrava as baianas na Praça Onze, ou Millôr Fernandes, que chamava os baianos de bárbaros invadindo a praia de Ipanema na zona sul do Rio.
Sou um baiano do axé, do dendê, da pemba e do EBÓ, sobretudo do EBÓ, e digo aos realizadores deste material que Iemanjá tem, de fato, muito haver com o Jacaré, o dancarino baiano que foi para o Rio viver de arte industrial, como muitos no Brasil a exmplo de Ari Barroso, Luiz Gonzaga, Elis Regina e tantos outros que sao mercadorias do mesmo modo nas prateleiras das lojas especializadas.
Jacaré, certamente, tem a proteção e o AXÉ de Iemanjá, que cuida de sua cabeça para conviver com questões como esta, do "lugar" reservado aos baianos num cenário midiático tão pobre de referências profundas sobre a Bahia e muitas outras partes do Brasil.
Não façamos o discurso xenófobo, pois nos é muito fácil, daqui da Bahia, fazer o mesmo... mas não estamos acostumados a isso... Desde a colônia, somos a cidade aberta dos relatos de Vieira, da música de Saul Barbosa e vozes da voz da música do Brasil.
Nao me cabe, nem a estes sujeitos de tal obra ridícula (o filme sim, de um primarismo brutal!) julgar nem determinar o bom gosto, principalmente se utilizando de tamanha falta de entendimento do universo cultural baiano que é base do que se convencionou chamar axé music.
E no mais, respeitem os Orixás, os negros e os baianos pois pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado - desprezar quem lhe quer bem? E a Bahia sempre deu ao Brasil um bem querer, que talvez algumas pessoas neste país nem possam conceber o quanto.
O material, a pretexto de ser engraçado e botar lenha na fogueira das críticas à Axé Music, acabou sendo mais uma reiteração das ofensas produzidas sobre baianos e nordestinos no Brasil.
O material é racista, preconceituoso com a Bahia e sobretudo de mau gosto.
Por que evocar os ícones baianos de forma tão pobre?
Se o Axé trabalha com clichês, o faz por ser uma música de massa, como o é o rock, o pop internacional, o blues, o reggae e todos os gêneros que vêm ao longo do tempo se perpetuando nas suas praias e nos seus mercados, como os de peixe, ou de sabonetes.
É preciso, talvez, buscar a origem deste material para dizer ao idiota que o construiu que o axé, ou o pagode, a música sertaneja, o funk devem ter seu espaço na medida em que existam consumidores para esta música. E não falo apenas do consumo que provém dos bolsos, ligado à capacidade de compra.
Falo do consumo espiritual que está ligado ao prazer de ouvir, dançar e se exaurir física e mentalmente com o fenômeno cultural que é a música. Afinal, entre Mozart e Xanddy há diferenças que se irmanam na capacidade de produzir sensações, sejam elas quais forem, desde que não atentem contra a integridade humana, único valor inquestionável, e que abarca tantos outros.
Ao contrário do que afirma o "tema" deste áudio-visual, um "bom axé" se faz com bons baianos e sobretudo bons espíritos na face da Terra.
Quem são estas pessoas? Alguns brasileiros que não toleram que a efervescência baiana seja tamanha a ponto de poder produzir discursos simples que se ratificam como legítimos (e o são mesmo?)
É preciso ter muito cuidado com a falácia do "bom gostismo" musical (e olhe que eu sou um artista baiano relativamente distante da seara do axé) , pois ele mascara (muito mal, diga-se de passagem) preconceitos e estereótipos que vêm desde Machado de Assis, que no século XIX execrava as baianas na Praça Onze, ou Millôr Fernandes, que chamava os baianos de bárbaros invadindo a praia de Ipanema na zona sul do Rio.
Sou um baiano do axé, do dendê, da pemba e do EBÓ, sobretudo do EBÓ, e digo aos realizadores deste material que Iemanjá tem, de fato, muito haver com o Jacaré, o dancarino baiano que foi para o Rio viver de arte industrial, como muitos no Brasil a exmplo de Ari Barroso, Luiz Gonzaga, Elis Regina e tantos outros que sao mercadorias do mesmo modo nas prateleiras das lojas especializadas.
Jacaré, certamente, tem a proteção e o AXÉ de Iemanjá, que cuida de sua cabeça para conviver com questões como esta, do "lugar" reservado aos baianos num cenário midiático tão pobre de referências profundas sobre a Bahia e muitas outras partes do Brasil.
Não façamos o discurso xenófobo, pois nos é muito fácil, daqui da Bahia, fazer o mesmo... mas não estamos acostumados a isso... Desde a colônia, somos a cidade aberta dos relatos de Vieira, da música de Saul Barbosa e vozes da voz da música do Brasil.
Nao me cabe, nem a estes sujeitos de tal obra ridícula (o filme sim, de um primarismo brutal!) julgar nem determinar o bom gosto, principalmente se utilizando de tamanha falta de entendimento do universo cultural baiano que é base do que se convencionou chamar axé music.
E no mais, respeitem os Orixás, os negros e os baianos pois pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado - desprezar quem lhe quer bem? E a Bahia sempre deu ao Brasil um bem querer, que talvez algumas pessoas neste país nem possam conceber o quanto.
Portanto, aos que não gostam de Axé (de nehuma natureza e espécie), esqueçam a Bahia, pois é mais fácil esquecer a Bahia que lembrar de gente torpe como dessa cepa nefasta, pobre e podre.
Carlos Barros, 16 de dezembro de 2008.
sábado, 13 de dezembro de 2008
O signo da cidade - a grata surpresa da excelência

Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli formam um casal presente nas colunas de celebridades brasileiras há muito tempo.
A atriz e escritora comparece às páginas áudio-visuais como uma atriz de personagens marcados pelo signo da beleza nos folhetins da televisão e seu marido foi por algum tempo galã com ares de cafajeste nos personagens que assumiu.
Bruna e Carlos, ao que parece, resolveram passear por outras telas, outras praias e outros desejos.
O Signo da Cidade é um resultado marcante destes novos andares dos artistas. O filme, roteirizado por Bruna e dirigdo por Ricelli é uma crônica em rizoma sobre a vida de gente comum na mais comum das cidades brasileiras, a São Paulo de hoje.
Com uma história que se compõe de histórias em entrelace (aos moldes de obras como Crash e Babel), o filme traz lirismo, crítica social, ironia, força e sobretudo, um signo de esperança marcando a tonalidade predominante do relato.
O roteiro traz uma condução em que não se perde o interesse nos desfechos e nem na vida daqueles personagens a se encontrarem e desencontrarem - como numa mímese da vida real.
Quando a arte se propõe a este exercício de tocar a vida e capturá-la para dentro de seus limites é preciso que o artífice de tal empresa saiba e possa fazê-lo bem.
Não adianta simplesmente imitar a vida, mas imitar a possibilidade de dar verossimilhança a um mundo criado pelos autores é o meio para atingir esta "realidade" no plano da arte.
Em O Signo da Cidade, o contemporâneo - com sua característica fragmentação e redefinição constante dos sujeitos - é um personagem central, que junto com a cidade de São Paulo, é performer da história, tendo papel definido e decisório para a apreciação da narrativa.
O Signo da Cidade consegue, então ser atual e profundo; seco e tocante.
Seja o casal em crise, o menino que se sente menina, a astróloga cuja vida se entrelaça com a de todos, o enfermeiro lacônico com a vida ou mesmo a grávida que recusa o destino nefasto do recém-nascido, todos são unidos/separados/dilacerados/reconstruídos pelos dedos do contemporâneo.
Por outro lado, este ser que não é ser e que habita o tempo de hoje como "deus ex-machina" a julgar ações e mediar destinos, tece o linho por baixo da gravura em alto-relevo que é a cidade, seus habitantes e os signos zodiacais que por sobre a Terra, orientam a vida de seres pequenos e de grande complexidade existencial.
Complexos como no filme?
Como na vida?
Como canta Caetano na composição musical de Ricelli/Lombardi a pergunta e a resposta somente podem se referir à solidão na cidade...
Assim, em O Signo da Cidade, nem os astros definem a vida e nem a vida pode superar os astros. Ambos se entrelaçam e se rearrumam constantemente na busca de fazer o dia e a noite se sucederem com menos dor.
Afinal, a arte também possui os seu signos!
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
A Larga Banda de uma filiação.

Falei com o Gilberto Gil pela primeira vez ao telefone, em maio de 1996, quando acertávamos os detalhes de uma entrevista que realizei com ele para um trabalho de Faculdade.
Gil apareceu pra mim como um dado do real que me levava sempre ao infinito presente da felicidade.
Estava quase sempre sozinho na minha adolescência e Gil era uma companhia importante. Indigo Blue, Feliz por um triz, A Mão da limpeza foram canções do disco Raça Humana que me deram a primeira noção de BANDA que tive na vida.
Sou um artista que gosta de climas musicais.
Sou da Voz e Violão.
Sou da Banda Máxima!
O que aprendi de música complexa e completa foi ouvindo e performatizando Gil.
O amor, a ternura e a energia que seu trabalho sempre trouxeram pra mim foram combustíveis fantásticos que alimentaram meu desejo de ser cantor numa Bahia fascinante e lescinantemente expoente da dificuldade de ser na plenitude.
Em terra de branco mulato/preto doutor, ser músico na Bahia é uma Barra (69/70/2008).
Sou um menino baiano-carioca(cariano, como já disse) que sonha com o horizonte da felicidade.
Gil me ensinou a ser feliz em alguns instantes de canções. Digo que ele é o meu pai.
De fato!
Pais geram, fecundam e fazem as barrigas das mães crescerem. Gil me fez sair e ser um cantor/fauno/animal doce e arisco na música popular.
Agora, em 2008, re-encontrei Gil. Antes nos havíamos falado pessoalmente, em 1997, em 2005 - ocasiões sempre recheadas de carinho e atenção dele e de Flora, sua musa-mulher.
No Teatro Castro Alves, mais uma vez nos topamos.
E ali, eu disse a ele o que já deveria ter falado há muito, mas somente naquele 29 de novembro de 2008 poderia ter dito com tamanha verdade:
- Gil, muito obrigado por você existir, por ser este artista com esta vivacidade, por estar na música brasileira até hoje e por estar aqui agora, na minha frente. Você foi um dos maiores responsáveis por eu ter me tornado um cantor e seguido este caminho tão difícil das artes no Brasil...
- Que bonito (Gil, ternamente, mão no rosto do filho enternecido eternamente...)!
- E a carreira, como está indo?
- Assim, devagar, não é?
- Mas está indo, isso é o que importa!
Pronto! Dado o veredito do Pai-Mestre, como desistir ou recuar na seara da canção?
Como dizer que não dá mais pra lutar em guerras cotidianas pelo sol de cada manhã neste mundo de vales que são de Deus e que não são meus?
Como recusar o vaticínio das mãos deste meu Pai no meu rosto e do olhar de ternura lançado ao fã/colega que se desnudou na frente dele (mais uma vez, diga-se bem!)?
Ainda terminanos o encontro com o tema acadêmico:
- Ah! Gil, eu escrevi uma Dissertação de Mestrado sobre os Doces Bárbaros!
- Ah! Aquela que está lá em casa!
- Pois é! Eu te entreguei há algum tempo!
Findo o encontro, começa mais um ciclo de filiação!
E para os que estão à margem desta história de amor e filiação paternal, Gil é uma luz na escuridão enevoada dos degraus da conquista artística para mim.
E para os que enxergarem a pieguice como tema deste post,
tenham um Gil pra voces!
E mais uma vez me sendo tomado por Caetano (e adoro citar este arquétipo de frase!):
-Gil, I can (always) see you from here!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
sábado, 22 de novembro de 2008
De todas as maneiras que há de amar!

De todas as maneiras eu estou de fato amando...
E a música, da forma como vem acontecendo, está levando e vindo, levando e indo...
Na Bahia, as coisas acontecem bem devagar, sem correr(?)...
Mas a felicidade também chega e volta pra mim...
O show Cantiga vem do céu está navegando nos mares agitados do mercado baiano.
Quantos já o viram?
Não saberia dizer.
O que sei é que eu já vi o filme e o show muitas vezes e sei que o caminho é longo, mas a chegada é o melhor momento de toda a viagem.
E eu sigo com os meninos Pedro, Alex, João e Marcos.
Com o cuidado e o carinho de Dil, Marlon, Márcia, Dôra, Lúcia, Déia, Short, Lucas, Stela Maris, Tatiana Aguiar, Vamber, Aline, Amina, entre outras almas...
Obrigado Lelê, pela atenção, assim, específica!
O show Cantiga vem do céu é a marca de um ponto bem natural e ao mesmo tempo em construção da minha carreira: é árduo o processo de estar no mundo da música!
Vamos seguindo, vamos na estadia de fazer e cantar...
Eu gosto de Caetano porque o cara é bonito!
A Gal é o pouso final de meu canto.
Bethânia me ensina dia-adia o que é ser no mundo.
Gil é o pai maior que sempre quis ter.
Maria Rita é a maior de todas desde os tempos que surgiu...
E no mais, foi show no Bar Dona Flor, dia 20 de novembro, dia de negritude!
"Minha espada espalha o sol da guerra
Meu quilombo incandescendo a serra"
Estou aí!
Até que eu vou gostar se de repente a gente se cruzar!
Vá ver o show das cantigas astrais!
Em breve, muito, mas muito perto de você!!!!!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Sim, eu vi Bethânia
Sim, eu vi Bethânia agora há pouco pelas ondas tecnológicas da Internet.
Vi e ela falou tanto com seus ares de menina do interior, como gosta de se definir. Ela disse-me assim: não, não posso mesmo ter pena de mim, não desta forma simples como a vida por vezes quer nos fazer sentir.
Bethânia sempre me chega como imagem, fenômeno em carne da minha mulher maior: Oyá de mim toda.
De minha vida assim!
E como mais cedo conversei, acariciei, me joguei aos pés de Iansã, eu precisava ver Bethânia.
Era preciso ouvir Bethânia e sentir o cheiro de seus cabelos lindos, negros, soltos ao vento, passeando na cidade de meus sonhos.
-Parece Santo Amaro! - Diz a Maria das Marias da Terra que fala do Rio com a mesma sensação que tive quando por lá andei: parecia Salvador, maior e maior e maior!!!
Será que o tamanho do Rio cabe o meu desejo de felicidade? Será que a minha felicidade poderá um dia caber no meu corpo que aqui habita em vontade de ter tudo o que quero?
Sim, eu vi Bethânia e meus olhos e ouvidos puderam ler a possibilidade maior de conquistar o pódium de uma vida! Ela chegou lá!
Bethânia é ímpar! Única! Bela! Estrela maior por que se sabe maior na pequenez de ser apenas - e tudo isso - filha.
Nossa Senhora lhe dá a mão, os ombros, os braços e o colo. Por favor, Mãe da Manhã: dê-me o seu colo também.
Fiquei feliz em ser mortal ao ver Bethânia - mortal como eu - e me lembrei que por diversas vezes conversei com ela em sonhos. No carro, me dando bronca por uma das minhas tristezas já de muito alongadas; andando pelas ruas de Santo Amaro, batendo papo sobre música e no palco...
Ah! Como é bom cantar com Bethânia. Sentir o vento que rodopia em volta de seu corpo nos levando a cantar com o ar de sua graça. Bethânia oscila e faz a Oyá em mim bailar com a Oyá nela. Dança de mães e de deusas que nos faz - Bethânia e eu - filhos de deuses.
Sim, eu fiquei radiante, com lágrimas nos olhos e agradecido por ser filho de minha mãe Ana Lúcia - uma mulher de Iansã -, por ser filho de Iansã, por conhecer e compartilhar da existência de Bethânia, por ter cantado inúmeras vezes o seu repertório.
Hoje de manhã ouvi de uma amiga que minhas quando eu canto mãos lembravam os gestos de Bethânia.
Eu disse a ela: tá em casa! Bethânia e Gal (tia e mãe, ou mãe e tia de mim).
E agora?
Que tristeza pode resistir à Bethânia?
Talvez a minha nesnte momento.
Mas uma coisa é certa:
Agora e sempre: Bethânia não é uma referência nem um farol, nem um gosto nem um ídolo. Não só!
Bethânia é para mim simplesmente um fato consumado!
---Ah! Marlon, licença, pois antigüidade (principalmente no amor) é posto!---
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Cores e Nomes de moças em rapazes coloridos e pretos no branco

A questão é a seguinte:
Não dá mais pra segurar e o coração explode mesmo!
Não dá mais pra segurar e o coração explode mesmo!
No Brasil que celebra Obama (eu também celebro), a cerebralização tropical impede outras cores de soarem nas íris cotidianas das cidades como a nossa São Salvador do preto mulato e do branco doutor (e hetero).
O ônibus sai da estação e o rapaz de cores indefinidas e gorro branco é lido - e acusado de - "afeminado".
E o que é isso mesmo?
Aconteceu, não virou manchete, mas azedou a doçura da minha alma rósea, amarela e branquinha, branquinha de Oxum e Oxalá.
Por que a cidade da beleza tropical, da negritude celebrada e dos evangelhos a insurgirem-se contra o contemporâneo não consegue conviver em paz com a presença diversa dos gays e afins?
Fica a questão a tilintar na minha cabeça por vezes rosa e por vezes (muitas vezes) vermelha de raiva: como o olhar da profundidade de uma colher pode ser tônica para a averiguação e julgamento do que sou e mesmo pareço?
A homossexualidade e a heterossexualidade são dísticos da mesma moeda. A minha moeda é um dólar tão evidente que nem preciso me achar um real!
O corpo ainda é pouco e o pulso pulsa mais forte ao ver a bunda e os pêlos de um rapaz.
O coração bate mais forte ao sentir a cantada da moça que sorri e olha faceira, medindo tamanhos e curvas de meu corpo.
O que meu corpo responde?
Somente toda moça em todo rapaz pode dizer!
Não me ponho amarras e grades de fina educação: o problema é que há gays "baixo-astral".
O astral dos gays não quer dizer nada frente ao astral nebuloso das cabeças (profundas como uma colher) de quem acena com a possibilidade de alijar alguém da cena por falar muito alto ou quebrar o corpo, desafiando a lei da gravidade.
Somente toda moça em todo rapaz pode dizer!
Não me ponho amarras e grades de fina educação: o problema é que há gays "baixo-astral".
O astral dos gays não quer dizer nada frente ao astral nebuloso das cabeças (profundas como uma colher) de quem acena com a possibilidade de alijar alguém da cena por falar muito alto ou quebrar o corpo, desafiando a lei da gravidade.
O cara no ônibus que me insultou- a mim e a tudo que eu quis como os olhinhos infantis que me olharam nesta noite e me encheram de prazer - não sabia que ali estava não somente o que ele chamava de "afeminado", mas uma proposição de homem muito mais efetiva que aquele arremedo de macho com os colhões tão fortes quanto os dos celenterados (que nem mesmo possuem escroto...)
A Bahia é a estação primeira de um Brasil que precisa cair de posição no ranking de agressões aos gays. Ainda está entre as primeiras nas ignorâncias e no cultivo das mesmas ignorâncias; sensível e cerebral no assunto.
Não, ele não vai mais dobrar, pode e deve se acostumar comigo e com todos aqueles que vivem nos ônibus, carros, albergues, banheiros, faróis, casas, apartamentos, escolas, fóruns, academias, palcos, bibliotecas, salões de carro, de beleza e de dança.
Os corretores de imóveis no céu poderiam arrumar lugar logo para os que não nos toleram, nós que aqui estamos, sempre a esperar a felicidade e a plenitude do olhar. Não quero sugar todo teu leite, interlocutor, mas quebro a quarta parede para te perguntar:
você também não agüenta sentir o ar de uma bicha?
sábado, 11 de outubro de 2008
O gosto de Simone

Quem quer viver um amor, mas não quer suas marcas ou cicatrizes, não deve ouvir Simone.
Quem quer fugir do que deve ser, do que de fato será, não deve ouvir Simone.
Eu mesmo somente ouço-a por querer saber do amor e do que vem mesmo a ser a força do canto e da emoção desmedida (por que impossível segurar) na música produzida neste país.
E desta emoção Simone entende!
A voz de Simone me chamou a atenção de verdade depois de meus ouvidos já estarem acostumados à Bahia dos Bárbaros. Tudo que eu precisava aprender sobre os baianos na música popular parecia já assentado e pronto.
Aí, ela chegou.
Os comentários de que seria uma baiana "falsa"/ verdadeira até mesmo no sotaque poderiam ter feito com que a audição da cantora me viesse distorcida pela fala do preconceito relativo à sua aparente distância geográfica da Bahia,
da minha cidade do Salvador.
Mas não!
Simone não pôde ser considerada por mim a partir do viés identitário simplista.
Quem chegou primeiro não foi a baiana, carioca ou brasileira.
Quem me chegou primeiro foi sua voz.
A Gal é a voz que mais me encanta.
A Simone é a voz que me pegou de súbito e até hoje me impressiona.
Sua qualidade vocal é tenaz, forte, melodiosa, emocionada, derramada, sêca, viva.
A voz de Simone tem um "como existe?" que toma com impacto logo que se ouvem as primeiras emissões em alguma canção.
Seu caminho de intérprete para multidões ávidas por expressão estética/política está relacionada ao fato de interpretar tão bem Milton e Chico; Gonzaguinha e Ivan.
Simone sai da Bahia e se distancia dela para fazer o que melhor os baianos fizeram na música no Brasil: recontar sua história.
A presença de Simone nos palcos é sempre cheia de tensão. Parece que a cantora está a um passo de explodir em emoção pura que entremeia seu timbre lindo e faz com que irrompam riquíssimas imprecisões melódicas que aparecem para dar a inequívoca certeza de que aquela voz é humana.
Não é Deus quem canta. Somos nós mesmos, condensados naquela gargantae que emite, em canção, o existir em vida. Simone aí se irmana com o ranger de Fernando Pessoa: ela e nós estamos vivos!
Se Simone parece não se preocupar com os perigos de "sair da linha da diva" é por que está para além deste rótulo: ela é uma mediadora.
Entre platéia e palco, Simone está a conduzir emoções dos dois lados; instrumentos e arranjos a contarem crônicas em forma de música e público a necessitar responder pela via da catarse que seus shows quase sempre provocam.
A sensualidade da intérprete é nada mais que o incontível desses sentimentos eróticos que - fazendo jus ao princípio vital de Eros - permeiam sua performance feminina e lasciva, em sintonia com a lascívia dos participantes que vão contemplá-la.
Vamos comer Simone?
Sempre que estamos em seus shows é a única coisa que podemos fazer. Não há como recusar a deglutição total de seu canto, sua beleza física, sua presença e sobretudo, sua voz.
Deste modo, para saber de Simone, os olhos devem começar fechados para sentir-se de primeira o som.
Depois das iniciais sensações, abrir os olhos e assistí-la é a maneira mais justa de percebê-la.
Simone é sinestésica. Excessos e demasiadas notas corpóreas no branco de suas vestes e de sua aura.
Absorver Simone?
Impossível recusar.
Ouça, veja, sinta e
viva!
domingo, 28 de setembro de 2008
Outubro é "o Cara"!!!

Outubro é o mês de Libra, das Crianças, de Nossa Senhora Aparecida, da turnê Doces Bárbaros na Bahia, do aniversário de várias personalidades baianas.
Déia Ribeiro, Márcia Barros, Luciano Meron e
Carlos Barros ficam mais velhos e mais, muito mais interessantes!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Outubro é mês de Carlos Barros e Pedro Ivo
no Espaço Cultural Casa da Mãe.
Temporada do mês, todas as quintas-feiras, a partir das 22h.
Exatamente: 02, 09, 16, 23 e 30 de outubro.
Seu compromisso é ver Carlos Barros, Pedro Ivo e convidados no show Cantiga vem do céu.
Couvert: R$ 6,00.
É totalmente permitido amor, amizade, companhia e clima para iniciar romances e ferveções no final de semana.
MPB, Pop, Samba, Reggae, Rocks e muita diversão com sensibilidade!!!!!!!!!!!!!
Tudo isso com direito à beleza e talento no palco e na platéia.
Se você está lendo agora, no dia de um dos shows, pare e vá se aprontar para ver mais tarde este
ACONTECIMENTO IMPERDÍVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
CANTIGA VEM DO CÉU
QUINTAS DE OUTUBRO, 22H
CASA DA MÃE
RUA GUEDES CABRAL, Nº 81, RIO VERMELHO,
EM FRENTE À CASA DE IEMANJÁ
COUVERT: R$6,00
Somente mais uma coisinha:
CHAME A GALERA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Os Meninos da alegria e a menina do Velho

São Cosme manda fazer todo ano camisas azuis, caruru, feijão com dendê e vatapá.
Nas camisas, os baianos mandam bordar dizeres, imagens e crenças nas crianças-médicos-santos de uma devoção tão pueril quanto intensa.
Das comidas e principalmente do vatapá, entendem as baianas negras do mestre maior, e dentre elas, uma em especial, que entra em mais um ciclo solar hoje.
26 de setembro são três meses depois de Chico, Bethânia e Gil.
Um mês depois de Caetano.
26 de setembro é dia de Gal, a baiana cem por cento, nega do vatapá de Caymmi, da aquarela de Ari e dos vapores de Salomão e Macalé.
Gal completa 63 anos.
Gal continua linda!
Gal continua sendo!
Gal, sempre Gal, parafraseando o Baleiro.
Gal, a filha do velho, avança mais uma vez no tempo na véspera do dia das crianças sapecas e ligeiras.
Amanhã tem muito caruru.
Hoje tem doçura e notas musicais ao vento.
Mais anos e mais festa pra você Maria das Marias da Graças das Graças da Voz.
Parabéns Gal!
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Carlos Barros, Marilda Santanna e a Beleza em continuidade.

Conheci Marilda Santanna na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, em 2002. Eu me preparava para o Mestrado. Ela já cursava o Doutorado.
Cheguei perto dela no pátio Raul Seixas, meio receoso de não ser bem recebido - nós artistas temos sempre a fama de sermos pedantes e mal-educados -, mas Marilda, fazendo um lanche frugal, me recebeu bem.
O trabalho com o professor Milton Moura nos unia e a música foi fio condutor de nossas conversas a partir dali. Marilda e eu somos vinho seco e água mineral. Gostamos de coisas bem diversas.
Ela é natural.
Eu sou fábrica de refrigerante.
Ela é baiana de praia mansa.
Eu sou cariano (carioca+baiano) de nadar nas águas do Porto. Marilda é lapidar diamante.
Eu, pedra brilhante encontrada como gema na floresta de Caetano.
Marilda é essencialmente (mas não só) Bossa-nova.
Carlos Barros é Tropic(al)ia Total.
Assim eu nos vejo. Em rios diferentes, paralelos, mas cujas águas da Ciência e da Arte acabam por unir.
Dizem que o grego Artigas falou em nome da Arte: quando a ciência cala, a arte fala!
Que bom, pois assim, falamos em duas línguas que entendemos.
Eu estudei os Doces Bárbaros.
Marilda estudou (profundamente) o canto das sereias, rainhas e telúricas do Axé.
Ah! Que Tese-maravilha-de-leitura. Daniela, Margareth e Ivete deviam fazer bustos e cantar loas para a Cantora-Doutora pelo trabalho.
Enfim, dia 25 de setembro, Carlos Barros e Marilda Santanna sobem ao palco juntos.
Marilda em show no Tom do Sabor, recebe Carlos Barros para compartilhar momentos de prazer, em homenagem à Bossa Nova.
Para mim, será como encarnar Gilberto Gil cantando com Tom Jobim, ou será Maria Bethânia cantando com João Gilberto? Ainda apostaria em Carlinhos Brown no palco com Carlos Lira...
De toda sorte ( e que Deus, Oxóssi, Oyá e Oxum me dêem toda do mundo), Carlos Barros foi convidado por Marilda Santanna para subir ao palco.
Fui chamado para o Olimpo baiano pela porta da frente.
E como bom arauto dos meus, estarei lá.
Em 1983, Caetano disse, de Montreaux:
Bethânia, I can see you from here!
Eu digo, de Salvador para minha amiga-cantora-diva:
Marilda, I'll be with you now!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Casa da Mãe em setembro

Setembro é o mês de Carlos Barros na Casa da Mãe.
Depois da data fatídica (e de sucesso) do Onze de Setembro, outra quinta e o amadurecimento do show.
Com a batuta atenta de Dil Guimarães, a competência e presença de Pedro Ivo, a amizade de tantos próximos (não vou dizer os nomes para não faltar), o show Cantiga vem do céu vai seguindo viagem...
Show Cantiga vem do céu
18 de setembro
21:30h.
21:30h.
Casa da Mãe
Rua Guedes Cabral, nº 81, em frente à Casa de Iemanjá
Couvert: R$6,00
Fiquemos com Moska:
"Não somos mais que uma gota de luz
uma estrela que cai
uma fagulha tão só
na idade do céu..."
Até lá!!!!!!!!!
Terça-feira no Paralelo 4, em Salvador

Terça-feira é dia de Benção na beira do mar no Rio Vermelho de tanto sargaço produzido pela maré alta da boa (e bote bom nisso) música pra dança, pra admirar e pro mundo ficar ODARA.
A banda Paralelo 4 na Boomerangue agita com a sonoridade soul/funk/samba/reggae de Lenine, de Sá, Maia, Bahia, Rio, BRasil.
Somente posso dizer que é muito bom!
Uma negrada assume o prumo da Casa de shows, num piso em que ao pisar, evocamos o terreiro de Zumbi - aquele da felicidade guerreira!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cantei Jack soul brasileiro (canção que ajuda a encerrar o meu próprio show). O manifesto de Lenine caiu (subiu) como uma luva bem colocada por mim e pelo vocalista Irênio (nem sei se é com I ou H espero encontrá-lo novamente, nem que seja para perguntar...).
Em setembro, as aves estão gorjeando na sua voz forte e perfeita para seu som. Eu também não deixei a peteca cair. Entre suores e suingues da Paralelo 4, Carlos Barros entre encantou-se e cantou com o rapaz, que vice-versa, cantou e (me) encantou!
Valeu mesmo!!!!!!!!!!!!!
Negradas, bons (e belos) vocalistas, guitarras e percussões e metais!
Paralelo 4 é Black-Bahia.
E a gente nem sabe de verdade qual a latitude de sua música!!!!!!
Quer saber?
Vá lá!!!
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Carlos Barros no Casa da Mãe

"Fá Maior, Arnaldo, por favor, Fá Maior..."
Gal Costa chama Bethânia e Caetano para cantar Tom e Vinícius,
em plena turnê
de Doces Bárbaros.
Quer mais?
Então:
Don't worry about a thing!
Every little thing is gonna be all right!!!!!!!!!!
Positive Vibration de
Bob Marley para a Bahia!
Cantiga vem do céu, o show, com Carlos Barros e Pedro Ivo, chega na Casa da Mãe, em 11 de setembro de 2008.
Nesta noite, os céus serão cenário e espetáculo à parte para mais esta apresentação.
Aportar no Rio Vermelho será um desejo incontrolável!!!!!!!!!!!
Casa da Mãe
Rua Guedes Cabral, 81, Rio Vermelho
Em frente a Igreja de Santana e a Casa de Iemanjá
Contato Casa da Mãe:
71 3331 3041
Contato Carlos Barros:
Dil Guimarães - 71 8835 0884
Até lá!!!!!!!!!!!!!!!!!
sábado, 30 de agosto de 2008
O céu se abriu!

O céu se abriu ao comando de Iansã!
As cantigas desceram e chegaram aos ouvidos/olhos/poros de todos que assistiram à estréia de Carlos Barros com o novo show.
Pedro Ivo ditando as harmonias, Marcelo Neder abrilhantando com sua participação especial no cavaquinho, Déia Ribeiro atingindo picos com seus agudos de raro prazer!
Na platéia, gente boa, de variados matizes e tonalidades de cores, pois o céu do show começou azul e concluiu-se vermelhinho, vermelinho, no hedonismo proposto pela canção Odara (Caetano Veloso).
Márcia Short, Lucas de Souza, Odalice do Carmo(Motumbá, Yá), Marlon Marcos, Conceição Miranda, Márcia Barros, e entre outros, um séquito de fãs, admiradores e familiares de Pedro Ivo estiveram por lá para ver o céu se abrir. E ele se abriu.
Entre composições de Moska, Calcanhotto, Caetano, Zeca Baleiro e Chico César, as inéditas Chumbo e Para inglês ver, de Harlei Eduardo, se encontraram com a ode caetanística Eu gosto de Caetano (Felipe Queiroga), num clima de celebração ao Brasil nos seus limites mais densos. O Lamento Sertanejo de Gil trouxe notícias do Nordeste, de seus ventos frescos em quentura brasileira...
Caymmi, Ari, Vinícius e Tom dialogaram muito bem com Yuka e o Rappa. Djavan deu o tom nos intervalos difíceis e profundos de Morena de endoidecer, na minha voz, na minha alma.
Saindo na porta de casa para ver o céu escurecer!!!
Quando o céu voltou a clarear, o público estava entregue ao amor preconizado pelo espetáculo!
Muito obrigado a todos os presentes!
Imagens em breve deste encontro entre interpretação e sentir.
E como não poderia me furtar a dizer:
Muito obrigado Dil, Carlinhos, Marcelo, Pedro, Déia, Marlon!
Meus novos uns, meus novos meus!!!!!!!!!!!!!!!!!
Até mais!!!!!!!!!
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Carlos Barros no Tropical Hotel

Cantiga vem do céu chega aos palcos de Salvador.
Em 28 de agosto de 2008, Carlos Barros e o violonista Pedro Ivo estréiam o show Cantiga vem do céu, no Tropical Hotel, Projeto Quintas Musicais, às 19 h.
O repertório e roteiro do show são fruto de pesquisa lítero-musical sobre canções brasileiras de vários momentos e de muitas tonalidades.
Cores, sons e formas através das canções de Ari Barroso, Lenine, Tom Jobim, Moska, Pixinguinha, que se encontram no eixo céu, em muitas significações e entornos deste lugar da natureza do mundo e na nossa natureza interior.
O show é multimorfo.
Nesta apresentação, violão e voz emolduram o conceito e surpresas musicais podem acontecer...
Cores, sons e formas através das canções de Ari Barroso, Lenine, Tom Jobim, Moska, Pixinguinha, que se encontram no eixo céu, em muitas significações e entornos deste lugar da natureza do mundo e na nossa natureza interior.
O show é multimorfo.
Nesta apresentação, violão e voz emolduram o conceito e surpresas musicais podem acontecer...
Apareça!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
SERVIÇO:
Show - Cantiga vem do céu
Show - Cantiga vem do céu
Quem - Carlos Barros e Pedro Ivo
Quando - 28 de agosto de 2008
Onde - Tropical Hotel (Campo Grande, Salvador), 19 h.
Quanto - Entrada Franca (Consumação pessoal no Espaço)
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Cantiga vindo e chegando

O show Cantiga vem do céu está chegando.
Carlos Barros, em formatos voz e violão e banda está no preparo desta cantiga, que vai ecoar em Salvador logo, logo.
O show traz canções centradas no conceito Céu.
O conceito de canções de épocas, jeitos e gêneros de matizes em torno dos azuis, laranjas e avermelhados do céu, como o próprio intérprete.
Pequenos ensaios desta chegada das cantigas celestiais estão sendo apresentados nas diversas participações que o cantor tem feito nesta cidade da larga baía.
Carlos Barros recentemente participou, entre outros, de shows com Jota Velloso e Sandra Simões, duas estrelas reluzentes da contemporânea noite da Bahia.
Agora, o vôo será acompanhado por músicos da mais inteira competência e sedução sonora.
Pedro Ivo, Harlei Eduardo e Vavá Oliveira são alguns dos artistas convidados para compôr o quadro de instrumentistas a proporcionar os ecos das canções de céu trazidas por Barros.
Estão no show Coraçãozinho (Caetano Veloso), tema principal da proposta do espetáculo. Adriana Calcanhoto empresta beleza em Esquadros, para Carlos e para o público.
Idade do céu (Jorge Drexler / Moska) e Pescador de ilusões (Yuka / O Rappa) fazem parte do espectro mais atual das produções do cancioneiro no Brasil
A bossa-nova é festejada com Lígia, O Amor em paz, Chora tua tristeza, das safras de Jobim, Lyra, Vinícius.
A Bahia e seus desdobramentos estão em Caymmi, Gil, Raul, Márcio Mello, entre outros.
As composições inéditas vão de Eu gosto de Caetano (Felipe Queiroga) a Chumbo (Harlei Eduardo), passando pela épica Romã (Ivan Farias / Pio Otávio/Carlos Barros), mostrando facetas relevantes da música na Bahia .
Cantiga está vindo do céu
Carlos Barros se compromete a traduzir "bonitinho", com o seu coração que dói por bater e estar
VIVO!!!!!!!!!!!!
sábado, 16 de agosto de 2008
Dorival Caymmi

Numa semana em que a nova canção do Gil sobre a morte bateu forte em muitos amigos (depois de ter batido em mim), não é que Caymmi sai deste palco para outro?
Não poderia deixar de escrever sobre ele, embora nem seja habilitado a falar deste ente da música popular que nos deixou neste plano, para nos engrandecer em outro.
Caymmi é o trabalho máximo da simplicidade poética, melódica, harmônica, de uma forma tão intensa que, como diz Chico Buarque, não pode ser imitado. Ninguém conseguiria chegar perto de sua capacidade de dizer beleza sem a necessidade de corolários.
Anti-barroco, anti-inteligismos, anti-sofismas. Caymmi, este baiano com nome sonoro e nobre, lega o belo em estágio primitivo. De tanto se polir o diamante, ele chega à forma mais perfeita e ao mesmo tempo mais simples: a esfera.
Caymmi trouxe a esfera para a nossa música.
Sua Bahia d'antes, de seus mares observados e navegados em sonhos e imagens de Iemanjá foi inventada por sua necessidade de estar num lugar idílico. E quem nunca quis estar nesta Bahia? Quem nunca esteve nela, de fato, ao interpelar uma baiana de acarajé, ao observar a beleza dos músculos dos pescadores, dos fios de cabelos crespos das mestiças meninas de praia no litoral desta cidade da Bahia?
E Menininha? Quantos puderam ouvir/saber de sua existência muito antes que Oxum encantasse de perto aqueles que chegaram à frente da Mãe do Gantois? E quantos foram encantados pelas vozes de Gal e Bethânia traduzindo em modernidade o canto do velho baiano?
Dorival Caymmi foi para um novo mundo e, nesta manhã, quando eu soube, me deu uma sensação de que algo não se colocava no lugar. Foi na noite passada, no sono, que ele saiu sem precisar pensar no chapéu a tirar da cabeça. De camisa listrada (branco e vermelho para encontrar Xangô), o mestre da controversa Bahia saiu e se encontrou com veredas por onde ele precisava caminhar.
Depois de trabalhar toda semana, meu sábado começou com a notícia de sua ida. E ele saiu, definitivamente de Copacabana, a princesa que eu elegi para ser morada de meu próprio personagem, príncipe baiano que um dia há de estar lá.
Será que também sairei de Copacabana para seguir na vereda por onde foi Caymmi?
Ele atravessou e fez no dia do Senhor do Sol, o também velho Omolu.
Caymmi é um tempo que, hoje, se encontra com outro Tempo, de outra morada, passando por outras cancelas.
Um dia, mesmo que sem a mesma paz, chegaremos lá.
Não fazes favor nenhum em gostar de alguém!
E para gostar e sentir saudades de Caymmi, nem precisa favor.
É favor querer saber, ouvir, sentir a brisa dos ventos marítimos de Janaína no pé do ouvido, ainda que somente matutando sobre o velho baiano.
O maior de nós, baianos, se foi.
João, Gal, Bethânia, Caetano, Gil, Daniela, Brown, Marilda, Carlos, Marlon ficaram órfãos.
Nosso pai está em outra.
O pai se foi, como diria Gilberto, sem deixar de ser!
Ouçamos, então, lá longe, os clarins de uma banda militar que, ladeada por Gabriela e Dora de braços abertos e cabelos ao vento, deve estar honrando sua chegada , num porto astral de um certo lado de lá aos pés de Tupã.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Zauber, Cavaleiros e Realidades. O que é mesmo virtual?

A expressão "Zauber" me veio à cabeça esta semana quando li uma matéria em periódico de circulação nacional sobre o filme O Cavaleiro das Trevas.
O autor, sobremaneira assentado na sua mordaz inteligência e perspicaz racionalidade, apontava para o que considerava ridículo numa película que traz como tema um justiceiro fantasiado que aplica suas regras de conduta para limpar uma grande cidade da sujeira de uma máfia organizada e pútrida.
Fiquei pensando em Zauber (do alemão, encanto, encantamento, magia) e na tentativa de Weber em mostrar como a Razão Instrumental havia levado o Ocidente a uma construção de mundo em muitos momentos condenatória à jaula de ferro de estar sempre agindo para finalidades específicas, sem a possibilidade do fantasioso, da ampliação de horizontes, do entendimento para além das sinapses cerebrais.
Fiquei pensando neste comentário do jornalista João Pereira Coutinho, que chegou a dizer que se era difícil aguëntar a fantasia como fantasia, era mais complicado ainda suportar a fantasia tratada como documental (segundo ele, o filme Cavaleiro das Trevas é fantasioso e documental), pois não lhe era possível aceitar que atores pudessem se mascarar e continuar se dizendo atores.
Fiquei pensando e fiquei tentado a pensar o que realmente este autor queria propor como solução para a fantasia, o documental e a arte de ser ator...
Quando assisti ao filme novo do Batman, percebi o quanto o tema da série está relacionado ao nosso desejo de ser salvo. Como temos em mente que o mal reside em pessoas e em grupos, e que poderíamos resolver mais facilmente estas questões de violência, pobreza, miséria se estas estivessem inscritas de forma tão óbvia em setores específicos do mundo social.
Batman, tal como o Super-Man, a Mulher Maravilha, o Homem Aranha, e tantos outros ícones do universo dos Quadrinhos, esquadrinham arquétipos de humanos (super, que se diga) encontrados em nossos sonhos de mudar o mundo.
A Fantasia rejeitada pelo jornalista racional não nos faz parecer idiotas nem menos inteligentes. A Fantasia é uma possibilidade humana de interpretação do mundo. os Mitos (associados e mesmo irmãos da Fantasia) aparecem desde que o primeiro sapiens soube que sabia.
Os heróis, seja na Grécia ou em Hollywood, são nós mesmos, projetados e ansiosos pela resolução rápida e eficiente das agruras da vida. E se os critérios dos heróis são racistas, homofóbicos, sexistas, anti-pobreza é por que nós, em alguma medida ainda guardamos traços destes sentimentos em nós, seres racionais e pertencentes a este mundo "real", onde habita exclusivamente este profissional da informação que não permite a Fantasia enquanto referencial de existência.
O filme O Cavaleiro das Trevas não é um dos que mais me agradaram, mas (a questão nem é essa) sua temática é relevante e deve fazer pensar (racional e emocionalmente) sobre os destinos do contemporâneo e sobre o que faremos do humano no meio disso tudo. A fantasia não é o problema, até por que sua lógica constrói caminhos e propõe reflexões desdes os murais mesopotâmicos e egípcios.
Tudo isso antes dos jornais paulistanos existirem!!!!!!!!
No mais, o Coringa de Heath Leadger vale duas horas assistindo o encantamento das máscaras e a aparição da loucura da forma crua como se apresenta no personagem.
Assistir ao filme é um bom pretexto para pensar sobre os reais motivos de precisarmos recorrer a vigilantes e cavaleiros a povoarem nossa imaginação.
sábado, 9 de agosto de 2008
Mandala para o futuro certo e da fortuna

Ouvir uma canção sempre inspira!
Sempre faz dizer cantar, dizer sobre, expressar...
Caetano Veloso completou 66 anos. Seu Sol passeou mais uma vez por sobre Leão, passou por entre as selvas habitadas por Odé e iluminou as vestes brancas de Oxalá.
Em 66 anos foi assim e a Roda da Fortuna há de manter o baiano sempre no alto de sua geometria, desafiando a inevitabilidade da existência da Roda: Caetano não há nunca de estar embaixo.
Caetano não nasceu para a obscuridade. Sua presença está fadada ao aparecimento, ao brilho, à irrupçaõ de conceitos e desconstruções prévias. Caetano é a possibilidade máxima de surpresas. Surpresas esperadas pela certeza do novo e da mudança; mestre de seguidores fiéis, nada budistas, nada zen, nada assentados.
Os seguidores de Caetano fazem com que sua trajetória seja cada vez maior. Eu o sigo, e vou atrás de tanta gente: Ney, Gil, Chico, Adriana, Daniela...
Caetano Veloso é a força motriz da MPB desde que esta se possibilitou questionar sua vocação. Qual seria o destino desta fonte de manancial ilimitado? Continuar paixões, amores, arrebatamentos? Propor novas paixões, novos caminhos?
Caetano desafiou e propôs uma música para o futuro. Propôs e faz e fará e será e então,
Caetano!
Sua voz há de ecoar como suavidade que transita bem para a força.
Ouvi-lo é um estudo entre sentir e pensar.
Por que é assim?
Como faz o som ser mais perfeito?
Sua escrita é montanhosa e abissal, nunca linear.
Sua beleza é exponencialmente proporcional ao tempo: como disse Rita Lee, o homem-vinho.
Sua obra, na medida de sua inconstância criativa: instigante!
Pensei em como falar de Caetano...
Nem sei mais.
Cê saberia?
Cantiga vem do céu!
"Eu gosto de Caetano por que o cara é bonito"
Simples desta forma, eu trago Felipe Queiroga e sua belíssima canção (gravada por Carlos Barros) sobre Caetano.
Caetano,
venha ler o que este preto escreveu sobre você!
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Percursos

Em tempos da integral volta do meu "pai" à música, o Centro Cultural Casa da Mãe está repaginando sua história, com uma festa hoje, 1º de agosto de 2008, a partir das 22h.
Vários artistas estarão passando pelo palco daquele lugar que é, de fato, uma grande Casa materna, por onde transitam tantos nomes que musicam as noites de Salvador.
Localizada no Rio Vermelho, em frente à Casa de Iemanjá, o Centro Cultural conta com a produção da cantora Stela Maris - cujo disco é um presente aos ouvidos e à sensibilidade sinestésica - e das moças "da Mãe" Raquel Dias e Daniela Amorim.
No caminho da renovação, que é sempre importante, o Casa da Mãe vai construindo uma história de presença forte na noite desta cidade, e Carlos Barros tem mais uma vez o prazer de estar cantando naquele palco, como participante de uma noite longa e bela do primeiro dia do mais cabalístico dos meses.
Agosto é mês de Roque, Lázaro e Omolu.
Agosto é mês do senhor tão bonito do Tempo.
Agosto, dizem alguns, é mês do "desgosto".
Vamos, então, privilegiar a felicidade e propôr um agosto de brilho. O mesmo do Sol de Obaluaiê, encoberto por detrás de suas palhas densas e protetoras.
Vejamos Carlos Barros e todos os outros artistas, hoje no Casa da Mãe, a partir das 22h.
No mais, Gil: quem te reconhece na batalha, te ama sem medo e em paz! Que o diga o jornalista Marlon Marcos, que escreveu tão lindo sobre você!
sexta-feira, 25 de julho de 2008
De Confecções e Feituras (Parte I)

Revendo junto à produtora Dil Guimarães algumas imagens de shows que realizei, percebi que a feitura de uma obra é um artesanato da mente, do corpo e da alma.
Realizei dois shows que marcaram em muito o meu caminho como artista profissional da música.
Em 2006, homenageando os sessenta anos de Maria Bethânia, fui convidado a cantar em Santo Amaro da Purificação no belo Teatro Dona Canô e apresentei o recital
Atakã - Amiga dos Ventos.
Em 2008, como parte integrante da divulgação do espetáculo dança O Brasileiro Gil, no Teatro Castro Alves, fiz o show Gilberto Gil - A Dança de Shiva.
Dois momentos ímpares para mim e para a estreita relação que meu trabalho tem com estes dois músicos (não posso esquecer dos outros dois baianos maiores).
Bethânia e Gil. Certa vez, eles disseram sobre a confluência de suas posturas no palco. Chegaram a brincar com a tonalidade avermelhada de suas presenças cênicas, em contraste complementar ao certo ar cool de Caetano e Gal.
E eu tive a honra de homenageá-los em momentos distintos.
Em Atakã, a proposta era entrar no universo de Bethânia, pedindo licença aos ícones que ela gravou. De As Ayabás (Caetano e Gil), passando por Rosa dos Ventos (Chico Buarque), o show transitou entre a beleza das melodias compostas para a baiana e a força das letras também inscritas no mundo desta artista. E o mundo de Bethânia contém, entre outras coisas, amor, tenacidade, natureza, sonhos e afirmação.
Na noite de 16 de junho de 2006 (com a presença de parte do clã Velloso) Carlos Barros, Harlei Eduardo, André Buziga e José Maia - banda que fez soar as notas de Bethânia por Carlos - puderam transcorrer. E transcorremos como um rio que assenta-se sobre o terreno acidentado e dotado de magnitude que é o perfil e o repertório de Bethânia.
Batatinha esteve presente no seu Bolero de uma bailarina que precisa do palco para amar. Dona Ivone Lara pôde ser evocada no Sonho Meu, cuja memória ainda é tão viva na gravação dasbaianas de Santo Amaro e da Barra Avenida - Bethânia e Gal no registro mais que definitivo. Caetano brilhou em Maria Bethânia, Nossos Momentos, Drama e Reconvexo. Chico veio em Terezinha e a já citada Rosa dos Ventos, e aí, cantar este carioca já era suficiente para o artista no palco não explodir em uma energia que só Bethânia suporta plenamente.
Capiba, ao compôr o tema Maria Betânia, talvez nem imaginasse que iria ser o responsável por nomear tamanha figura artística a nascer.
A canção de Capiba encerrou a noite, com ares de que ali não terminava nem a artista Bethânia, nem o desejo de Carlos Barros de continuar o show para sempre, na sua ânsia de - antropofagicatropicalisticamente - continuar se alimentando do favo de mel desta rainha-abelha-mor da MPB.
O show Atakã - Amiga dos Ventos veio, de fato, como este pano que dá nome ao show: abraçou Bethânia, envolveu-a como que a proteger, mas verdadeiramente, buscou despí-la numa medida em, que sua nudez fosse tal e qual aquelas da renascença, cuja pele parece estar envolta numa névoa esbranquiçada que mais aguça do que esconde o que há de essencial.
O atakã branco que deu nome ao show buscou enrolar os seios da obra de Bethânia querendo estar ali, perto do coração de sua trajetória, na temperatura e na audição ideal da pulsação de seu sangue, que continua tão vital para a música deste país.
O pano foi amarrado para que a entidade pudesse dançar na minha voz, nos meus gestos, nos meus pés levemente acima do palco, como a parecer-se com ela, a Bethânia que foi centro da homenagem. Não sei se me deixei tomar por inteiro.
Somente sei que foi bom ter sido veste para tamanha energia e ainda asim poder ter aparecido lá no meio daquela bruma iluminada que é a trajetória e a simples existência de Maria.
Por aqui, chego ao fim deste momento.
Para falar de Gil e da sua/minha Dança de Shiva, somente no próximo capítulo destas confecções de Barros.
Até a próxima.
25 de julho de 2008.
domingo, 20 de julho de 2008
Casa de Amigo

Simone e Zélia me seduziram!
Vejam aí!
Casa de Amigo, Espelhos de Almas
Alguém cantando longe e ao mesmo tempo tão perto de mim.
Duas vozes juntas e aproximando Brasis. Setentas e noventas e dias atuais falaram pelas mulheres ali presentes. O feminino - sem questão - a se colocar!
Zélia e Simone vieram.
Este encontro, celebrado desde o início pela minha sensibilidade, presenteou a sexta-feira baiana fria, meio chuvosa e que foi entregue à beleza pelo show Amigo é casa, das duas intérpretes.
De repertório, o show somente careceu de maior atenção por parte do público, em menor número, mas não menos disperso para algumas peças que atestavam o caráter sofisticado da empreitada.
Simone e Zélia são duas das representantes do feminino na música brasileira.
Uma, com a experiência de quem viveu períodos tão díspares da história da música deste país. Outra, que chegou para mostrar originalidade interpretativa e um gosto pela subversão estética encoberta/desvelada na escolha/composição de canções de uma inteligência tamanha que provoca gozos.
Precisamos sim de Itamar Assunção e Arnaldo Antunes na voz de Zélia.
Certamente, a alegria do pecado às vezes (muitas vezes!!!!!) toma conta de mim. E com Zélia chamando, não há como recusar.
Precisamos de Roberto, Erasmo, Chico Buarque, e todos os companheiros de estrada da baiana da gema, do sotaque, do corpo esculturalmente desenhado em vestes brancas, da cor da luz que sua presença emana no palco.
Simone trouxe notícias do mundo de lá, de onde ela habita. Lugar de X de questões, de G de pontos brilhantes de prazeres que ela conhece e nos oferece em forma de melodias. A sua transpiração chega a tocar nossa pele, sua voz ecoa dentro da alma, aliás, que ela canta há muito tempo.
Amaram, juntas, amores urgentes e convidaram para um almoço musical estupendo, sempre voltando com o menu de Chico Buarque.
Zélia, fluminense celebrando a Bahia e a baiana ao seu lado, nos aponta a grande intérprete pop e contemporânea que, felizmente, não se foi junto com a maior cantora das últimas décadas - Cássia Eller. Para os que acharem um exagero, me acompanha na medida a fala da própria Zélia, que abre a homenagem junto à Simone. O amor me pegou e elas precisam pegarem-se à criatura Cássia, que veio em forma de inspiração para a letra não menos inpirada de Caetano.
Simone nos beijou.
Zélia nos abraçou.
Ambas se uniram, e este dado não pode ser desconsiderado jamais.
A mulher ali naquela ótica dessas moças, meninas, jovens senhoras da música no Brasil, é livre, solta, lépida e eólica. A mulher brasileira ali naquele espetáculo abre as cortinas para dizer mais, e melhor, que qualquer bandeira hasteada nas passarelas urbanas enfeitadas com panos coloridos em dia de parada. A mulher ali se vê plena, em conformidade e transgressão.
Simone e Zélia me fizeram apaixonar.
Amigo, agora, é coisa pra se guardar em casa.
Como se diz na Bahia; "quem casa, quer casa".
Que este casamento musical possa sempre ser lembrado!
E, se Erasmo e Narinha já disseram há muito tempo, certamente, depois desta amostra,
dizer que a mulher é sexo frágil, vai ser mais que mentira absurda.
Vai ser burrice.
Carlos Barros, 20 de julho de 2008.
Grande beijo a todos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Até mais!
Carlos Barros.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Chuvas em todos os céus que me habitam!

Em 2003, a cantora Maria Rita surgiu para o mundo e evocou a felicidade perdida ao cantar Marcelo Camelo, com Santa Chuva.
Em 2004, a minha chuva pessoal caiu por cima da cabeça, trazendo a saudade do amor que, embora aqui, não mais estava comigo.
Se foi, estando ao lado, contíguo, no quarto próximo à sala de estar...
E estar, naquele momento não me foi muito agradável.
Com a Santa Chuva de Camelo e Maria Rita, me molhei com a frieza dos versos objetivos.
Me aqueci com a voz/força de Maria (mais uma da minha tríade de Marias) e somente poderia ter chorado.
Ainda hoje, quando ouço esta canção, me vem uma espécie de prazer do passado, que sempre vem da necessidade de sofrer com as dores que nos deixaram mal. Como se quiséssemos extrair da dor alguma coisa benéfica - ecos cristãos ou genética inevitável de ser humano?
Quando gravei esta canção num ensaio em agosto de 2006, não conseguia ouvir, pois parecia que naquele momento a chuva passava a cair dentro da minha cebeça, e não poderia haver cobertor para o frio que sentiria toda vez que caíssem as águas daquela chuva.
Esta chuva não pára de cair, mesmo que eu precise não lembrar do motivo da reunião de nuvens de chumbo nos meus céus.
Santa Chuva
Marcelo Camelo
Vai chover, de novo
Deu na tv
que o povo já se cansou
de tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
que reza a ajuda de Deus
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá
que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim, não vá pra lá
meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem
A chuva já passou por aqui
eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez
Não há porque chorar por um amor que já morreu
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade!
Até Mais!!!!!!!!!!!!!!!
Carlos Barros, 14 de junho de 2008.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
O começo da Beleza em Marilda Santanna

Da série de textos sobre os perfis da MPB, o nome Marilda Santanna chegou com a proximidade baiana das conversas e papos "qualquer coisa no ar", como dediquei a ela na Dissertação Doces e Bárbaros.
Segue o texto abaixo. A propósito, a cantora estará em temporada no Teatro Gamboa nestes próximos finais de semana de julho de 2008, às 17h, sob o pôr do sol da Baía de Todos os Santos.
Marilda Santanna – O começo da beleza
Tudo que você tem não é seu. Só é seu aquilo que você dá. Os versos são de Pop Zen (Manuca Almeida / Alexandre Leão) e expressam o vigor fresco, a verdade e o humor característicos do canto cristalino de Marilda Santanna. A cantora baiana pertence a uma tradição vocal que leva os ouvintes direto a uma matriz importante da MPB, gestada na bossa-nova e na dimensão coloquial da arte de cantar, cujo guru é o idiossincrático João Gilberto.
Tudo que você tem não é seu. Só é seu aquilo que você dá. Os versos são de Pop Zen (Manuca Almeida / Alexandre Leão) e expressam o vigor fresco, a verdade e o humor característicos do canto cristalino de Marilda Santanna. A cantora baiana pertence a uma tradição vocal que leva os ouvintes direto a uma matriz importante da MPB, gestada na bossa-nova e na dimensão coloquial da arte de cantar, cujo guru é o idiossincrático João Gilberto.
Marilda é uma artista (cantora e atriz) em que os talentos não se atropelam. Ao contrário, se emprestam mutuamente. Dona de uma verve cênica evidente, seu teatro, entretanto, não rouba a cena de sua música, livrando a cantora do perigo da oscilação inadvertida entre uma arte e outra. Marilda é cantora quando o assunto é cantar e isso é muito importante para a contemplação de seus trabalhos. O teatro – enquanto palco – é a praia em que suas artes se deitam e se apresentam de forma mais confortável. Sua presença em cena, seus gestos e sua mis-em-scène cotidiana revelam a grande atriz que é se expressam em seu canto de maneira bastante equilibrada e sutil. A cantora nos chega com uma sensação de velocidade comparável àquela do desabrochar da flor na natureza: no momento certo.
A música em Marilda é artigo de lapidação constante. Cada nota emitida tem o gosto/gesto suave da pétala se abrindo bem devagar. A agilidade mental (da cantora e da atriz) toma conta da música ao aparecer nas decisões tomadas sobre alcances vocais, milimetricamente pensados. Marilda é de uma emoção trabalhada tão artesanalmente que a sua música pode parecer tão somente racional – posto sua preocupação constante com o processo e o fazer – e isso nos faz pensar mesmo sobre a arte vindo da linhagem da téchne grega. A emoção de suas interpretações se mostra presente nos produtos finais. Depois da elaboração, a fruição. Ouçamos então Dindi (Tom Jobim) e Dora (Dorival Caymmi) para perceber/sentir os fluxos emotivos provocados pelo trabalho da artesã.
Aliás, Tom e Caymmi são referências mais que adequadas para pensar no som de nossa personagem principal. Um é a perfeição arrojada e inovadora na MPB. O outro é a simplicidade temática que se espraia em melodias inesquecíveis. Marilda está bem ali, no meio, na corda bamba (e bem segura), se equilibrando entre Jobim e Dorival. A voz branca (segundo sua própria auto-classificação), sem vibratos a serem corolários das emissões, só pode ser completamente apreciada se nos posicionarmos entre a limpidez estética e a proposta de inquietação produtiva.
A sonoridade de seu disco Marilda Santanna (2002) é sofisticada e pop. Os arranjos são modernos e as melodias cantadas com a precisão matemática da escola da bossa-nova. O teor pop é dado pela acurada atenção de Marilda ao mundo que a rodeia. Esteta e pesquisadora, essa artista, interessada em muitos terrenos da música, se refestela nos salões quase eruditos das notas sem floreios, e como filha – não escrava – do canto de João, dá prosseguimento a um estilo cool muitas vezes esquecido por vozes populares atualmente.
O canto de Marilda Santanna se direciona muito mais para o menos, no sentido da extração do máximo, e isso é o que melhor caracteriza audições como a de Jeito de ser (Saul Barbosa / Orlando Santa Hellena), ou ainda de Pierrot, da lavra de Flávio Venturini . A sereia que ela encarna na peça Yá Olokun (Mônica Millet / Fred Vieira) a situa num privilegiado lugar das cantoras que elevam a arte de cantar ao campo do onírico. Todos saímos (conseguimos sair?) encantados e loucos de vontade de mergulhar nos mares densos da música desta baiana radiante.
E é assim, para não falar demais num terreno onde o minimalismo dá as cartas, que chegamos ao final desta viagem pensando em Adriana Calcanhotto (outra artista que também vai do mínimo para o máximo) e nas origens do belo. Partindo de Marilda, vamos até Adriana – interpretando o texto de Caetano – sobre a beleza podemos perguntar: onde será que isso começa?
Carlos Barros, 05 de abril de 2008.
Muitos beijos a todos!!!!!
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Uma vitória da precisão

Música em Salvador.
Pleonasmo identitário de uma tropicalidade tão nossa quanto estrangeiramente imputada.
Música em Salvador no frio julho tem que ter quentura. Mesmo aquela que não pareça a princípio algo de temperatura elevada, daquela a que estamos acostumados nos nossos fevereiros de fevereiras paixões.
Terça-feira na cidade da Bahia. Casa de espetáculo na orla de Salvador. Jota Velloso e Cavaleiros de Jorge recepcionando ícones. De ontem, de hoje, e quem sabe de amanhã?
Neste encontro, a luz brotou entre olhares e estrondosos ruídos.
Queremos mesmo ouvir algo na noite fria de julho em Salvador?
Alguns queriam e ouviram/viram desvirginar-se à frente, na penumbra de fogs do palco e da inconteste e bela presença de Alex Mesquita, a voz/figura de Virgínia Rodrigues.
Advinda das cenas elevadíssimas das mais técnicas possibilidades vocais, a Virgínia chegou. Os ruídos (incovenientes acompanhantes de órfãos das fevereiras noites baianas) quase a fizeram vacilar.
Engano da suposta força dos ruídos, Virgínia venceu.
A precisão, a emoção, o gingado de corpo e alma desta baiana/universal cantora foram mais eficazes.
Graças a Deus! O álcool, o ti ti ti e a celebrização da simples presença num espaço considerado "in" não foram capazes de não nos fazer ouvir/ver a presença fulgurante e competente do brilho da voz.
Minha voz, minha vida, meu segredo e minha revelação.
Em Virgínia, o que há de revelações, reside justamente num mistério: como há de vingar a flor de lótus no meio de um lodo por vezes tão pobre de húmus?
Até Gregório de Mattos pôde ser evocado de forma contundente, para contemplar uma possível celebração da inteligência dos presentes, dos partícipes, dos proponentes da noite. Que cidade é mesmo a da vergonha?
Será que esta vergonha está na dança do ator sobre a dança (acima das desgraças) da Bahia ali ausente, cujo ruído nem de longe se ouvia?
Será que a dança do ator a desavergonhar a Bahia expressaria o que de fato era a desonra do poeta?
Como diria Vinícius (não poeta, mas poetinha), ao dizer da Pátria amada "de fato, não sei".
Noite bela, mas noite múltipla.
A isso tudo, precisamente (ela é virginiana?),
Virgínia venceu.
E que bom que estavam alguns por lá para perceber.
E que bom também que a cidade da Bahia, nos seus meandros, nas suas vielas, avenidas e ruazinhas, ainda pode deixar sair a luz de uma voz/corpo/alma artística tão fortemente sedutora. Sedução que cumpriu a função de dar rasteira na razão (e no irracional de estar num lugar para nada ver, além de si próprios) e fazer platéia ceder, baixar cabeças e render-se.
Êta sedução de baiana porreta.
Me deixe ser Jorge Amado, por que suas vergonhas me estão mais à mostra que as que à mostra, ontem, me deram.
No mais, não vi Daniela Mercury, que, após minha retirada, pousou para trazer uma Bahia em que vergonha, desonra e mentira também se submetem (como assim o fizeram com Virgínia) ao signo da alegria, vibração e força, de uma outra baiana porreta, bárbara e estelar.
Axé, Bahia!!!!!!!!!!!!!!
Pleonasmo identitário de uma tropicalidade tão nossa quanto estrangeiramente imputada.
Música em Salvador no frio julho tem que ter quentura. Mesmo aquela que não pareça a princípio algo de temperatura elevada, daquela a que estamos acostumados nos nossos fevereiros de fevereiras paixões.
Terça-feira na cidade da Bahia. Casa de espetáculo na orla de Salvador. Jota Velloso e Cavaleiros de Jorge recepcionando ícones. De ontem, de hoje, e quem sabe de amanhã?
Neste encontro, a luz brotou entre olhares e estrondosos ruídos.
Queremos mesmo ouvir algo na noite fria de julho em Salvador?
Alguns queriam e ouviram/viram desvirginar-se à frente, na penumbra de fogs do palco e da inconteste e bela presença de Alex Mesquita, a voz/figura de Virgínia Rodrigues.
Advinda das cenas elevadíssimas das mais técnicas possibilidades vocais, a Virgínia chegou. Os ruídos (incovenientes acompanhantes de órfãos das fevereiras noites baianas) quase a fizeram vacilar.
Engano da suposta força dos ruídos, Virgínia venceu.
A precisão, a emoção, o gingado de corpo e alma desta baiana/universal cantora foram mais eficazes.
Graças a Deus! O álcool, o ti ti ti e a celebrização da simples presença num espaço considerado "in" não foram capazes de não nos fazer ouvir/ver a presença fulgurante e competente do brilho da voz.
Minha voz, minha vida, meu segredo e minha revelação.
Em Virgínia, o que há de revelações, reside justamente num mistério: como há de vingar a flor de lótus no meio de um lodo por vezes tão pobre de húmus?
Até Gregório de Mattos pôde ser evocado de forma contundente, para contemplar uma possível celebração da inteligência dos presentes, dos partícipes, dos proponentes da noite. Que cidade é mesmo a da vergonha?
Será que esta vergonha está na dança do ator sobre a dança (acima das desgraças) da Bahia ali ausente, cujo ruído nem de longe se ouvia?
Será que a dança do ator a desavergonhar a Bahia expressaria o que de fato era a desonra do poeta?
Como diria Vinícius (não poeta, mas poetinha), ao dizer da Pátria amada "de fato, não sei".
Noite bela, mas noite múltipla.
A isso tudo, precisamente (ela é virginiana?),
Virgínia venceu.
E que bom que estavam alguns por lá para perceber.
E que bom também que a cidade da Bahia, nos seus meandros, nas suas vielas, avenidas e ruazinhas, ainda pode deixar sair a luz de uma voz/corpo/alma artística tão fortemente sedutora. Sedução que cumpriu a função de dar rasteira na razão (e no irracional de estar num lugar para nada ver, além de si próprios) e fazer platéia ceder, baixar cabeças e render-se.
Êta sedução de baiana porreta.
Me deixe ser Jorge Amado, por que suas vergonhas me estão mais à mostra que as que à mostra, ontem, me deram.
No mais, não vi Daniela Mercury, que, após minha retirada, pousou para trazer uma Bahia em que vergonha, desonra e mentira também se submetem (como assim o fizeram com Virgínia) ao signo da alegria, vibração e força, de uma outra baiana porreta, bárbara e estelar.
Axé, Bahia!!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Jardins, Jasmins, Beleza, Toda moça em todo rapaz
VOCÊ NUNCA ME PROMETEU UM JARDIM DE JASMINS.
Não! Você nunca prometeu um jardim de jasmins!
Fui eu que, pretensiosamente, acreditei poder cultivar,
Em um terreno acidentado, ora arenoso, ora argiloso
O perfume que jamais teria.
Costurava nas estrelas pensamentos de fé
Paisagens e tormentos
Enquanto que, somente estava
Sentado à janela do quarto dos fundos, a chorar.
Viagens de novembro, pão com geléia
Milho de pipoca nunca estoura duas vezes
Pizza de banana [cubana]
Fugas da mente, momentos.
Escrevia para amenizar, sorria para disfarçar
Trair foi uma alternativa [confissão], senão enlouquecia
Não! Você não me prometeu um jardim com jasmins!
Partir. Fora uma longa, e triste tarde.
O tempo parou naquele instante.
Não existiram despedidas apenas, um breve até logo.
[prólogo]
Em um pequeno vaso plantei
Uma muda de jasmim
Não faz parte de meus planos
Fazer um jardim
Apenas pretendo ter o perfume
Que um dia quis ter entorno de mim.
O nome do poeta autor destas letras é Erweuter Volkart, e habita nossa cidade, do São Salvador da Baía de Todos os Santos.
O poema me lembrou de meus jardins cultivados, acabados e por nascerem...
Me lembrou Márcia Short, que em nossas conversas incríveis sempre toca na nacessiadde de cuidar do jardim .
Me lembrou amigos e queridos como Marlon, Davi, Déia, Harlei, Lucas, Mayana, minha família, entre outros que me fazem fitar a felicidade, cada um de sua forma.
Me lembrou do amor...
Um beijo Short!
Um beijo a todos que cuidam e gostan de zelar pelos seus jardins, mesmo os que não haviam sido prometidos, mas brotaram...
Ave Gilberto Gil, que deixou que o amor morresse/nascesse como pão do grão de trigo!
Ave Volkart!
Carlos Barros
24 de junho de 2008.
Não! Você nunca prometeu um jardim de jasmins!
Fui eu que, pretensiosamente, acreditei poder cultivar,
Em um terreno acidentado, ora arenoso, ora argiloso
O perfume que jamais teria.
Costurava nas estrelas pensamentos de fé
Paisagens e tormentos
Enquanto que, somente estava
Sentado à janela do quarto dos fundos, a chorar.
Viagens de novembro, pão com geléia
Milho de pipoca nunca estoura duas vezes
Pizza de banana [cubana]
Fugas da mente, momentos.
Escrevia para amenizar, sorria para disfarçar
Trair foi uma alternativa [confissão], senão enlouquecia
Não! Você não me prometeu um jardim com jasmins!
Partir. Fora uma longa, e triste tarde.
O tempo parou naquele instante.
Não existiram despedidas apenas, um breve até logo.
[prólogo]
Em um pequeno vaso plantei
Uma muda de jasmim
Não faz parte de meus planos
Fazer um jardim
Apenas pretendo ter o perfume
Que um dia quis ter entorno de mim.
O nome do poeta autor destas letras é Erweuter Volkart, e habita nossa cidade, do São Salvador da Baía de Todos os Santos.
O poema me lembrou de meus jardins cultivados, acabados e por nascerem...
Me lembrou Márcia Short, que em nossas conversas incríveis sempre toca na nacessiadde de cuidar do jardim .
Me lembrou amigos e queridos como Marlon, Davi, Déia, Harlei, Lucas, Mayana, minha família, entre outros que me fazem fitar a felicidade, cada um de sua forma.
Me lembrou do amor...
Um beijo Short!
Um beijo a todos que cuidam e gostan de zelar pelos seus jardins, mesmo os que não haviam sido prometidos, mas brotaram...
Ave Gilberto Gil, que deixou que o amor morresse/nascesse como pão do grão de trigo!
Ave Volkart!
Carlos Barros
24 de junho de 2008.
Incursões Antropológicas

Nas minhas incursões antropológicas, apresentei este texto como base de uma Comunicação no Grupo O Som do Lugar e o Mundo, em 2007.
Na perspectiva de divulgar, mais Drops Literários para vocês.
Beijos e que os ventos de Oyá refresquem as mentes sensíveis deste Brasil!
De Wolverine a Oxóssi –
O pop e os arquétipos de humano
Não é mais novidade o que a cultura pop tem feito a partir de diversos arquétipos universais. São super-heróis, bandidos, mulheres excepcionais, homens desfigurados que passeiam através da música, dos quadrinhos, do cinema, da TV, expressando tanto o horror quanto o fascínio que o imponderável exerce sobre nós.
As bruxas medievais davam calafrios somente em pensar nas poções e nos feitiços por elas realizados. Os alienígenas são desenhados nos filmes a tal ponto, que projetamos neles a crueldade tipicamente humana (até onde se sabe, somente humana), os imputando um desejo de invasão do planeta, como se fossemos uma espécie de Iraque destes seres de outra esfera planetária. Aqui na Terra mesmo, os arquétipos humanos sobressaem nas ficções como resultado da apreensão mítico-religiosa ou da criatividade de escritores, em múltiplos meios de arte, que criam seres em que estão contidos elementos de representações coletivas sobre fenômenos manifestos e capturados pela consciência (ou seria inconsciência?) e fixados como símbolos de tensão e/ou explicação do mundo.
Werewolf é o termo em inglês para designar lobisomem, esta criatura que se constitui num ser meio homem meio lobo (e que não é nem uma coisa nem outra) aterrorizando desde a Idade Média os sonhos de muitas pessoas. O werewolf é uma criatura advinda do universo dos híbridos, cuja hibridização, por si só, já nos leva ao medo, pela falta de pureza, de definição clara do seu pertencimento. O temor que o lobisomem causa é similar aquele que nos dá o “marginal”. No limite entre o aceitável de humanidade e “barbárie” (que me perdoem germânicos, eslavos e outros descendentes dos bárbaros da Antigüidade) o werewolf parece o “marginal”, no sentido de estar entre o humano e o animal, como nós muitas vezes pensamos estes indivíduos que nos deixam apreensivos por causa de sua capacidade de nos surpreender e, mesmo, nos agredir. Se o marginal não é humano? Claro que é. A comparação aqui se dá para perceber a semelhança de sensações. “Quem com porcos se mistura, farelo come”. Esta expressão designa o conselho das famílias para que o indivíduo não se envolva com ninguém que pareça transitar entre limites de civilidade e de não- civilidade. Os híbridos aí (mesmo não sendo lobisomens) alertam para arquétipos de comportamento não aceitáveis socialmente. São representantes de aspectos da cultura que deveriam ser contidos, numa representação generalizada de mundo. O “marginal” (mesmo o apenas usuário de maconha, ou rapaz meio afeminado que adentra casa “de família”) não serve como exemplo razoável de ideal de civilização, tal como o lobisomem; um ser entre perigoso e sexualmente excitante, na sua lasciva busca por carne e sangue.
Wolverine (wolf continua sendo a partícula característica deste nome) é o personagem da Marvel Comics, eternizado na obra X-Men, criação de Stan Lee. O mutante (híbrido também) é aquele que, com um fator de cura ilimitado, pode ser ferido e, mesmo como dor, em pouco tempo volta à integridade, desapontando seus inimigos. Não fosse apenas essa característica, de suas mãos, saem garras de um metal fictício chamado adamantium, que podem fazer estragos quando o ser em questão se sente ameaçado. Wolverine é uma espécie de animal domesticado pela convivência com os X-Men. Sua origem remonta experiências do governo norte-americano com um projeto chamado Arma X. Wolverine era a própria arma. Jogado entre lobos e perigos no frio e em condições adversas, o personagem foi induzido a um estado animalesco para desenvolver suas qualidades inatas de instinto e sede de matar. Ao voltar para a civilização, mantém latentes estas potencialidades, e tal e qual o Werewolf, se transforma em expressão de raiva quando desafiado. Sua oscilação também se dá entre a natureza (instintiva e com regras livres dos padrões humanos) e a cultura, em que assume o perfil de um misantropo avesso ao comportamento social aceitável. Entre Wolverine e o Werewolf, não apenas o prefixo lobo (wolf) é o ponto em comum.
Ogum e Oxóssi são duas divindades do panteão iorubano, cultuados no Brasil, no Candomblé e na Umbanda. São deuses que representam a passagem do homem histórico da animalidade para a humanidade. Ogum é o desbravador, antigo deus da caça e posteriormente o construtor dos impérios do metal. Nos mitos mais correntes, é o sanguinário guerreiro, que corta com sua espada as cabeças daqueles que o desagradam. Uma espécie de cruzado cristão medieval sem o interesse de catequização ou de reconquista de Jerusalém. A sua catequese é a conquista em si. Ogum é o rei da/na guerra. Aquele que abre os caminhos, estabelecendo, ao quebrá-los, os limites. Ogum determina o antes e o depois do Homem a partir de suas armas de metal.
Oxóssi é irmão de Ogum. Aprende com ele as artes da caça e se especializa nesta atividade. Enquanto Ogum constrói estradas, ligando limites, Oxóssi embrenha-se na mata, providenciando alimentos. É a animalidade no seu sentido profundo. Mas Oxóssi (também chamado de Odé, o caçador), é um híbrido, na medida em que se transforma em rei, ao conquistar a região de Ketu, atingindo a supremacia. É animal caçador, na mata e homem soberano, na civilização. Oxóssi é aquele que imita o som dos animais para melhor se aproximar e caçá-los, e ao mesmo tempo, é a personificação da realeza sutil e bela. Enquanto Ogum não se apodera (no sentido de saborear o poder), pois está sempre em busca de novas estradas, Oxóssi está na mata, como animal que também é e está na civilização, como rei que se tornou.
Ogum e Oxóssi são duas animalidades transmorfas em civilização. Werewolf e Wolverine são duas animalidades que se integram e, ao mesmo tempo, se afastam do mundo civilizado. Wolverine tem a faculdade de sentir os cheiros de maneira mais aguçada que nós, humanos. Oxóssi aprende o som e o cheiro dos animais para torná-los presa e posterior alimentação. Ogum e o Werewolf são temidos por seus acessos de ira. Ogum quer conquistar pela guerra. O Werewolf mata por instinto. Oxóssi vive marginalmente à civilização, na mata, e retorna ao mundo da sociedade, trazendo o que o mundo não civilizado fornece – alimento. Tanto Ogum, quanto Wolverine são tipicamente estranhos aos olhos do comportamento sutil. Nenhum dos dois se enquadra na idéia de educação como uma economia de pulsões. Com isto, pode-se afirmar que não se curvam à civilização ocidentalmente erigida ao longo da história. Oxóssi e o Werewolf fogem de um convívio com o humano no momento em que se embrenham nas matas da sua necessidade de solidão. Oxóssi caça solitariamente, e o Werewolf precisa estar só para destilar suas dores inerentes à condição de homem-animal que não consegue fugir ao desejo incontrolável por sangue.
A cultura pop engloba tanto as mitologias religiosas, quanto os elementos coletivos cotidianos. As empresas que fazem maravilhas tecnológicas para desenhar universos mágicos nos quadrinhos e nos filmes, desejam, de fato, que reconheçamos nossa admiração por imagens presentes nos sonhos e no inconsciente. Figuras como Salvador Dali e Pablo Picasso, de certa forma, entenderam o inconsciente e o fantástico na sua arte, que não por acaso, também pode ser enquadrada no rol de imagens utilizadas pelo pop. Para não escapar-me da deixa, e colocar um pouco de mulher nesta história, a recente letra de Harlei Eduardo[1] – Ororo – é um poema esclarecedor dos efeitos do pop sobre os arquétipos:
Ororo, dona dos raios
Oyá
Mutante transliterada
Ororo
Oyá no espelho, Iaô
Na sala escura um reflexo
Anúncio na tela clara
Na Tempestade dos arquétipos
Iansã surgiu translúcida
Ororo
Oyá tomou sua Iaô.
Ororo é o nome civil de Tempestade, a também personagem dos X-Men, companheira de Wolverine. Sua característica principal é o dom de manejar os elementos do clima, numa transformação de humanidade para natureza, se aproximando do arquétipo do orixá Oyá-Iansã, senhora dos ventos e da cólera expressa nos raios e trovões.
Stan Lee, ao atualizar aspectos do Werewolf na figura de um personagem como Wolverine, está também possibilitando que reconheçamos estes e também Ogum e Oxóssi como arquétipos de híbrido e por que não até certo ponto marginal (de margem, a margear, na borda) nestas personas. Werewolf, Wolverine, Ogum e Oxóssi são todos homens (humanos e masculinos) e animais. Pertencem ao reino do trânsito entre limites. O pop é capaz de colocar eles todos na mesma prateleira comercial, e podemos falar hoje de lobisomem sem um terror que ultrapasse os limites do medo temporário ao assistir uma cena no cinema. O pop possibilita que Wolverine não seja temido, nem quando faz sair suas garras, pois pertence aos limites do mundo dos quadrinhos e do cinema. Ele não sai da tela para descarregar sua raiva em nós. Deste modo, os arquétipos como modelos de compreensão do humano têm na cultura pop uma contribuição fundamental para que nos vejamos como eternos híbridos. Estamos sempre em limites de algum tipo. Estabelecidos aqui, fora dos padrões lá. Mesmo que não cheguemos às raias da animalidade, humanos são testados sempre na sua capacidade de sobrevivência, como Wolverine ou Oxóssi, somente para citar nossos personagens de hoje.
[1] Harlei Eduardo é violonista, cantor e diretor musical do grupo bando de uns.
Até mais!!!!!!!!
Carlos Barros
06 de julho de 2008.
Na perspectiva de divulgar, mais Drops Literários para vocês.
Beijos e que os ventos de Oyá refresquem as mentes sensíveis deste Brasil!
De Wolverine a Oxóssi –
O pop e os arquétipos de humano
Não é mais novidade o que a cultura pop tem feito a partir de diversos arquétipos universais. São super-heróis, bandidos, mulheres excepcionais, homens desfigurados que passeiam através da música, dos quadrinhos, do cinema, da TV, expressando tanto o horror quanto o fascínio que o imponderável exerce sobre nós.
As bruxas medievais davam calafrios somente em pensar nas poções e nos feitiços por elas realizados. Os alienígenas são desenhados nos filmes a tal ponto, que projetamos neles a crueldade tipicamente humana (até onde se sabe, somente humana), os imputando um desejo de invasão do planeta, como se fossemos uma espécie de Iraque destes seres de outra esfera planetária. Aqui na Terra mesmo, os arquétipos humanos sobressaem nas ficções como resultado da apreensão mítico-religiosa ou da criatividade de escritores, em múltiplos meios de arte, que criam seres em que estão contidos elementos de representações coletivas sobre fenômenos manifestos e capturados pela consciência (ou seria inconsciência?) e fixados como símbolos de tensão e/ou explicação do mundo.
Werewolf é o termo em inglês para designar lobisomem, esta criatura que se constitui num ser meio homem meio lobo (e que não é nem uma coisa nem outra) aterrorizando desde a Idade Média os sonhos de muitas pessoas. O werewolf é uma criatura advinda do universo dos híbridos, cuja hibridização, por si só, já nos leva ao medo, pela falta de pureza, de definição clara do seu pertencimento. O temor que o lobisomem causa é similar aquele que nos dá o “marginal”. No limite entre o aceitável de humanidade e “barbárie” (que me perdoem germânicos, eslavos e outros descendentes dos bárbaros da Antigüidade) o werewolf parece o “marginal”, no sentido de estar entre o humano e o animal, como nós muitas vezes pensamos estes indivíduos que nos deixam apreensivos por causa de sua capacidade de nos surpreender e, mesmo, nos agredir. Se o marginal não é humano? Claro que é. A comparação aqui se dá para perceber a semelhança de sensações. “Quem com porcos se mistura, farelo come”. Esta expressão designa o conselho das famílias para que o indivíduo não se envolva com ninguém que pareça transitar entre limites de civilidade e de não- civilidade. Os híbridos aí (mesmo não sendo lobisomens) alertam para arquétipos de comportamento não aceitáveis socialmente. São representantes de aspectos da cultura que deveriam ser contidos, numa representação generalizada de mundo. O “marginal” (mesmo o apenas usuário de maconha, ou rapaz meio afeminado que adentra casa “de família”) não serve como exemplo razoável de ideal de civilização, tal como o lobisomem; um ser entre perigoso e sexualmente excitante, na sua lasciva busca por carne e sangue.
Wolverine (wolf continua sendo a partícula característica deste nome) é o personagem da Marvel Comics, eternizado na obra X-Men, criação de Stan Lee. O mutante (híbrido também) é aquele que, com um fator de cura ilimitado, pode ser ferido e, mesmo como dor, em pouco tempo volta à integridade, desapontando seus inimigos. Não fosse apenas essa característica, de suas mãos, saem garras de um metal fictício chamado adamantium, que podem fazer estragos quando o ser em questão se sente ameaçado. Wolverine é uma espécie de animal domesticado pela convivência com os X-Men. Sua origem remonta experiências do governo norte-americano com um projeto chamado Arma X. Wolverine era a própria arma. Jogado entre lobos e perigos no frio e em condições adversas, o personagem foi induzido a um estado animalesco para desenvolver suas qualidades inatas de instinto e sede de matar. Ao voltar para a civilização, mantém latentes estas potencialidades, e tal e qual o Werewolf, se transforma em expressão de raiva quando desafiado. Sua oscilação também se dá entre a natureza (instintiva e com regras livres dos padrões humanos) e a cultura, em que assume o perfil de um misantropo avesso ao comportamento social aceitável. Entre Wolverine e o Werewolf, não apenas o prefixo lobo (wolf) é o ponto em comum.
Ogum e Oxóssi são duas divindades do panteão iorubano, cultuados no Brasil, no Candomblé e na Umbanda. São deuses que representam a passagem do homem histórico da animalidade para a humanidade. Ogum é o desbravador, antigo deus da caça e posteriormente o construtor dos impérios do metal. Nos mitos mais correntes, é o sanguinário guerreiro, que corta com sua espada as cabeças daqueles que o desagradam. Uma espécie de cruzado cristão medieval sem o interesse de catequização ou de reconquista de Jerusalém. A sua catequese é a conquista em si. Ogum é o rei da/na guerra. Aquele que abre os caminhos, estabelecendo, ao quebrá-los, os limites. Ogum determina o antes e o depois do Homem a partir de suas armas de metal.
Oxóssi é irmão de Ogum. Aprende com ele as artes da caça e se especializa nesta atividade. Enquanto Ogum constrói estradas, ligando limites, Oxóssi embrenha-se na mata, providenciando alimentos. É a animalidade no seu sentido profundo. Mas Oxóssi (também chamado de Odé, o caçador), é um híbrido, na medida em que se transforma em rei, ao conquistar a região de Ketu, atingindo a supremacia. É animal caçador, na mata e homem soberano, na civilização. Oxóssi é aquele que imita o som dos animais para melhor se aproximar e caçá-los, e ao mesmo tempo, é a personificação da realeza sutil e bela. Enquanto Ogum não se apodera (no sentido de saborear o poder), pois está sempre em busca de novas estradas, Oxóssi está na mata, como animal que também é e está na civilização, como rei que se tornou.
Ogum e Oxóssi são duas animalidades transmorfas em civilização. Werewolf e Wolverine são duas animalidades que se integram e, ao mesmo tempo, se afastam do mundo civilizado. Wolverine tem a faculdade de sentir os cheiros de maneira mais aguçada que nós, humanos. Oxóssi aprende o som e o cheiro dos animais para torná-los presa e posterior alimentação. Ogum e o Werewolf são temidos por seus acessos de ira. Ogum quer conquistar pela guerra. O Werewolf mata por instinto. Oxóssi vive marginalmente à civilização, na mata, e retorna ao mundo da sociedade, trazendo o que o mundo não civilizado fornece – alimento. Tanto Ogum, quanto Wolverine são tipicamente estranhos aos olhos do comportamento sutil. Nenhum dos dois se enquadra na idéia de educação como uma economia de pulsões. Com isto, pode-se afirmar que não se curvam à civilização ocidentalmente erigida ao longo da história. Oxóssi e o Werewolf fogem de um convívio com o humano no momento em que se embrenham nas matas da sua necessidade de solidão. Oxóssi caça solitariamente, e o Werewolf precisa estar só para destilar suas dores inerentes à condição de homem-animal que não consegue fugir ao desejo incontrolável por sangue.
A cultura pop engloba tanto as mitologias religiosas, quanto os elementos coletivos cotidianos. As empresas que fazem maravilhas tecnológicas para desenhar universos mágicos nos quadrinhos e nos filmes, desejam, de fato, que reconheçamos nossa admiração por imagens presentes nos sonhos e no inconsciente. Figuras como Salvador Dali e Pablo Picasso, de certa forma, entenderam o inconsciente e o fantástico na sua arte, que não por acaso, também pode ser enquadrada no rol de imagens utilizadas pelo pop. Para não escapar-me da deixa, e colocar um pouco de mulher nesta história, a recente letra de Harlei Eduardo[1] – Ororo – é um poema esclarecedor dos efeitos do pop sobre os arquétipos:
Ororo, dona dos raios
Oyá
Mutante transliterada
Ororo
Oyá no espelho, Iaô
Na sala escura um reflexo
Anúncio na tela clara
Na Tempestade dos arquétipos
Iansã surgiu translúcida
Ororo
Oyá tomou sua Iaô.
Ororo é o nome civil de Tempestade, a também personagem dos X-Men, companheira de Wolverine. Sua característica principal é o dom de manejar os elementos do clima, numa transformação de humanidade para natureza, se aproximando do arquétipo do orixá Oyá-Iansã, senhora dos ventos e da cólera expressa nos raios e trovões.
Stan Lee, ao atualizar aspectos do Werewolf na figura de um personagem como Wolverine, está também possibilitando que reconheçamos estes e também Ogum e Oxóssi como arquétipos de híbrido e por que não até certo ponto marginal (de margem, a margear, na borda) nestas personas. Werewolf, Wolverine, Ogum e Oxóssi são todos homens (humanos e masculinos) e animais. Pertencem ao reino do trânsito entre limites. O pop é capaz de colocar eles todos na mesma prateleira comercial, e podemos falar hoje de lobisomem sem um terror que ultrapasse os limites do medo temporário ao assistir uma cena no cinema. O pop possibilita que Wolverine não seja temido, nem quando faz sair suas garras, pois pertence aos limites do mundo dos quadrinhos e do cinema. Ele não sai da tela para descarregar sua raiva em nós. Deste modo, os arquétipos como modelos de compreensão do humano têm na cultura pop uma contribuição fundamental para que nos vejamos como eternos híbridos. Estamos sempre em limites de algum tipo. Estabelecidos aqui, fora dos padrões lá. Mesmo que não cheguemos às raias da animalidade, humanos são testados sempre na sua capacidade de sobrevivência, como Wolverine ou Oxóssi, somente para citar nossos personagens de hoje.
[1] Harlei Eduardo é violonista, cantor e diretor musical do grupo bando de uns.
Até mais!!!!!!!!
Carlos Barros
06 de julho de 2008.
Maria Rita - seus sambas e seus amores

Maria Rita – seus sambas e suas promessas
Chegando ao terceiro disco, a cantora se instala no limite
Chegando ao terceiro disco, a cantora se instala no limite
entre uma lembrança e uma presença
Esquecer Elis.
Ouvir Maria Rita.
Para apreciá-la é preciso despir-se dos mantos desenhados pelo canto de Elis ao longo de tantos anos de audição – mesmo que remota – da voz da pimentinha do sul.
Maria Rita é uma tradução. Uma transmutação de notas doces/acres em um timbre acre/suave de melodiosas construções sonoras para ouvidos apurados. Sua canção vem de tradições tão enraizadas que nos parecem até vulgares no ambiente da sofisticação.
Baixo, bateria e piano adornados por alguma percussão, como que fazendo um corolário para a interpretação quase coloquial de seu canto.
O que poderia parecer, a princípio, absurdo mostra-se um elemento importante de sua música: sempre que Maria soa, ouvem-se alguns ecos de João Gilberto. A respiração e o canto/fala mastigado, como a degustar a melodia, dessa mulher, são como reafirmações da importância da matematização minimalista da Bossa-Nova aliado ao calor das inúmeras de nossas cantoras de emoção afirmativa. O canto de Maria Rita é quase sempre sem dó-de-peito. Sua extensão e alcance são de nota por nota que deságuam em blue notes por vezes freqüentando a obra da cantora.
Seus arroubos interpretativos como que rabanadas de melodias são tão significativos quanto o som quase murmurado de outros momentos.
Maria Rita pode até não reconhecer o baiano de Juazeiro em sua música, mas certamente, ao nos depararmos com o canto faríngeo do início de A Festa (Milton Nascimento) ou em Despedida (Marcelo Camelo), não podemos deixar de ouvir o fraseado de João em sua voz, apenas para citar dois casos notórios.
Se Elis está (lembremos dela aqui) na força dos trejeitos vocais da filha, a voz de Maria Rita nas canções mais frugais é uma voz em que se encontra, entre outras coisas, lampejos de acordes e ritmias do samba contido da escola bossa-novista.
Do primeiro para o terceiro disco é uma longa caminhada para fugir à Elis (ela de novo!).
- A voz é a mesma! – dizem alguns
- Como é parecido! – repetem outros.
- Está imitando – de novo, dizem.
Interessante notar como as semelhanças incomodam, não é?
Mas, definitivamente, Maria Rita não é Elis Regina.
Sua interpretação (a de Maria) traz o timbre (mais grave) próximo da genitora e repete certos efeitos vocais que de fato a lembram. Entretanto, para recorrer ao postulado do irrepetível:
Maria Rita não é Elis.
Vanessa não é Marisa.
Jussara não é Gal.
Mariene não é Clara.
Estrelas brilham próprias. Parecidas, mas próprias.
Maria Rita será sempre a filha, mas já é uma senhora em absoluto na competência musical.
Seu nome já se inscreve com letra maiúscula.
Sua capacidade de transmutar sua voz falada de menina paulista em mulher forte e intensa cantando versos de canções como Não vale a pena (J. e P. Garfunkel) e a recente Mente ao meu coração (F. Malfitano) é algo que não passa despercebido.
É preciso ouvir para dizer!
Hoje, Maria Rita traz seu samba. O texto do disco quase parece querer justificar a incursão. Ela pode?
Ela deve!
Seu samba é tão de nós (como ela, aliás, preconiza) que temos a impressão de que além daquela voz à qual relacionamos Maria, outras tantas estão presentes nos arranjos, nas emissões, nos stacattos e deformações melódicas tão característicos de nosso samba-jazz – filho do encontro do batuque do Brasil com o bebop americano e uma contraparte relevante da própria Bossa Nova.
Maria Rita parece tão à vontade, que percebemos que ela pode cantar samba por uma razão muito mais simples que qualquer teorização: ela é uma cantora. E das grandes!
Sua presença não alcança patamares de singularidade por que evoca outra muito forte.
Sua arte não chega a provocar revoluções, posto não instaurar descontinuidades.
Sua voz não soa nova.
Seu canto não é devastador.
Por tudo que não é, resta o que ela é.
Maria Rita é ar no músculo, como oxigênio no coração – cotidiano e vital.
Maria Rita é sopro através da boca, como o hálito de Deus em Adão.
Maria Rita continua tradições. Ela é uma mulher soltando a voz.
E como não dá mesmo para esquecê-la, Elis Regina é sua mãe.
E que bom que entre seus tantos outros bons frutos, nos legou este precioso:
Maria Rita, a cantora.
Carlos Barros, Outubro de 2007.
Esquecer Elis.
Ouvir Maria Rita.
Para apreciá-la é preciso despir-se dos mantos desenhados pelo canto de Elis ao longo de tantos anos de audição – mesmo que remota – da voz da pimentinha do sul.
Maria Rita é uma tradução. Uma transmutação de notas doces/acres em um timbre acre/suave de melodiosas construções sonoras para ouvidos apurados. Sua canção vem de tradições tão enraizadas que nos parecem até vulgares no ambiente da sofisticação.
Baixo, bateria e piano adornados por alguma percussão, como que fazendo um corolário para a interpretação quase coloquial de seu canto.
O que poderia parecer, a princípio, absurdo mostra-se um elemento importante de sua música: sempre que Maria soa, ouvem-se alguns ecos de João Gilberto. A respiração e o canto/fala mastigado, como a degustar a melodia, dessa mulher, são como reafirmações da importância da matematização minimalista da Bossa-Nova aliado ao calor das inúmeras de nossas cantoras de emoção afirmativa. O canto de Maria Rita é quase sempre sem dó-de-peito. Sua extensão e alcance são de nota por nota que deságuam em blue notes por vezes freqüentando a obra da cantora.
Seus arroubos interpretativos como que rabanadas de melodias são tão significativos quanto o som quase murmurado de outros momentos.
Maria Rita pode até não reconhecer o baiano de Juazeiro em sua música, mas certamente, ao nos depararmos com o canto faríngeo do início de A Festa (Milton Nascimento) ou em Despedida (Marcelo Camelo), não podemos deixar de ouvir o fraseado de João em sua voz, apenas para citar dois casos notórios.
Se Elis está (lembremos dela aqui) na força dos trejeitos vocais da filha, a voz de Maria Rita nas canções mais frugais é uma voz em que se encontra, entre outras coisas, lampejos de acordes e ritmias do samba contido da escola bossa-novista.
Do primeiro para o terceiro disco é uma longa caminhada para fugir à Elis (ela de novo!).
- A voz é a mesma! – dizem alguns
- Como é parecido! – repetem outros.
- Está imitando – de novo, dizem.
Interessante notar como as semelhanças incomodam, não é?
Mas, definitivamente, Maria Rita não é Elis Regina.
Sua interpretação (a de Maria) traz o timbre (mais grave) próximo da genitora e repete certos efeitos vocais que de fato a lembram. Entretanto, para recorrer ao postulado do irrepetível:
Maria Rita não é Elis.
Vanessa não é Marisa.
Jussara não é Gal.
Mariene não é Clara.
Estrelas brilham próprias. Parecidas, mas próprias.
Maria Rita será sempre a filha, mas já é uma senhora em absoluto na competência musical.
Seu nome já se inscreve com letra maiúscula.
Sua capacidade de transmutar sua voz falada de menina paulista em mulher forte e intensa cantando versos de canções como Não vale a pena (J. e P. Garfunkel) e a recente Mente ao meu coração (F. Malfitano) é algo que não passa despercebido.
É preciso ouvir para dizer!
Hoje, Maria Rita traz seu samba. O texto do disco quase parece querer justificar a incursão. Ela pode?
Ela deve!
Seu samba é tão de nós (como ela, aliás, preconiza) que temos a impressão de que além daquela voz à qual relacionamos Maria, outras tantas estão presentes nos arranjos, nas emissões, nos stacattos e deformações melódicas tão característicos de nosso samba-jazz – filho do encontro do batuque do Brasil com o bebop americano e uma contraparte relevante da própria Bossa Nova.
Maria Rita parece tão à vontade, que percebemos que ela pode cantar samba por uma razão muito mais simples que qualquer teorização: ela é uma cantora. E das grandes!
Sua presença não alcança patamares de singularidade por que evoca outra muito forte.
Sua arte não chega a provocar revoluções, posto não instaurar descontinuidades.
Sua voz não soa nova.
Seu canto não é devastador.
Por tudo que não é, resta o que ela é.
Maria Rita é ar no músculo, como oxigênio no coração – cotidiano e vital.
Maria Rita é sopro através da boca, como o hálito de Deus em Adão.
Maria Rita continua tradições. Ela é uma mulher soltando a voz.
E como não dá mesmo para esquecê-la, Elis Regina é sua mãe.
E que bom que entre seus tantos outros bons frutos, nos legou este precioso:
Maria Rita, a cantora.
Carlos Barros, Outubro de 2007.
Este texto já me rendeu muitos comentários elogiosos (e nem tanto) que atestam a força desta artista para a MPB.
Carlos Barros.
06 de julho de 2008.
Cantar, cantar...

Cantar, cantar...
Gal Costa: Sessenta anos e Uma Voz
Embora haja Bethânia e Elis e Daniela e Maria Rita e tantas outras, hoje é Gal o tema desta prosa. E, em prosa, para traduzir nas letras o que nos é dado a ouvir, somente numa viagem poética para colocar minimamente o que há pra dizer. Dizem tantos de uma certa frieza atual da técnica da cantora. Diva fria, sem movimentos, desatualizada, sem tesão...(?)
Gal apenas paira sobre, e é. Fria ou dada a arroubos, Gal simplesmente o é. Não há artista na música brasileira que possa simplesmente não dar atenção a este fenômeno surgido com os anos pré-tropicalismo e ainda hoje embalando com a sua voz noites e tempos apenas “quando”, como em Vinícius, de muitos habitantes deste planeta música da Terra, por aí afora. Gal Costa parece desafiar as leis mais banais do mercado e da música popular. Desafia, perde muitas vezes, mas acaba fazendo prevalecer o essencial do que é o canto: emissão e interpretação provenientes de timbre e capacidade de dizer com notas o que o texto muitas vezes necessita dizer com metáforas e transgressões lingüísticas. Gal transgride ainda, e curiosamente com uma simplicidade que inquieta, para quem quer sempre o novo.
Gal seduz com o que lhe é mais peculiar e prosaico: os anos lhe deram técnica, mas o que vem mesmo, do fundo, como elemento de catarse para ouvintes é o que, entre a biologia e a fé, lhe foi concedido. Entre as fibras estriadas da laringe, ou o dom de Deus, sua voz, tão simplesmente, oferta-nos com o som de uma pessoa vitoriosa – para tomar emprestado a Wally, o epíteto indicado para sua irmã, Bethânia -, e não se pode negar essa vitória, principalmente quando, por escolhas e impossibilidades próprias do self que compõe a cantora, muitos dados não foram lançados no jogo da presença artística e da mídia, e da sedução de públicos, e etc... O fato, entretanto é que Gal ainda existe.
Se Gal não é mais a mesma, como se ouve por aí, para a voz deste cantor aqui a se desnudar na admiração, Gal não é a mesma, mas o é a própria. Propriedade da canção, do valor musical que supera e se entrega aos efeitos e defeitos do tempo, conservando coisas das mais lindas em amores passados e presentes. Gal, hoje, passou por entre os vapores dos setenta, pelo brilho dos keyboards oitentistas, pela onda revival dos noventa, e chega a sexagenariedade como uma artista ainda... não, uma artista apenas. E apenas não é pouco...
O que uma canção entoada pela sua voz é capaz de traduzir, vindo de uma região muito profunda, que de tanto parece ser superficial, não se explica pelas letras da crítica, nem tampouco pelo amor de fã. As mais recentes estão em novelas, nos discos autorais, mas, sobretudo, na memória auditiva daqueles que já puderam contemplar por pelo menos mais de dez anos o quê de cristal e rasgos da intérprete aqui em louvação. Seja em doçuras como Pra você (Sylvio César), ou em ranhuras acres da voz em Revolta Olodum (José Olissam), Gal concebe o canto como expressão talvez menos racionalizada que outras cantoras brasileiras. Mais som, mais onda, mais ouvido. O concebe, o faz e o eterniza quase sempre, entre acertos, imperfeições e “equívocos”, como é muito sugerido, mas nunca deixando espaço para o ostracismo. Não ouvi-la é o mesmo que negar-se à contemplação das mais belas conseqüências do ensinamento de João Gilberto, aliado à benéfica influência do rock e dos amigos tropicalistas, Caetano, Gil, Rita, Duprat... Gal Costa traz, somente no timbre e na forma de usá-lo, todas as máscaras possíveis para sua performance artística. Não bastassem as teatralidades que a colocaram como musa de uma geração carioca-baiana-pop-internacional, é na sua voz que reside todo o encanto, com toda “pieguice” que essa palavra traz e com toda sua capacidade de palavra-valise; conter o que é dizível do belo.
Ouvir Gal hoje pode parecer obsoleto para uma geração que, como todas as outras gerações, está mais interessada no que lhe sugira o novo. De fato, não há nada menos novo na história da música brasileira que o canto de Gal. É tão não-novo, que chega a confundir-se com alguma tradição perdida (?) ou achada em outras tantas vozes. Marisa Monte que o diga. Vanessa da Matta que assine em baixo. A nossa outra diva baiana maravilhosa – Jussara Silveira – que não me deixe ir à mentira. Todas filhas, netas, pelo menos, comadres do canto de Gal. Ney Matogrosso revelou que a capa de Índia (disco realizado por Gal em 1973) era algo acintoso por esfregar a genitália na cara da ditadura. Gal continua acintosa, por não corresponder mais aos anseios de um público ávido pelas inovações comportamentais da cantora. E, principalmente, por estar ativa e viva, no disco e no palco. Basta ouvir!
Comportamento, cultura e mídia. Tudo além, mas bem aquém, na verdade do que realmente interessa: Gal é a voz. Gal é o timbre. E tudo isso é a força que ela dá à música brasileira. Num campo em que o cantor é ao mesmo tempo o centro das atenções e negligenciado como uma peça menos elaborada (muitos instrumentistas nos chamam de “canários”, numa corruptela de canalhas), a aparição e manutenção do trabalho de Gal é uma possibilidade a mais de se perceber a voz como instrumento. A voz como fio condutor, para onde convergem sonoridades e através da qual a beleza da música pode se unir ao texto, fluída e simbioticamente.
Elis é a maior cantora. Bethânia, a grande atriz da música brasileira. Maria Rita carrega a técnica e a emoção numa medida quase milimétrica. Ivete é promessa de felicidade plena no quesito musicalidade. Marisa traz a canção e o novo na ponta da língua.Vanessa incorpora elementos gestuais que a fazem irresistível. Daniela é a eletricidade a serviço da inteligência artística. Mas, sobretudo, e infinitamente, sobretudo, Gal sobrevoa. É o canto, com todas as significações deste termo. Gal é o som, e como sugeriu a própria Abelha Rainha, um som que deve continuar simplesmente cantando.
Carlos Barros
Gal Costa: Sessenta anos e Uma Voz
Embora haja Bethânia e Elis e Daniela e Maria Rita e tantas outras, hoje é Gal o tema desta prosa. E, em prosa, para traduzir nas letras o que nos é dado a ouvir, somente numa viagem poética para colocar minimamente o que há pra dizer. Dizem tantos de uma certa frieza atual da técnica da cantora. Diva fria, sem movimentos, desatualizada, sem tesão...(?)
Gal apenas paira sobre, e é. Fria ou dada a arroubos, Gal simplesmente o é. Não há artista na música brasileira que possa simplesmente não dar atenção a este fenômeno surgido com os anos pré-tropicalismo e ainda hoje embalando com a sua voz noites e tempos apenas “quando”, como em Vinícius, de muitos habitantes deste planeta música da Terra, por aí afora. Gal Costa parece desafiar as leis mais banais do mercado e da música popular. Desafia, perde muitas vezes, mas acaba fazendo prevalecer o essencial do que é o canto: emissão e interpretação provenientes de timbre e capacidade de dizer com notas o que o texto muitas vezes necessita dizer com metáforas e transgressões lingüísticas. Gal transgride ainda, e curiosamente com uma simplicidade que inquieta, para quem quer sempre o novo.
Gal seduz com o que lhe é mais peculiar e prosaico: os anos lhe deram técnica, mas o que vem mesmo, do fundo, como elemento de catarse para ouvintes é o que, entre a biologia e a fé, lhe foi concedido. Entre as fibras estriadas da laringe, ou o dom de Deus, sua voz, tão simplesmente, oferta-nos com o som de uma pessoa vitoriosa – para tomar emprestado a Wally, o epíteto indicado para sua irmã, Bethânia -, e não se pode negar essa vitória, principalmente quando, por escolhas e impossibilidades próprias do self que compõe a cantora, muitos dados não foram lançados no jogo da presença artística e da mídia, e da sedução de públicos, e etc... O fato, entretanto é que Gal ainda existe.
Se Gal não é mais a mesma, como se ouve por aí, para a voz deste cantor aqui a se desnudar na admiração, Gal não é a mesma, mas o é a própria. Propriedade da canção, do valor musical que supera e se entrega aos efeitos e defeitos do tempo, conservando coisas das mais lindas em amores passados e presentes. Gal, hoje, passou por entre os vapores dos setenta, pelo brilho dos keyboards oitentistas, pela onda revival dos noventa, e chega a sexagenariedade como uma artista ainda... não, uma artista apenas. E apenas não é pouco...
O que uma canção entoada pela sua voz é capaz de traduzir, vindo de uma região muito profunda, que de tanto parece ser superficial, não se explica pelas letras da crítica, nem tampouco pelo amor de fã. As mais recentes estão em novelas, nos discos autorais, mas, sobretudo, na memória auditiva daqueles que já puderam contemplar por pelo menos mais de dez anos o quê de cristal e rasgos da intérprete aqui em louvação. Seja em doçuras como Pra você (Sylvio César), ou em ranhuras acres da voz em Revolta Olodum (José Olissam), Gal concebe o canto como expressão talvez menos racionalizada que outras cantoras brasileiras. Mais som, mais onda, mais ouvido. O concebe, o faz e o eterniza quase sempre, entre acertos, imperfeições e “equívocos”, como é muito sugerido, mas nunca deixando espaço para o ostracismo. Não ouvi-la é o mesmo que negar-se à contemplação das mais belas conseqüências do ensinamento de João Gilberto, aliado à benéfica influência do rock e dos amigos tropicalistas, Caetano, Gil, Rita, Duprat... Gal Costa traz, somente no timbre e na forma de usá-lo, todas as máscaras possíveis para sua performance artística. Não bastassem as teatralidades que a colocaram como musa de uma geração carioca-baiana-pop-internacional, é na sua voz que reside todo o encanto, com toda “pieguice” que essa palavra traz e com toda sua capacidade de palavra-valise; conter o que é dizível do belo.
Ouvir Gal hoje pode parecer obsoleto para uma geração que, como todas as outras gerações, está mais interessada no que lhe sugira o novo. De fato, não há nada menos novo na história da música brasileira que o canto de Gal. É tão não-novo, que chega a confundir-se com alguma tradição perdida (?) ou achada em outras tantas vozes. Marisa Monte que o diga. Vanessa da Matta que assine em baixo. A nossa outra diva baiana maravilhosa – Jussara Silveira – que não me deixe ir à mentira. Todas filhas, netas, pelo menos, comadres do canto de Gal. Ney Matogrosso revelou que a capa de Índia (disco realizado por Gal em 1973) era algo acintoso por esfregar a genitália na cara da ditadura. Gal continua acintosa, por não corresponder mais aos anseios de um público ávido pelas inovações comportamentais da cantora. E, principalmente, por estar ativa e viva, no disco e no palco. Basta ouvir!
Comportamento, cultura e mídia. Tudo além, mas bem aquém, na verdade do que realmente interessa: Gal é a voz. Gal é o timbre. E tudo isso é a força que ela dá à música brasileira. Num campo em que o cantor é ao mesmo tempo o centro das atenções e negligenciado como uma peça menos elaborada (muitos instrumentistas nos chamam de “canários”, numa corruptela de canalhas), a aparição e manutenção do trabalho de Gal é uma possibilidade a mais de se perceber a voz como instrumento. A voz como fio condutor, para onde convergem sonoridades e através da qual a beleza da música pode se unir ao texto, fluída e simbioticamente.
Elis é a maior cantora. Bethânia, a grande atriz da música brasileira. Maria Rita carrega a técnica e a emoção numa medida quase milimétrica. Ivete é promessa de felicidade plena no quesito musicalidade. Marisa traz a canção e o novo na ponta da língua.Vanessa incorpora elementos gestuais que a fazem irresistível. Daniela é a eletricidade a serviço da inteligência artística. Mas, sobretudo, e infinitamente, sobretudo, Gal sobrevoa. É o canto, com todas as significações deste termo. Gal é o som, e como sugeriu a própria Abelha Rainha, um som que deve continuar simplesmente cantando.
Carlos Barros
Março de 2007
Uma versão editada deste texto foi publicada no Jornal A Tarde, 28 de abril de 2007.
Carlos Barros.
07 de julho de 2008.
Para inglês ver

Nós sempre tivemos tudo para inglês ver.
Uma imagem vale mais que mil palavras.
Somente para dizer que o Bando está aí!
Estamos pela aí
We are the world of Carnaval and Sadness, but we are happy!!!!!!!!!!!!
Valeu Déia, Harlei (e o quarto beatle do Bando - Marlon Marcos)
Carlos Barros
07 de julho de 2008.
De Adriana comigo no Domingo

"O Mar quando quebra na praia
é bonito
O Mar"
Os versos de Dorival Caymmi ao quebrarem na praia, certamente chegaram às aguas doces e fundas do canto de Adriana Calcanhotto.
Vi hoje no programa Sem Censura, da TVE Brasil uma entrevista muito interessante desta compositora/cantora brasileira, que, vindo de Porto Alegre, pode nos iluminar muito sobre a poesia musical deste país.
Adriana fala/canta com a graça e inteligência femininas que lhe são tão evidentes quanto misteriosas. Sua aparência calma e plácida traz no fundo, uma inquietação com o existir que seduz e encanta, para usar expressões simples, mas muito sinceras.
Ontem, no Casa da Mãe, abri o show (ao lado de Harlei Eduardo) cantando Caetano e Adriana. Coraçãozinho, do disco de Tieta e Esquadros, canção que ajudou a alavancar a carreira de Calcanhotto.
Dois libelos do cantar, do viver a música e embebido de seus cálices sagrados.
Me encantou ver Adriana falar de Maré (seu disco mais recente).
Me encantou ouvir Adriana cantando Porto Alegre, que Péricles Cavalcanti compôs para presentear-nos com uma homenagem ao mar, através de Ulisses e Calypso. Ah! Grécia Brasileira que é trasnutada na voz de gaúcha.
Me encantou saber que Adriana, tão bem humorada (isso eu já sabia, de ter conversado há alguns anos numa bate-papo fantástico) e falando de seu processo criativo, de como fazer discos (esse produto da Indústria Cultural considerado por muitos tão funesto, mas sem dúvida também quanto magnífico) e de como seus intérpretes (citou Bethânia e Martinália) e parceiros (Wally e sua mágica-louca-presença) estão ao lado de sua criatividade singular.
Me encantou saber da canção que Marisa gravou, do fato - aparentemente banal - de Adriana ser considerada chique por Leda Nagle (jornalismo também pode ser elogioso) e de lembrar que em breve a cantora estará em Salvador, minha velha, suja, mas, sobretudo, minha cidade.
E no mais, me alegra muito saber que, depois de ter cantado ontem Esquadros e Depois de ter você, a TV me deu de presente, num domingo chuvoso, Adriana (que, neste momento toca no sistema de som da Lan House em que escrevo o texto - coincidência ou imanência da deusa-música?), com sua branca beleza e arte tão profundamente mestiça, de misturada, de poesia com música, de Sul com Rio de Janeiro, de inteligência com graça, de alegria com reflexão.
Adriana, somente posso agradecer a tarde de domingo com você.
Até a próxima!
Carlos Barros.
06 de julho de 2008.
é bonito
O Mar"
Os versos de Dorival Caymmi ao quebrarem na praia, certamente chegaram às aguas doces e fundas do canto de Adriana Calcanhotto.
Vi hoje no programa Sem Censura, da TVE Brasil uma entrevista muito interessante desta compositora/cantora brasileira, que, vindo de Porto Alegre, pode nos iluminar muito sobre a poesia musical deste país.
Adriana fala/canta com a graça e inteligência femininas que lhe são tão evidentes quanto misteriosas. Sua aparência calma e plácida traz no fundo, uma inquietação com o existir que seduz e encanta, para usar expressões simples, mas muito sinceras.
Ontem, no Casa da Mãe, abri o show (ao lado de Harlei Eduardo) cantando Caetano e Adriana. Coraçãozinho, do disco de Tieta e Esquadros, canção que ajudou a alavancar a carreira de Calcanhotto.
Dois libelos do cantar, do viver a música e embebido de seus cálices sagrados.
Me encantou ver Adriana falar de Maré (seu disco mais recente).
Me encantou ouvir Adriana cantando Porto Alegre, que Péricles Cavalcanti compôs para presentear-nos com uma homenagem ao mar, através de Ulisses e Calypso. Ah! Grécia Brasileira que é trasnutada na voz de gaúcha.
Me encantou saber que Adriana, tão bem humorada (isso eu já sabia, de ter conversado há alguns anos numa bate-papo fantástico) e falando de seu processo criativo, de como fazer discos (esse produto da Indústria Cultural considerado por muitos tão funesto, mas sem dúvida também quanto magnífico) e de como seus intérpretes (citou Bethânia e Martinália) e parceiros (Wally e sua mágica-louca-presença) estão ao lado de sua criatividade singular.
Me encantou saber da canção que Marisa gravou, do fato - aparentemente banal - de Adriana ser considerada chique por Leda Nagle (jornalismo também pode ser elogioso) e de lembrar que em breve a cantora estará em Salvador, minha velha, suja, mas, sobretudo, minha cidade.
E no mais, me alegra muito saber que, depois de ter cantado ontem Esquadros e Depois de ter você, a TV me deu de presente, num domingo chuvoso, Adriana (que, neste momento toca no sistema de som da Lan House em que escrevo o texto - coincidência ou imanência da deusa-música?), com sua branca beleza e arte tão profundamente mestiça, de misturada, de poesia com música, de Sul com Rio de Janeiro, de inteligência com graça, de alegria com reflexão.
Adriana, somente posso agradecer a tarde de domingo com você.
Até a próxima!
Carlos Barros.
06 de julho de 2008.
O meu amor (e eu?)
O meu amor sozinho.
Preciso dizer que te amo e tanto!Sem muita conversa aqui e agora!
Apenas sentir.
A Montanha e a Chuva dizem tudo por mim.
A Montanha e a Chuva
Orlando Morais
Eu queria tanto lhe dizer
Da minha solidão, da minha solidez
Do tempo que esperei por minha vez
Da núvem que passou e não choveu...
Minhas mãos estão no ar
Como aeroporto pra você aterrissar
Também sou porto, se quiseres ancorar...
Sou ar, sou terra e sou mar...
Eu tenho a mão e você tem a luva
Eu sou a montanha e você é a chuva
Que escorre e some no final da curva
E beija o rio, pra abraçar o mar
É por isso que a montanha tem ciúmes
Quando o vento leva a chuva pra dançar
Muitas vezes tudo acaba em tempestade
Raios gritam sobre a tarde
Tardes dormem ao luar
Anoitece a minha espera
Amanheço a te esperar...
A canção é de Orlando Morais. Marido da Glória.
Obrigado!
Carlos Barros.
21 de junho de 2008.
Preciso dizer que te amo e tanto!Sem muita conversa aqui e agora!
Apenas sentir.
A Montanha e a Chuva dizem tudo por mim.
A Montanha e a Chuva
Orlando Morais
Eu queria tanto lhe dizer
Da minha solidão, da minha solidez
Do tempo que esperei por minha vez
Da núvem que passou e não choveu...
Minhas mãos estão no ar
Como aeroporto pra você aterrissar
Também sou porto, se quiseres ancorar...
Sou ar, sou terra e sou mar...
Eu tenho a mão e você tem a luva
Eu sou a montanha e você é a chuva
Que escorre e some no final da curva
E beija o rio, pra abraçar o mar
É por isso que a montanha tem ciúmes
Quando o vento leva a chuva pra dançar
Muitas vezes tudo acaba em tempestade
Raios gritam sobre a tarde
Tardes dormem ao luar
Anoitece a minha espera
Amanheço a te esperar...
A canção é de Orlando Morais. Marido da Glória.
Obrigado!
Carlos Barros.
21 de junho de 2008.
Irmãos

Deixo, por hora, de escrever aqui as minhas próprias letras para dar espaço às letras da voz do Brasil:
"Os Doces Monges"
Gal Costa
Gil disse uma vez que nós quatro, Gil, Bethania, Caetano e eu somos um. Os Doces Bárbaros. As quatro entidades são independentes, mas juntas, formamos uma entidade única. Somos os quatro fortemente espiritualizados. Temos uma estranha comunhão de espírito. Juntos, formamos uma quinta energia. Com Caetano, principalmente, parece que nos conhecemos há 180 anos. Ou há milênios. Digamos até em vidas passadas, quem sabe? Num programa de televisão, nos anos 80, Caetano disse que nós tínhamos uma identificação musical: como se dois monges tivessem uma iluminação ao mesmo tempo e não precisassem dizer nada um ao outro para serem entendidos. E essa iluminação, esse ponto de luz, de contato, seria João Gilberto, nossa origem musical. Meu primeiro disco, Domingo, foi isso: uma comunhão total, nós dois éramos um só, eu me sentia como sendo a voz dele. Creio que ele também sentia isso. Mergulhei com ele no tropicalismo, fiz Fatal, Índia, shows sempre com forte acentuação desse movimento. Foi quando Caetano e eu resolvemos mudar um pouco a história. Caetano queria que eu mostrasse a minha essência de cantora. E veio o Cantar. Nem o show nem o disco emplacaram. Foi uma mudança muito radical. Neles eu recolhia as minhas feras, as minhas garras, e partia para mostrar um lado mais legitimamente meu. Com o fracasso do Cantar fiquei retraída, entrei em crise, três anos sem fazer nada. Foi quando Roberto Menescal me sugeriu cantar Caymmi. Deu certíssimo. Levamos o show a Buenos Ayres. Lá estava Guilherme Araújo que, durante o show, teve a idéia de realizar o Gal Tropical que viria a dar um rumo definitivo na minha carreira. Ao mesmo tempo eu tinha mais uma das minhas premonições: a certeza de que o show iria ficar um ano em cartaz. Ficou um ano e dois meses no Rio.
Caetano estava de férias na Bahia e veio ao Rio especialmente assistir ao show. Chegou aos prantos ao camarim. Aos soluços. Não conseguia falar uma palavra. Tempos depois me telefona dizendo querer falar comigo. Em casa, os dois sentados na minha cama em posição de lótus, ele me dizia que não havia gostado do show. Que o show era careta, mas que não poderia comentar isso em publico, pois o Tropical era uma unanimidade nacional e não ficava bem para ele ir contra a corrente. Fiquei arrasada. Apesar de toda a crítica ter posto o show nas alturas, de todos os meus amigos, meus colegas, todos me cobrirem de elogios, Caetano ali na minha frente, justo ele que era a opinião mais importante para mim, dizia não ter gostado. Só agora, mais de vinte anos depois, entendo as lágrimas dele no camarim. Acho que naquela hora ele percebeu que nascia uma nova Gal, que ele perdia a sua criatura, que eu poderia partir para sempre sendo eu mesma. Como um pai que via a sua filha sair de casa. Livre e independente. Livres e independentes, mas ainda juntos iluminados. Como dois monges.
Este texto foi escrito por Gal Costa e está registrado no seu site.
Grande abraço junino,
Carlos Barros.
18 de junho de 2008.
"Os Doces Monges"
Gal Costa
Gil disse uma vez que nós quatro, Gil, Bethania, Caetano e eu somos um. Os Doces Bárbaros. As quatro entidades são independentes, mas juntas, formamos uma entidade única. Somos os quatro fortemente espiritualizados. Temos uma estranha comunhão de espírito. Juntos, formamos uma quinta energia. Com Caetano, principalmente, parece que nos conhecemos há 180 anos. Ou há milênios. Digamos até em vidas passadas, quem sabe? Num programa de televisão, nos anos 80, Caetano disse que nós tínhamos uma identificação musical: como se dois monges tivessem uma iluminação ao mesmo tempo e não precisassem dizer nada um ao outro para serem entendidos. E essa iluminação, esse ponto de luz, de contato, seria João Gilberto, nossa origem musical. Meu primeiro disco, Domingo, foi isso: uma comunhão total, nós dois éramos um só, eu me sentia como sendo a voz dele. Creio que ele também sentia isso. Mergulhei com ele no tropicalismo, fiz Fatal, Índia, shows sempre com forte acentuação desse movimento. Foi quando Caetano e eu resolvemos mudar um pouco a história. Caetano queria que eu mostrasse a minha essência de cantora. E veio o Cantar. Nem o show nem o disco emplacaram. Foi uma mudança muito radical. Neles eu recolhia as minhas feras, as minhas garras, e partia para mostrar um lado mais legitimamente meu. Com o fracasso do Cantar fiquei retraída, entrei em crise, três anos sem fazer nada. Foi quando Roberto Menescal me sugeriu cantar Caymmi. Deu certíssimo. Levamos o show a Buenos Ayres. Lá estava Guilherme Araújo que, durante o show, teve a idéia de realizar o Gal Tropical que viria a dar um rumo definitivo na minha carreira. Ao mesmo tempo eu tinha mais uma das minhas premonições: a certeza de que o show iria ficar um ano em cartaz. Ficou um ano e dois meses no Rio.
Caetano estava de férias na Bahia e veio ao Rio especialmente assistir ao show. Chegou aos prantos ao camarim. Aos soluços. Não conseguia falar uma palavra. Tempos depois me telefona dizendo querer falar comigo. Em casa, os dois sentados na minha cama em posição de lótus, ele me dizia que não havia gostado do show. Que o show era careta, mas que não poderia comentar isso em publico, pois o Tropical era uma unanimidade nacional e não ficava bem para ele ir contra a corrente. Fiquei arrasada. Apesar de toda a crítica ter posto o show nas alturas, de todos os meus amigos, meus colegas, todos me cobrirem de elogios, Caetano ali na minha frente, justo ele que era a opinião mais importante para mim, dizia não ter gostado. Só agora, mais de vinte anos depois, entendo as lágrimas dele no camarim. Acho que naquela hora ele percebeu que nascia uma nova Gal, que ele perdia a sua criatura, que eu poderia partir para sempre sendo eu mesma. Como um pai que via a sua filha sair de casa. Livre e independente. Livres e independentes, mas ainda juntos iluminados. Como dois monges.
Este texto foi escrito por Gal Costa e está registrado no seu site.
Grande abraço junino,
Carlos Barros.
18 de junho de 2008.
Quem é ele.

Quem vem na mata virgem de gente hostil e cruel?
O caçador não sabe o que é o mal.
O caçador não sabe o que é o mal.
Morreu sem ter ido de fato através do vale da sombra, sem precisar de Salmo nem de juiz.
Não conheceu o barco de Caronte, nem o chamado da coruja cortando os ares com sua voz aguda de sopraníssimo derradeira.
Quem é ele que sempre vem sem voz, a olhar/cheirar no vento o que quer ter, possuir e simplesmente chegar perto?
Quem ou mesmo o que tem a força recebida pelo dom de esgueirar, imitar e ser o bicho-homem-javali-búfalo, dos pêlos e chifres que fizeram a deusa tremer de paixão e balançar nos seus ventos de ar frio e mente quente?
Ele, que vem do mistério, tornou-se o próprio mistério do abduzido pelas ondas mansas e doces de sua Ophélia negra/dourada a lhe evocar com a sedução eterna.
Quem é ele que sempre vem sem voz, a olhar/cheirar no vento o que quer ter, possuir e simplesmente chegar perto?
Quem ou mesmo o que tem a força recebida pelo dom de esgueirar, imitar e ser o bicho-homem-javali-búfalo, dos pêlos e chifres que fizeram a deusa tremer de paixão e balançar nos seus ventos de ar frio e mente quente?
Ele, que vem do mistério, tornou-se o próprio mistério do abduzido pelas ondas mansas e doces de sua Ophélia negra/dourada a lhe evocar com a sedução eterna.
Sua eterna musa de verões e estações permanentes. Daí saiu o pavão!
E as cores?
E as cores?
Ah! Prazer e beleza.
Dos mares de tantas visões que ao longe ele vislumbrou. Tantas mulheres que o encantaram. Se encantaram com sua bravura sutil.
Dos mares de tantas visões que ao longe ele vislumbrou. Tantas mulheres que o encantaram. Se encantaram com sua bravura sutil.
Quase um esquecido rei que se torna tão comum e assim faz residir sua real natureza.
Rei que é gente.
Sei que ninguém é comum, mas somente sendo tão próximo, pode ser tão nobre.
E que nobreza tem nos lábios, boca, mãos finas e fortes. Ele é alegria.
Traga-me água e folha.
Traga-me água e folha.
Encanto do dono do verde. Amores entre iguais. Ele e Ele. Azul e verde em diálogo no limite de alguma moral.
Ele que vem.
Na cancela da morada.
Ele nunca deixa de voltar.
Quer vê-lo?
Feche os olhos!
Carlos Barros,
02 de junho de 2008.
Ele que vem.
Na cancela da morada.
Ele nunca deixa de voltar.
Quer vê-lo?
Feche os olhos!
Carlos Barros,
02 de junho de 2008.
São João Batista

Quando ele adentrou na minha casa, era tarde num dia de sol e ele mostrou logo que veio para ficar.
Foi para seu quarto, que é o seu palácio real - não poderia ser menos para sua realeza - e lá está até hoje.
Sua imponência combina com seu silêncio a maior parte do tempo. Sua voz grave, que no céu ressoa, me parece a voz do pai que tenho agora, lá em casa, no seu quarto real.
Este homem que me chegou sem que eu mesmo tivesse pedido me ensinou e ensina todos os dias - em seu silêncio de Rei - que sua vinda anunciava outras.
Chegou na bruma leve das paixões de Alceu, no terceiro que também chegou e ficou por tanto tempo em minha vida, como também anunciou Chico, e que nem daria mais para sair. Aquele é um outro rei, bíblico, daqueles que desafiaram Golias. O meu rei de outra seara.
Este Rei primeiro trouxe rainhas, guerreiros, homens de arco e flecha, mulheres de espada e espelhos. Suas esposas, mãe, pai, irmãs, amores nunca consumados...
Este homem, o rei primeiro, traveste-se, diverte-se com outros nomes - é cubano, africano, mestiço, baiano.
É um Rei de mim (e não é?)
É um homem que, da sua perfeita beleza de homem, é um dos belos de meu viver.
Este homem é meu pai também. E de seu fogo que compartilha com uma mulher que é a da minha vida, faz brotar terremotos que revolvem minha existência, me mostrando que nem todo fim é morte. Ele não a encara. Não é finado.
Este homem, sendo meu pai, avô de meus filhos do espírito (minhas letras, tão dele também), é o céu flamejante quando a água desce em torrentes máximas. Ele e elas a brilharem acima(e namorando) dos mares, nos lugares que também são de mim.
Este homem é a mim e eu sou dele, por que a sua chegada me trouxe a felicidade para o sempre, mesmo que a tristeza nunca tenha - para mim - um fim.
"Meu pai São João Batista é Xangô" e "se um dia me faltar a fé ao meu Senhor",
tem piedade de mim!
Carlos Barros.
Foi para seu quarto, que é o seu palácio real - não poderia ser menos para sua realeza - e lá está até hoje.
Sua imponência combina com seu silêncio a maior parte do tempo. Sua voz grave, que no céu ressoa, me parece a voz do pai que tenho agora, lá em casa, no seu quarto real.
Este homem que me chegou sem que eu mesmo tivesse pedido me ensinou e ensina todos os dias - em seu silêncio de Rei - que sua vinda anunciava outras.
Chegou na bruma leve das paixões de Alceu, no terceiro que também chegou e ficou por tanto tempo em minha vida, como também anunciou Chico, e que nem daria mais para sair. Aquele é um outro rei, bíblico, daqueles que desafiaram Golias. O meu rei de outra seara.
Este Rei primeiro trouxe rainhas, guerreiros, homens de arco e flecha, mulheres de espada e espelhos. Suas esposas, mãe, pai, irmãs, amores nunca consumados...
Este homem, o rei primeiro, traveste-se, diverte-se com outros nomes - é cubano, africano, mestiço, baiano.
É um Rei de mim (e não é?)
É um homem que, da sua perfeita beleza de homem, é um dos belos de meu viver.
Este homem é meu pai também. E de seu fogo que compartilha com uma mulher que é a da minha vida, faz brotar terremotos que revolvem minha existência, me mostrando que nem todo fim é morte. Ele não a encara. Não é finado.
Este homem, sendo meu pai, avô de meus filhos do espírito (minhas letras, tão dele também), é o céu flamejante quando a água desce em torrentes máximas. Ele e elas a brilharem acima(e namorando) dos mares, nos lugares que também são de mim.
Este homem é a mim e eu sou dele, por que a sua chegada me trouxe a felicidade para o sempre, mesmo que a tristeza nunca tenha - para mim - um fim.
"Meu pai São João Batista é Xangô" e "se um dia me faltar a fé ao meu Senhor",
tem piedade de mim!
Carlos Barros.
24 de junho de 2008.
No dia em que festejavam os anos

Eu era feliz e ninguém estava morto no dia em que eu festejava - com Campos - o dia dos anos dos meus.
E a minha felicidade parece querer ficar por perto quando posso, estando vivo, comemorar o dia em que festejam-se os anos de nascimento daquele meu que parece desafiar a temporalidade, estando à frente e no mesmo tempo que nós.
26 de junho são dois dias depois de João Batista.
Oito dias depois de Bethânia.
Sete dias depois de Chico.
26 de junho é quase bíblico. Do lugar Bethânia, passando pelos pés de São Francisco de Hollanda, chegamos às mãos e às feições de Gilberto.
Gil nos engendra a cada dia com sua música, seu pensamento, sua linha evolutiva, cozida com o linho branco de Oxalá nesta terra rubra e por vezes tão difícil.
Vida e morte para que se zele.
O próprio Gil nos ensina/aponta que a festa é também uma lembrança da chegada que nos coloca à vista da partida. E ele está conosco (graças a Deus) para mostrar que a poesia engrandece e nos coloca num patamar de observação da vida desejando-a como eterna. Deusa mudança que nos conduz e nos faz mergulhar.
Gil é um mestre. Meu pai, meu companheiro de há muito. Minha solidão adolescente sempre foi temperada com suas melodias, seus acordes e suas aulas para anos depois. O músico em mim é ele. O cantor em mim veio dele. O criador em mim é sua mímese.
Gil me é e eu sou de sua persona pública. Seu zen-budismo, tão diferente de minha eletricidade em estufa, é o contraponto do meu sentir-se perdido no mundo. O velho baiano e o menino do Rio.
Gil construiu em Barros a noção de que viver alegre é uma possibilidade. Seus agudos e suas letras sempre me direcionaram para o mistério da vida. Quando eu queria falar com Deus, muita vezes eu ouvia ele, mesmo não tendo esperanças que Deus pudesse ser algo que eu pensava encontrar...
Gil falou comigo. Eu falei com ele e foi a minha proximidade maior da força mística da música brasileira.
Caetano é o Gênio.
Gil é a Criação.
Dois elos de mim com o mundo.
Elos que deixam-me o mundo melhor...
E para não adentrar demais no mistério que Gil proporciona a cada um de seus espectadores, basta dizer que em 26 de junho, uma preta baiana cem por cento pariu o rapaz.
Neste dia, há 66 anos, Gil soou as notas do rouxinol.
Raiou!
E a minha felicidade parece querer ficar por perto quando posso, estando vivo, comemorar o dia em que festejam-se os anos de nascimento daquele meu que parece desafiar a temporalidade, estando à frente e no mesmo tempo que nós.
26 de junho são dois dias depois de João Batista.
Oito dias depois de Bethânia.
Sete dias depois de Chico.
26 de junho é quase bíblico. Do lugar Bethânia, passando pelos pés de São Francisco de Hollanda, chegamos às mãos e às feições de Gilberto.
Gil nos engendra a cada dia com sua música, seu pensamento, sua linha evolutiva, cozida com o linho branco de Oxalá nesta terra rubra e por vezes tão difícil.
Vida e morte para que se zele.
O próprio Gil nos ensina/aponta que a festa é também uma lembrança da chegada que nos coloca à vista da partida. E ele está conosco (graças a Deus) para mostrar que a poesia engrandece e nos coloca num patamar de observação da vida desejando-a como eterna. Deusa mudança que nos conduz e nos faz mergulhar.
Gil é um mestre. Meu pai, meu companheiro de há muito. Minha solidão adolescente sempre foi temperada com suas melodias, seus acordes e suas aulas para anos depois. O músico em mim é ele. O cantor em mim veio dele. O criador em mim é sua mímese.
Gil me é e eu sou de sua persona pública. Seu zen-budismo, tão diferente de minha eletricidade em estufa, é o contraponto do meu sentir-se perdido no mundo. O velho baiano e o menino do Rio.
Gil construiu em Barros a noção de que viver alegre é uma possibilidade. Seus agudos e suas letras sempre me direcionaram para o mistério da vida. Quando eu queria falar com Deus, muita vezes eu ouvia ele, mesmo não tendo esperanças que Deus pudesse ser algo que eu pensava encontrar...
Gil falou comigo. Eu falei com ele e foi a minha proximidade maior da força mística da música brasileira.
Caetano é o Gênio.
Gil é a Criação.
Dois elos de mim com o mundo.
Elos que deixam-me o mundo melhor...
E para não adentrar demais no mistério que Gil proporciona a cada um de seus espectadores, basta dizer que em 26 de junho, uma preta baiana cem por cento pariu o rapaz.
Neste dia, há 66 anos, Gil soou as notas do rouxinol.
Raiou!
As cores de Short

Quando a Banda Mel apareceu, na década de 80, a Bahia e o Brasil puderam conhecer a força e a beleza de uma cantora da mais alta categoria na música brasileira.
Hoje, em tempos de Xangô-João, Márcia Short está nos encarando e mais uma vez encantando com o repertório do Nordeste em disco e show Em Festa no Interior.
A Bahia já está fervendo depois da apresentação recente no Pelô e esperando por mais festa e, com certeza, mais Márcia.
Para aguçar ainda mais a apreciação, segue abaixo um texto que escrevi (como fã que sou) sobre esta artista baiana/universal e luminosa.
Ave Short!
Hoje, em tempos de Xangô-João, Márcia Short está nos encarando e mais uma vez encantando com o repertório do Nordeste em disco e show Em Festa no Interior.
A Bahia já está fervendo depois da apresentação recente no Pelô e esperando por mais festa e, com certeza, mais Márcia.
Para aguçar ainda mais a apreciação, segue abaixo um texto que escrevi (como fã que sou) sobre esta artista baiana/universal e luminosa.
Ave Short!
As cores de Short
Certa vez, o músico Tuzé de Abreu me disse que havia dois artistas da música brasileira cujas vozes se abriam em todas as cores do arco-íris: Milton Nascimento e Gal Costa. Certamente, Tuzé se referia à beleza ímpar e complexa dos timbres destes dois cantantes, que lhe fazia perceber sons como estímulos visuais.
Hoje, ao ouvir as diversas gravações dos nossos muitos artistas brasileiros da voz, retomo e compreendo melhor a afirmação de Tuzé. As cores das vozes são fenômenos perceptíveis a ouvidos preparados. Alguns possuem tons mais azulados, suaves e doces. Outros têm a brancura de uma perfeição melódica e de harmonia precisa. Certas vozes refletem e expressam o brilho dourado e reluzente em graves e agudos vivos.
Desta vez, é dos tons avermelhados do som da voz de uma cantora em específico que quero falar. O nome dela é Short. Márcia Short.
Seu trabalho tem uma dimensão artística que começou nas ruas do carnaval elétrico de Salvador, nos anos oitenta e se desdobra até hoje em variados gêneros musicais que passam pelo ijexá suingado de Jota Velloso, pelo funk pop de Lenine e encontram-se com a suavidade de baladas entoadas em timbre forte e de uma personalidade marcante.
A voz desta pessoa traz como marca inconfundível uma ranhura tão sutil quanto bela. Sua tenacidade é acompanhada por uma sensação rascante (como diria Gilberto Gil ao se referir a Maria Bethânia) que curiosamente não nos deixa mergulhados numa tempestade de areia sonora. Ao contrário, quando se pensa que o canto vai ser agressivo, a doçura toma conta (em tons vermelhos) dos ouvintes mais atentos.
As gravações conhecidas de Short nos mostram uma intérprete capaz de convencer tanto no repertório da Axé Music (como nos tempos das bandas Mel e Banda Bah), quanto nos anos posteriores, em que investe em sonoridades menos identificadas com a cena do carnaval, como no disco Iluminada (2004), com canções de Ângela Rô Rô, por exemplo.
A associação da voz de Márcia ao universo afro-brasileiro nos brindou – entre outros momentos – com pérolas do quilate de Iansã (Gilberto Gil / Caetano Veloso), em que se pode perceber uma suavidade em certos momentos da peça, como que Oxum estivesse saudando a Senhora dos Raios, tema da canção. Aliás, rainha na arte de encantar com as cores da voz, Márcia Short eternizou hits como Crença e Fé (Beto Jamaica) de tal forma que outra rainha – da Axé, Daniela Mercury – não pode interpretar esta música sem se remeter aos ensinamentos anteriores de nossa cantora de voz rouca e forte. Antigüidade é posto e temos mesmo que respeitar.
Short traz na voz a propriedade de uma cor marcante, que diferente do arco-íris, não vem com todo o espectro, mas expõe as freqüências mais intensas num registro sonoro difícil de ser esquecido. Mesmo em interpretações de obras como Banho de Cheiro, do repertório de Elba Ramalho, a região vocal comum e a já exaustiva execução da peça não tiram o ineditismo de ouvi-la como se fosse composta especialmente para Short. Sua investida recente pelo universo dos baiões, xotes e xaxados – Em Festa no Interior (2008) – é a prova inconteste da força desta voz na MPB. Márcia consegue imprimir uma característica única em execuções que se referem aos originais sem repetição. Coisa de mestre, no caso, mestra.
Ao falar em cores, nos vem logo a idéia de imagem. A imagem de Short se vincula de imediato á sua voz. Sua cor é vermelha, mas por dentro, certos tons de amarelo invadem sua sonoridade, de tal modo que o brilho dourado matiza a pressão rubra e sanguínea tão evidente em seu registro vocal. Short traz, assim, a confirmação de que voz e cor têm tudo haver, como preconizou Tuzé há alguns anos.
Deste modo, só resta realmente apreciar as cores, como num final de tarde em dia de sol, em que vermelho e amarelo se encontram para no final desaguar no escuro da noite, que continua sendo a cor do mistério. E como os mistérios tendem a continuar a pintar por aí, vamos ouvir a voz – ecos de Oyá – expressionista e firme de Márcia Short; cor da beleza da força da beleza desta nossa nova e eterna baiana.
Carlos Barros
02 de abril de 2008.
Certa vez, o músico Tuzé de Abreu me disse que havia dois artistas da música brasileira cujas vozes se abriam em todas as cores do arco-íris: Milton Nascimento e Gal Costa. Certamente, Tuzé se referia à beleza ímpar e complexa dos timbres destes dois cantantes, que lhe fazia perceber sons como estímulos visuais.
Hoje, ao ouvir as diversas gravações dos nossos muitos artistas brasileiros da voz, retomo e compreendo melhor a afirmação de Tuzé. As cores das vozes são fenômenos perceptíveis a ouvidos preparados. Alguns possuem tons mais azulados, suaves e doces. Outros têm a brancura de uma perfeição melódica e de harmonia precisa. Certas vozes refletem e expressam o brilho dourado e reluzente em graves e agudos vivos.
Desta vez, é dos tons avermelhados do som da voz de uma cantora em específico que quero falar. O nome dela é Short. Márcia Short.
Seu trabalho tem uma dimensão artística que começou nas ruas do carnaval elétrico de Salvador, nos anos oitenta e se desdobra até hoje em variados gêneros musicais que passam pelo ijexá suingado de Jota Velloso, pelo funk pop de Lenine e encontram-se com a suavidade de baladas entoadas em timbre forte e de uma personalidade marcante.
A voz desta pessoa traz como marca inconfundível uma ranhura tão sutil quanto bela. Sua tenacidade é acompanhada por uma sensação rascante (como diria Gilberto Gil ao se referir a Maria Bethânia) que curiosamente não nos deixa mergulhados numa tempestade de areia sonora. Ao contrário, quando se pensa que o canto vai ser agressivo, a doçura toma conta (em tons vermelhos) dos ouvintes mais atentos.
As gravações conhecidas de Short nos mostram uma intérprete capaz de convencer tanto no repertório da Axé Music (como nos tempos das bandas Mel e Banda Bah), quanto nos anos posteriores, em que investe em sonoridades menos identificadas com a cena do carnaval, como no disco Iluminada (2004), com canções de Ângela Rô Rô, por exemplo.
A associação da voz de Márcia ao universo afro-brasileiro nos brindou – entre outros momentos – com pérolas do quilate de Iansã (Gilberto Gil / Caetano Veloso), em que se pode perceber uma suavidade em certos momentos da peça, como que Oxum estivesse saudando a Senhora dos Raios, tema da canção. Aliás, rainha na arte de encantar com as cores da voz, Márcia Short eternizou hits como Crença e Fé (Beto Jamaica) de tal forma que outra rainha – da Axé, Daniela Mercury – não pode interpretar esta música sem se remeter aos ensinamentos anteriores de nossa cantora de voz rouca e forte. Antigüidade é posto e temos mesmo que respeitar.
Short traz na voz a propriedade de uma cor marcante, que diferente do arco-íris, não vem com todo o espectro, mas expõe as freqüências mais intensas num registro sonoro difícil de ser esquecido. Mesmo em interpretações de obras como Banho de Cheiro, do repertório de Elba Ramalho, a região vocal comum e a já exaustiva execução da peça não tiram o ineditismo de ouvi-la como se fosse composta especialmente para Short. Sua investida recente pelo universo dos baiões, xotes e xaxados – Em Festa no Interior (2008) – é a prova inconteste da força desta voz na MPB. Márcia consegue imprimir uma característica única em execuções que se referem aos originais sem repetição. Coisa de mestre, no caso, mestra.
Ao falar em cores, nos vem logo a idéia de imagem. A imagem de Short se vincula de imediato á sua voz. Sua cor é vermelha, mas por dentro, certos tons de amarelo invadem sua sonoridade, de tal modo que o brilho dourado matiza a pressão rubra e sanguínea tão evidente em seu registro vocal. Short traz, assim, a confirmação de que voz e cor têm tudo haver, como preconizou Tuzé há alguns anos.
Deste modo, só resta realmente apreciar as cores, como num final de tarde em dia de sol, em que vermelho e amarelo se encontram para no final desaguar no escuro da noite, que continua sendo a cor do mistério. E como os mistérios tendem a continuar a pintar por aí, vamos ouvir a voz – ecos de Oyá – expressionista e firme de Márcia Short; cor da beleza da força da beleza desta nossa nova e eterna baiana.
Carlos Barros
02 de abril de 2008.
Para gostar (ainda mais) de Márcia Short!!!!
Axé!!!
20 de junho de 2008.
Bonita para os olhos do meu bem!

Rio de Janeiro atravessado pela objetividade poética de São Paulo, por vezes dengada numa doçura vocal baiana.
Chico Buarque de Hollanda surgiu entre nós.
E que honra estar entre os que o conhecem, mesmo que de longe, ouvi-lo, vê-lo, mirando as ardósias daquelas janelas de uma alma tão profundamente rica.
São Bodas de Chico!
São dias de chumbo enlevados (e levemente suavizados) pela poesia/melodia/ironia deste autor.
O Brasil lhe saúda!
O Brasil lhe precisa!
A Bahia lhe tem no coração!
Eu te entronizo!
Chico, o de sempre!
A mais bonita
Chico Buarque
"Não solidão, hoje não quero me retocar
Neste salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me notar
bonita
pra que os olhos do meu bem
não olhem mais ninguém
quando eu me revelar
na forma mais bonita
pra saber como levar
todos os desejos que ele tem
ao me ver passar
bonita
Hoje eu arrasei
na casa de espelhos
espalho meus rostos
e finjo que finjo que finjo
que não sei"
Todo Chico, e particularmente, nesta letra e música, me permitam:
me sinto absolutamente nele. Não fosse o poder de tradução de todo um povo brasileiro de uma época tão nossa, posso amar Chico porque (não fosse toda a obra) somente aí ele ME traduz!
É 19 de junho!
Evoé, o velho Chico ainda (e por muito tempo) está à vista!
Carlos Barros.
19 de junho de 2008.
Chico Buarque de Hollanda surgiu entre nós.
E que honra estar entre os que o conhecem, mesmo que de longe, ouvi-lo, vê-lo, mirando as ardósias daquelas janelas de uma alma tão profundamente rica.
São Bodas de Chico!
São dias de chumbo enlevados (e levemente suavizados) pela poesia/melodia/ironia deste autor.
O Brasil lhe saúda!
O Brasil lhe precisa!
A Bahia lhe tem no coração!
Eu te entronizo!
Chico, o de sempre!
A mais bonita
Chico Buarque
"Não solidão, hoje não quero me retocar
Neste salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me notar
bonita
pra que os olhos do meu bem
não olhem mais ninguém
quando eu me revelar
na forma mais bonita
pra saber como levar
todos os desejos que ele tem
ao me ver passar
bonita
Hoje eu arrasei
na casa de espelhos
espalho meus rostos
e finjo que finjo que finjo
que não sei"
Todo Chico, e particularmente, nesta letra e música, me permitam:
me sinto absolutamente nele. Não fosse o poder de tradução de todo um povo brasileiro de uma época tão nossa, posso amar Chico porque (não fosse toda a obra) somente aí ele ME traduz!
É 19 de junho!
Evoé, o velho Chico ainda (e por muito tempo) está à vista!
Carlos Barros.
19 de junho de 2008.
Dom

Como disse certa vez Tônia Carrero ao falar sobre as cores(psicografada em canção referencial de Caetano), a predileção é mesmo sobre o que?
Minha arte é a minha predileção completa sobre a vida, sobrte o desejo de mostrar ao mundo que este ânima veio para dizer.
E mesmo que as intempéries impeçam os ventos de soprarem por entre as árvores de pedra da dura vida que nos é dada, a minha voz, brilhante e viva, soa.
E como o som da pessoa já preconizado pelo meu mestre Gil, Carlos Barros é uma voz que soa no corpo, adornado pela força bethânica e pela beleza ga(l)úcha, como a chama o próprio Gilberto.
Eu me coloco por entre a chama bárbara e os ecos baianos de hoje. E assim, minha voz pode sair sem a dependência circular dos agrupamentos secretos dos quais não sou (nem mesmo sei que quero ser) parte.
Simplesmente (e ao mesmo tempo complexamente) eu canto!
Para não deixar de evocá-lo de novo:
Solto está o pássaro proibido!
Deixo vocês com Chico César. Me leio no dom de que fala este contemporâneo:
Dona Do Dom
Chico César
Minha arte é a minha predileção completa sobre a vida, sobrte o desejo de mostrar ao mundo que este ânima veio para dizer.
E mesmo que as intempéries impeçam os ventos de soprarem por entre as árvores de pedra da dura vida que nos é dada, a minha voz, brilhante e viva, soa.
E como o som da pessoa já preconizado pelo meu mestre Gil, Carlos Barros é uma voz que soa no corpo, adornado pela força bethânica e pela beleza ga(l)úcha, como a chama o próprio Gilberto.
Eu me coloco por entre a chama bárbara e os ecos baianos de hoje. E assim, minha voz pode sair sem a dependência circular dos agrupamentos secretos dos quais não sou (nem mesmo sei que quero ser) parte.
Simplesmente (e ao mesmo tempo complexamente) eu canto!
Para não deixar de evocá-lo de novo:
Solto está o pássaro proibido!
Deixo vocês com Chico César. Me leio no dom de que fala este contemporâneo:
Dona Do Dom
Chico César
Dona do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me possui
E as pedras do que sou dilui
E eleva em nuvens de poeira
Mesmo que às vezes eu não queira
Me faz sempre ser o que sou e fui
Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Esse serafim de procissão do interior
Com as asas de isopor
E as sandálias gastas como gestos de um pastor
Presa do dom que Deus me pôs
Sei que é ele a mim que me liberta
E sopra a vida quando as horas mortas
Homens e mulheres vêm sofrer de alegria
Gim, fumaça, dor, microfonia
E ainda me faz ser o que sem ele não seria
Eu quero, quero, quero, é claro que sim
Iluminar o escuro com meu bustiê carmim
Mesmo quando choro
E adivinho que é esse o meu fim
Plena do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me ausenta
E quando nada do que eu sou canta
E o silêncio cava grotas tão profundas
Pois mesmo aí na pedra ainda
Ele me faz ser o que em mim nunca se finda
Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Essa ave frágil que avoa no sertão
O oco do bambu
Apito do acaso
A flauta da imensidão.
Desejo beijos e ouvidos para todos. Amigos e nem tanto,
Carlos Barros.
Desejo beijos e ouvidos para todos. Amigos e nem tanto,
Carlos Barros.
02 de junho de 2008.
Dia frio, bom lugar para ouvir o céu trovejar!!!

É de manhã, vou buscar minha fulô!
A barra do dia "é vem"
O galo cococorou
É de manhã
Vou buscar minha fulô.
Caetano Veloso
E não é que a flor veio?
Nasceu da graça baiana com a força luso-africana de céus rubros e trovejantes.
18 de junho. Bodas de Bethânia.
E Maria continua a brilhar!
E estas letras, escritas há algum tempo por mim, ainda ressaltam esta presença no meu cenário particular.
Vamos a elas:
Maria
Maria, I can see you from here! Caetano, um dia, gritou do alto do norte da Europa.
É fato que todos podemos vê-la e ouvi-la. Assistir Bethânia é sempre inaugural. Vemo-la e pensamos em como a canção popular faz sentido no Brasil. Como faz sentido em nossos corações, em nossas mentes.
Bethânia é torre de grande altura. De lá, de onde nos contempla e para quem faz questão de estar presente, repetidas vezes – e sempre impressionantemente inédita – faz recobrir-nos elementos capazes de recriar sentimentos dos mais variados matizes. Certa feita, uma senhora em Salvador chegou a questionar o que faria com tantas emoções?! Não há resposta para esta questão em se tratando de Bethânia. Ela é criadora. Não é capaz de conter. Não é capaz de não se dar. Não ela.
Com água ou fogo ou mata ou terra; a natureza é transmutada em matéria; o espírito do intenso. Maria. Este é seu primeiro nome. Maria também é mãe. Senhora das abissais e colossais manifestações do sentir. Nada pequeno, nada contido. Pianíssimos de voz que mais parecem absurdas freqüências inaudíveis para ouvidos desacostumados. Rasgos da intenção e da competência para burilar em letras e sons as matrizes de nossa alma.
A aparição de Bethânia foi um acontecimento. Sua permanência, um presente do destino. Seu auge, uma certeza. Contrariando a lei mais certa do humano, Bethânia já não é mais finita. E essa sensação se apresenta na impressão eólica de sua presença. O vento é o eterno mutável do I Ching, tal como Bethânia. De tanto parecer igual, nos soa sempre como nova, como pertencente ao mundo da supra realidade cósmica, a partir de sua música e gestos e fala e todo corpo a aparecer na Hora da Canção. Hora de Bethânia.
Hexagrama de abismos, que é água sobre água na montanha; que não é senão o início da eletricidade, do fogo criativo. Caldeira de ar quente e hálito frio de sua mãe, senhora da vida e da morte.
Maria é Nossa Senhora do Perpétuo socorrei do ânima. Faz chorar e explodir em alegrias, ensinando a existência da realidade como ela comparece: viver é assim!
Lágrima por lágrima, Bethânia presenteia. Águas de Oxum? Cristais de Maria, a Virgem? Chuvas de Oyá?
Cada página biográfica na estrada da música representa um passo de estrela que se permitiu sair (sem cair) do céu e passear entre nós.Bethânia tem nome bíblico. Antigo e Novo Testamentos da Música Brasileira. Dalva e Calcanhotto. De Barro e Antunes. Debaixo d’água tudo é mais colorido. Cores de Bethânia. Cores da Bahia revivescidas na aquarela que a intérprete faz viver através da voz que canta no corpo.
Maria é uma vocação! Maria é promessa que se cumpre!
A força de Bethânia já nasce no grito do carcará.
Pega, mata e nos dá de comer. Comer poesia.
Beleza e Tensão. Amor e Revanche.
E, graças aos céus, o povo brasileiro ainda hoje pode dizer em alto e bom som:
Bethânia, I can see you from here!
Carlos Barros, 31 de agosto de 2007.
No mais,
Feliz Aniversário!
Carlos Barros.
18 de junho de 2008.
A barra do dia "é vem"
O galo cococorou
É de manhã
Vou buscar minha fulô.
Caetano Veloso
E não é que a flor veio?
Nasceu da graça baiana com a força luso-africana de céus rubros e trovejantes.
18 de junho. Bodas de Bethânia.
E Maria continua a brilhar!
E estas letras, escritas há algum tempo por mim, ainda ressaltam esta presença no meu cenário particular.
Vamos a elas:
Maria
Maria, I can see you from here! Caetano, um dia, gritou do alto do norte da Europa.
É fato que todos podemos vê-la e ouvi-la. Assistir Bethânia é sempre inaugural. Vemo-la e pensamos em como a canção popular faz sentido no Brasil. Como faz sentido em nossos corações, em nossas mentes.
Bethânia é torre de grande altura. De lá, de onde nos contempla e para quem faz questão de estar presente, repetidas vezes – e sempre impressionantemente inédita – faz recobrir-nos elementos capazes de recriar sentimentos dos mais variados matizes. Certa feita, uma senhora em Salvador chegou a questionar o que faria com tantas emoções?! Não há resposta para esta questão em se tratando de Bethânia. Ela é criadora. Não é capaz de conter. Não é capaz de não se dar. Não ela.
Com água ou fogo ou mata ou terra; a natureza é transmutada em matéria; o espírito do intenso. Maria. Este é seu primeiro nome. Maria também é mãe. Senhora das abissais e colossais manifestações do sentir. Nada pequeno, nada contido. Pianíssimos de voz que mais parecem absurdas freqüências inaudíveis para ouvidos desacostumados. Rasgos da intenção e da competência para burilar em letras e sons as matrizes de nossa alma.
A aparição de Bethânia foi um acontecimento. Sua permanência, um presente do destino. Seu auge, uma certeza. Contrariando a lei mais certa do humano, Bethânia já não é mais finita. E essa sensação se apresenta na impressão eólica de sua presença. O vento é o eterno mutável do I Ching, tal como Bethânia. De tanto parecer igual, nos soa sempre como nova, como pertencente ao mundo da supra realidade cósmica, a partir de sua música e gestos e fala e todo corpo a aparecer na Hora da Canção. Hora de Bethânia.
Hexagrama de abismos, que é água sobre água na montanha; que não é senão o início da eletricidade, do fogo criativo. Caldeira de ar quente e hálito frio de sua mãe, senhora da vida e da morte.
Maria é Nossa Senhora do Perpétuo socorrei do ânima. Faz chorar e explodir em alegrias, ensinando a existência da realidade como ela comparece: viver é assim!
Lágrima por lágrima, Bethânia presenteia. Águas de Oxum? Cristais de Maria, a Virgem? Chuvas de Oyá?
Cada página biográfica na estrada da música representa um passo de estrela que se permitiu sair (sem cair) do céu e passear entre nós.Bethânia tem nome bíblico. Antigo e Novo Testamentos da Música Brasileira. Dalva e Calcanhotto. De Barro e Antunes. Debaixo d’água tudo é mais colorido. Cores de Bethânia. Cores da Bahia revivescidas na aquarela que a intérprete faz viver através da voz que canta no corpo.
Maria é uma vocação! Maria é promessa que se cumpre!
A força de Bethânia já nasce no grito do carcará.
Pega, mata e nos dá de comer. Comer poesia.
Beleza e Tensão. Amor e Revanche.
E, graças aos céus, o povo brasileiro ainda hoje pode dizer em alto e bom som:
Bethânia, I can see you from here!
Carlos Barros, 31 de agosto de 2007.
No mais,
Feliz Aniversário!
Carlos Barros.
18 de junho de 2008.
Para não dizer que não falei de Chico

Embora não seja necessário comentar o Sr. Chico, irmaná-lo com Pessoa não é um ato sacrílego.
"Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho.
Outros têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também."
Bernardo Soares (Fernando pessoa no Livro do Desassossego)
P.S. Depois da Bíblia, do Corão e da Torá, o único LIVRO irrepreensível e acima de qualquer discussão!
Para ouvir/ler a letra abaixo, ver a foto em anexo!
Gota d'água
Chico Buarque
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água....
A angústia nos faz lembrar o valor inestimável da felicidade.
Felicidade que sinto agora, como contraponto do ápice de uma tristeza que nos é tão comum.
Pois em sendo humanos...
Carlos Barros.
29 de maio de 2008.
"Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho.
Outros têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também."
Bernardo Soares (Fernando pessoa no Livro do Desassossego)
P.S. Depois da Bíblia, do Corão e da Torá, o único LIVRO irrepreensível e acima de qualquer discussão!
Para ouvir/ler a letra abaixo, ver a foto em anexo!
Gota d'água
Chico Buarque
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água....
A angústia nos faz lembrar o valor inestimável da felicidade.
Felicidade que sinto agora, como contraponto do ápice de uma tristeza que nos é tão comum.
Pois em sendo humanos...
Carlos Barros.
29 de maio de 2008.
Inspirações Cariocas

Inspirações cariocas deste baiano/carioca adotado pela própria vontade.
São tantas canções a falar da Bahia e do Rio que não é fácil escolher (nem as canções nem os lugares).
Minha poesia tão em evidência pelo meu constante cultivo da felicidade não tem ciência da verdade que é ser diferente do que em certeza sou.
O Rio de Janeiro continua lindo!
São tantas canções a falar da Bahia e do Rio que não é fácil escolher (nem as canções nem os lugares).
Minha poesia tão em evidência pelo meu constante cultivo da felicidade não tem ciência da verdade que é ser diferente do que em certeza sou.
O Rio de Janeiro continua lindo!
Comigo lá, melhor ainda!!!!!!
O Rio de Janeiro continua sendo!
Serei eu lá e cá, junto com Lenine e Gal?
O Rio de Janeiro, fevereiro e março.
E eu, e eu, e eu
todo o ano, toda sexta-feira,
todo mundo é baiano.
no Rio!
As fotos em anexo servem para ilustrar a letra de Brown, cantada lindamente/vivamente por Daniela Mercury (Marisa também cantou em imagens maravilhosas devidamente registradas).
Vide Gal
Carlinhos Brown
Rio, rio, rio
Rio pra não chorar
Pra quem não sabe sou rio a cantar
Som do Flamengo
Soa ali em Botafogo
Sou da casquinha do ovo
Essas flores
Na Rocinha vou plantar
Quem olhar minha barraca
No morro da Santa Marta
Quer morar
Rio, rio, rio
Rio pra não chorar
Pra quem não sabe sou Rio a cantar
Se tenho fome
Como logo o Pão de Açúcar
Urro no morro da Urca
Se quero abraço
Tenho o Cristo pra abraçar
Tamborim pra ti tarol
Escalados pelo sol
Rio e morro de amar
Vide Gal!
Beijos carioquíssimos de um baiano cem por cento, half/half Rio-Bahia.
Sem ciúme!!!
Carlos Barros.
Beijos carioquíssimos de um baiano cem por cento, half/half Rio-Bahia.
Sem ciúme!!!
Carlos Barros.
29 de maio de 2008.
Cantiga vem do céu

Resolvi atender ao pedido de amigos e admiradores e postar um blog para expressar idéias, textos e brincadeiras cotidianas do cantor Carlos Barros.
Falo do cantor por que este ser vem tomando a dianteira quando se apresenta a pesoa Carlos Barros em diversas instâncias da vida deste indivíduo. Cada vez mais a música passa a ser a linguagem (mesmo que em forma de textos) mais eficaz para que Carlos Barros se comunique com o mundo.
Cantiga vem do céu foi o título que achei mais convincente para este blog. A expressão é um trecho da canção Coraçãozinho, de Caetano Veloso, composta para a trilha sonora do filme Tieta do Agreste, cantada no disco por ninguém menos que Gal Costa. Preciso justificar mais?
A partir de agora, este será mais um veículo para expressão de Carlos Barros, o cantor.
Será que assim posso entender melhor Carlos, o menino?
Obrigado por pedirem!
Obrigado por sugerirem!
Obrigado pela visita!
Beijos a todos!!!
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