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sábado, 7 de novembro de 2009

Carlos Barros no Teatro Solar Boa Vista


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Brilho de Orfeu (por Lúcia Marsal)




Brilho de Orfeu


Quando você vai em busca de um tom que lhe ofereça sabor e saber, perde o caminho  é se vê “obrigada” a passar pelo mar para chegar a seu destino, guiada por uma filha de Yemanjá, percebe-se logo que as emoções da noite irão servir para lhe mobilizar por milênios. Parece exagero? Então, vejamos.

Olhares; vozes; sorrisos; abraços; muitos abraços; abraços muito apertados tentando congelar o momento; conhecimentos; reconhecimentos;  memórias; ancestralidade. Estamos diante de alguém que sabem quem é, sim.

A ética, a estética, o canto e o encanto de Barros, a firmeza dos Barros, num recanto do Rio Vermelho,  nos faz desejar colocar os pés no chão, pisar na terra, revolver a fina camada de pó da superfície avermelhada e chutando, delicadamente, - seixo a seixo - construir pontes que nos elevem, lentamente, até o céu-firmamento que se constrói nota a nota, acorde a acorde. Essa elevação toma todo o Rio Vermelho e se constitui como infinita e eterna.

As dores das árvores velhas, árvores velhas, são aplacadas por uma voz que lhe leva ao céu. Céu-firmamento. Nada dark tem condição de entrar neste momento mágico, neste espaço sagrado, no qual até as garrafas demonstram mais humanidade do que quem deseja macular suas paredes divinais.

Vivemos neste mundo hostil e por isso,  nem muito
emocionadas, podemos prescindir da lucidez que a razão nos cobra. Diz um do clã dos Barros quando cuida de seu
coração;"orai e vigiai”.  Então nosso olhar esquadrinha  todos os cantos e lugares e nossa ligação com o sagrado blinda todas e todos de pensamentos nefastos.  E a poeira cósmica vai.


Isso ocorreu em uma noite quase sem luar, apenas a fina nesga do inicio da lua crescente sorria para os mortais. Também, nem  este céu-firmamento poderia abrigar tanto brilho. Minto, poderia sim, este próprio céu sempre se permitiu  trocar figurinhas com   bandas e bandos; o da Lua,  o Anunciador e mais recentemente a Banda do Céu.

A Banda do Céu faz meu coração de bola, amor. Alex, Marcus, João e Pedro acompanham a voz de Carlos. É um casamento perfeito, desses que não deixam dúvida. Nele, liberdade não prende o querer, há um porto seguro onde se pode ancorar e a luz se expande, irrompe,  numa vasta visão.  
Mas as garotas que fazem parte da fina flor das vozes femininas da nova Bahia, Déia Ribeiro, Juliana Ribeiro e Márcia Short espalham sua força ainda mais suavemente com os acordes lançados pelos meninos. Ororo Oyá, Iansã – raios, trovões, relâmpagos - tempestades rasgam o  céu e  fazem todo mundo se arrepiar.

E se as garrafas se humanizam, é possível que viremos árvores e nos curvemos para pegar no vento os  sons de Carlos Barros e da Banda do Céu. Bem ao gosto de Orfeu.
Que este brilho lhes abra todos os caminhos e permita que o mundo enxergue estes meninos e que nada resista a tanto talento. Quando isso acontecer, vai durar milênios e vai ser tão bom, tão bom, tão bom... assim como abrir no peito um sol feroz.


Lúcia Marsal, out/2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lançamento do CD Cantiga vem do céu


Carlos Barros e Banda do Céu

Lançamento do CD Cantiga vem do céu


O cantor, acompanhado da Banda do Céu (Alex Medrado, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo) traz ao público o disco Cantiga vem do céu, em noite de autógrafos e pocket show com participação especial de Márcia Short, em 27 de outubro, 20h, no Tom do Sabor (Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho).


No evento,Carlos Barros fala do processo de construção do CD, das faixas e da sensação de estar lançando o primeiro disco, ao lado dos músicos da Banda do Céu.

O CD estará à venda no Tom do Saber por preço promocional de R$12,00.


Cantiga vem do céu também estará disponível pelo preço de R$15,00 na Pérola Negra, na Loja Katuka ou em venda direta pelo telefone 71 8830 4504.


O que: Lançamento de Cantiga vem do Céu, CD de Carlos Barros e Banda do Céu, e pocket show com a participação especial da cantora Márcia Short.
Onde: Tom do Sabor, Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho.
Quanto: Entrada Franca
Quando: 27 de outubro de 2009, 20h.
O CD estará sendo vendido a R$15,00, e preço promocional no dia do lançamento de R$12,00


Cantiga vem do céu e o céu é do avião!

sábado, 24 de outubro de 2009

João, Gil, Maria



João Gilberto se encontrou com Maria Rita.
Não, não houve este show, ainda, mas entre ela e João, esteve Gil, em apresentação imperdível nas telas do DVD, que chega em breve às lojas.



O mestre baiano convocou e o que poderia ter sido uma lembrança pálida e desbotada de Elis, virou uma nova roupa, capa, moldura (de ouro puro) para a canção Amor até o fim (Gilberto Gil), eternizada pela gaúcha maior do Brasil. Ao lado de Bem, seu filho, Gilberto aliou-se à Maria no ritmo da beleza.


O convite foi do baiano e a paulistinha de personalidade altiva aceitou e levou tanta doçura e encanto que não deixou perceber que era filha de uma mãe tão poderosa e referencial. 


Maria Rita desenhou sua marca, reverenciou, foi reverenciada e - banquinho e violão - como nos ensinamentos do juazeirense- fez do jazzístico samba de Gil, uma autêntica aula de bossa nova revisitada. Tudo ao som de graves de timbre "sacrificado" em nome da afinação, como nos disciplina o próprio João.

Eescrevi em texto mais antigo que Maria Rita trazia uma influência marcante das aulas de João (mesmo que não conscientemente) e não estava errado. Esta gravação traz o tom, sabor, cheiro da suavidade, coloquialidade e ar de brisa do canto de João.

Gil nos presenteou com a canção.
Elis fez dela uma de seus hinos (o dueto da pimentinha com Gal Costa também não é de deixar de lado).
Maria Rita reinventou ao lado do mestre (que não à tôa chamo de Pai).

Amor até o fim. Deste modo não tem fim possível para a preciosidade.
Vai, Maria!

Daqui, te vejo e cobiço! 

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Short no Theatro XVIII


Vinte e Um




                               Mandala de Márcia Barros em Arte Visual de Lucas de Souza

21 é Ogum e guerra.Hoje é 21 e hoje cheguei pra dizer o que sou.


21 é dia de chegança, chegamos eu e tantos que amo e provoco.



Aniversário é momento de prazer; ser feliz é tarefa pra todos os 21 de uma vida inteira.
Ser feliz é que nem a ilha da felicidade; perdida numa tela de filme em que meninos e meninas azuis banham-se em lagoas icônicas e lacônicas...
Eu sei que aniversário é retorno de planeta em céu de antes.
33 é número cabalístico?
ELE somente ficou até os 33 e eu? Vou além dele? Até quanto, mesmo?
Vou e brilho em ondas de azuis e vermelhas e prata e amarelo (não esquecer)!
Viva 33, Viva ELE, Viva Eu!
Se Pessoa estivesse em si mesmo aqui, Aniversário seria assim momento de festejar os anos e não ter esperanças.
Eu, em Pessoa, sou festejo e águas no rosto.
Águas a rolarem e a me banhar.
J. e Ulisses me presentearam com as águas de Oxalá.
Oxalá me cobre de branco.
É, 33 é cabalístico por que assim é.
E eu em 33, sou mais e cada vez mais 21.
E quem quiser que venha, pois em mim,
Ogum é o Rei do 3.
"Abre fendas, cobre vales"
E, como diz uma das Rainhas:
que Deus nos guarde!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Festa de Libra!


Carlos Barros e Banda do Céu na Festa de Libra, em 16 de outubro, no Bond Canto, Rio Vermelho, Salvador, Bahia, Brasil!
Compareça ao chamado da Balança!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Carlos Barros em "As Vozes da Gal"

domingo, 4 de outubro de 2009


As Donas do Canto são as vozes da canção brasileira!
Marilda Santanna lançou seu livro sobre as divas baianas: Daniela, Margareth e Ivete.

Em 03 de outubro de 2009, no palacete das Artes Rodin - uma casa linda e brilhante da cidade da Baía de Todos os Santos - várias vozes se revezaram para louvar o canto brasileiro:
Neto Costa, Juliana Ribeiro, Carlos Barros, Manuela Rodrigues, Simone Motta, Carla Visi e Rita Bráz.
Vozes da Voz do Brasil, em conformidade com a homenagem maior ao Canto.


Salve a Música Brasileira!

domingo, 27 de setembro de 2009

Banda do Céu


Como é que se tem uma banda do céu?
Como é que se vê uma banda do céu?

A pergunta, acima de tudo é: como é que se ouve uma banda do céu?
O céu tem estrelas que caem e, meninos eu vi, uma banda do céu caiu com estrelas para mim.
Carlos Barros existe hoje como artista num diálogo constante, terno e profissional com quatro músicos de quilate;

Alex Medrado
, João Carlos Campos, Marcus Lima e Pedro Ivo Araújo.

Este rapazes - moços da banda - como costumo chamar, são trechos, pedaços, bandas, acessos ao/do céu em individualidades incontestes.
São integrantes e integrais; componentes e em si mesmos compósitos.
São estrelas.


Alex Medrado é a precisão, o apuro e o rigor em estados absolutos. A seriedade em apresentação geminiana de movimento. O contrabaixo em altíssimas freqüências astrais. Sua música é minimalista e grandiosa; forte e sutil; grave e alegre. Alex é a liderança de si mesmo que se coloca com os outros. Raríssima capacidade entre os meus. O solo de Chumbo fala por mim...

João Carlos Campos é a tecla de piano da criatividade sem limites. O rapaz da tecnologia sonora com um sentimento único de entender acorde e melodia na voz e no que a palavra diz; gravamos juntos, somente ele e eu uma das canções que mais me emociona: sua sensibilidade me levou ao registro que eu queria da canção
Sobre todas as coisas (o meu
fiel agnosticismo, visto através de Chico e Edu). João é fiel à força deste nome. Hebraico e de Juazeiro!

Marcus Lima é o sensitivo. Ouvido refinado, completamente Djavaneado e mãos de baterista (desses jóia rara) antigo; jazz e rock em mesma pessoa. Para completar a Santíssima Trindade musical, chamo em Marcus o suingue do funk, que me faz cantar melhor o Lenine que amo e o Para inglês ver do nosso disco. Marcus compôs uma das mais belas peças que já cantei. Quer saber? Ouça a faixa 3 do CD Cantiga vem do céu. Marcus é caminho de pedras brilhantes.


Pedro Ivo Araújo é a disponibilidade imediata à beleza. Sua chegada prenunciou meus amigos/irmãos da banda e trouxe a sua competência das cordas do violão em notas comprimidas e estendidas da guitarra. Pedro é a profissão vocacional para o sucesso. Pedro, de pedra, da Bíblia. Rocha de Xangô em energia ariana de Omolu. Belos encontros que se resolvem no talento de sua ação no mundo.


A Banda do Céu é o que seu nome diz; uma banda, um pedaço, um fragmento do céu que Oxalá e Iansã mandaram para me fazer inteiro. Eu - Carlos Barros, artista brasileiro; baiano que é ( no Rio) Brasil - me faço hoje um, a partir de trechos de mim na recomposição desta banda.
É...
Meu palco é assim.

Chamando meu pai: trago a minha banda e só quem sabe onde é Luanda saberá lhe dar valor!


Que Deus nos guarde!!!!!!!!!!!!!!!!!



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O som e o sol


O sol briha embaixo da costa que há nas palhas.

O que tenho de melhor está por dentro, parafraseando a poesia de J. Velloso.
Omolu é o brilho que emana por debaixo das vestes afro-baianas a rodarem no ar; ventos de agosto que chegam a setembro.

A voz mais bonita e encantadora vem de Omolu. Sua luz expressa e reflete-se em doçuras de Oxum e nas garras corporais de Oyá-Iansã.
Tudo isso está em 64 anos de vida e caminhos: Gal Costa existe.
Que eu posso escrever mais sobre esta moça depois de tanto tempo de minha absoluta devoção a seu canto?


Brilho de Orfeu que está inscrito na minha história, Gal está em mim como eu próprio estou na minha voz.

Gal Costa é a tradução do sol de Omolu trazido à terra em tempos que tivemos a sorte de habitar.

Se nosso tempo é quando, estamos aqui enquanto há o canto de Gal, sendo tempo e absorvendo dele a luz do Senhor da Terra.

Sim, Gal é filha de Omolu.

Nós todos retornaremos um dia ao solo do qual ele é Rei.

Quando neste tempo, isto ocorrer, quem sabe estaremos mais perto da compreensão, do afeto e da plenitude de sua - artística e espiritual - obra.

Gal, estamos aí!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cantiga vem do céu

domingo, 13 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Desejo Bigorna


Vou no meu compasso num desejo martelo, vontade Ogum bigorna do Brasil!


Lenine chegou, falou e disse; como dizem os baianos!


A música de Lenine é a apropriação mais que débita e creditada de muito do que nos caracteriza enquanto alma da América.

Somos a negritude do balanço harmônico-percussivo; a poética dos morros e favelas cariocas-baianas-paulistas; o sertão encontrado com o mar do Recife, numa chegança de melodias à la Benjor-Gil-Bosco.


Lenine é um Brasil que me interessa, pois é vitorioso.

A vitória de Lenine reside no sotaque, na cor da pele azeitada pelos pêlos dourados ao sol e pretos na vida.

A vitória de Lenine é a flor labiata que cheira e exala odores de uma nacionalidade repartida e reencontrada nas faixas de seus discos e na sofisticação quase soberba e belamente concisa de seus shows.


Lenine não é o meu pai, posto que irmão!

Lenine é também filiado ao que mais me imanta de brasilidade: Gil engendra em Lenine/Carlos o suingue maior de um brasileiro universal:

Lenine e eu?


Me coloco afim, afinado e pertinente: minha poesia sai, flui como que da pele, pelos poros da canção do pernambucolismo deste rapaz!

Salve Oswaldo! Oswald novo e liberto dos verde-amarelos de outrora. Modernismo contemporâneo de 2222.

Meu tempo é onde!

Adoro Lenine in cité; Ramiros em percussões mágicas de Brasil e Argentina na França que balança o "berço" da civilização.

Lenine inventa uma outra civilização inventada:
Brown do norte,
Spike do Sul!

Os discos de Lenine são projeções do dia em que fizemos contato. As etnias caduquíssimas a buscarem sua natureza pura perdida e nunca mais passível de re-encontro...

A dondoca vai mandar cassar o samba do caboclo!
Madame não gosta de samba!

João Gilberto nas dissonâncias funkeadas em acordes de nos acordarem para o sol: atirador certeiro de flechas em mira!


Meu poema é menor que sua letra, mas minha letra traz poema de sua vertente.

E ja que sou brasileiro em meu universo onírico e sem opção,


reclamo que revolução se faz com liderança:


Ave Lenine!



terça-feira, 25 de agosto de 2009

Canibalismo solar à meia-noite do Brasil


Há um descompasso geográfico entre a representação e o real... Em três noites cariocas, a Bahia iluminou o Rio de Janeiro com lâmpadas acesas dos quatro cantos do país...

O Sol baiano brilhou à meia-noite nos mares da baía da Guanabara, aos toques do candomblé antropofágico de Daniela Mercury. Durante lançamento da turné mundial de Canibália, seu novo show, a baiana (junto a muitos baianos no palco e na plateia) iluminou.

Daniela é uma luz fulgurante - uma grande multidão já sabe.
Daniela é uma intérprete ardente - basta ouvi-la para perceber.
Daniela é uma personalidade de impacto - em muitos sentidos e direções.


Das informações já sabidas, o que seu novo trabalho nos lembra é que Daniela é uma propositora. O show Canibália é o resultado do amadurecimento estético de uma artista que vem trazendo à tona na Bahia e para o Brasil elementos culturais que - nos limites do popular - demonstram toda a erudição do povo brasileiro, a partir, basicamente, das experiências afro/baianas/globais.


Daniela Mercury é por excelência uma sambista - como já salientou uma das maiores, Beth Carvalho. Seu trabalho tem a marca dos rufares de tambores do samba-reggae e disso ela não abre mão. O construto de seu fazer artístico vem imbuído da necessidade de trabalhar as matrizes negras (brasileiras e aficanas) na música produzida na Bahia.

Com a dança estilizada para os Orixás logo no início, o show começa com o mais tradicional de nossa baianíssima cultura e vai desenhando - intertextualmente - trajetos por sonoridades que vão além do moderno e que terminam por pulsar no peito com a presença da artista, dos bailarinos, dos músicos e da plateia, num uníssono polifônico em torno da cultura brasileira.

A tradição evocada pelos trajes brancos, pelo cenário que estampa Carybé, folhas verdes e estrelas do mar complementa-se com os fios de plástico e luz brilhante que caem do alto e quase ajudam a re-vestir Daniela que se mostra roqueira, pop, trieletrizada saindo das rendas e entrando na fantasia de baiana pop nada, nada zen...
No repertório constam Brown, Ari Barroso, Caymmi, Buarque, Renato Russo e uma plêiade generosa de variados estilos consumidos e "antropofagizados" de forma sistemática e ao mesmo tempo escorreita. - Não queria que ficasse pesado. Pensei em fazer de forma fluida, diz a própria cantora num depoimento que confirmou as minhas impressões, da plateia.


O discurso sobre a negritude e sua importância para o Brasil, as homenagens a Carmem Miranda (incluindo dueto virtual com a portuguesa-baiana-carioca), a excelência de uma banda afiada e multicultural, além do apuro com cenário, figurino e luz que realçam a beleza dos dançarinos fazem de Canibália uma oportunidade significativa para a contemplação (também com o corpo em movimento) das possibilidades criativas de artistas do quilate de Daniela.

Do ponto de vista das provocações, ouvir O que é que a baiana tem e Tico-tico no fubá em formato mais próximo do pop (antes realizado em gravação antológica de Rita Lee) e ver homens dançando vestidos e performatizando Carmem Miranda se aliam ao Kuduro que aporta no show como exemplo da força africana na estética de Daniela e na música brasileira.

Por fim, Canibália é um projeto cuja ressonância maior reside no evidente amadurecimento artístico de La Mercury. Sua postura cênica, envergadura discurssiva, escolha de repertório e certeza no apontar de direções são motivos mais que suficientes para que queiramos vê-la.
Eu disse a Daniela que, para mim, o título do show é apresentado integralmente na sua execução.
Assistir ao show é uma boa oportunidade de me contrariar...
ou de simplesmente ter que concordar.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cavaleiro de Jorge



Um disco é um produto.
É o resultado de horas de gravação e de tempos de lapidação pessoal. Digo no momento em que estou finalizando as gravações do meu. Nele, uma das canções é Abiã, de Jota Velloso e Ulisses Castro, e enquanto ele não chega à praça, vamos falar de uma obra já disposta nas bancas da cultura e cujo diálogo é intenso com o cantor Carlos Barros!
O compositor Jota Velloso é um artista cuja fonte criativa se encontra aberta desde gravações memoráveis de muitas cantoras; as mulheres a entoarem o canto deste santamarense.

Agora, Jota traz em seu próprio canto as jóias de seu cancioneiro.
"Camaleão vaidoso no meio das foia parada
não podia ser visto nem quando o vento soprava,
pois carregava a sina da vida camuflada.
beleza que não é vista não serve, não tem valor pra nada!"

Os versos de Camaleão, que está no disco de Jota são representativos do que se ouve neste trabalho.
A beleza das peças e dos arranjos aparece a partir das gravações do compositor, que desfia, em Jota Velloso e os Cavaleiros de Jorge, um conjunto que remonta o tradicional e o contemporâneo em termos de sonoridades no Brasil.
Desde Kirimurê (antes registrada por Bethânia), com evocações vocais indígenas até Eu sou preto (gravada por Daniela Mercury), temos uma musicalidade que aproxima os beats da influência de Aldo Brizzi às temáticas baianas e brasileiras do interior.
A canção Foguete - de rara beleza poética - fica densa e leve ao mesmo tempo, com uma sonoridade de festa do interior regada a doces e bebidas, como que nos quintais juninos. Jota reúne um naipe de músicos de primeira linha pra fazer soar em nossos ouvidos o espoucar de alegria da letra da música sem exageros e na medida certa. O São João é hoje e vem de antes, sem perder sua essência introspectiva.

As participações dos Jorges: Mautner e Vercilo enriquecem o trabalho, com a inventividade do violino (quase rabeca) do primeiro e a voz maviosa e precisa do segundo. Jota e Vercilo falando de uma musa enaltecem a musa maior - música, como se Rio e Bahia se encontrassem desde os "esses" que insurgem até as malemolências vocais que diferem/aproximam.

Verde saudade que me afogou!
E até o fado português dialoga com o forró de um nordeste de cima, borda do recôncavo!

Com Mautner, o caráter sagrado da oração a São Jorge se evidencia num clima quase medieval que toma o cântico, na música e no texto recitado pelo poeta.
Nordeste redivivo com a história do Brasil.

Lá vem Jorge salvar sua gente!

Em Ipod e Medo, o pop toma conta do disco, mostrando uma verve mais urbana do trabalho de Jota; a tecnologia acessível/intrigante da maquininha de ouvir música e os medos de hoje, que nos limitam e impulsionam...

Jota Velloso e Os Cavaleiros de Jorge é pra se ouvir pensando numa Bahia nova e velha; um Bahia de Caymmi e de João Gilberto que dialoga com a Bahia das noites no Rio Vermelho, na Casa da Mãe, no Tom do Sabor, aos sabores de novos nomes que são tão melhores quanto gratos às raízes que nos são chão.

Assim,
Salve Jorge!

domingo, 9 de agosto de 2009

Abrigos


No Rio de Janeiro, em meados de junho deste ano, o poeta, jornalista e amigo Marlon Marcos foi ao cinema assistir um novo lançamento cinematográfico e voltou tecendo muitos elogios
Em Salvador, no início de agosto, Carlos Barros assiste ao memso lançamento e percebe nele a vida como ela se apresenta a partir do viés do amor.
Shelter (curiosamente traduzido no Brasil como "De repente, Califórnia) tem ingredientes de sobra para ser um blockbuster: praia, rapazes bonitos, surf e paixão. O detalhe que o torna mais interessante é a temática gay, abordada como em poucas vezes com ternura, cuidado e... final feliz.
As incursões cinematográficas do ocidente sobre o universo homossexual têm sido muito proveitosas no sentido de abrir cada vez mais a discussão sobre o "ser gay" no século XXI. Apesar de localizarem o mundo não-hetero num patamar de cotidianidade necessário para a convivência multicultural, os desfechos ainda são mais problemáticos do que muitas vezes necessitariam (mesmo respeitando as diegeses dos próprios filmes). Brockeback Mountains e Philadelphia são dois exemplos de excelentes películas que insistem em trágicos finais para histórias que até começam bem.

Será o cinema expurgando as representações coletivas correntes sobre a homossexualidade?
Será falta de pulsão criativa?

"O que será que me dá que me bole por dentro?"

É desta sensação que trata Shelter. Dirigido por Jonah Markowitz e estrelado pelos atores Trevor Wright e Brad Rowe, o longa consegue ser lírico, profundo, belo, rápido e eficaz.
Emociona!
O encaminhamento dramático nos leva a torcer pelo romance entre estes dois surfistas e ao mesmo tempo insere temáticas paralelas como a reação familiar, uma ex-namorada compreensiva e uma criança que convive (olha que bom - sem ser "contaminada" pelo particular "problema" dos protagonistas!) com o casal melhor do que com a própria mãe.
Na construção dos heróis da narrativa, os gays ocupam o espaço e ainda podem sorrir antes dos créditos, o que se mostra como grande trunfo!

Que mais dizer, não é?
Shelter (abrigo, em inglês) é a guarida que precisamos numa tarde de final de semana, ou numa noite de segunda-feira, para nos preparar para o encontro - andando , furtivamente, pelas ruas - com Julietas e Romeus de carne e osso, reescrevendo o final e esquecendo venenos e suicídios afins de histórias mais tradicionais...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dois Leões na Sexta


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Palestra Musical sobre Caetano Veloso

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Minha Mulher


Minha Mulher

Música e Letra: Carlos Barros


O céu clareia

e ilumina o meu viver

Ela chega

anunciando um bem querer


Iansã, me diga o que fazer

p'resta vida ser melhor

Oyá, mulher; eu e você

assim se faz brilhar meu sol

Oyá, mulher; eu e você

assim eu nunca fico só


Iansã chegou na minha lida

trazendo todo esplendor

Oyá, mulher, querida

Sua luz, caminho me entregou

Oyá, mulher, querida

em mim, é força e fervor


Iansã, cadê Odé?

Iansã, cadê Odé?


Oyá, menina

Oyá, minha mulher!



Canção do disco Cantiga vem do céu.

Lançamento em outubro de 2009!



Epa Hey!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 28 de junho de 2009

Sereia


terça-feira, 23 de junho de 2009

Das canções, ruas e encontros da cidade!


Das canções da cidade, posso falar que cheguei via Lapa, pelas mãos de amigos conterrâneos cariocas, bacanas, sacanas, bonitos...

O Rio sempre foi, é e eternamente será uma cidade de sonhos. E eu, sempre tão carioca na Bahia, me sinto baiano no Rio para chegar ao final e voltar a ser Carlos Barros; o cantor brasileiro que respira Rio num corpo da Bahia.

Eu amei no Rio por instantes de uma noite de sexta-feira de Lapa. Uma noite de beijo e abraço, de ternura e alegria.

Muita gente, muitos negros, brancos, meninas, louras, mouras, judeus (quantos oris cobertos pelo manto hebraico!).

O Rio me chegou desta vez com toda força!

Quer ver?

Poema para amor

Poema para algum

Poema para alguém.
E o Rio me fez escrever poema para a Minas Gerais que aqui habita. E estou embriagado de forças...

Vamos lá:
"Menino do Rio
Calor que provoca arrepio."

O arrepio veio do olhar de um menino que era no Rio.
Do Rio; eu e minha carioquice baiana que não larga de mim!
O menino no Rio olhou e flechou com o mel das asas do pássaro da floresta a cantar o meu juízo.
Eu vi, fui acertado e parece que em tão pouco há tanto.
Não, definitivamente o menino no Rio não me fez amar.
Mas, quem há de negar que a paixão pode marcar em momentos tão fugazes?
E a paixão pode durar um, dois, mil dias!
O menino no Rio traz uma mina (de outra Minas) d'água que a sede matou... mas não saciou.

Quero mais água, mais mel e encanto de pássaro da alegria, sem correr, bem devagar, para que a felicidade venha e se instale no tempo da delicadeza; afeto nas rimas e prosas da canção brasileira.
O menino no Rio das minas de água do interior me seduziu e deixou o próprio Rio mais Rio.

Seja no Vidigal, na minha Copacabana ou nas mãos da Santa Tereza que abriga e guarda este menino do mel das árvores de Odé; menino, eu gostei.

Tardes de sol, barquinhos no meu mar pessoal.
Mar sou: baixo marulho ao alto rujo; Bethânia, Gal, Gil e Caetano; nem eles podem dizer que é mesmo isso.
É...
Oxóssi comeu mais uma vez o bolo de mel de Oxum.
Se fez o encontro, sabendo que pára na quinta-feira; um dia depois da felicidade do pobre na quarta-feira de cinzas.
O menino no Rio e o menino do Rio-Bahia.
Dois meninos
Dois irmãos
Duas felicidades!

Quer mais?


Poema de amor no Rio, para Copacabanas em Santa Tereza. E meu eterno amor? Vive sempre em novos, sempre em cores.

O Rio é assim:

me faz chorar ao rir, rir ao amar!
E no mais, como diz Brown: Rio, Rio, Rio; Rio pra não chorar!



sábado, 30 de maio de 2009

As Quartas de Junho (Que Xangô e Oyá nos abençoem!!!)


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Carlos Barros e Banda do Céu no Tom do Sabor

Carlos Barros solta sua voz marcante no
Tom do Sabor
A música baiana, como a brasileira, é marcada por belas vozes femininas, e só de vez em quando é que surgem cantos masculinos com a qualidade e a originalidade de Carlos Barros, jovem cantor nascido em Salvador, herdeiro da tradição musical dos Doces Bárbaros, que se abre para o nosso mercado musical, em fase de pré-lançamento do CD Cantiga vem do céu, usando como veículo o palco nobre do Tom do Sabor.

Numa curta temporada, entre os dias 03 e 17 de junho de 2009, no Tom do Sabor, às 22h., inicia-se o pré-lançamento do CD Cantiga vem do céu, que no show homônimo de Carlos Barros, apresentará as canções deste seu trabalho inaugural, com previsão de saída para outubro deste ano, selando a chegada de um artista que tem muito a dizer à nossa produção musical de qualidade.

Carlos Barros, 32 anos, historiador e sociólogo pela UFBA, pesquisador musical que defendeu uma dissertação de mestrado, em 2005, sobre os Doces Bárbaros, possui uma força interpretativa marcante e reatualiza a musicalidade de nomes como Gal Costa (sua musa maior), Caetano Veloso, Chico César, Zeca Baleiro, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Maria Rita; além se espelhar e conhecer como poucos, a obra sem par de Gilberto Gil, compositor - inspiração de Barros que, cenicamente, alude também em suas influências a cantora Maria Bethânia.
Cantiga vem do céu é um show inspirado; além de desfiar as 13 canções que compõem o CD, traz outras cantigas que se coadunam à temática central deste trabalho. O título vem da canção Coraçãozinho, de Caetano Veloso, lançada na trilha sonora do filme Tieta, de Cacá Diegues.
Carlos Barros acompanha-se da Banda do Céu, composta por Pedro Ivo Araújo, violão e guitarra; por Marcus Lima, na bateria; por Alex Medrado, no baixo; e João Carlos, nos teclados; o cenário foi composto por Márcia Barros; a direção artística é do próprio Carlos Barros, que recebeu o auxílio criativo de toda banda.
A atmosfera criada para este show é assim definida pelo artista: “O repertório parte de uma apreciação da música brasileira sob a ótica das nuances do céu, e passeia por canções inéditas de compositores na nova safra da Bahia e clássicos da MPB e do POP, costurando uma trajetória da música do Brasil, notadamente passando pela Bahia e pelo Rio de Janeiro. O roteiro do espetáculo conduz-se a partir dos conceitos de beleza, do cantar, do palco e dos Brasis; no mundo, nas regionalidades e nas urbanidades.”

Este dois shows resultam de uma preparação artística que há dois anos vem sendo engendrada pelo cantor e pesquisador, que nos seus 12 anos de estrada, sente-se agora amadurecido para lançar um CD e vai mostrar isto em suas apresentações no Tom do Sabor.

SERVIÇO:
Show: Cantiga vem do Céu
Artista: Carlos Barros e Banda do Céu
Onde: Tom do Sabor
Endereço: Rua João Gomes, 284, Rio Vermelho ( tel.: 71 3334 3039)
Dias: 03 e 17 de junho de 2009, às 22 horas.
Couvert: R$15,00.

Maiores informações:
Assessoria de Comunicação: Marlon Marcos – (71) 8107 4693//8749 5595
Artista: Carlos Barros: 71 8830 4504
Tom do Sabor: 71 3334 5677


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Rasgo da Virgem no corpo de Madalena


Elis era um rasgo.
Ou será que com ela pode mesmo haver passado?
Era?
A conjugação precisa ser no presente. Precisa como a navegação daquele que não sente precisão nas incertezas da vida, mas cujo navegar é imprescindível. Imprescindível tal como o rasgo de luz de Elis.

Elis não foi, nunca poderia ter sido como fato histórico que se esgota na inevitabilidade de ser devorado por Cronos.
Elis não foi, nunca será. Elis é.

E em sendo, ela está, como mito, no inconsciente (quer se acredite em psicologia, ou não) a tilintar e fazer exercitar nossa capacidade da busca de algum entendimento para saer como pôde ter surgido.
De fato, ela não foi.
Elis nunca surgiu. Elis Regina Carvalho Costa habita uma região da existência que não tem tempo nem espaço.

Não falo da mulher de carne e osso (como na canção de Moska e Zélia), nem da cantora, que fisiologicamente transpunha limites entre belo e exagerado, entre pouco e estranho, entre o sim e a negação de qualquer polidez.


Falo do que seu canto representa (querendo inclusive negar o que é para nós a representação - uma imagem que ocupa o lugar da coisa?) como matriz e resultado de Danielas / Ângelas; Leilas / Dalvas; Anas / Dolores; Shorts / Caubys.


O canto de Elis (segundo Rita Lee, o canto do corpo inteiro) nos delata sobre uma certa ânima brasileira que ao mesmo tempo ama e não gosta (pois não goza) deste país.
Vá lá...
Querellas do Brazil na voz de uma gaúcha cujo chimarrão tem gosto de café forte e sem açúcar das esquinas matinais de São Paulo.


Sua afinação e capacidade de atingir regiões físicas e espirituais do cantar nunca foram superadas por nenhum artista brasileiro. Sua angústia interpretativa (mesmo nas canções mais alegres) é sinal de Orfeu em estado de vigília, pela perda de Eurípides.

A Gal é Orfeu sorrindo!

Elis é Orfeu despedaçando-se (gloriosamente)!


Bethânia é Eurípides em Orfeu.
E assim, é de certo modo, um outro lado de tudo que Elis fez. Uma drama.
Outra chama.
Uma raio.
Outra rasgo.


É. Elis também era contraponto. Elis também era possiilidade. Corcovado? Atrás da porta? Basta de clamares inocência?
Quantos Tons, Chicos e Cartolas para esgotá-la?

E o primeiro disco?

Brotolândia? Que broto, que nada! Elis já nasceu madura. Nasceu árvore frondosa da Flora de Gilberto Gil, que o poeta projetou para um futuro distante.
Elis já era a jaqueira. E na copa, a ensiná-la em tempos mitológicos, as aves (que desafiaram Oxóssi) de vozes agudíssimas deram a força e o fio de corte da voz de Elis.

Pois é, esta filha dos tufões também tinha um pacto com o feitiço. As Bodas de prata de Bosco e o Canto de Ossanha do outrora Baden estavam na garganta certa.


Elis cantou na Bahia, embora não fosse baiana em hipótese / aspecto algum.

Elis apaixonou Gilberto Gil.

Elis apaixonou Bôscoli e César.

Elis encantou - sem doce nem flores - um Brasil tão carente de carinho.

Como dar amor sem demonstrar paz?

"O amor é fogo que arde..."
Elis é uma passagem bíblica. E a minha obssessão pelo religioso na música me faz mais uma vez evocar um Livro Sagrado.
Elis estava entre Madalena (por isso fica tão bem com Ivan Lins, não é?) e a Senhora de Aparecida da Romaria,que, em Pirapora, apareceu para Renato Teixeira.

Renato soube que Elis era a Virgem. Ele soube que Elis podia ser o que quisesse.


Caetano certa vez disse que tudo o que Gil não fez em música foi por que não quis.


Eu digo que tudo o que Elis não fez em canto foi por que não pôde. Teríamos condições de apreender o que viria?

Seríamos capazes de poder arcar com as emoções desprogramadas que aflorariam daquele canto milimetricamente pensado para emocionar?

Poderíamos ouvir/sentir/sorrir/chorar/conter/segurar tanto som em forma de mulher?


Tudo o que Elis não fez em canto foi por que Cronos segurou.
Entre mitos, tudo pode. E Cronos aparou a velocidade de Elis...
Saturnamente, como o Opachorô de Oxalufã, como o Xaxará de Omolu e o Ibiri de Nanã, o Tempo adiantou uma passagem. Adiantou uma nova morada para Elis, que, de todo modo, sempre habitou aqui mesmo.


Não ouvimos hoje nada novo por Elis por que não alcançamos seu canto em outra esfera.
Ela continua (como sempre esteve) a cantar para todos nós.
Ela, pisciana, canta com o canto de Aquário.
Milênios à frente do nosso tempo, está ela para nos poupar da incompreensão dos sons que somente Elis ouvia.

Melodias, escalas e notas de passagem que somente Elis podia reproduzir.


Tudo o que Elis não fez para nós está sendo feito agora, por ela mesma, num tempo que - antes de nos devorar - nos faz
não ouvintes de sua voz, nos faz inertes ao emitir de seu corpo etéreo e de sua presença eterna.


Assim, aqui, agora e no tempo do quando, Elis é o canto do Brasil, desde os caiapós até o bêbado/equilibrista das boites nas madrugadas urbanas deste país.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Walter Firmo traz o humano negro para o Palacete das Artes


Para comemorar os cinqüenta anos de vida fotográfica de um dos maiores fotógrafos da história do Brasil, o carioca Walter Firmo, o Palacete das Artes Rodin Bahia abre a sua Sala de Arte Contemporânea e exibe 70 fotogramas, na mostra “Walter Firmo em Preto e Branco”, desenhando a maestria do artista, que nesta exposição compõe traços mágicos da presença humana negra no cotidiano brasileiro. A curadoria é de Emanoel Araújo. A abertura será dia 30 de abril, às 19h., ficando até o dia 31 de maio de 2009. Na noite da abertura será lançado, na Bahia, o livro Walter Firmo – Brasil, Imagens da Terra e do Povo, uma co-produção entre o museu Afro – Brasil e a Imprensa Oficial de São Paulo.

Depois de abrigar por quatro meses a recordista exposição “Abraços na Arte; Brasil/Japão”, o Palacete das Artes Rodin Bahia prestará homenagem ao fotógrafo carioca Walter Firmo, um dos nomes mais expressivos da nossa fotografia, trazendo para a Sala de Arte Contemporânea (SAC), a mostra “Walter Firmo em Preto e Branco”, comemorando as cinco décadas de ação profissional deste famoso “retratista” do grande Pixinguinha nos idos anos 60. A abertura, que será acompanhada de coquetel aberto ao público, terá também o lançamento do livro “Walter Firmo – Brasil, Imagens da Terra e do Povo”, numa parceria do museu paulistano Afro Brasil e a editora Imprensa Oficial de São Paulo. A abertura da mostra e o lançamento do livro ocorrem em 30 de abril de 2009, às 19h.. A exposição fica na SAC- Palacete das Artes até o dia 31 de maio deste ano.
Este evento traz para Salvador, 70 fotogramas em preto e branco (a maioria), escolhidos especialmente por Emanoel Araújo, grande entusiasta e conhecedor da obra de Firmo. Vale ressaltar que foi o conjunto total desta exposição que comemorou os 04 anos de fundação do museu Afro – Brasil, idealizado por Araújo, em São Paulo. Aqui no Palacete, artista e curador, revivem a emoção da mostra que conta com a sensibilidade artística e administrativa de Murilo Ribeiro (diretor do Palacete das Artes) e do apoio cultural da Secretaria de Cultura da Bahia e do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia, o conhecido IPAC. Também apóiam este evento a Imprensa Oficial de São Paulo e o museu Afro – Brasil.
As fotografias que narram o cotidiano de humanos negros e que captam a grandeza de grandes artistas para a cultura brasileira, estão dentro da linguagem do “preto e branco”, mas outras fotos, em colorido, também compõem este cenário de etnografar o imaginário dos nossos afrodescendentes. São imagens históricas de Ataulfo Alves, Madame Satã, Pelé, Grande Othello, Pixinguinha, Clementina de Jesus (beleza memorável) e tem também, a saudosa Olga de Alaketo, ialorixá famosa da Bahia. E outras dezenas de anônimos vistos pelos olhos artísticos de Walter Firmo.
Quanto ao livro, trata-se de uma reunião de imagens, postas com significados sócio-antropológicos, numa leitura artística da paisagem humana, marítima, vegetal e terrestre do Brasil, que será vendido por 190 reais.
SERVIÇO
Mostra: “Walter Firmo em Preto e Branco”
Artista: Walter Firmo
Curadoria: Emanoel Araújo
Local: SAC do Palacete das Artes Rodin Bahia
Abertura: 30 de abril de 2009
Horário: 19 horas (aberta ao público)
Visitações: de 1º a 31 de maio de 2009, das terças-feiras aos domingos
Horário: das 10h. às 18 horas.
Endereço: Rua da Graça, 284, Graça
Entrada Franca

Lançamento: Walter Firmo- Brasil: Imagens da Terra e do Povo (livro)
Editora: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Local: Palacete das Artes Rodin Bahia
Horário: 19 horas.
Valor do livro: 190 reais.
Aberto ao público


Maiores informações:
Murilo Ribeiro ( diretor do Palacete das Artes):
(71) 8888-8202//3117-6987

Ascom/Palacete das Artes: Marlon Marcos (jornalista DRT-BA 2235): (71) 8107-4693//3117-6986
Setor de Produção/ Palacete das Artes: Janaína Mendes – (71) 3117-6983

domingo, 19 de abril de 2009

Carlos Barros e a Banda do Céu no Tom do Sabor

Carlos Barros e a Banda do Céu estão no Tom do Sabor em junho de 2009.




Etapa de pré-lançamento do disco Cantiga vem do céu.


A Banda do Céu é:


Alex Medrado - Contrabaixo

João Carlos - Teclados e Programações

Marcus Lima - Bateria e Percussões

Pedro Ivo Araújo - Violão e Guitarra



Assista o video "Brilho de Orfeu":







http://www.youtube.com/watch?v=kcs4mYlFumA



Nos vemos no Tom!

sábado, 28 de março de 2009

Cidade que canta!


Cidade que canta!

Cidade de Áries!

Salvador foi desembarcada nas mentes dos portugueses em 29 de março de 1549 como uma nau indígena feita de madeira e muito sangue!

Esta cidade que canta, como diz a letra da canção (e de tantas outras modinhas, lundus, sambas, reggaes, ijexás, valsas...), é a mesma cidade de Sol em Áries e Lua em qualquer outra constelação de água que acolhe, recolhe e descobre (de tirar o cobertor) seus filhos mais ou menos ilustres, conhecidos ou anônimos.


Amo Salvador o tanto quanto a odeio.

Odeio seu trânsito infernal e sub-desenvolvido!

Odeio sua vocação manifesta para a seriedade que é deixada para depois e postergada como valor menor - isso é coisa para gente de São Paulo, não é?

Odeio o Feudalismo tardio de suas posses tanto em bens materiais, imateriais, humanos e sobremaneira desumanizadores.

Odeio a Salvador dos canais de TV ao meio-dia, com sua permissividade absurdamente construída sob o argumento de que "o povo gosta de ver a realidade"!

Odeio!

Odeio!

Odeio!

E sobretudo, nestes 460 anos de vida, acho que nem vocação para ser a ariana torta tal e qual a da letra de Márcio Mello, esta cidade de fato tem.

Salvador nasceu para quê, mesmo?


Minha cidade veio para assumir o posto de "Rainha do Atlântico Austral" parafraseando o santamarense Caetano Veloso, mas poucas vezes conseguiu passar da Roma Negra em estado de falência com seus habitantes mais nobres - seu povo negro/mestiço que constrói riquezas que se tornam as ruínas de amanhã para os banqueiros da miséria eternizada na falta e na míngua à mostra nas portas das igrejas de ontem, de ouro e de sotaque lusitano, católicos de sempre.


Odeio a Salvador que se coloca como guardiã de uma ancestralidade que ela mesma vilipendia diariamente ao negar educação verdadeiramente de qualidade para seus habitantes mirins, que de futuro só têm mesmo a recorrer aos espíritos que aqui se fincaram, sendo protetores e guardas de todos que habitamos esta urbe grandiosamente mal tratada; da orla marítima que entrega ao mar uma paisagem nada agradável para os requintes das pratas e ouros a que está acostumada a verdadeira Rainha Iemanjá.

Mas do que tanto odeio de fato nesta minha cidade, sai também - como a luz da escuridão da poesia de Gil - a flor de lótus que me mantém baiano, soteropolitano e orgulhoso das duas condições: Oxum nos pariu, Iemanjá nos criou, Oxóssi nos deu de comer, Iansã nos levou à escola e Oxalá (ao lado de Xangô) nos deu o código moral, que em muitos momentos é cobrado pela sabedoria anciã e valiosíssima de Nanã e Omolu. Assistindo e rendendo loas, Nossa Senhora e Cristo Jesus ficam a nos cobrir com mantos azuis de calma e benevolência.

Logunedé, com sua jovialidade e Oxumaré com sua astúcia estão sepre a colorir os céus para que possamos enxergar a beleza do ar desta localidade estacionada na boca de uma baía que é das mais lindas no planeta.

Odeio muitas Salvador e a minha iminente ida para longínquas praças somente fará sentido por saber que daqui sou. O índio caboclo guerreiro vai encontrar com Araribóia, Raio de Sol no mar da Guanabara!


Afinal, como diz Aldir Blanc: regressar é reunir dois lados da dor do dia de partir!

Temos saudade até das feridas que cicatrizaram na pele, nem que seja para dizer que fomos vitoriosos sobre a dor, não é mesmo?

Odeio a aniversariante e a amo por ser o chão de onde brotou a comida que alimentou o corpo da minha avó, a me dar a mãe que os ventos me deram: amo Salvador por ser a mãe da mãe deste baiano.

Odeio e amo ao mesmo tempo ter que louvar todos os anos esta cidade; minha racista, homófoba, e agora cada vez mais separatista cidade do Salvador da Baía de Todos os Santos.


Áries é o signo solar de Salvador e está na Casa IX do meu mapa natal.

A Casa IX é a casa da religiosidade e das filosofias superiores. Estou, então, sempre em pé de guerra com tudo que é deveras superior...

Áries é o oposto cmplementar de Libra - o meu Sol.
Estou em oposição complementar a esta cidade onde nasci. Amo o fato de poder odiar tudo que me causa escárnio em estar aqui, pois amo poder amar a cidade sabendo de suas agruras, de suas vulcânicas crateras, a lançar chamas que acabam por renovar todo amor e ódio que eu sinto por ela.

Salvador faz mais um ano solar de existência. Eu celebro isto (mesmo que pareça um bombardeio sem fim), pois sou como Álvaro de Campos: quando vim a ter esperança, já não sabia ter esperanças... no tempo em que festejavam os meus anos eu era feliz e ninguém estava morto...

E a minha esperança para este dia é de que eu cotinue podendo amá-la e odiá-la como filho que sou, que por vezes ama questiona a família por ter te colocado em lugar tão hostil quanto o mundo dos sentidos de Platão.


Platão/ Plutão. Aliteração muito significativa!
Por fim, amo Salvador e quero que sua existênca possa nos ensinar o quanto a beleza está plutonicamente associada à sua miséria, pois, certamente, se Salvador é ariana de Sol e aquática de Lua, no seu mapa natal, o ascendente, com toda certeza só pode ser Escorpião!


Feliz 29 de março!!!!!!!!!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sob medida para uma filha da Bahia


Em finais dos anos setenta, a Bahia ganhou uma filha ilustre: chegada no Brasil do longínquo e belo Pará, aportou nas ondas sonoras a falar da Bahia uma mulher linda, grande e de voz forte, rodando no palco e nos ventos da vida.

O nome Fafá vinha acompanhado de uma certa adverbiação de lugar, para sabermos que era de Belém.

Este nome de cidade, que é também da região onde viveu Cristo da Galiléia,além de render para nós a filosofia mais popular no mundo, nos deu a voz e a presença (muito física) de Fafá de Belém.

Esta cantora traz no seu sangue (português-indígena) e na sua verve artística uma vontade manifesta de ser e estar. Dois verbos importantes por que vitais, como seu canto.

Fafá não canta somente. Faz-nos entrar em seu mundo onde a quentura das letras se irmana à doçura/agrura/mistura das melodias. Seja no Tamba Tajá que remonta à origem de infância ou na interpretação de um Buarque Sob Medida (ninguém interpreta a personagem da canção melhor que Fafá na performance musical deste hino brasileiro), a cantora brasileiríssima mostra que a nossa história de música popular tem muitas páginas de surpresas.

Quem há de negar que o canto de Fafá é maior do que suporta a sua garganta? Por que fisicamente parece que seu corpo guarda uma essência maior do cantar/interpretar que na hora da canção parece querer saltar do ambiente meramente musical para tomar a cantora e ouvintes pelo exagero que é, de fato, uma compreensão/constatação de que a vida nos é por demais exagerada em suas manifestações de prazer, amor, dor e fissuras?

Fafá traz tudo isso em doses não muito controladas.

Seus agudos entre afinadíssimos e quase gritados - para chegar bem aos nossos ouvidos - são expressões de um canto brasileiro que saiu da floresta e talvez tenha passeado nas caravelas a levar pau-brasil e especiarias para além-mar, de onde veio, também a tradição de fados tão bem personificados pela cantora de corpo farto e belo, de tez morena do Brasil com boca e face européia.

Fafá subverte a lusitanidade de sua pessoa com a indigenidade africanizada de ter sido alavancada com a canção Filho da Bahia do baiano Walter Queiroz.

É! Fafá redescobre o Brasil – e tinha mesmo que começar pela Bahia!

O repertório por vezes mutante (que foi também ao cancioneiro de compositores chamados de popularescos) precisava chegar a recônditos universos que outras artistas não tiveram coragem nem competência para entrar.
Ninguém pode fazer nuvens de lágrimas sertanejas cair sobre as cabeças boêmias de fins de noite e de amores perdidos na bruma da existência com elegância/extremismo/vigor!

Ninguém? Fafá pode. Fafá fez. Isso é Fafá.

Estou abreviando o que nem pode ser abreviado.
É Fafá de Belém!
Ela mesma disse que quando assinou Fafá, os fãs reclamaram.
Pois é, moça faceira: você não pode assinar tão somente Fafá. Pois, em sendo isso tudo que é como Fafá, o epíteto não pode deixar de estar!
Seja Estrela!
Seja Belém!

Fafá é o brilho de um Brasil de povo, de caminhão, de porto, de mares fora e dentro de nós. Navega-se com sentimentos fortes, rubros, duplos, calorosos, arrancados de dentro de nossa alma, nos levando a ver o que não gostamos em nosso ser - nosso e tão belamente cafona, das Cafonices da canção de Eduardo Alves, que estou gravando no meu disco.

Fafá é chique, elegante e refinada em sendo uma de nossas cantoras mais populares – no sentido mais visceral desta palavra.

Fafá é o nosso país de uma forma muito intensa, e eu amo o nosso país de forma intensa por que - não estando exatamente neles - eu me sinto conectado com universos particulares trazidos pelo canto e pela existência desta cantora tão importante para este lócus verde, amarelo e vermelho.

Vermelho da canção de Fafá, da bandeira de Portugal e da cor mais visível ao olharmos para esta mulher.

Fafá, então seja o vermelho da bandeira do Brasil.

Você sabe melhor que ninguém!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Sol do Sul


Ato I

Pensou que eu não vinha mais?

Cheguei depois do carnaval e estou ouvindo Jau e Caetano cantando Ó paí ó.
E é pra dizer o que vi que estou neste lugar da minha escrita.

Vi a rua cheia/vazia de gente andando e pulando ao som do pagode do Psirico, da Dalila de Ivete, dos beijos da incompreensível Leitte, da fantasia de Durval, dos acordes elétricos de Armandinho e da volta linda e bem vinda dos Novos Baianos.

Vi e ouvi gente admirada e irada com os beijos de meninos e meninas no Crocodilo (que rendeu texto lindo do jornalista Ronaldo Jacobina).

Vi e senti Gil e Caetano na Varanda Elétrica idealizada por um Carlinhos Brown cada vez mais Exu/Ogum a nos abençoar com a criatividade deste nego véio da Bahia, como nosso preto velho menino que saúda e dá inteligência e força; misticismo e objetividade.

Salve o nosso Exu maior da rua de Salvador.

Não vi, mas fiquei feliz com Márcia Short (embora não deva ser somente lembrada
como elemento histórico dos anos oitenta) e sua voz de trovão adocicado, minha artista/irmã: uma das Oyá que estiveram por nós neste carnaval.

Saí no Gandhi e pude mais uma vez constatar a força de Oxalá e Iemanjá nas ruas da Bahia.
Beijei e abracei na força da irmandade e tudo ficou mais azul, entre as cores deste que é o maior Afoxé do Brasil.

Dancei ao som dos ritmos negros que são cada vez mais tolhidos pela intolerância tal qual a que nesta semana final de fevereiro fez um rapaz de quatorze anos ser agredido em São paulo por que ele é um EMO(?!?!?!?!)

Os skin heads religiosos de Salvador adam também por aí... Será que ainda apanho por usar um fio de contas de Oxum?

Pulei, dancei e arrasei, como na letra de Brasileirinho, que foi enaltecida por Baby do Brasil e por Daniela Mercury.

Ato II
(deste texto que está a caminho somente para chegar a ela.)

Daniela Mercury é um nome a se escrever em letras pequenas, para equilibrar (como bom libriano que sou) a enorme grandeza já apresentada por sua existência enquanto artista.

Pouco me interessa tudo o que se fala da personalidade quente e altiva de La Mercury (pra falar a verdade, eu gosto muito!), mas o que importa de fato é termos e vermos uma artista com o respeito por si (e que acaba expressando-se para os outros) que está todos os anos mostrando e ensinando o que é música num contexto de arte industrial como o que vivemos no mercado brasileiro.

Daniela Mercury é sempre um acontecimento (como já disse seu filho Gabriel, ao falar de seu temperamento mais calmo em relação ao da mãe) e a cada carnaval o acontecimento é luminoso.

Lunar, como coloca Marilda Santanna em sua tese de doutorado, Mercury traz sempre ventos de ares bem vivazes, ares nunca burocráticos e tonalizados de vermelho pela sua ansiedade constante em fazer o melhor.

Poderiam dizer os críticos que não consegue sempre ser o mais perfeito. De fato, mas como é mesmo que se fazem bons gols? Esperando a bola no impedimento da pequena área?
Ou eles acontecem jogando-se o melhor possível e se fazendo um atacante agressivo e estratégico, arriscando e atuando?

Daniela é Zico e Pelé; é Alexandre Magno e Colombo.
Daniela é Elis e Gal; Bethânia e Ney; Dalva e, claro, Carmem Miranda.
Sua performance é o sol de Leão (com todos os feixes que por vezes ofuscam) e os raios de Oyá.
Daniela é a espada de Oxaguiã e as águas de Oxum quando ela está banhando-se e atraindo olhares de desejo.

Daniela é oriki baiano de modernidade e respeito. Daniela é espetáculo.
Com ela, a Broadway é aqui. Nova York com o dendê da baiana (ela própria, é claro) sendo desenhada por Andy Warhol num muro da Pituba.

Daniela é Caetano. Não sabiam? Ela é ele, com um ar de elegância e agressividade femininas e um perfume de Salvador no que esta cidade tem de melhor.

Neste sentido, Daniela é filtro, a purificar meu olhar sobre este sítio em que estamos, muitas vezes sujo de tanta pobreza existencial que se coloca sob o pretexto de não "perdermos a essência".

Como a minha essência é Oxóssi e Sagitário, Daniela me traz esta noção de que o melhor lugar é aqui e agora: no MUNDO!

Daniela é minha vizinha; moramos na mesma cidade. E isso me dá tanto gás para aqui estar...

O carnaval dela é o Triatro com suas dançarinas e dançarinos mostrando um labor a serviço da arte, a serviço das energias venusianas que nos chegam através da africanidade de Ilê Pérola Negra, Dara e O mais belo dos belos.

E salvemos o Ilê!!!!!!!!!!!!!!!!

"Eu trago o sol, o céu o azul".

Do Sul da América, esta moça traz o brilho.
E eu, que me vicio fácil com o que é belo, fiquei por ela amasiado (como se diz na Bahia), amante de sua força e de seu estar no mundo.

Enfim, o carnaval de 2009 - como muitos outros - foi para mim de Daniela Mercury.

Ela que me trouxe minha mãe Oyá-Iansã para todos nós, que lembrou à cidade que Margareth Menezes é uma força que precisa ser respeitada, que dançou para pipocas, crocodilos e outros tantos bichos, grilos e grilados com a sua intensidade.

Que os próximos carnavais sejam de Daniela.
Que os próximos carnavais sejam da criatividade e competência; do ajuste e do respeito; da inteligência e da não folclorização do povo.

Que o próximo carnaval seja tão solar quanto este.
E que o Sol possa brilhar para todos.

Pensou que eu não vinha mais?
Oyá me trouxe!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

2009 e o Céu


Carlos Barros em ritmo de música total!

2009 chegou com Júpiter, Odé, Oyá, Leão e todas as conjunções positivas.

Assista Carlos Barros

Veja em:

www.myspace.com/barroscarlos

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Romã, fruta de hoje e sempre.


A canção Romã (Ivan Farias/Pio Otávio/Carlos Barros) têm me rendido muitas felicidades.


A confecção dela já foi um aocntecimento, pois nasceu de umpoema escrito a quatro mãos, com o poeta Pio Otávio, e tornou-se música e letra nos dedos de Ivan Farias, que a burilou e construiu esta obra que é a peça.




Amigos, conhecidos, desconhecidos e - até creio - inimigos falam bem de Romã.




A moça do nome da música é filha de uma professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia.




Sua presença física e espiritual nos ambientes acadêmicos nos idos de 1997 fez com que o poeta Pio Otávio instigasse Carlos Barros a escrever sobre ela.




Mas eu não queria falar somente da mulher, mas precisava brincar com as palavras e encontrar ROMA em ROMÃ. Sua mãe nos dava aulas de História Antiga, donde vinha a isnpiração a mais para que o universo mítico da Antigüidade Clássica tomasse o espaço na minha cabeça.




Deste modo, Romã tem duas musas: a menina-moça-mulher e a cidade-templo-império.




Romã é dual, como os "Ares da Terra" que são os ares do ar e é Ares o deus da guerra.




Romã é o ã de amor: contrário Roma de Amor de Roma de Amor...




Romã é o passado daquela mulher que nos ensinava tanto do passado do ocidente, que nos dava um futuro personificado na sua filha, a Romã da clara mais poesia de alguém de quem não ouço a voz...




Romã é isso.




Falar sobre ela é devanear sobre um universo mágico e imperial, e eu tenho um orgulho imenso de ser o intérprete da canção e co-autor da letra dela.




No mais, o vídeo que produzi pode mostrar algumas facetas visuais que me vêm à cabeça quando ouço Romã.




Vejamos, então:

http://www.youtube.com/watch?v=tBmI8X2Vjgw




quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mais um contra-axé para a Bahia: só mesmo milho branco, acaçá e muita vela!


Recebi esta semana uma mensagem com um link para o you tube de um vídeo que se intitula “Jacaré Iemanjá”
O material, a pretexto de ser engraçado e botar lenha na fogueira das críticas à Axé Music, acabou sendo mais uma reiteração das ofensas produzidas sobre baianos e nordestinos no Brasil.
O material é racista, preconceituoso com a Bahia e sobretudo de mau gosto.
Por que evocar os ícones baianos de forma tão pobre?
Se o Axé trabalha com clichês, o faz por ser uma música de massa, como o é o rock, o pop internacional, o blues, o reggae e todos os gêneros que vêm ao longo do tempo se perpetuando nas suas praias e nos seus mercados, como os de peixe, ou de sabonetes.

É preciso, talvez, buscar a origem deste material para dizer ao idiota que o construiu que o axé, ou o pagode, a música sertaneja, o funk devem ter seu espaço na medida em que existam consumidores para esta música. E não falo apenas do consumo que provém dos bolsos, ligado à capacidade de compra.
Falo do consumo espiritual que está ligado ao prazer de ouvir, dançar e se exaurir física e mentalmente com o fenômeno cultural que é a música. Afinal, entre Mozart e Xanddy há diferenças que se irmanam na capacidade de produzir sensações, sejam elas quais forem, desde que não atentem contra a integridade humana, único valor inquestionável, e que abarca tantos outros.

Ao contrário do que afirma o "tema" deste áudio-visual, um "bom axé" se faz com bons baianos e sobretudo bons espíritos na face da Terra.

Quem são estas pessoas? Alguns brasileiros que não toleram que a efervescência baiana seja tamanha a ponto de poder produzir discursos simples que se ratificam como legítimos (e o são mesmo?)

É preciso ter muito cuidado com a falácia do "bom gostismo" musical (e olhe que eu sou um artista baiano relativamente distante da seara do axé) , pois ele mascara (muito mal, diga-se de passagem) preconceitos e estereótipos que vêm desde Machado de Assis, que no século XIX execrava as baianas na Praça Onze, ou Millôr Fernandes, que chamava os baianos de bárbaros invadindo a praia de Ipanema na zona sul do Rio.
Sou um baiano do axé, do dendê, da pemba e do EBÓ, sobretudo do EBÓ, e digo aos realizadores deste material que Iemanjá tem, de fato, muito haver com o Jacaré, o dancarino baiano que foi para o Rio viver de arte industrial, como muitos no Brasil a exmplo de Ari Barroso, Luiz Gonzaga, Elis Regina e tantos outros que sao mercadorias do mesmo modo nas prateleiras das lojas especializadas.

Jacaré, certamente, tem a proteção e o AXÉ de Iemanjá, que cuida de sua cabeça para conviver com questões como esta, do "lugar" reservado aos baianos num cenário midiático tão pobre de referências profundas sobre a Bahia e muitas outras partes do Brasil.

Não façamos o discurso xenófobo, pois nos é muito fácil, daqui da Bahia, fazer o mesmo... mas não estamos acostumados a isso... Desde a colônia, somos a cidade aberta dos relatos de Vieira, da música de Saul Barbosa e vozes da voz da música do Brasil.

Nao me cabe, nem a estes sujeitos de tal obra ridícula (o filme sim, de um primarismo brutal!) julgar nem determinar o bom gosto, principalmente se utilizando de tamanha falta de entendimento do universo cultural baiano que é base do que se convencionou chamar axé music.

E no mais, respeitem os Orixás, os negros e os baianos pois pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado - desprezar quem lhe quer bem? E a Bahia sempre deu ao Brasil um bem querer, que talvez algumas pessoas neste país nem possam conceber o quanto.

Portanto, aos que não gostam de Axé (de nehuma natureza e espécie), esqueçam a Bahia, pois é mais fácil esquecer a Bahia que lembrar de gente torpe como dessa cepa nefasta, pobre e podre.


Carlos Barros, 16 de dezembro de 2008.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O signo da cidade - a grata surpresa da excelência


Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli formam um casal presente nas colunas de celebridades brasileiras há muito tempo.
A atriz e escritora comparece às páginas áudio-visuais como uma atriz de personagens marcados pelo signo da beleza nos folhetins da televisão e seu marido foi por algum tempo galã com ares de cafajeste nos personagens que assumiu.

Bruna e Carlos, ao que parece, resolveram passear por outras telas, outras praias e outros desejos.

O Signo da Cidade é um resultado marcante destes novos andares dos artistas. O filme, roteirizado por Bruna e dirigdo por Ricelli é uma crônica em rizoma sobre a vida de gente comum na mais comum das cidades brasileiras, a São Paulo de hoje.

Com uma história que se compõe de histórias em entrelace (aos moldes de obras como Crash e Babel), o filme traz lirismo, crítica social, ironia, força e sobretudo, um signo de esperança marcando a tonalidade predominante do relato.

O roteiro traz uma condução em que não se perde o interesse nos desfechos e nem na vida daqueles personagens a se encontrarem e desencontrarem - como numa mímese da vida real.
Quando a arte se propõe a este exercício de tocar a vida e capturá-la para dentro de seus limites é preciso que o artífice de tal empresa saiba e possa fazê-lo bem.
Não adianta simplesmente imitar a vida, mas imitar a possibilidade de dar verossimilhança a um mundo criado pelos autores é o meio para atingir esta "realidade" no plano da arte.


Em O Signo da Cidade, o contemporâneo - com sua característica fragmentação e redefinição constante dos sujeitos - é um personagem central, que junto com a cidade de São Paulo, é performer da história, tendo papel definido e decisório para a apreciação da narrativa.

O Signo da Cidade
consegue, então ser atual e profundo; seco e tocante.


Seja o casal em crise, o menino que se sente menina, a astróloga cuja vida se entrelaça com a de todos, o enfermeiro lacônico com a vida ou mesmo a grávida que recusa o destino nefasto do recém-nascido, todos são unidos/separados/dilacerados/reconstruídos pelos dedos do contemporâneo.

Por outro lado, este ser que não é ser e que habita o tempo de hoje como "deus ex-machina" a julgar ações e mediar destinos, tece o linho por baixo da gravura em alto-relevo que é a cidade, seus habitantes e os signos zodiacais que por sobre a Terra, orientam a vida de seres pequenos e de grande complexidade existencial.
Complexos como no filme?
Como na vida?

Como canta Caetano na composição musical de Ricelli/Lombardi a pergunta e a resposta somente podem se referir à solidão na cidade...

Assim, em O Signo da Cidade, nem os astros definem a vida e nem a vida pode superar os astros. Ambos se entrelaçam e se rearrumam constantemente na busca de fazer o dia e a noite se sucederem com menos dor.

Afinal, a arte também possui os seu signos!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A Larga Banda de uma filiação.



Falei com o Gilberto Gil pela primeira vez ao telefone, em maio de 1996, quando acertávamos os detalhes de uma entrevista que realizei com ele para um trabalho de Faculdade.

Gil apareceu pra mim como um dado do real que me levava sempre ao infinito presente da felicidade.

Estava quase sempre sozinho na minha adolescência e Gil era uma companhia importante. Indigo Blue, Feliz por um triz, A Mão da limpeza foram canções do disco Raça Humana que me deram a primeira noção de BANDA que tive na vida.

Sou um artista que gosta de climas musicais.
Sou da Voz e Violão.
Sou da Banda Máxima!

O que aprendi de música complexa e completa foi ouvindo e performatizando Gil.
O amor, a ternura e a energia que seu trabalho sempre trouxeram pra mim foram combustíveis fantásticos que alimentaram meu desejo de ser cantor numa Bahia fascinante e lescinantemente expoente da dificuldade de ser na plenitude.

Em terra de branco mulato/preto doutor, ser músico na Bahia é uma Barra (69/70/2008).

Sou um menino baiano-carioca(cariano, como já disse) que sonha com o horizonte da felicidade.
Gil me ensinou a ser feliz em alguns instantes de canções. Digo que ele é o meu pai.
De fato!
Pais geram, fecundam e fazem as barrigas das mães crescerem. Gil me fez sair e ser um cantor/fauno/animal doce e arisco na música popular.

Agora, em 2008, re-encontrei Gil. Antes nos havíamos falado pessoalmente, em 1997, em 2005 - ocasiões sempre recheadas de carinho e atenção dele e de Flora, sua musa-mulher.

No Teatro Castro Alves, mais uma vez nos topamos.
E ali, eu disse a ele o que já deveria ter falado há muito, mas somente naquele 29 de novembro de 2008 poderia ter dito com tamanha verdade:

- Gil, muito obrigado por você existir, por ser este artista com esta vivacidade, por estar na música brasileira até hoje e por estar aqui agora, na minha frente. Você foi um dos maiores responsáveis por eu ter me tornado um cantor e seguido este caminho tão difícil das artes no Brasil...
- Que bonito (Gil, ternamente, mão no rosto do filho enternecido eternamente...)!
- E a carreira, como está indo?
- Assim, devagar, não é?
- Mas está indo, isso é o que importa!

Pronto! Dado o veredito do Pai-Mestre, como desistir ou recuar na seara da canção?
Como dizer que não dá mais pra lutar em guerras cotidianas pelo sol de cada manhã neste mundo de vales que são de Deus e que não são meus?
Como recusar o vaticínio das mãos deste meu Pai no meu rosto e do olhar de ternura lançado ao fã/colega que se desnudou na frente dele (mais uma vez, diga-se bem!)?

Ainda terminanos o encontro com o tema acadêmico:
- Ah! Gil, eu escrevi uma Dissertação de Mestrado sobre os Doces Bárbaros!
- Ah! Aquela que está lá em casa!
- Pois é! Eu te entreguei há algum tempo!

Findo o encontro, começa mais um ciclo de filiação!
E para os que estão à margem desta história de amor e filiação paternal, Gil é uma luz na escuridão enevoada dos degraus da conquista artística para mim.
E para os que enxergarem a pieguice como tema deste post,
tenham um Gil pra voces!

E mais uma vez me sendo tomado por Caetano (e adoro citar este arquétipo de frase!):

-Gil, I can (always) see you from here!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


sábado, 22 de novembro de 2008

De todas as maneiras que há de amar!


De todas as maneiras eu estou de fato amando...
E a música, da forma como vem acontecendo, está levando e vindo, levando e indo...

Na Bahia, as coisas acontecem bem devagar, sem correr(?)...
Mas a felicidade também chega e volta pra mim...
O show Cantiga vem do céu está navegando nos mares agitados do mercado baiano.
Quantos já o viram?
Não saberia dizer.
O que sei é que eu já vi o filme e o show muitas vezes e sei que o caminho é longo, mas a chegada é o melhor momento de toda a viagem.
E eu sigo com os meninos Pedro, Alex, João e Marcos.
Com o cuidado e o carinho de Dil, Marlon, Márcia, Dôra, Lúcia, Déia, Short, Lucas, Stela Maris, Tatiana Aguiar, Vamber, Aline, Amina, entre outras almas...
Obrigado Lelê, pela atenção, assim, específica!

O show Cantiga vem do céu é a marca de um ponto bem natural e ao mesmo tempo em construção da minha carreira: é árduo o processo de estar no mundo da música!
Vamos seguindo, vamos na estadia de fazer e cantar...

Eu gosto de Caetano porque o cara é bonito!
A Gal é o pouso final de meu canto.
Bethânia me ensina dia-adia o que é ser no mundo.
Gil é o pai maior que sempre quis ter.
Maria Rita é a maior de todas desde os tempos que surgiu...

E no mais, foi show no Bar Dona Flor, dia 20 de novembro, dia de negritude!
"Minha espada espalha o sol da guerra
Meu quilombo incandescendo a serra"

Estou aí!
Até que eu vou gostar se de repente a gente se cruzar!

Vá ver o show das cantigas astrais!
Em breve, muito, mas muito perto de você!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sim, eu vi Bethânia


Sim, eu vi Bethânia agora há pouco pelas ondas tecnológicas da Internet.

Vi e ela falou tanto com seus ares de menina do interior, como gosta de se definir. Ela disse-me assim: não, não posso mesmo ter pena de mim, não desta forma simples como a vida por vezes quer nos fazer sentir.

Bethânia sempre me chega como imagem, fenômeno em carne da minha mulher maior: Oyá de mim toda.
De minha vida assim!
E como mais cedo conversei, acariciei, me joguei aos pés de Iansã, eu precisava ver Bethânia.

Era preciso ouvir Bethânia e sentir o cheiro de seus cabelos lindos, negros, soltos ao vento, passeando na cidade de meus sonhos.

-Parece Santo Amaro! - Diz a Maria das Marias da Terra que fala do Rio com a mesma sensação que tive quando por lá andei: parecia Salvador, maior e maior e maior!!!

Será que o tamanho do Rio cabe o meu desejo de felicidade? Será que a minha felicidade poderá um dia caber no meu corpo que aqui habita em vontade de ter tudo o que quero?

Sim, eu vi Bethânia e meus olhos e ouvidos puderam ler a possibilidade maior de conquistar o pódium de uma vida! Ela chegou lá!

Bethânia é ímpar! Única! Bela! Estrela maior por que se sabe maior na pequenez de ser apenas - e tudo isso - filha.

Nossa Senhora lhe dá a mão, os ombros, os braços e o colo. Por favor, Mãe da Manhã: dê-me o seu colo também.

Fiquei feliz em ser mortal ao ver Bethânia - mortal como eu - e me lembrei que por diversas vezes conversei com ela em sonhos. No carro, me dando bronca por uma das minhas tristezas já de muito alongadas; andando pelas ruas de Santo Amaro, batendo papo sobre música e no palco...

Ah! Como é bom cantar com Bethânia. Sentir o vento que rodopia em volta de seu corpo nos levando a cantar com o ar de sua graça. Bethânia oscila e faz a Oyá em mim bailar com a Oyá nela. Dança de mães e de deusas que nos faz - Bethânia e eu - filhos de deuses.

Sim, eu fiquei radiante, com lágrimas nos olhos e agradecido por ser filho de minha mãe Ana Lúcia - uma mulher de Iansã -, por ser filho de Iansã, por conhecer e compartilhar da existência de Bethânia, por ter cantado inúmeras vezes o seu repertório.
Hoje de manhã ouvi de uma amiga que minhas quando eu canto mãos lembravam os gestos de Bethânia.
Eu disse a ela: tá em casa! Bethânia e Gal (tia e mãe, ou mãe e tia de mim).

E agora?

Que tristeza pode resistir à Bethânia?

Talvez a minha nesnte momento.

Mas uma coisa é certa:


Agora e sempre: Bethânia não é uma referência nem um farol, nem um gosto nem um ídolo. Não só!

Bethânia é para mim simplesmente um fato consumado!


---Ah! Marlon, licença, pois antigüidade (principalmente no amor) é posto!---


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cores e Nomes de moças em rapazes coloridos e pretos no branco


A questão é a seguinte:
Não dá mais pra segurar e o coração explode mesmo!
No Brasil que celebra Obama (eu também celebro), a cerebralização tropical impede outras cores de soarem nas íris cotidianas das cidades como a nossa São Salvador do preto mulato e do branco doutor (e hetero).

O ônibus sai da estação e o rapaz de cores indefinidas e gorro branco é lido - e acusado de - "afeminado".
E o que é isso mesmo?
Aconteceu, não virou manchete, mas azedou a doçura da minha alma rósea, amarela e branquinha, branquinha de Oxum e Oxalá.

Por que a cidade da beleza tropical, da negritude celebrada e dos evangelhos a insurgirem-se contra o contemporâneo não consegue conviver em paz com a presença diversa dos gays e afins?

Fica a questão a tilintar na minha cabeça por vezes rosa e por vezes (muitas vezes) vermelha de raiva: como o olhar da profundidade de uma colher pode ser tônica para a averiguação e julgamento do que sou e mesmo pareço?

A homossexualidade e a heterossexualidade são dísticos da mesma moeda. A minha moeda é um dólar tão evidente que nem preciso me achar um real!
O corpo ainda é pouco e o pulso pulsa mais forte ao ver a bunda e os pêlos de um rapaz.
O coração bate mais forte ao sentir a cantada da moça que sorri e olha faceira, medindo tamanhos e curvas de meu corpo.
O que meu corpo responde?
Somente toda moça em todo rapaz pode dizer!

Não me ponho amarras e grades de fina educação: o problema é que há gays "baixo-astral".
O astral dos gays não quer dizer nada frente ao astral nebuloso das cabeças (profundas como uma colher) de quem acena com a possibilidade de alijar alguém da cena por falar muito alto ou quebrar o corpo, desafiando a lei da gravidade.

O cara no ônibus que me insultou- a mim e a tudo que eu quis como os olhinhos infantis que me olharam nesta noite e me encheram de prazer - não sabia que ali estava não somente o que ele chamava de "afeminado", mas uma proposição de homem muito mais efetiva que aquele arremedo de macho com os colhões tão fortes quanto os dos celenterados (que nem mesmo possuem escroto...)

A Bahia é a estação primeira de um Brasil que precisa cair de posição no ranking de agressões aos gays. Ainda está entre as primeiras nas ignorâncias e no cultivo das mesmas ignorâncias; sensível e cerebral no assunto.

Não, ele não vai mais dobrar, pode e deve se acostumar comigo e com todos aqueles que vivem nos ônibus, carros, albergues, banheiros, faróis, casas, apartamentos, escolas, fóruns, academias, palcos, bibliotecas, salões de carro, de beleza e de dança.

Os corretores de imóveis no céu poderiam arrumar lugar logo para os que não nos toleram, nós que aqui estamos, sempre a esperar a felicidade e a plenitude do olhar. Não quero sugar todo teu leite, interlocutor, mas quebro a quarta parede para te perguntar:


você também não agüenta sentir o ar de uma bicha?

sábado, 11 de outubro de 2008

O gosto de Simone


Quem quer viver um amor, mas não quer suas marcas ou cicatrizes, não deve ouvir Simone.

Quem quer fugir do que deve ser, do que de fato será, não deve ouvir Simone.

Eu mesmo somente ouço-a por querer saber do amor e do que vem mesmo a ser a força do canto e da emoção desmedida (por que impossível segurar) na música produzida neste país.
E desta emoção Simone entende!

A voz de Simone me chamou a atenção de verdade depois de meus ouvidos já estarem acostumados à Bahia dos Bárbaros. Tudo que eu precisava aprender sobre os baianos na música popular parecia já assentado e pronto.
Aí, ela chegou.

Os comentários de que seria uma baiana "falsa"/ verdadeira até mesmo no sotaque poderiam ter feito com que a audição da cantora me viesse distorcida pela fala do preconceito relativo à sua aparente distância geográfica da Bahia,

da minha cidade do Salvador.
Mas não!

Simone não pôde ser considerada por mim a partir do viés identitário simplista.
Quem chegou primeiro não foi a baiana, carioca ou brasileira.
Quem me chegou primeiro foi sua voz.


A Gal é a voz que mais me encanta.

A Simone é a voz que me pegou de súbito e até hoje me impressiona.
Sua qualidade vocal é tenaz, forte, melodiosa, emocionada, derramada, sêca, viva.
A voz de Simone tem um "como existe?" que toma com impacto logo que se ouvem as primeiras emissões em alguma canção.

Seu caminho de intérprete para multidões ávidas por expressão estética/política está relacionada ao fato de interpretar tão bem Milton e Chico; Gonzaguinha e Ivan.
Simone sai da Bahia e se distancia dela para fazer o que melhor os baianos fizeram na música no Brasil: recontar sua história.

A presença de Simone nos palcos é sempre cheia de tensão. Parece que a cantora está a um passo de explodir em emoção pura que entremeia seu timbre lindo e faz com que irrompam riquíssimas imprecisões melódicas que aparecem para dar a inequívoca certeza de que aquela voz é humana.
Não é Deus quem canta. Somos nós mesmos, condensados naquela gargantae que emite, em canção, o existir em vida. Simone aí se irmana com o ranger de Fernando Pessoa: ela e nós estamos vivos!
Se Simone parece não se preocupar com os perigos de "sair da linha da diva" é por que está para além deste rótulo: ela é uma mediadora.

Entre platéia e palco, Simone está a conduzir emoções dos dois lados; instrumentos e arranjos a contarem crônicas em forma de música e público a necessitar responder pela via da catarse que seus shows quase sempre provocam.

A sensualidade da intérprete é nada mais que o incontível desses sentimentos eróticos que - fazendo jus ao princípio vital de Eros - permeiam sua performance feminina e lasciva, em sintonia com a lascívia dos participantes que vão contemplá-la.

Vamos comer Simone?

Sempre que estamos em seus shows é a única coisa que podemos fazer. Não há como recusar a deglutição total de seu canto, sua beleza física, sua presença e sobretudo, sua voz.

Deste modo, para saber de Simone, os olhos devem começar fechados para sentir-se de primeira o som.
Depois das iniciais sensações, abrir os olhos e assistí-la é a maneira mais justa de percebê-la.
Simone é sinestésica. Excessos e demasiadas notas corpóreas no branco de suas vestes e de sua aura.

Absorver Simone?
Impossível recusar.

Ouça, veja, sinta e
viva!

domingo, 28 de setembro de 2008

Outubro é "o Cara"!!!


Outubro é o mês de Libra, das Crianças, de Nossa Senhora Aparecida, da turnê Doces Bárbaros na Bahia, do aniversário de várias personalidades baianas.

Déia Ribeiro, Márcia Barros, Luciano Meron e

Carlos Barros ficam mais velhos e mais, muito mais interessantes!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Outubro é mês de Carlos Barros e Pedro Ivo
no Espaço Cultural Casa da Mãe.
Temporada do mês, todas as quintas-feiras, a partir das 22h.

Exatamente: 02, 09, 16, 23 e 30 de outubro.
Seu compromisso é ver Carlos Barros, Pedro Ivo e convidados no show Cantiga vem do céu.
Couvert: R$ 6,00.

É totalmente permitido amor, amizade, companhia e clima para iniciar romances e ferveções no final de semana.

MPB, Pop, Samba, Reggae, Rocks e muita diversão com sensibilidade!!!!!!!!!!!!!
Tudo isso com direito à beleza e talento no palco e na platéia.

Se você está lendo agora, no dia de um dos shows, pare e vá se aprontar para ver mais tarde este
ACONTECIMENTO IMPERDÍVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

CANTIGA VEM DO CÉU
QUINTAS DE OUTUBRO, 22H
CASA DA MÃE
RUA GUEDES CABRAL, Nº 81, RIO VERMELHO,
EM FRENTE À CASA DE IEMANJÁ
COUVERT: R$6,00

Somente mais uma coisinha:

CHAME A GALERA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Os Meninos da alegria e a menina do Velho


São Cosme manda fazer todo ano camisas azuis, caruru, feijão com dendê e vatapá.

Nas camisas, os baianos mandam bordar dizeres, imagens e crenças nas crianças-médicos-santos de uma devoção tão pueril quanto intensa.


Das comidas e principalmente do vatapá, entendem as baianas negras do mestre maior, e dentre elas, uma em especial, que entra em mais um ciclo solar hoje.


26 de setembro são três meses depois de Chico, Bethânia e Gil.

Um mês depois de Caetano.

26 de setembro é dia de Gal, a baiana cem por cento, nega do vatapá de Caymmi, da aquarela de Ari e dos vapores de Salomão e Macalé.


Gal completa 63 anos.

Gal continua linda!

Gal continua sendo!

Gal, sempre Gal, parafraseando o Baleiro.


Gal, a filha do velho, avança mais uma vez no tempo na véspera do dia das crianças sapecas e ligeiras.


Amanhã tem muito caruru.

Hoje tem doçura e notas musicais ao vento.


Mais anos e mais festa pra você Maria das Marias da Graças das Graças da Voz.


Parabéns Gal!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Carlos Barros, Marilda Santanna e a Beleza em continuidade.


Conheci Marilda Santanna na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, em 2002. Eu me preparava para o Mestrado. Ela já cursava o Doutorado.

Cheguei perto dela no pátio Raul Seixas, meio receoso de não ser bem recebido - nós artistas temos sempre a fama de sermos pedantes e mal-educados -, mas Marilda, fazendo um lanche frugal, me recebeu bem.


O trabalho com o professor Milton Moura nos unia e a música foi fio condutor de nossas conversas a partir dali.
Marilda e eu somos vinho seco e água mineral. Gostamos de coisas bem diversas.
Ela é natural.

Eu sou fábrica de refrigerante.
Ela é baiana de praia mansa.
Eu sou cariano (carioca+baiano) de nadar nas águas do Porto. Marilda é lapidar diamante.
Eu, pedra brilhante encontrada como gema na floresta de Caetano.
Marilda é essencialmente (mas não só) Bossa-nova.
Carlos Barros é Tropic(al)ia Total.

Assim eu nos vejo. Em rios diferentes, paralelos, mas cujas águas da Ciência e da Arte acabam por unir.
Dizem que o grego Artigas falou em nome da Arte: quando a ciência cala, a arte fala!

Que bom, pois assim, falamos em duas línguas que entendemos.

Eu estudei os Doces Bárbaros.
Marilda estudou (profundamente) o canto das sereias, rainhas e telúricas do Axé.


Ah! Que Tese-maravilha-de-leitura. Daniela, Margareth e Ivete deviam fazer bustos e cantar loas para a Cantora-Doutora pelo trabalho.


Enfim, dia 25 de setembro, Carlos Barros e Marilda Santanna sobem ao palco juntos.
Marilda em show no Tom do Sabor, recebe Carlos Barros para compartilhar momentos de prazer, em homenagem à Bossa Nova.
Para mim, será como encarnar Gilberto Gil cantando com Tom Jobim, ou será Maria Bethânia cantando com João Gilberto? Ainda apostaria em Carlinhos Brown no palco com Carlos Lira...

De toda sorte ( e que Deus, Oxóssi, Oyá e Oxum me dêem toda do mundo), Carlos Barros foi convidado por Marilda Santanna para subir ao palco.
Fui chamado para o Olimpo baiano pela porta da frente.
E como bom arauto dos meus, estarei lá.


Em 1983, Caetano disse, de Montreaux:
Bethânia, I can see you from here!


Eu digo, de Salvador para minha amiga-cantora-diva:

Marilda, I'll be with you now!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Casa da Mãe em setembro


Setembro é o mês de Carlos Barros na Casa da Mãe.

Depois da data fatídica (e de sucesso) do Onze de Setembro, outra quinta e o amadurecimento do show.


Com a batuta atenta de Dil Guimarães, a competência e presença de Pedro Ivo, a amizade de tantos próximos (não vou dizer os nomes para não faltar), o show Cantiga vem do céu vai seguindo viagem...


Show Cantiga vem do céu

18 de setembro
21:30h.

Casa da Mãe

Rua Guedes Cabral, nº 81, em frente à Casa de Iemanjá

Couvert: R$6,00


Fiquemos com Moska:


"Não somos mais que uma gota de luz

uma estrela que cai

uma fagulha tão só

na idade do céu..."


Até lá!!!!!!!!!

Terça-feira no Paralelo 4, em Salvador


Terça-feira é dia de Benção na beira do mar no Rio Vermelho de tanto sargaço produzido pela maré alta da boa (e bote bom nisso) música pra dança, pra admirar e pro mundo ficar ODARA.


A banda Paralelo 4 na Boomerangue agita com a sonoridade soul/funk/samba/reggae de Lenine, de Sá, Maia, Bahia, Rio, BRasil.


Somente posso dizer que é muito bom!

Uma negrada assume o prumo da Casa de shows, num piso em que ao pisar, evocamos o terreiro de Zumbi - aquele da felicidade guerreira!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Cantei Jack soul brasileiro (canção que ajuda a encerrar o meu próprio show). O manifesto de Lenine caiu (subiu) como uma luva bem colocada por mim e pelo vocalista Irênio (nem sei se é com I ou H espero encontrá-lo novamente, nem que seja para perguntar...).

Em setembro, as aves estão gorjeando na sua voz forte e perfeita para seu som. Eu também não deixei a peteca cair. Entre suores e suingues da Paralelo 4, Carlos Barros entre encantou-se e cantou com o rapaz, que vice-versa, cantou e (me) encantou!


Valeu mesmo!!!!!!!!!!!!!


Negradas, bons (e belos) vocalistas, guitarras e percussões e metais!


Paralelo 4 é Black-Bahia.

E a gente nem sabe de verdade qual a latitude de sua música!!!!!!


Quer saber?


Vá lá!!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Carlos Barros no Casa da Mãe


"Fá Maior, Arnaldo, por favor, Fá Maior..."
Gal Costa chama Bethânia e Caetano para cantar Tom e Vinícius,
em plena turnê
de Doces Bárbaros.
Quer mais?
Então:
Don't worry about a thing!

Every little thing is gonna be all right!!!!!!!!!!


Positive Vibration de
Bob Marley para a Bahia!

Cantiga vem do céu, o show, com Carlos Barros e Pedro Ivo, chega na Casa da Mãe, em 11 de setembro de 2008.


Nesta noite, os céus serão cenário e espetáculo à parte para mais esta apresentação.


Aportar no Rio Vermelho será um desejo incontrolável!!!!!!!!!!!


Casa da Mãe

Rua Guedes Cabral, 81, Rio Vermelho

Em frente a Igreja de Santana e a Casa de Iemanjá


Contato Casa da Mãe:
71 3331 3041


Contato Carlos Barros:
Dil Guimarães - 71 8835 0884




Até lá!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, 30 de agosto de 2008

O céu se abriu!





O céu se abriu ao comando de Iansã!

As cantigas desceram e chegaram aos ouvidos/olhos/poros de todos que assistiram à estréia de Carlos Barros com o novo show.

Pedro Ivo ditando as harmonias, Marcelo Neder abrilhantando com sua participação especial no cavaquinho, Déia Ribeiro atingindo picos com seus agudos de raro prazer!

Na platéia, gente boa, de variados matizes e tonalidades de cores, pois o céu do show começou azul e concluiu-se vermelhinho, vermelinho, no hedonismo proposto pela canção Odara (Caetano Veloso).


Márcia Short, Lucas de Souza, Odalice do Carmo(Motumbá, Yá), Marlon Marcos, Conceição Miranda, Márcia Barros, e entre outros, um séquito de fãs, admiradores e familiares de Pedro Ivo estiveram por lá para ver o céu se abrir. E ele se abriu.

Entre composições de Moska, Calcanhotto, Caetano, Zeca Baleiro e Chico César, as inéditas Chumbo e Para inglês ver, de Harlei Eduardo, se encontraram com a ode caetanística Eu gosto de Caetano (Felipe Queiroga), num clima de celebração ao Brasil nos seus limites mais densos. O Lamento Sertanejo de Gil trouxe notícias do Nordeste, de seus ventos frescos em quentura brasileira...


Caymmi, Ari, Vinícius e Tom dialogaram muito bem com Yuka e o Rappa. Djavan deu o tom nos intervalos difíceis e profundos de Morena de endoidecer, na minha voz, na minha alma.


Saindo na porta de casa para ver o céu escurecer!!!


Quando o céu voltou a clarear, o público estava entregue ao amor preconizado pelo espetáculo!


Muito obrigado a todos os presentes!


Imagens em breve deste encontro entre interpretação e sentir.
E como não poderia me furtar a dizer:

Muito obrigado Dil, Carlinhos, Marcelo, Pedro, Déia, Marlon!
Meus novos uns, meus novos meus!!!!!!!!!!!!!!!!!



Até mais!!!!!!!!!


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Carlos Barros no Tropical Hotel


Cantiga vem do céu chega aos palcos de Salvador.


Em 28 de agosto de 2008, Carlos Barros e o violonista Pedro Ivo estréiam o show Cantiga vem do céu, no Tropical Hotel, Projeto Quintas Musicais, às 19 h.


O repertório e roteiro do show são fruto de pesquisa lítero-musical sobre canções brasileiras de vários momentos e de muitas tonalidades.

Cores, sons e formas através das canções de Ari Barroso, Lenine, Tom Jobim, Moska, Pixinguinha, que se encontram no eixo céu, em muitas significações e entornos deste lugar da natureza do mundo e na nossa natureza interior.

O show é multimorfo.
Nesta apresentação, violão e voz emolduram o conceito e surpresas musicais podem acontecer...



Apareça!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



SERVIÇO:
Show - Cantiga vem do céu

Quem - Carlos Barros e Pedro Ivo

Quando - 28 de agosto de 2008

Onde - Tropical Hotel (Campo Grande, Salvador), 19 h.

Quanto - Entrada Franca (Consumação pessoal no Espaço)